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	<title>Paulo Delgado</title>
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		<title>O ano do Cavalo de Fogo</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Paulo Delgado]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 08 Feb 2026 12:16:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Artigos Correio Braziliense e Estado de Minas]]></category>
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<p>Há 4.724 anos, a China comemora o início do Ano-Novo Chinês — sendo que desde 1949, a data foi ajustada ao calendário gregoriano do mundo ocidental. Ocorre com o festival da primavera, a mais importante comemoração nacional do país. Tradição milenar de festejar a passagem dos signos do zodíaco, começa em 17 de fevereiro, como o ano da velocidade e das paixões intensas, o ano do Cavalo de Fogo. Ainda em fevereiro, comemora-se o dia do comediante, que tem como padroeiro São Lourenço, que viveu no Século III depois de Cristo. Ao ser martirizado numa grelha, Lourenço pede aos seus algozes que o virem, pois já estava bem assado de um lado.</p>



<p>O ano de 2026 começou com a “Resolução Absoluta” – como o governo dos Estados Unidos chamou a invasão da Venezuela para sequestro do casal presidencial – e com o silêncio constrangedor dos principais governos do mundo democrático. Dez dias depois tivemos o oposto, um barulho intimidador dos principais banqueiros dos Bancos Centrais, os Global Central Chiefs, para dizer que estão em total solidariedade ao presidente do BC norte-americano, acusado pelo mesmo governo dos EUA, de querer gastar US$2,5 bilhões de dólares para reformar a sede do FED.</p>



<p>A máquina do mundo não para! Antipatias e simpatias à parte, sem pretender ou poder entender os desígnios de Deus, é evidente constatar como muitas pessoas importantes não são o que poderiam ser. Os dois fatos revelam bem o movimento da balança de valores que equilibra o mundo da política atual. De outro lado, na Conferência anual da federação do varejo dos Estados Unidos, a National Retail Federation, palco do Big Show dos maiores executivos do comércio de massa, luxo e riqueza do varejo mundial, ocorrido mês passado em Nova Iorque, não havia nenhum dos expositores decepcionado com a sofreguidão do consumo no mundo moderno.</p>



<p><br>O que será que nos espera, acreditando ou não em horóscopo, de um mundo que não mora mais em nosso arbítrio? A base da evolução da sociedade pode ser vista como um sumário de comportamentos, hábitos e atitudes da vida dos indivíduos dentro das instituições em que forma sua biografia.</p>



<p>São inúmeros os tratados de sociologia que tentam compreender adequadamente os movimentos, papeis, desafios e destino das pessoas em sua vida familiar ou profissional. Viver é desempenhar papeis estruturados dentro da sociedade observando sua relação com as instituições. Ter uma biografia é compreender como melhor se forma sua personalidade, responsabilidade e consciência pessoal e social. Nos tempos presentes o que temos visto no Brasil e no mundo é que a maioria das pessoas adquire suas características sem muito senso crítico, como se tivessem uma mente implantada.</p>



<p><br>A moldura institucional e a estrutura social de nosso tempo, sua forma de funcionar, seus vocabulários cifrados, a massificação das palavras, leis, manias, está produzindo um robô alegre, que é convencido, externamente a ele, a aceitar ou rejeitar sua autoimagem.</p>



<p><br>São tantas as influências externas que poucas pessoas perdem tempo em formular alguma opinião própria adequada a sua verdadeira opinião. Felizmente aumenta a reflexão de que o indivíduo precisa começar a transcender, conscientemente, o papel previamente preparado pela estrutura e a ordem de seu meio, para poder melhor desempenhar sua função.</p>



<p>Com juros tão altos, claro que é mesmo difícil ter algum capital de giro para conceder à paciência algum tempo para se dedicar a algo que não seja moda. Tempo sem humor, dilacerado pela imitação e a intimidação.</p>



<p><br>É um tempo aparente da variedade de estilos, antes mais parece de moldes fixos, modelos de comportamento, impedindo que a beleza da variedade humana se afirme espontaneamente. São máquinas de desejos, leis e ordens sendo criadas para criarem tipos e situações que fazem a glória dos fiscais de lei para tudo – e também dos que burlam a lei.</p>



<p><br>A variedade é contraditoriamente uma massa homogenia. São ondas do contexto de um tempo, impulsionadas por propaganda, meios químicos, desejo de adaptar-se ao que se vê, lê ou ouve. Onda que serve a todas as categorias interessadas em aumentar a frequência das atitudes esperadas e encaixá-las numa gaiola de condutas. Por trás de tudo cresce a força do abuso burocrático dos que têm poder e influência para impor, em seus ambientes específicos, uma mesma visão das coisas.</p>



<p>O elo fraco do mundo atual não são só as ordens institucionais impostas, mas a desagregação da estrutura social e sua desconcertante aceitação das ideias dominantes por não compreender claramente que só tem ideias dominadas. Tendências que desagarram de valores o destino político, espiritual, econômico e cultural global.</p>



<p></p>
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		<title>A esperança como pesadelo</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Paulo Delgado]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 28 Dec 2025 12:09:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Artigos Correio Braziliense e Estado de Minas]]></category>
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<p>Fim de mais um ano, novas invenções, o espelho não prova mais que envelhecemos, a produção de riqueza aumenta, mas em que país as colunas da ordem e da desordem não são artifícios do progresso de um tempo inventor de pesadelos.</p>



<p>Sem apelar para o otimismo meio cínico de quem vê transcendência na bagunça que são as equivocadas preferências do mundo, mas também sem se perder na indiferença de quem acha que nada mais é genuíno e verdadeiramente bom, o tempo de Natal e Ano Novo é sempre uma boa época em que a pausa nos permite refletir sobre o que vai bem e o que vai mal por aí.</p>



<p>Em sua primeira mensagem por ocasião do dia de Natal, o Papa Leão XIV disse que o mundo melhoraria de verdade “se entrássemos de fato no sofrimento dos outros e fôssemos solidários com os fracos e os oprimidos”. A mensagem, seguida de uma benção direcionada à cidade [de Roma] e ao mundo, lembra o imperativo ético de, em primeiro lugar, proteger os desprotegidos e melhorar a vida daqueles que estão numa situação de maior vulnerabilidade. É essa a primordial capacidade de amar, para quem quer ser verdadeiramente feliz.</p>



<p><br>Nas principais praças do mundo, no entanto, os dados mostram que 2025 foi mais um ano que alimentou a bifurcação estrutural do bem-estar, naquilo que muitos visualizam como uma economia em formato de K. O formato da letra K sintetiza uma distribuição de bem-estar em que uma parcela menor da população experimenta uma trajetória ascendente, com crescente segurança econômica baseada na acumulação e consumo requintado de tudo, enquanto uma outra faixa muito mais ampla da população segue em direção descendente, enfrentando a deterioração das condições e das expectativas de trabalho, o que vem acompanhado por endividamento insustentável e cronificação da insegurança pessoal e material.</p>



<p>Isso não resulta numa sociedade verdadeiramente segura e que conta com o apoio racional necessário para o funcionamento geral dos seus sistemas e instituições. Por isso vivemos tempo de constante apelo à irracionalidade e de tolerância com a fatalidade que é ver tantas almas desunidas.</p>



<p>Revertendo a trajetória de expansão do bem-estar social observada no mundo nos últimos anos, temos hoje uma clara dissociação que descamba em dualidades de baixa harmonia. Duas realidades humanas desencontradas, onde cada uma quer uma coisa, sendo, ao mesmo tempo, causa e efeito do enfraquecimento do afeto social. Tal retroalimentação ocorre porque aqueles que prosperam passam a viver em realidades econômicas quase desconectadas das dificuldades enfrentadas pelos mais vulneráveis. Ou é isso, ou é visto de tal maneira pelos marginalizados, o que é suficiente para rasgar a harmonia do tecido social. Enfim, dois produtos de condições sociais diversas que vão se tornando duas diferentes famílias de almas e espíritos que se esbarram sem se unir.</p>



<p>Essa configuração, historicamente associada a sociedades marcadas por desigualdade estrutural, abuso de poder normalizado e informalidade persistente, deixou de ser uma exceção periférica para se tornar uma tendência central nas economias avançadas. Nesse sentido, não é difícil observar uma gradual “brasilianização” do mundo. Situação curiosa de nosso país, onde a esperança é uma profissão e hoje parece ser sina obrigatória de qualquer país neste mundo desigual.</p>



<p>Melhorar a vida de todos estava consolidado no mundo como promessa de que a periferia subdesenvolvida convergiria gradualmente aos padrões do chamado “mundo desenvolvido” e não o contrário. Essa era a expectativa sobretudo no caso brasileiro, um país de renda média que foi sintetizado na metáfora da Belíndia, formulada pelo mineiro Edmar Bacha na década de 1970 para descrever um país composto por ilhas de Bélgica em um oceano de Índia.</p>



<p>O que se observa nas décadas mais recentes, no entanto, é uma convergência no sentido inverso: aquilo que antes parecia uma especificidade brasileira passou a se manifestar como um fenômeno global. A própria Índia se desenvolveu de um jeito desequilibrado e ficou cada vez mais parecida com o Brasil. As regras do jogo da desigualdade, tão associadas ao Brasil, se espalharam para países em desenvolvimento e também desenvolvidos.</p>



<p><br>Que venha 2026 com votos que seja maior o interesse racional de todos os países em reduzir as fricções sociais causadas pela insatisfação daqueles deixados para trás num contexto que permite tanto luxo. Isso porque, no longo prazo, só essa moderação e esse equilíbrio podem preservar o apoio necessário ao funcionamento geral do sistema econômico sem maiores violências.</p>
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		<title>A triste sina das Guinés</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Paulo Delgado]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 30 Nov 2025 12:05:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Artigos Correio Braziliense e Estado de Minas]]></category>
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<p>Antes que Luís de Camões, em “Os Lusíadas”, pudesse celebrar que “Do mar temos corrido e navegado,/ Toda a parte do Antártico e Calisto, / Toda a costa Africana rodeado, / Diversos céus e terras temos visto”, os portugueses precisaram de preparação, indagação e imaginação sobre o que encontrariam nos diversos céus e terras para além-mar.</p>



<p>Segundo diversos relatos, o infante D. Henrique, impulsionador inicial das Grandes Navegações, perguntava insistentemente aos mouros de Ceuta acerca “das coisas do interior do sertão da terra” africana. Essa diligência lhe foi proveitosa, pois por meio deles viu como se conectavam diferentes regiões do continente Africano e onde começava a região que mouros e berberes conheciam como Guiné.</p>



<p>Pois bem, o tempo passou e a região da Guiné se dividiu em vários reinos redesenhados e renomeados pela colonização e, muito mais tarde, também pela descolonização. De todo modo, como atestado da força do nome, hoje ainda existem três países que carregam o nome Guiné na África Ocidental: a Guiné Equatorial, a Guiné-Bissau e a República da Guiné, também conhecida como Guiné-Conacri.</p>



<p><br>No meio da semana que passou, uma das três Guinés ficou em evidência por conta da mais recente volta da triste sina de tragédia política que acomete, de modos distintos, cada uma delas, além de muitos outros países da portentosa África, a qual foi e às vezes segue sendo tão maltratada e explorada por tanta gente diferente, tanto de lá mesmo quanto por muitos forasteiros.</p>



<p><br>Nesse caso específico, um dia antes do anúncio previsto dos resultados provisórios de uma disputada eleição presidencial na Guiné-Bissau, um grupo de oficiais das Forças Armadas declarou ter tomado o poder, detendo figuras políticas centrais, incluindo o presidente e candidato à reeleição, Umaro Sissoco Embaló, bem como responsáveis pelo processo eleitoral.</p>



<p>Em comunicado, os oficiais afirmaram ter constituído um “Alto Comando Militar para a Restauração da Ordem”, que assumiria o governo desse país historicamente propenso a golpes. Dado que as Forças Armadas bissau-guineenses são notoriamente fragmentadas, permanece incerto se os golpistas contam com o apoio dos principais comandantes e de suas respetivas tropas.</p>



<p><br>O pequeno país da África Ocidental, com cerca de 2 milhões de habitantes e refém de uma participação exagerada dos militares na política, tem sido, há anos, um corredor estratégico para redes nacionais e estrangeiras de narcotráfico que utilizam o território como escala para o mercado ilícito europeu.<br>A já protelada votação realizada no domingo passado, tinha o presidente em exercício – agora possivelmente afastado pelo golpe e já refugiado no vizinho Senegal – enfrentando um concorrente bastante competitivo. Some-se a isso, o fato de que nas últimas três décadas, nenhum presidente conseguiu, enquanto estava no cargo, obter um segundo mandato consecutivo.</p>



<p>Numa das histórias de pior desarranjo institucional que ocorre nas últimas décadas mundo afora, é também fato de que desde 1974, ano em que conquistou a independência de Portugal, a Guiné-Bissau já foi abalada por pelo menos nove golpes e tentativas de golpe.</p>



<p><br>Alguns observadores destacam ainda que Umaro Embaló recorre frequentemente à produção de crises políticas como pretexto para medidas repressivas. Ademais, durante o seu governo, relatos apontam para uma intensificação do narcotráfico, fenômeno que reforça a vulnerabilidade institucional do país.</p>



<p><br>O general anunciado como novo líder da Guiné-Bissau era, até o golpe, chefe da própria Guarda Presidencial do presidente Embaló, o que sugere, no mínimo, algum grau de continuidade entre os segmentos das Forças Armadas que tomaram o poder e o núcleo presidencial. Quem está “dentro” e quem está “fora” desse arranjo ainda não está claro, mas o principal candidato a disputar a presidência contra Umaro Embaló afirma que se trata de uma forma de autogolpe.</p>



<p>De fato, a não ser que tenha ocorrido uma grande traição sem um maior ato de violência contra o traído, Umaro Embaló, que também é general do Exército, continua a ter vários de seus homens de confiança à frente do poder em Bissau. Aparentemente, quando Embaló soube que perdera as eleições, viu nessa manobra a chance de manter poder por vias diversas, através do grupo que governava com ele.</p>



<p><br>A Guiné-Bissau é membro da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), sediada em Lisboa. O imbróglio deve arrastar a CPLP, uma vez que a presidência rotativa dessa organização internacional dos países falantes da língua de Camões, encontra-se justamente com a Guiné-Bissau, a princípio de 2025 até 2027.</p>
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		<title>Nações desunidas</title>
		<link>https://paulodelgado.com.br/nacoes-desunidas/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Paulo Delgado]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 16 Nov 2025 20:37:35 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Artigos Correio Braziliense e Estado de Minas]]></category>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>Há anos que as agruras da Organização das Nações Unidas (ONU) vêm sendo expostas em praça pública ao redor do mundo. No ano em que completa oitenta anos – mesmo tempo que nos separa do final da Segunda Guerra Mundial –, a ONU está cada vez mais desorganizada, desunida e fraca.</p>



<p>Nem a COVID ensinou nada à ONU, que ainda insiste em passar mais tempo em gigantescas e caríssimas reuniões presenciais para impressionar e parecer dedicada. Visibilidade sem produtividade acirra a pressão dos não convidados para participar ou, pelo menos, também serem vistos.</p>



<p>Quem não se sente representado pelos delegados oficiais escolhidos – pessoas, organizações privadas, líderes ou governos avessos ao tema – boicotam de alguma forma e escancaram a inadequada engrenagem que é imaginar decisões consensuais em um mundo de cabeça para baixo como o de hoje.</p>



<p>São convincentes as hipóteses de que o descaso para com a ONU tem justamente a ver com essa distância cada vez maior que a humanidade está da experiência de uma guerra mundial. Afinal, somente aqueles com idades próximas ou superiores a noventa anos guardam na memória o que é uma guerra mundial. Enquanto isso, a volumosa geração que nasceu imediatamente após a guerra, conhecida como “baby boomers” – praticamente todos os governantes atuais – ainda está em conflito sobre os contornos do mundo que buscam deixar para as gerações futuras.</p>



<p>Além de ser a mais volumosa, a geração de “baby boomers” é particularmente bem-sucedida em inúmeros aspectos. Em termos de governança global, o que seus pais e avós deixaram para os “boomers” foi, em grande parte, um sistema organizado em torno da ONU, com um Conselho de Segurança superpoderoso no centro de seu comando. Na prática, mandam ali os cinco países com poder de veto, com os Estados Unidos sempre à frente, propagandeando liderar um mundo livre, mesmo quando perseguem ou sabotam agentes que, ou buscam a liberdade, ou não a ameaçam.</p>



<p>Mais na prática ainda, nas décadas que se seguiram a 1945, os “boomers” herdaram de seus pais um mundo dividido em três gestões: uma primeira, realizada pela tríade representada pela soma do mundo anglo-saxão, mais a Europa Ocidental e o Japão, a qual eventualmente se organizou no G7; uma segunda, composta por países que viviam entre receber ordens de Moscou e viver às turras com a capital soviética, com a qual compartilhavam o sistema de governo baseado em um partido único — às vezes mais, às vezes menos centralizado em torno de uma liderança ditatorial; e, por fim, havia o chamado Terceiro Mundo, onde, desde o romanceado 007 até os agentes de carne e osso que se julgavam civilizados em casa, todos tinham licença para matar em nome de qualquer desculpa esfarrapada.<br><br>Eventualmente, Pequim passou a ocupar seu assento no Conselho de Segurança e vinculou seu crescimento econômico ao dos países do G7, e o Segundo Mundo, por essas e outras razões, ruiu. Restaram apenas países desenvolvidos e países em desenvolvimento, ou ricos e pobres, no mundo em que os “boomers” passaram a mandar e desmandar.</p>



<p>Os mais poderosos entre aqueles nascidos dentro dos cerca de dezoito anos contados a partir de 1946 nunca reformaram a ONU. Muito pelo contrário: nos anos 1990, adicionaram ao seu sistema a OMC, que havia ficado de fora em 1945; instrumentalizaram o FMI e o Banco Mundial, produzindo um estranho misto de conformidade e irritação onde se metiam; e levaram o Conselho de Segurança a praticamente deixar de funcionar, com o uso dos vetos cada vez mais banalizado.</p>



<p><br>O fato é que o órgão central da ONU deixou de ser usado para consultas consequentes e, hoje, é simplesmente desprezado. A OMC também já não funciona, e o FMI e o Banco Mundial são uma sombra canhestra do que já foram. É esse contexto que leva sempre à breca tanto a COP30, ocorrendo em Belém do Pará, bem como todas as Conferências das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas que a precederam.</p>



<p>Em termos de governança global, essa era das “nações desunidas” dá origem a um déficit de liderança mundial envelopado em diferentes formas. A badalada consultoria Eurasia, por exemplo, popularizou tal estrutura mambembe chamando-a de G-Zero, uma era em que nenhuma potência, nem grupo de potências, está disposta e ao mesmo tempo é capaz de conduzir uma agenda global e manter a ordem internacional. O Direito Internacional é rasgado e desprezado em praça pública para todo lado e ninguém se mexe.</p>



<p>Não adianta mais querer saber quem é culpado. Todos são culpados. Guerra, poluição, miséria e corrupção são as principais dores e temores das nações. Sem princípios a humanidade fracassa e nações, por não terem atitude, distraem o povo fazendo leis que não cumprem.</p>



<p></p>
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		<title>O cobiçado estreito de Malaca</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Paulo Delgado]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 02 Nov 2025 18:18:49 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Em torno das Ilhas Riau existe um mundo em ebulição. Institucionalizadas como uma das províncias da Indonésia, as Ilhas Riau incluem o arquipélago de mesmo nome<span class="excerpt-hellip"> […]</span></p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>Em torno das Ilhas Riau existe um mundo em ebulição. Institucionalizadas como uma das províncias da Indonésia, as Ilhas Riau incluem o arquipélago de mesmo nome e uma vasta extensão de ilhas — mais de duas mil — espalhadas pelo mar partilhado por diversos países. A província constitui o primeiro nível de divisão administrativa da Indonésia, e as Ilhas Riau fazem fronteira marítima com países vizinhos como Malásia, Singapura e Brunei. As Ilhas Riau também são a parte da Indonésia mais conectada ao Golfo da Tailândia, às costas do Camboja e do Vietnã, bem como ao Mar da China Meridional e ao Mar das Filipinas Ocidental. Trata-se de um mundo de conexões marítimas com uma história antiquíssima e que hoje vive um momento de florescimento e intensa transformação.</p>



<p>A principal organização que busca dar coerência e cooperação nessa região marcada por profundas diferenças políticas e econômicas é a Associação das Nações do Sudeste Asiático (Asean), criada em 1967 e que chegou à sua atual composição de dez Estados-membros em 1999. Sua principal função é assegurar a estabilidade regional por meio de consultas entre os países vizinhos e da busca por decisões consensuais, de modo a fazer frente aos interesses das grandes potências que disputam influência na região.</p>



<p>Um tanto da história do Brasil está ligado a essa região, ainda que nem sempre tenhamos consciência disso. Nos primeiros séculos da colonização, os portugueses exerceram longo domínio sobre os mares que conectavam a África ao Oceano Índico e às costas do Sudeste Asiático, em rotas que levavam até Cantão (atual Guangdong, China).</p>



<p><br>Tanto por limitações de ser um país pequeno explorando territórios de dimensões continentais, quanto por estratégias de outra natureza, Portugal revelou sua predileção por fortalezas comerciais nas terras situadas além do Cabo da Boa Esperança, na atual África do Sul. A partir de seus nós costeiros, os portugueses transformaram a região que se estende do Oceano Índico aos mares em torno das Ilhas Riau em uma rede de domínio aquático com as características de um Estado territorial, administrado por uma vasta e complexa frota.</p>



<p>As conquistas portuguesas no Oceano Índico em direção ao Oriente ocorreram em rápida sucessão: Goa (1510), Malaca (1511), Colombo (1518), entre outras, até que Macau se transformou, de fato, no porto português na China, no início da década de 1560. Isso só aconteceu depois que os portugueses superaram uma série de desconfianças e disputas desde sua primeira incursão em território chinês, em Cantão (1513), abrindo caminho para o comércio pelo Mar da China.</p>



<p>Consideradas em conjunto, essa constelação de possessões costeiras e insulares constituía uma rede formidável e surpreendente para um país tão pequeno e longínquo. Eventualmente, veio a perder espaço com a ascensão de outras potências europeias que chegaram à região no encalço dos portugueses.</p>



<p><br>Um dia, a história da conexão existente, desde os anos 1500, entre o Brasil e diversas áreas costeiras do Sul e do Sudeste Asiático, estendendo-se até a porção mais austral do Leste Asiático, deverá ser mais bem contada e explorada. Afinal, só para citar alguns aspectos, várias árvores icônicas do Brasil vieram de lá, a começar pela mangueira e pela jaqueira, além de inúmeras influências arquitetônicas e urbanísticas.</p>



<p>Se cada vez mais o mundo percebe a importância da região da Asean e suas conexões imediatas, a primeira grande descrição ocidental sobre a relevância da região vem do século 16, quando o explorador português Tomé Pires escreveu em sua Suma Oriental: “quem é senhor de Malaca tem a mão na garganta de Veneza. Desde Malaca até a China, da China às Molucas, das Molucas a Java, e de Java a Malaca e Sumatra, tudo está em nosso poder”. O que Pires descreve é justamente o perímetro que se estende em torno das Ilhas Riau.<br><br>Hoje, a autoridade sobre o Estreito de Malaca – que liga os oceanos Pacífico e Índico – é compartilhada entre Singapura, Indonésia e Malásia, três membros-fundadores da Asean. Além do mais, por ser uma via de passagem internacional essencial, o direito de trânsito é regido pela Convenção das Nações Unidas sobre o Direito do Mar (Unclos). Assim, embora cada um dos três países mantenha soberania sobre sua zona territorial, a passagem de navios estrangeiros é garantida sob o regime de “passagem de trânsito”. Já os grandes mercadores preocupados com o Estreito de Malaca não estão mais em Veneza, mas sim na China. A China não é membro da Asean, embora seja a principal potência interessada na região, de olho nos movimentos que EUA, Japão, Índia e mesmo a Rússia fazem por lá.</p>
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		<title>As cadeiras rasgadas da ONU</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Paulo Delgado]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 05 Oct 2025 19:52:49 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Artigos Correio Braziliense e Estado de Minas]]></category>
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<p>O século 21 é um século que já nasceu velho, como mobília maltratada, sem grandeza ou textura. Quem chega ao hall da Assembleia Geral na sede das Nações Unidas (ONU) em Nova York, os painéis “Guerra e Paz”, do artista brasileiro Cândido Portinari, pairam como uma admoestação aos líderes mundiais que anualmente se encontram ali sobre a importância da transformação da guerra em paz.</p>



<p>Quando os painéis de Portinari foram inaugurados na ONU, o secretário-geral da entidade era Dag Hammarskjöld, um entusiasta declarado da monumental obra doada à ONU pelo Brasil. A obra teve início durante o último e único governo democrático de Getúlio Vargas, sendo entregue no governo de Juscelino Kubitschek, marcado pelo otimismo sobre a capacidade humana de progredir com elegância.</p>



<p>Curiosamente, Portinari não pôde acompanhar a instalação de sua própria obra na ONU, por uma mesquinha deselegância. À época, teve o visto de entrada nos Estados Unidos negado em razão das posições políticas que lhe eram associadas e que, naqueles anos 1950 marcados pelo autoritarismo paranoico do macarthismo nos EUA, eram alvo de perseguição sistemática.</p>



<p>O exuberante sueco Hammarskjöld, que viria a receber o Prêmio Nobel da Paz postumamente, após morrer num suspeito acidente de avião em 1961 no continente africano, dizia que “a ONU não foi criada para levar a humanidade ao paraíso, mas para salvar a humanidade do inferno”.</p>



<p>Pois bem, se tal for mesmo a missão da ONU, a entidade passa por um período triste e sombrio, sem muitas condições de ajudar a humanidade. Nessa Assembleia Geral, no final de setembro, marcando os 80 anos das Nações Unidas, era visível o estado bastante puído ou rasgado das cadeiras no plenário de sua sede em Nova York, claro sinal da má-conservação da entidade, mesmo em seus aspectos mais banais.</p>



<p>Talvez tenham sido deixadas assim até mesmo para “fazer tipo”, já que, de fato, a ONU enfrenta, no momento, um corte orçamentário de 500 milhões de dólares. O qual levará ao fechamento de cerca de 20% dos postos de trabalho, após a forte redução no financiamento dos EUA. De todo modo, como demonstra a proposta orçamentária para a redução de pessoal, e seguindo o padrão das elites do holerite que mandam no caixa dos Estados atuais, os cortes da ONU para 2026 poupam os volumosos e improdutivos escalões mais altos, que permanecem muito bem remunerados — inclusive para os padrões nova-iorquinos.</p>



<p>Talvez outros países pudessem cobrir essa negligência financeira dos EUA para com a ONU. Todavia, é difícil vislumbrar isso acontecendo nos moldes atuais do Sistema ONU. Afinal, sediar a ONU em Nova York — além de algumas das principais agências especializadas do Sistema, como é o caso do Banco Mundial em Washington — é apenas um dos vários privilégios que os EUA detêm dentro desse organismo multilateral desde sua fundação.</p>



<p>A contrapartida, mais ou menos óbvia, é a de que pagaria mais por isso. Apesar de que o enfraquecimento da ONU já vem de décadas, em parte pela resistência em reformar a instituição, em parte pelo boicote que seus principais atores fazem do órgão — não apenas os EUA —, nos anos mais recentes a ONU deixou de estar ou ser protagonista dos principais eventos globais. Isso é uma novidade preocupante. E ocorre por culpa dos “sócios” da ONU.</p>



<p>Em artigo recente publicado no Financial Times, de Londres, um dos editores do jornal, Alec Russell, em parceria com uma jornalista do Washington Post, Abigail Hauslohner, focada em assuntos de Segurança Nacional na capital estadunidense, se perguntaram se a ONU poderia se salvar da irrelevância.</p>



<p>Os dois citam conversas com Mark Malloch-Brown, um influente político inglês que esteve por vários anos à frente do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), também sediado em Nova York. Para Malloch-Brown, “de muitas maneiras, a ONU é um morto-vivo, que nunca chega a cair totalmente, mas ainda assim é um cadáver”.</p>



<p>Como muitos outros observadores, Malloch-Brown aponta que a ONU ainda poderia desempenhar um papel vital no mundo e que, no momento, o mais relevante para a sustentação do organismo é o fato de a China e outras potências emergentes estarem buscando exercer um papel de liderança à medida que os EUA se afastam, deslocando o foco da ação do paralisado Conselho de Segurança para a Assembleia Geral.</p>



<p>De todo modo, é difícil acreditar que o Sistema ONU siga em sua missão de salvar a humanidade do tumulto crescente sem mudar a mentalidade egoísta dos seus estados-membros. E isso passa, inclusive, por uma melhor distribuição geográfica de suas sedes e locais de encontro, que não podem ficar às expensas dos humores do país anfitrião.</p>
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		<title>A Era do Ventríloquo</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Paulo Delgado]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 21 Sep 2025 20:26:35 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Artigos Correio Braziliense e Estado de Minas]]></category>
		<category><![CDATA[Recentes]]></category>
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<p>Vivemos a era do escrutínio político e da destruição das vontades. Sem base em ciência ou razão, quem tem poder não quer a concorrência do livre pensamento e busca credibilidade nas pesquisas de opinião — certos de que ninguém percebe que pesquisas são boatos estatísticos que usam simulações para aprisionar o fato no cérebro e no coração do cidadão.</p>



<p>Pesquisas são recados aos perdedores: querem ser atlas e bússola para todos, agulha a conduzir manadas e impor uma interpretação da realidade. A ordem do universo não é invisível; parece uma ameaça à sabedoria. O que predomina é o corretor moral da opinião para a sociedade não pensar nada antes de ler o que lhe mandam para começar a pensar.</p>



<p>Assim funciona o mundo sabotador da liberdade: aqui está a decisão, podem começar a discussão.</p>



<p>Assim funciona a realidade por onde trafegam os governos atuais. Todas as situações visam enquadramento, aspiram a ser obsessões. São súmulas que todos devem aceitar, nunca pontos de vista sobre as faces invertidas de uma mesma moeda. Quem detém o poder de transformar em fato o que diz ou pensa, atormenta a todos com sua ideia. Como precisa de adeptos para se estabelecer, sobrecarrega os meios de comunicação de análises condescendentes. Tão repetido artifício não disfarça mais ser artifício.</p>



<p>Quem aceita sem compreender está sempre muito menos inquieto do que quem compreende sem aceitar. São derivas políticas, comerciais, intelectuais, judiciais, eclesiais, morais, musicais&#8230; São modas de um mundo obediente que congelou a memória e o tempo da reflexão.</p>



<p>Na sociedade de controle atual, mandar é transformar ordem em consciência. A cabeça confusa de um único sujeito que nunca encontra falhas em si mesmo é pura ideologia. Sabota a verdade dizendo que é do interesse geral. Quem o repete o ajuda a acomodar a todos.</p>



<p>Tudo está organizado para impor detalhes de uma realidade fragmentada. Pela regra do empastelamento, não há mais sábios ou liberdade para pensar sem condicionamento. Tudo está indexado aos valores de quem detém o poder de definir o que é valor. Interesses de estados, governos, instituições e personalidades de toda parte tornam-se fragmentos midiáticos. Trata-se de verdadeiras bombas-relógio, espoletas e ruídos de superficialidades, pratos-feitos, ódios e preconceitos.</p>



<p>Ninguém mais arranca da vida esse carrapato que se tornou a confusão de notícias, comentários, mesas-redondas, webinar, ofertas de tudo, variantes monstruosas tentando explicar, defender ou atacar algum alvo humano. Síndrome de consumo excessivo da trivialidade que tira a concentração.&nbsp;</p>



<p>Impõe-se, assim, uma rotina de exasperação, em que só é aceito quem se torna ventríloquo da ordem unida. E o pior: nem tudo que fere e cinde a personalidade é propriamente manipulado, visto que muitas vezes é assimilado, naturalizado e repetido sem consciência.</p>



<p>Em todos os continentes, verdades absolutas são ditas a torto e a direito numa arapuca para fazer o anormal parecer natural. Elevados ao tom da cólera, infantilizados pela manipulação afetiva ou lançados para bajular ou amedrontar, o que lemos, vemos ou ouvimos traz a marca do ser humano com algum poder — dos pequenos aos exagerados.</p>



<p>Até o humor é sem graça se serve a ignomínia ou quer humanizar a idiotice.</p>



<p>Não se trata de negar a realidade. Mas é bom, para não se tornar escravo de sua compreensão pasteurizada, escapar da loteria uniforme que virou a interpretação dos acontecimentos mundiais. Manter a porta aberta para distinguir necessidades que só interessam a quem as divulga.&nbsp;</p>



<p>Desviar-se do labirinto da conformidade, das ideias prontas e repetidas, que correm como gêmeas pelos blogs, jornais, revistas, televisões e internet, é tarefa difícil. Sem alguma noção de como o poder domina a mente de um poderoso, é quase impossível deduzir se suas frases ou ações são fraudes ou verdades.</p>



<p>São inúmeros os acontecimentos, em todos os países, que inundam a mídia e impõem um tempo sofrido ao cidadão que busca interpretar e entender os fatos de forma sincera e verdadeira. Afinal, a grande maioria, se não sabe, desconfia. É o inconformismo sadio de quem não perdeu a noção de que desenvolver sabedoria para identificar o impostor é a boa moldura da vida.</p>



<p>O excesso de opinião igual conduz a uma indigestão de opinião. Trata-se de um cativeiro estéril da mente que pode levar a humanidade ao extermínio da comunicação, por simplesmente não haver mais nada a dizer.</p>



<p>Admiro o contra-pensamento. E, para manter a linha, ilustro com um acidente com uma torrada:</p>



<p>Sara contou ao rabino que havia presenciado um milagre no café da manhã. Deixou a torrada cair e, maravilhada, notou que ela não caiu com o lado da manteiga para baixo! O rabino a desencantou: — Ingênua Sara, você apenas passou a manteiga do lado errado.</p>
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		<title>Ambições antiocidentais no mundo</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Paulo Delgado]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 07 Sep 2025 19:06:30 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Artigos Correio Braziliense e Estado de Minas]]></category>
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<p>O mundo é cada vez mais rico de mobília e mais pobre de amizade. Não há região onde a mescla entre política e inimizade esteja fora de moda. A desordem é maior do que a ordem quando o corpo político é dispensado de princípios e só exige tutela e correspondência. Guerras são o fim da política. Por isso são antecedidas de extremos morais e discriminação.&nbsp;</p>



<p>A política virou uma atividade dogmática movida por esforços compulsivos, humores orgânicos de quem baila bem entre a astúcia e a ofensa, atraindo especialmente quem inscreve a divergência – e muitas vezes o ódio – na vida e no luto da defesa de ideias. Serve pouco ao progresso conflitos motivados por alergias, impaciência, valorização de um ponto de vista único.&nbsp;</p>



<p>Mas Deus salve a Europa se não houver mais necessidade de ninguém fugir de um país ao outro. Região historicamente belicosa do mundo que cansou do baile dos sectários e assistiu ao esgotamento das pretensas teorizações, princípios e desejos que levam a conflitos que poderiam ser evitados. Região que decidiu não dar mais valorização excessiva ao espírito de revolta e de defesa de fronteiras por ver virtude maior na superação das barreiras que impedem a livre circulação do pensamento, das artes, das pessoas e das mercadorias.&nbsp;</p>



<p>Não é de geografia que escrevo. Região institucionalizada na União Europeia, deu um importante passo na integração pela criação de um elevado estado de espírito, o Espaço Schengen, acordo criado em 1985 nesta vila de Luxemburgo que não chega a mil habitantes. O acordo aboliu o controle das fronteiras internas de parte significativa da Europa — incluindo quase todos os membros da União Europeia, mais alguns outros países da região que aderissem ao tratado — para possibilitar a livre circulação de pessoas, bens e serviços. </p>



<p>Schengen foi escolhido como destino porque é o único local onde França e Alemanha — os países mais populosos da União Europeia — se encontram com um membro do Benelux, grupo formado por três países — Bélgica, Holanda e Luxemburgo — que deram início à prática de uma comunidade de nações com fronteiras abertas em meio ao fraturado século 20. </p>



<p>Uma política comum de visto faz com que aqueles de fora do Espaço Schengen tenham que carimbar o passaporte apenas na primeira entrada, podendo, então, seguir em frente por quase toda a Europa Ocidental, sem ser incomodado com a burocracia dos Estados estruturados nos séculos 19 e 20.&nbsp;</p>



<p>Há sinais de que o esplendor desse sonho talvez esteja se exaurindo. Tanto no Espaço Schengen, quanto ao seu redor, vemos o retorno de uma história sem utopia que a violência e a política fratricida e de ambições vãs vêm impondo ao mundo.&nbsp;</p>



<p>Neste ano, 11 países — entre eles França, Alemanha e Holanda — restabeleceram controles internos de fronteira de caráter excepcional, mas aplicáveis a todos os viajantes. Embora, em grande medida, o compromisso com a livre circulação dentro do Espaço Schengen permaneça em vigor, instrumentos concebidos como medidas de último recurso vêm sendo banalizados em escala crescente.&nbsp;</p>



<p>Pelas regras, tais controles só podem durar seis meses, mas podem ser renovados sempre que as autoridades aleguem a existência de circunstâncias excepcionais. O problema é que o “excepcional” está tornando-se rotina.&nbsp;</p>



<p>Por outro lado, também em 2025 o Espaço Schengen se expandiu, integrando a Bulgária e a Romênia, resultando no fim dos controles fronteiriços terrestres dos dois com seus vizinhos da UE. Esse movimento ambivalente entre integração e retração remete a uma tipologia clássica de Albert Hirschman sobre como a política reage diante da ordem estabelecida.&nbsp;</p>



<p>Albert Hirschman foi um dos intelectuais mais notáveis do século 20. Além de ter uma das obras mais perspicazes e honestas das ciências econômicas, o jovem Hirschman serviu na Guerra Civil Espanhola e na resistência francesa após ter sido expulso pelo nazismo de sua Alemanha natal.&nbsp;</p>



<p>Chegou nos EUA com documentos falsos, fugitivo que era do nazifascismo, após desafiar a Gestapo e ajudar centenas de antifascistas a escapar pelos Pireneus. O que será que Hirschman diria das ambições antiocidentais dos líderes atuais sufocando os valores de liberdade, democracia, cultura, razão e livre circulação que fizeram o mundo moderno? </p>



<p>O Espaço Schengen representou, por décadas, a aposta europeia na lealdade básica à integração e na voz da cooperação mútua, superando a lógica sectária que alimentava guerras. Sua expansão, com a adesão de Bulgária e Romênia, é sinal de persistência desse espírito. Todavia, quando as nações incitam suas tropas, deslocam navios ou fazem desfiles militares ao gosto de tiranos, os ventos de retração ilustram como os princípios ocidentais europeus correm risco de desaparecer.</p>
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		<title>Brasil-EUA: a Hora dos Moderados</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Paulo Delgado]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 10 Aug 2025 13:58:21 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Artigos Correio Braziliense e Estado de Minas]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Nenhum país está, hoje, no auge de seu triunfo. Muitos começam a pagar as dívidas próprias da velhice de seus sistemas econômicos e de poder, entregues<span class="excerpt-hellip"> […]</span></p>
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<p>Nenhum país está, hoje, no auge de seu triunfo. Muitos começam a pagar as dívidas próprias da velhice de seus sistemas econômicos e de poder, entregues ao esporte em que se transformou a divergência partidária e ao funcionamento personalista e repleto de privilégios das instituições do Estado. Trata-se de uma velhice inamável, que revela a fuga da audaciosa ajuda do destino e da fortuna e leva ao silêncio daqueles que vivem pelos próprios meios diante de bravatas que sugerem que ter força é reinar pelo ato de agredir.</p>



<p>Sob o domínio do flash, a combinação de coragem política equivocada com circunstâncias econômicas adversas leva o mundo a uma regressão em que tudo se expressa em termos pessoais. Com exceção da China, que sempre negociou a seu modo, nenhuma das nações líderes apresenta-se astuta no modo de se inserir no novo sistema internacional.</p>



<p>Os EUA foram pegos de calças curtas, como um rico esgotado que não se renova e que, por soberba, levou o dólar a ser considerado um privilégio exorbitante — para ficar na notável crítica de Valéry Giscard d&#8217;Estaing, que fica cada vez mais atual —, e não um bem público internacional. A Europa, por sua vez, perdeu o charme com o divórcio do Brexit, que lhe tirou o primeiro violino: o Reino Unido. O Brasil, país que pouco valoriza orquestra, não acha importante estudar bem sobre como se posicionar melhor diante dos desafios do século 21.</p>



<p>Nossa matriz mais criativa continua algo que deriva de ao menos três vertentes afloradas: o tambor da ira partidária, que não respeita limites; o mal-informado egoísmo ambientalista, que por vezes busca canonizar nossas riquezas acima do próprio povo; e a vaidade da justiça que despacha melhor na televisão.</p>



<p>Até aqui, todas as nações, a seu modo, estão negociando e cedendo a algumas das pressões do governo estadunidense, pois ele controla a oferta, praticamente monopolizada, de serviços nas “nuvens”, hoje seu maior bem. Por isso, a falta de antevisão tecnológica não será resolvida pelo reforço do patriotismo comercial. É apenas onde chegamos com tantos governos desligados ou pessimistas, que se dizem surpreendidos com a lógica selvagem do interesse possessivo que domina o poder econômico.</p>



<p>E a batalha das tarifas é a mesma dos impostos, esse gigante pré-histórico presente em Estados perdulários que gastam mais do que ajudam a produzir e avançam sobre todos para manter sua saciedade. Assim, para o Brasil, o que temos para hoje é com o que temos que trabalhar, sem ficar presos às configurações políticas com que a publicidade pinta líderes como vítimas da atual gestão da Casa Branca.</p>



<p>Apesar de as taxas de Trump causarem problemas a empresas de setores específicos, com ampla exposição ao mercado dos EUA, o fato de parte desses produtos — como carne e café — ficarem no Brasil tende a pressionar a inflação para baixo, mesmo que não muito.</p>



<p>Mais importante ainda é lembrar que 88% das exportações brasileiras vão para países que não os EUA. E, por conta das negociações lideradas pelo governo e empresários brasileiros, 44,6% das exportações para os EUA — em valores — ficaram isentas dos 40 pontos percentuais extras de tarifa. Assim, apenas cerca de 6% do total exportado pelo Brasil ao mundo sofre diretamente com os abusivos 50% de tarifas estadunidenses.</p>



<p>Não vivemos em um mundo coerente, nem existe mais um centro político influente. É um mundo de extremismos, onde até a expansão dos BRICs — que ia bem — pode azedar por razões políticas, como a equivocada incorporação do Irã, país que há décadas é governado de maneira ostensivamente violenta. O enterro dos moderados foi longamente preparado pela desescalada emocional dos dirigentes diante da redução do nível de expectativa dos Estados, provocada pela distorção da identidade econômica das nações frente à competitividade predatória trazida pela tecnologia.</p>



<p>A política não é tudo. Parece que os líderes movidos pelo desejo de transcender os limites da condição humana não sabem disso. Original e extravagante, o líder moderno sonha com a dificuldade, produz ou deseja a crise para instrumentalizá-la em benefício próprio. Tais traços de um comportamento quase mitológico revelam o desejo de impor princípios de gestão autoritária e de voltar a definir fronteiras de costas para a globalização.</p>



<p>O mundo vive arranjos complexos para que o comércio prospere, o combate à criminalidade seja eficiente e a riqueza possa ser distribuída com justiça. Nada disso será melhor resolvido se o pau de sebo das metas eleitorais, que produzem maiorias políticas, não decidir governar com moderação e estabilidade. Hoje, o como fazer é mais importante do que o quê fazer.</p>



<p></p>
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		<title>Brasil-EUA: Tempos de Porco-Espinho</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Paulo Delgado]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 27 Jul 2025 13:49:43 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Artigos Correio Braziliense e Estado de Minas]]></category>
		<category><![CDATA[Recentes]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Como explicar tanta encrenca e dificuldade de encontrar solução compartilhada que deixe de preocupar a sociedade vendo governos de grandes países não conseguirem conversar? “Sei um<span class="excerpt-hellip"> […]</span></p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>Como explicar tanta encrenca e dificuldade de encontrar solução compartilhada que deixe de preocupar a sociedade vendo governos de grandes países não conseguirem conversar?</p>



<p>“Sei um segredo, você tem medo&#8230;e nada”, é um verso antológico da música de Milton Nascimento e seus parceiros do Clube da Esquina que se prolonga por este período longo que vivemos desde os anos 1970. Tudo parece grave, mas se é comercial pode ter solução se os EUA, sem minerais raros, e o Brasil, com baixo domínio de dados e alta vulnerabilidade digital, abrirem o jogo de suas limitações produtivas e tecnológicas diante dos diferentes problemas na cadeia de suprimentos dos dois. O espírito de porco-espinho saindo de cena entram negociadores da nova realidade tecnológica.</p>



<p>Os mitos do dilúvio e da renovação do mundo ocorrem pouco na política. Na relação entre a história e os sistemas políticos, no passado e no presente — entre o reservatório de conteúdos e desejos individuais das elites de cada período e o dia a dia da maioria da sociedade — o que vemos é carne e osso das relações pessoais contaminadas por paixões políticas e razões econômicas atreladas a processos eleitorais.</p>



<p>O mar secou para os mansos que se interessaram por política baseada nos princípios que deram sentido às duas nações. O mundo atual está aberto e habitado por símbolos de hostilidade vestidos de publicidade e propaganda. A mistificação das personalidades pelas redes sociais criou a decisão política pitoresca para tudo, movida pela obsessão do sucesso aferido por pesquisas de opinião.</p>



<p>O Brasil precisa de ajuda. Mas as posições políticas aqui e nos EUA têm muito de clãs e populismos que pouco se renovam. Há as longevas classes estruturais que não se reinventam e são atropeladas por novos atores conjunturais que ocupam o palco com a mesma peça. Da Aliança para o Progresso, as passeatas Yankees Go Home, ao boxe das tarifas– crise tão irracional que até quem nunca gostou dos EUA está decepcionado – a maioria do povo – lá e cá &#8211; tem motivos de sobra para não dormir quando vai para a cama. Ao analisar os personagens nome a nome corre-se o risco de entrar em ringue de gladiadores. Melhor ver as coisas como contos, não sagas.</p>



<p>Destruídas as instituições, muitas das ideias que estão por aí gerando conflito são atividades do espírito criadas pela caixa de ressonância de assessores arcaicos que fazem a cabeça dos personagens. É o martírio do bom senso. Tornar o mundo aberto é o que mais ameaça o intolerante que frequenta palácios de forma irresponsável. Influenciadores pequenos, cuja força surge como marca de costumes brotados de eleitores fanáticos que não descansam e, nas crises, enchem o governante de um inventário de aventuras. Vislumbres autoritários de líderes para os quais seu país é o que está na sua cabeça.</p>



<p>Pelo fato mesmo de ser uma religião, o “eu” em política é terrível, pois sempre fica entre o “nós” e o nada. A natureza da crise atual nos leva a pensar e tentar distinguir o que pertence de fato à história de nossos dois países e o que pertence ao evento problemático de governos e suas deficiências. O que é durável, o que é transitório, o que é de fato mediado pela história e pela cultura de dois países centenários? O que nossos pais e avós diriam de tudo que está degringolando no mundo?</p>



<p>Oportunidade rara em política nem sempre significa que é uma boa oportunidade. Desprovida de conhecimento histórico e clareza sobre a complexidade do mundo, tal oportunidade pode gerar movimentos que mais revelam fraqueza do que força e professam a amargura da malícia. São censuráveis perante a história quem diz o que não pode sustentar, não recua para não ter que explicar o que disse ou fez sem pensar. Chicken out, frango fujão, dizem os investidores em Wall Street ao ver o governo dos EUA ameaçar e recuar em relação à Europa, China e Japão usando o prazer de frases feitas e bonés alienados. Preferir a hostilidade à mansidão, cair no jogo de brigões, está impondo ao mundo a treva do governante pequeno.</p>



<p>É difícil imaginar que tal situação irá promover uma onda de virtudes patrióticas sinceras. Diálogo supera maquinações políticas de quem quer remodelar o comércio global pondo em nocaute as fronteiras nacionais e destruindo o sistema fiscal. Metas eleitorais agravam a briga em torno de tributos destrutivos e fecundam coisa pior. A falta de inteligência estratégica e acentuado desconhecimento da história produz crises fúteis, sentimentalismos exacerbados, com potencial aversão ao pacifismo. Não devemos, nas crises políticas, nos concentrar somente na aranha, é preciso observar melhor a teia que a sustenta para saber a que tipo de guerra as tarifas antecedem.&nbsp;<strong>(Continua no próximo artigo).</strong></p>
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