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	<title>Artigos Correio Braziliense e Estado de Minas - Paulo Delgado</title>
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		<title>Um Mundo Desconforme</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Paulo Delgado]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 03 Jul 2011 03:00:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Artigos]]></category>
		<category><![CDATA[Artigos Correio Braziliense e Estado de Minas]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Estado de Minas e Correio Braziliense, 3 de julho de 2011. A insatisfação criadora e o antiautoritarismo perderam muito com a morte do político e escritor<span class="excerpt-hellip"> […]</span></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p><em>Estado de Minas e Correio Braziliense, 3 de julho de 2011.</em></p>
<p><strong>A</strong> insatisfação criadora e o antiautoritarismo perderam  muito com a morte do político e escritor Jorge Semprún.  Combatente da liberdade de pensamento,  perseguido na Espanha franquista, preso pelos nazistas, desprezado pelos stalinistas, ministro social-democrata, nascido em Madri, morreu meio exilado em Paris  nesse mês de junho.</p>
<p>Do outro lado do Canal da Mancha, Howard Davies,  diretor da London School of Economics, Universidade das mais bem avaliadas do mundo, já havia confirmado que a instituição trocara sua reputação por 1,5 milhão de libras.   Recebidas  de Saif Al-Islam, o mais célebre filho do ditador Kadafi e que por coincidência, na mesma  época,  defendia sua tese plagiada de doutorado . A doação serviria também para treinar líderes da Líbia no Reino Unido.</p>
<p>Essa semana, na cidade de Haia, o Tribunal Penal  Internacional (TPI), corte multilateral de direitos humanos destinada a julgar, por genocídios e crimes contra a humanidade,  pessoas e líderes que não foram alcançados pela justiça dos seus países,  condenou e mandou prender Muamar Kadafi e seu filho, benfeitores da distinta escola inglesa.</p>
<p>Quarta-feira passada, por estar condenado pelo TPI por continuado genocídio e agressão contra seu povo, o também foragido ditador do Sudão, Omar Al Bashgir, foi  calorosamente recebido pelo Presidente da China que lhe prometeu milhões de dólares como prova de estima e cooperação.</p>
<p>Quarta-feira que vem, sem conseguir punir os responsáveis pela crise financeira atual, o FMI  dá posse a Christine Lagarde e muda de sexo sem mudar de gênero.  As vítimas, como sempre, é que vão pagar o custo da maior combinação de omissão estatal com trapaça e cobiça privada já vista na história da economia mundial.  O Fundo aproveitou o envolvimento de seu ex-Diretor Gerente DSK &#8211; com a polícia de Nova York e a camareira que limpava seu quarto &#8211; para entregar  à mulher francesa o papel de fazer os pobres limparem a bilionária sujeira dos bancos.</p>
<p>É impossível não perceber que uma certa forma e estatura da Justiça e de juízes despede-se de nossa geração. Mas quis o destino que este desmoronamento encontrasse de uma só vez na cidade de  Nova York novos sinais de vida útil do Judiciário. Destacam-se no fulminante processo em curso a camareira da suíte master do hotel francês Sofitel; o Promotor de Manhattan Cyrus Vance Jr., filho do Secretário de Estado do Presidente Carter &#8211; um ex-presidente americano conhecido ativista dos direitos humanos-; o saliente e rico  chefe do FMI Dominique Strauss-Kahn (DSK);  o chefe da polícia local, Ray Kelly, que recebeu de Nícolas Sarkozy a Légion D’honner, maior condecoração da França.</p>
<p>O  colapso como escândalo sexual criminoso – em vez de estupro, permissividade mútua &#8211; por mentira da acusação, depois da prisão humilhante, na primeira classe do avião da Air France, do potencial Presidente da França, à primeira vista revela a ação de um judiciário gangster, cruel mas justo. O que não seria pouca coisa diante da falência de autoridade que anda por aí!  Mas Sarkozy, que corre nos fins de semana em Paris com a camisa NYPD, logotipo da Polícia de Nova York, dirigida por seu amigo condecorado e é correligionário do dono do Hotel, tem tudo para parecer suspeito da armação para cima de seu principal adversário socialista. No entanto pode ficar tranquilo quanto a sua co-autoria: a lição de sexta feira em NY é que a Justiça verdadeira não tem medo de acreditar e duvidar da credibilidade de qualquer pessoa: seja a modesta camareira enrolada, seja seu oferecido hóspede poderoso. E de mudar de opinião depois de investigar.</p>
<p>Diante do poder das finanças globais, da  crispação da vida francesa com o  conceito de justiça americano, da diplomacia muda e assustada, da  pressão da imprensa mundial sobre o episódio, é possível festejar um exemplo: não é caricatura ou falha o que se vê em NY, mas justiça em movimento e assim sendo feita.</p>
<p><em><strong>Paulo Delgado</strong>, sociólogo, foi Deputado Federal por seis mandatos.</em></p>
<p><em><a href="https://paulodelgado.com.br/wp-content/uploads/2011/07/um-mundo-desconforme1.jpg"><img fetchpriority="high" decoding="async" class="aligncenter size-medium wp-image-2402" title="um mundo desconforme" src="https://paulodelgado.com.br/wp-content/uploads/2011/07/um-mundo-desconforme1-300x212.jpg" alt="" width="300" height="212" srcset="https://paulodelgado.com.br/wp-content/uploads/2011/07/um-mundo-desconforme1-300x212.jpg 300w, https://paulodelgado.com.br/wp-content/uploads/2011/07/um-mundo-desconforme1-768x542.jpg 768w, https://paulodelgado.com.br/wp-content/uploads/2011/07/um-mundo-desconforme1.jpg 1024w, https://paulodelgado.com.br/wp-content/uploads/2011/07/um-mundo-desconforme1-207x146.jpg 207w, https://paulodelgado.com.br/wp-content/uploads/2011/07/um-mundo-desconforme1-50x35.jpg 50w, https://paulodelgado.com.br/wp-content/uploads/2011/07/um-mundo-desconforme1-106x75.jpg 106w" sizes="(max-width:767px) 300px, 300px" /></a><br />
</em></p>
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		<title>Os extracomunitários</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Paulo Delgado]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 12 Jul 2011 03:00:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Artigos]]></category>
		<category><![CDATA[Artigos Correio Braziliense e Estado de Minas]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>O mundo foi se tornando irrelevante para norte-americanos e europeus, seguros dessa imensa propriedade de dois donos. Napoleões modernos movidos pela política pura, essa atividade onde predomina mais ação do que motivos relevantes. A missão autoatribuída dos gigantes complicou-se justamente pela política.</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p><em>Estado de Minas e Correio Braziliense &#8211; 10 de Julho de 2011</em></p>
<p><strong>O</strong> mundo foi se tornando irrelevante para norte-americanos e europeus, seguros dessa imensa propriedade de dois donos. Napoleões modernos movidos pela política pura, essa atividade onde predomina mais ação do que motivos relevantes. A missão autoatribuída dos gigantes complicou-se justamente pela política. Na América, por falta de vigor ideológico dos dois partidos conservadores, o Republicano e o Democrata. Na Europa, pelo excesso de rigor ideológico dos inúmeros partidos nacionalistas, de direita ou esquerda. Uns e outros bloqueiam a criatividade e alimentam as crises e o ressurgimento de soberanias e barreiras nacionais.</p>
<p>Aos poucos, vão reaparecendo os conflitos das duas sociedades mais ricas: pleno direito para os nacionais, geralmente brancos, e limbo para os coloridos estrangeiros. Não é outra a motivação que levou na semana passada a Dinamarca a rasgar o Acordo de Schengen, que havia eliminado o controle alfandegário e imigratório nas fronteiras internas do continente e facilitado a livre circulação das pessoas. Logo, logo vem a morte da moeda comum, o euro, e cada país voltará a ser seu próprio mundo.</p>
<p>A trama básica do mundo continua a ser, inapelavelmente, o acesso ao consumo, à democracia e à liberdade. Seu excesso ou falta produz as consequências econômicas e demográficas que empurram as pessoas para fora de casa, pelo turismo ou pela migração.</p>
<p>A ONU continua dirigida por seu jogo de interesses ostentatório e obscuro. A Europa continua ambivalente na hora de reconhecer sua responsabilidade coletiva diante da crise econômica e dos conflitos atuais que se arrastam dentro e fora do continente. E os EUA seguem paralisados na esterilidade da sua luta parlamentar frente à crise financeira e a dificuldade de dar fim à estupidez de suas guerras no Afeganistão e na Líbia, que custam dois bilhões de dólares por semana. Situações graves e cumulativas são os três não reconhecerem seu principal papel na tragédia dos movimentos migratórios cada vez mais intensos.</p>
<p>Quem anda desorganizando de forma tão intensa nosso mundo? Um pouco a falta de solução que a urbanização descontrolada provoca ao atrair cada vez mais gente para as cidades. De outro lado, a péssima distribuição da população, com taxas de natalidade incontrolável nos países pobres e quase infertilidade programada no lado rico. É este descompasso demográfico um dos fatores que estimulam a contratação de trabalhadores e empregados para serviços manuais nas nações desenvolvidas. Não é por serem ricos que lhes sobram empregos modestos, é por serem poucos! Sem falar que é compreensível que alguém prefira ser pobre e com menos direitos em países ricos do que miserável em nações despóticas ou sem emprego.</p>
<p>Não é possível construir um mundo de turistas ocasionais, com sua positiva consequência econômica e cultural, enquanto predominar a inevitável circulação de imigrantes, refugiados e exilados, provocada pela irracionalidade das relações de poder. Especialmente porque agora as migrações não produzem mais o efeito que produziram no passado, ajudando a erguer as grandes nações que as receberam. Os continentes do mundo globalizado vão desaparecer pela volta das nações fechadas do mundo amedrontado.</p>
<p>O mundo não dispõe mais de uma filosofia da liberdade que seja consistente e compreensível, capaz de confrontar o realismo do medo e da insegurança. A inversão do ideal de liberdade em seu contrário de encarceramento e suspeição individual é uma das mais fortes mudanças de expectativa da vida moderna agravado com o 11 de setembro. O ideal totalitário e autoritário do controle da vida individual, do racismo e do limite à livre circulação das pessoas foi se impondo silenciosamente aos países democráticos pelas câmaras de vigilância, escutas telefônicas e bairros fechados de todas as classes sociais.</p>
<p>São a indignidade e improvisação no exercício do poder em todo o mundo, e a crescente vinculação da criminalidade com a política e o judiciário, que transformam os benefícios da globalização em migração forçada de gente de bem ou ousadia criminosa transnacional da turma do mal.</p>
<p>E o que podia ser livre faz-se desonra e prisão.</p>
<p><em><strong>Paulo Delgado</strong>, sociólogo, foi Deputado Federal por seis mandatos.</em></p>
<p><a href="https://paulodelgado.com.br/wp-content/uploads/2011/07/os-extracomunitarios.jpg"><img decoding="async" class="aligncenter size-medium wp-image-2399" title="os extracomunitarios" src="https://paulodelgado.com.br/wp-content/uploads/2011/07/os-extracomunitarios-300x212.jpg" alt="" width="300" height="212" srcset="https://paulodelgado.com.br/wp-content/uploads/2011/07/os-extracomunitarios-300x212.jpg 300w, https://paulodelgado.com.br/wp-content/uploads/2011/07/os-extracomunitarios-768x542.jpg 768w, https://paulodelgado.com.br/wp-content/uploads/2011/07/os-extracomunitarios.jpg 1024w, https://paulodelgado.com.br/wp-content/uploads/2011/07/os-extracomunitarios-207x146.jpg 207w, https://paulodelgado.com.br/wp-content/uploads/2011/07/os-extracomunitarios-50x35.jpg 50w, https://paulodelgado.com.br/wp-content/uploads/2011/07/os-extracomunitarios-106x75.jpg 106w" sizes="(max-width:767px) 300px, 300px" /></a></p>
<p><em><br />
</em></p>
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		<title>Instinto Selvagem</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Paulo Delgado]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 20 Jul 2011 03:00:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Artigos]]></category>
		<category><![CDATA[Artigos Correio Braziliense e Estado de Minas]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Somos o que nos falta, dispostos a tolerar o excesso pondo a culpa na escassez. Até que o descontrole transborde em crime ou grosseria e seja contido pela força dos incomodados. Quem sabe está aí o interesse de muitos pelo que fazem os outros, especialmente seus abismos e avessos. A curiosidade diante de personalidades exibidas desperta mais atenção quando a notícia sugere que sua alma foi decifrada. É que todos são sempre um pouco ridículos no competitivo mundo dos estigmas e preferências. A notícia “avisa” da existência de uma deformação da vida e sua rotina e aponta o caminho ou a pessoa que deve ser evitada ou imitada. E se encontra leitores é porque o escândalo nem sempre é um olhar para fora de nós mesmos.</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><em>Estado de Minas e Correio Braziliense &#8211; 17 de julho de 2011</em></p>
<p><strong>S</strong>omos o que nos falta, dispostos a tolerar o excesso pondo a culpa na escassez. Até que o descontrole transborde em crime ou grosseria e seja contido pela força dos incomodados.  Quem sabe está aí o interesse de muitos pelo que fazem os outros, especialmente seus abismos e avessos. A curiosidade diante de personalidades exibidas desperta mais atenção quando a notícia sugere que sua alma foi decifrada. É que todos são sempre um pouco ridículos no competitivo mundo dos estigmas e preferências. A notícia “avisa” da existência de uma deformação da vida e sua rotina e aponta o caminho ou a pessoa que deve ser evitada ou imitada.  E se encontra leitores é porque o escândalo nem sempre é um olhar para fora de nós mesmos.</p>
<p>Não é mais o leitor que lê a imprensa no mundo moderno. É a imprensa que lê seu leitor. Ás vezes desatenta ao fato de que nem sempre são compatíveis a verdade e muito dos seus meios.  Especialmente os de comunicação de massa que atravessam culturas, nações e continentes mas às vezes esbarram, felizmente, num razoável senso de limite.</p>
<p>O turbinado cavalo de corrida australiano Rubert Murdoch pressentiu que as leis da natureza e do inconsciente são mais fortes do que as da política e partiu em delírio e volúpia sobre o ocidente.  Criou ou comprou  o News of the World, The Times, The Sunday Times na Inglaterra e o New York Post, 20th Century Fox, The Wall Street Journal e Fox News nos EUA.  Se meteu em jornal de supermercado, suburbano, comunitário, vespertino, matutino e ao mesmo tempo avançou sobre o Canadá, China, Japão, Austrália, Indonésia.</p>
<p>Voou com a News Corporation por satélite, cinema, internet, TV a cabo para dentro de todos os países a partir de paraísos fiscais. Seja no aristocrático Reino Unido ou na democracia da América percebeu que o jogo de atrair e intimidar, seduzir e rechaçar é bem compreendido e praticado por quem tem poder. E foi em frente em movimentos violentos e apetite agressivo sobre todas as relações humanas.</p>
<p>Comensal de Presidentes e Primeiro-Ministros sentiu-se em casa nos endereços oficiais de Washington e Londres, diante do bufê de frios que é a coerência política no mundo atual.  E passou a patrocionar o self service itinerante de partidos e ideologias a bordo do iate Rosehearty ou das asas de seu jato Gulfstream.  Com a manipulação das preferências eleitorais do cidadão, que seu império de comunicação possibilita, fez e desfez aliados na política.</p>
<p>E começou a tropeçar. É reconfortante perceber sinais da alma de um país quando, diante de predadores, algum passarinho cai de seu ninho mais modesto. Ou quando falcões de respeitadas instituições seculares   percebem que estão ameaçadas por aventureiros.   Mas o erro do magnata não foi só a sensação de impunidade que exala da intimidade excessiva com o poder. Agia com desenvoltura também por  perceber que sem a impressão digital somos todos similares. Até que violou suas fontes criminosamente e deixou de se beneficiar da dúvida que é saber se o escândalo é da imprensa que o divulga ou da sociedade que o produz.</p>
<p>Poucos se importam se privilegiados ou fora da lei são grampeados. Mas ele grampeou o injustiçado, milhares de pessoas cercadas por afetividade e simpatia.  A menina sequestrada, o herói de guerra, a vítima do terrorismo, o homem comum desesperado, a família do nosso Jean Charles. Ele quis ouvir a ordem do cérebro para a produção do mal estar no corpo e na alma do desprotegido&#8230; e publicar sua reação como notícia.   Queria captar o desespero da cobaia grampeada e lesar de forma silenciosa o luto dos vitimados. E ficou nú o rei que não crê em nada.</p>
<p>Quando o The Guardian, jornal britânico de 1821 revelou o método infame da cobertura jornalística do concorrente, o mundo anglo-americano acordou para a lei da selva e do furo.  Não foram autoridades oficiais nem leis que detiveram o crime.  Foi a reação de uma instituição – a imprensa livre e autoregulada &#8211; ao ataque brutal e inconveniente aos seus princípios. Sempre ameaçados quando a cobertura selvagem atinge gente que não tem mais nada a perder.</p>
<p><em><strong>Paulo Delgado</strong>, sociólogo, foi Deputado Federal por seis mandatos.</em></p>
<p><em><a href="https://paulodelgado.com.br/wp-content/uploads/2011/07/instinto-selvagem.jpg"><img decoding="async" class="aligncenter size-medium wp-image-2394" title="instinto selvagem" src="https://paulodelgado.com.br/wp-content/uploads/2011/07/instinto-selvagem-300x212.jpg" alt="" width="300" height="212" srcset="https://paulodelgado.com.br/wp-content/uploads/2011/07/instinto-selvagem-300x212.jpg 300w, https://paulodelgado.com.br/wp-content/uploads/2011/07/instinto-selvagem-768x543.jpg 768w, https://paulodelgado.com.br/wp-content/uploads/2011/07/instinto-selvagem-1024x724.jpg 1024w, https://paulodelgado.com.br/wp-content/uploads/2011/07/instinto-selvagem-207x146.jpg 207w, https://paulodelgado.com.br/wp-content/uploads/2011/07/instinto-selvagem-50x35.jpg 50w, https://paulodelgado.com.br/wp-content/uploads/2011/07/instinto-selvagem-106x75.jpg 106w" sizes="(max-width:767px) 300px, 300px" /></a><br />
</em></p>
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		<title>Escudos e Alvos</title>
		<link>https://paulodelgado.com.br/escudos-e-alvos/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Paulo Delgado]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 26 Jul 2011 03:00:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Artigos]]></category>
		<category><![CDATA[Artigos Correio Braziliense e Estado de Minas]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Com efeito, a integração física e econômica da América do Sul tem os mesmos fundamentos dissuasivos e pacifistas de nossa política de defesa. E permite modernizar o arcabouço jurídico precário que rege as relações entre nossos vizinhos para aumentar a conexão e a interação interregional e global. Só benefícios partilhados articulam comércio e paz, dois dos maiores bens públicos internacionais.</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><em>Correio Braziliense e Estado de Minas, domingo, 24 de julho de 2011.</em></p>
<p><strong>O</strong> país do último Prêmio Nobel da Paz gastou no ano passado US$ 700 bilhões com suas Forças Armadas. Em seguida aos EUA vêm China, Reino Unido, França, Rússia, Japão, Oriente Médio, Alemanha e América do Sul (conforme o relatório anual do Instituto Internacional de Pesquisa e Paz de Estocolmo).</p>
<p>Buscar a paz se preparando para a guerra, vencer sem derrotar são lendárias formulações de chineses e romanos ainda atuais diante do ambiente estratégico internacional. Que fazer? Melhor que degolar prisioneiros e não recolher feridos, a mais forte tradição das guerras sulamericanas de independência. Tradição atualíssima nas tiranias da África.</p>
<p>No entanto, meios militares não nos protegem de tudo. Especialmente quando não existem mais fronteiras naturais e seladas. Muito menos na Amazônia, a melhor matriz energética disponível na maior bacia hidrográfica e corpo florestal contínuo do planeta, contornado por dois oceanos, majestosa cordilheira, inúmeras fronteiras nacionais. Economia, meio ambiente e sociedade são os três vetores do equilíbrio atual em direção à virtuosa ocupação do espaço desprotegido, sem unilateralismo ou ambição hegemônica. Cuidar dos escudos naturais para que não virem alvos desprotegidos. Liderar sem querer mandar.</p>
<p>Com efeito, a integração física e econômica da América do Sul tem os mesmos fundamentos dissuasivos e pacifistas de nossa política de defesa. E permite modernizar o arcabouço jurídico precário que rege as relações entre nossos vizinhos para aumentar a conexão e a interação interregional e global. Só benefícios partilhados articulam comércio e paz, dois dos maiores bens públicos internacionais.</p>
<p>O sonho de integração regional nasceu com seus processos libertários do início do século 19. De lá para cá é justo pensar que a integração estrutural e transnacional — essa que nos serve de maneira tão prática e direta — seja de fato o melhor caminho para a estabilidade.</p>
<p>As redes de conexões físicas que serviam a propósitos econômicos na Europa precederam a integração política, que só veio a ser alcançada recentemente. Criada após o fim da Segunda Guerra Mundial, a Comunidade Europeia do Carvão e do Aço é o próprio embrião da União Europeia. Pensada como um instrumento capaz de impossibilitar um novo conflito no continente, já que com ela a produção de dois dos principais insumos necessários tanto à paz quanto à guerra passariam a ter controle diluído supranacionalmente. A experiência européia remonta também à criação de Comissões Internacionais para abrir canais, construir estradas de ferro e coordenar a navegação em rios que cruzam vários países, sobretudo o Danúbio e o Reno.</p>
<p>Na América do Sul ainda predominam as forças da fragmentação. Assim, estimular a conexão dos países é estratégico para a incrementação do comércio, da livre circulação das pessoas e da paz.</p>
<p>Na Região Amazônica, a responsabilidade do Estado é essencial. Em virtude das naturais restrições ambientais, alta sensibilidade do ecossistema local e da necessidade de se poupar o bioma, cabe à política pública proteger e liderar o processo de ocupação civilizatória que evite a exploração predatória. Uma verdadeira cidadania das águas, vetor limpo de desenvolvimento, nestes tempos em que estamos atingindo o limite do que pode ser resolvido por tecnologia. Mas ser um Estado exemplar para nós e nossos vizinhos, preocupado com a sustentabilidade de seus próprios projetos e ações e não somente fiscal da sustentabilidade dos outros.</p>
<p>Desde Euclides da Cunha, o Brasil busca compreender e construir os eixos físicos, estradas, hidrovias, ferrovias, hoje acrescidos de infovias, radares, satélites e tecnologias. Rumo ao sonho de integração interoceânico e continental que nos leve de Roraima a Georgetown; de Manaus a Caracas; de Assis Brasil a San Juan , da bacia amazônica do Atlântico ao litoral amazônico do Pacífico. Usinas binacionais com Bolívia e Peru. Verdadeiros anéis energéticos de energia limpa disponível para toda região.</p>
<p>É a integração física que aumenta a convergência e a harmonia de propósitos entre nosso povo e nossos vizinhos. E dá sentido e qualidade à integração política, sua principal conseqüência.</p>
<p>*****</p>
<p><em><strong>Paulo Delgado</strong>, sociólogo, foi deputado federal por seis mandatos.</em></p>
<p><em><a href="https://paulodelgado.com.br/wp-content/uploads/2011/07/escudos-e-alvos.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" class="aligncenter size-medium wp-image-2392" title="escudos e alvos" src="https://paulodelgado.com.br/wp-content/uploads/2011/07/escudos-e-alvos-300x212.jpg" alt="" width="300" height="212" srcset="https://paulodelgado.com.br/wp-content/uploads/2011/07/escudos-e-alvos-300x212.jpg 300w, https://paulodelgado.com.br/wp-content/uploads/2011/07/escudos-e-alvos-768x542.jpg 768w, https://paulodelgado.com.br/wp-content/uploads/2011/07/escudos-e-alvos.jpg 1024w, https://paulodelgado.com.br/wp-content/uploads/2011/07/escudos-e-alvos-207x146.jpg 207w, https://paulodelgado.com.br/wp-content/uploads/2011/07/escudos-e-alvos-50x35.jpg 50w, https://paulodelgado.com.br/wp-content/uploads/2011/07/escudos-e-alvos-106x75.jpg 106w" sizes="auto, (max-width:767px) 300px, 300px" /></a><br />
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		<title>Percepções</title>
		<link>https://paulodelgado.com.br/percepcoes/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Paulo Delgado]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 01 Aug 2011 03:00:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Artigos]]></category>
		<category><![CDATA[Artigos Correio Braziliense e Estado de Minas]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>A China chegou lá. Ou se não chegou de fato, na cabeça do mundo não tarda em chegar. Será mesmo uma riqueza confiável ou aquela maré cheia, que aparentemente levanta todos os barcos? É o que pode se inferir da opinião apresentada em recente relatório do Centro de Pesquisas Pew, baseado em Washington. Quinze dos 22 países mais ricos acreditam que a China ou tomará ou já tomou a posição dos EUA como a principal potência entre as nações.</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><em>Correio Braziliense e Estado de Minas &#8211; Domingo, 31 de julho de 2011</em></p>
<p><strong>A</strong> China chegou lá. Ou se não chegou de fato, na cabeça do mundo não tarda em chegar. Será mesmo uma riqueza confiável ou aquela maré cheia, que aparentemente levanta todos os barcos? É o que pode se inferir da opinião apresentada em recente relatório do Centro de Pesquisas Pew, baseado em Washington. Quinze dos 22 países mais ricos acreditam que a China ou tomará ou já tomou a posição dos EUA como a principal potência entre as nações.</p>
<p>Opiniões difusas muitas vezes não trazem consigo sólido amparo na realidade, mas quando projeta Poder, a percepção simbólica é um valor fundamental de confiança.</p>
<p>Não se surpreenda se essa não for a sua opinião. Na pesquisa, o Brasil é um dos países com maior porcentagem de céticos em relação à capacidade da China de suplantar os EUA. Já os maiores entusiastas estão entre as potências da União Europeia. Na França, são 72%. Para se ter uma ideia, na própria China são 63% os que creem em tal façanha. Por sua vez, dentro dos EUA temos um resultado equilibrado, em que 46% apostam na China, contra 45%, que continuam crendo no próprio país.</p>
<p>Os preparativos da China para a liderança, com seu capitalismo planejado e centralizado, mostram a tônica de um país que sabe que precisa reinventar seu autointeresse a cada dia para fazer seu povo vislumbrar o futuro sem explodir.</p>
<p>Seu atual plano quinquenal fala em busca de felicidade. Assim, começa a dar sinais de que um desenvolvimento superacelerado traz também altos custos sociais e humanos. Três décadas de supercrescimento bastaram para chegar aos cumes do poder econômico mundial. Todavia, o povo chinês ainda é, em média, mais pobre do que o brasileiro, por exemplo. E é essa discrepância entre a pujança da nação e as agruras individuais que os mandarins vermelhos sabem que precisam começar a aplacar.</p>
<p>Crescimento e desenvolvimento são irmãos, mas não são gêmeos. Aliás, ainda que um necessite e possa ser explicado pelo outro, ocorre muitas vezes que na intensidade que se favorece um, prejudica-se o outro. Existe um custo social embutido no crescimento. Um custo qualitativo. Na China, ele foi e ainda é altíssimo. O curso de seu crescimento iniciado pelo cada vez mais herói Deng Xiaoping escorou-se em uma produção voltada para a exportação e as altíssimas taxas de poupança. A tática de sucesso, tornada possível por fatores históricos, culturais e institucionais daquele país, entregou para o sacrifício o consumo e o desenvolvimento do mercado interno. A transição que o país busca fazer mexerá justamente com esses alicerces. Os traços do plano de ação de 2011 a 2015 sinalizam um modelo mais ligado ao consumo doméstico. Com isso, o país cresce menos, mas o faz de maneira mais justa, sem risco de erosão política.</p>
<p>A crise econômica mundial desestabilizou os principais mercados da China, e as nuvens de tempestade andam carregadas demais, diminuindo a boa vontade com a ousadia dos chineses. Assim, o país sinaliza um recuo no seu voluntarismo comercial, diante do desejo ocidental de conter seu desbragado avanço. Um mundo em crise é um mundo mais conservador. E o sucesso do vizinho tende a ser enxergado como portador da causa do próprio fracasso. Nesse momento, o Ocidente tende a esquecer como se beneficiou da produção chinesa para baratear e expandir seu ímpeto consumista. Há no ar confusos sinais políticos da moratória americana e seu cenário turbulento de quebra de confiança e&#8230; cada um por si. Ali estão mais de US$ 1 trilhão que a China tem a receber como principal credora.</p>
<p>Internamente, é crescente a pressão pela expansão de sua precária rede de amparo social. Como é de se esperar, além de esforço e sacrifício, a população quer também compartilhar da prosperidade da nação. Mesmo entre os chineses, com sua proverbial paciência e senso de hierarquia, não há autoridade que se sustente sem manter a percepção de que serve aos interesses do povo.</p>
<p>Por isso, pensar na complexa nação do Rio Amarelo mais do que na política do Estado é decisiva mudança de rumo. Em quantidade de ações, a China mostrou-se forte e decidida diante do mundo. Mas sem fazer-se pródiga internamente, a boa percepção favorável não se sustentará.</p>
<p>*****</p>
<p><em><strong>Paulo Delgado</strong>, sociólogo, foi deputado federal por seis mandatos.</em></p>
<p><em><a href="https://paulodelgado.com.br/wp-content/uploads/2011/08/percepções.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" class="aligncenter size-medium wp-image-2388" title="percepções" src="https://paulodelgado.com.br/wp-content/uploads/2011/08/percepções-300x212.jpg" alt="" width="300" height="212" srcset="https://paulodelgado.com.br/wp-content/uploads/2011/08/percepções-300x212.jpg 300w, https://paulodelgado.com.br/wp-content/uploads/2011/08/percepções-768x542.jpg 768w, https://paulodelgado.com.br/wp-content/uploads/2011/08/percepções.jpg 1024w, https://paulodelgado.com.br/wp-content/uploads/2011/08/percepções-207x146.jpg 207w, https://paulodelgado.com.br/wp-content/uploads/2011/08/percepções-50x35.jpg 50w, https://paulodelgado.com.br/wp-content/uploads/2011/08/percepções-106x75.jpg 106w" sizes="auto, (max-width:767px) 300px, 300px" /></a><br />
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		<title>Adeus, Tocqueville!</title>
		<link>https://paulodelgado.com.br/adeus-tocqueville/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Paulo Delgado]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 11 Aug 2011 03:00:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Artigos]]></category>
		<category><![CDATA[Artigos Correio Braziliense e Estado de Minas]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Até aqui, os americanos evitaram com sucesso todos os perigos da manipulação da democracia. Admirado com o senso de bem comum dos líderes que visitava, assim pensava o aristocrata francês na América.</p>
<p>Observou ali que a liberdade política exerce forte papel no desejo de se associar em busca do progresso e da felicidade. É mesmo útil à produção da riqueza. O espírito de grupo e sua regras fechadas, este sim é tirano. E opõe-se diretamente ao gênio do comércio e aos instintos do desenvolvimento.</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p><em>Correio Braziliense e Estado de Minas &#8211; Domingo, 7 de agosto de 2011</em></p>
<p><strong>A</strong>té aqui, os americanos evitaram com sucesso todos os perigos da manipulação da democracia. Admirado com o senso de bem comum dos líderes que visitava, assim pensava o aristocrata francês na América.</p>
<p>Observou ali que a liberdade política exerce forte papel no desejo de se associar em busca do progresso e da felicidade. É mesmo útil à produção da riqueza. O espírito de grupo e sua regras fechadas, este sim é tirano. E opõe-se diretamente ao gênio do comércio e aos instintos do desenvolvimento. A fórmula o encantava, pois sabia que nos tempos democráticos os homens livres alcançam mais facilmente os bens materiais pelos quais suspiram sem cessar. E em torno dos quais legitimamente muitos se distinguem. Um individualismo virtuoso, digamos assim.</p>
<p>Até que alguns, os eleitos para representar o povo, passam a manifestar gosto pela formação de grupos. E, por cobiça e paixão impune, encontram caminhos próprios para usufruir privadamente do que é de todos. A partir daí o despotismo das facções e o individualismo possessivo enveneram a vida da sociedade.</p>
<p>Quando o gosto pelo poder que o consumo traz é maior do que as luzes e hábitos da responsabilidade e liberdade partilhada, é chegado o momento em que os homens ficam fora de si. E, arrebatados, querem se apoderar de tudo, inclusive da alma da nação. Preocupados em enriquecer do dia par a noite, ter mais poder e influência, menosprezam o vínculo estreito que une a fortuna particular de cada um à prosperidade de todos. Neste momento, o exercício de seus deveres políticos lhe parece um incômodo que os distrai de sua cobiça. Não há mais tempo para cuidar do bem comum.</p>
<p>Tocqueville não perdoa e diz que essa gente que se comporta assim acredita seguir a doutrina do interesse compreendido, mas só tem dela uma ideia grosseira. Pois até para zelar melhor pelo que chamam seus negócios, negligenciam o principal, que é permanecerem donos de si mesmos e não deixarem seu lugar no governo ficar vazio. Tal disparate não é raro ver na vasta cena do mundo, que como nos tetros, a multidão ausente e desatenta aceita ser representada por poucos. Porém, ousados para mudar leis e organizar a seu bel-prazer os costumes.</p>
<p>Quando a energia da política é concentrada para fazer da influência benefício privado, a honestidade se despede das virtudes públicas.</p>
<p>A hegemonia brutal do sistema financeiro sobre a ordem mundial – o ocioso e rico braço do sistema econômico – é a principal causa da desarmonia atual das coisas. A economia sempre foi o motor da ligação imperfeita entre a política e a sociedade, mas encontrava na política o freio às relações deletérias que a ambição de grupos privados, o principal fator de desestabilização da vida social e econômica. É a morte do liberalismo, e não o contrário, a origem da crise econômica que arrasta a Europa sem desrazão, e os Estados Unidos em insensatez.</p>
<p>Se o interesse não é bem compreendido, as ações derivadas dele menos ainda. O poder pelo poder é cego diante das necessidades econômicas mais gerais. Vira as costas à sociedade. Não é outra a sensação atual: o jogo parlamentar é a manifestação mais precária da democracia em todo o mundo. Pois quem se transforma em representante de interesse de grupos torna-se menos exigente quanto à escolha de suas condutas.</p>
<p>Processos conhecidos não regulam mais as relações políticas. É a magia do poder. Não é o direito, é a legislação que muda a toda hora. Não é a norma, é o hábito. É a atitude, motivação, conduta estruturada pela aversão à explicação. É o fato. Feito. E pronto.</p>
<p>Na política, os homens não recebem a verdade de seus inimigos e seus amigos tampouco a oferecem. A democracia da América deu adeus a Tocqueville.</p>
<p>*****</p>
<p><strong>Paulo Delgado</strong> <em>é sociólogo. Foi deputado federal.</em></p>
<p><em><a href="https://paulodelgado.com.br/wp-content/uploads/2011/08/adeus-tocqueville.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" class="aligncenter size-medium wp-image-2386" title="adeus tocqueville" src="https://paulodelgado.com.br/wp-content/uploads/2011/08/adeus-tocqueville-300x212.jpg" alt="" width="300" height="212" srcset="https://paulodelgado.com.br/wp-content/uploads/2011/08/adeus-tocqueville-300x212.jpg 300w, https://paulodelgado.com.br/wp-content/uploads/2011/08/adeus-tocqueville-768x542.jpg 768w, https://paulodelgado.com.br/wp-content/uploads/2011/08/adeus-tocqueville.jpg 1024w, https://paulodelgado.com.br/wp-content/uploads/2011/08/adeus-tocqueville-207x146.jpg 207w, https://paulodelgado.com.br/wp-content/uploads/2011/08/adeus-tocqueville-50x35.jpg 50w, https://paulodelgado.com.br/wp-content/uploads/2011/08/adeus-tocqueville-106x75.jpg 106w" sizes="auto, (max-width:767px) 300px, 300px" /></a><br />
</em></p>
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		<title>A inconsistência da ONU</title>
		<link>https://paulodelgado.com.br/a-inconsistencia-da-onu/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Paulo Delgado]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 16 Aug 2011 03:00:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Artigos]]></category>
		<category><![CDATA[Artigos Correio Braziliense e Estado de Minas]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Não... não se trata de genocídio! São massacres intermitentes ou homicídios sucessivos, deu a entender a envergonhada funcionária do Departamento de Estado. E continuou indolente com as palavras, protegida pelo silêncio da ONU. A autoridade nem sempre tem noção de que, mesmo entre humilhados, é soberana a compreensão do vocabulário do outro. E todos ali sabiam bem que, diante do genocídio, o poder de intervenção arbitrária e o uso da força para impor a paz são parte da razão da existência das Nações Unidas. O que ela queria esconder é que não havia consenso e decisão entre os grandes países sobre o valor da vida humana naquela região do mundo.</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><em>Estado de Minas e Correio Braziliense, domingo, 14 de agosto de 2011.</em></p>
<p>Não&#8230; não se trata de genocídio! São massacres intermitentes ou homicídios sucessivos, deu a entender a envergonhada funcionária do Departamento de Estado. E continuou indolente com as palavras, protegida pelo silêncio da ONU. A autoridade nem sempre tem noção de que, mesmo entre humilhados, é soberana a compreensão do vocabulário do outro. E todos ali sabiam bem que, diante do genocídio, o poder de intervenção arbitrária e o uso da força para impor a paz são parte da razão da existência das Nações Unidas. O que ela queria esconder é que não havia consenso e decisão entre os grandes países sobre o valor da vida humana naquela região do mundo. Sem acreditar no que ouvia, alguém perguntou: de quantos cadáveres precisam para chamar de genocídio?</p>
<p>Uma história de Ruanda, que poderia ser da Iugoslávia, do Timor Leste, da Somália, de Angola, da Chechênia ou de qualquer uma das 16 missões atuais que o Departamento de Manutenção da Paz (DPKO) mantém ao redor do mundo. Com a participação de 82 mil soldados vindos dos países pobres e 17 mil dos 15 mais ricos. Quem domina a ONU não lhe fornece tropas nem se subordina ao seu comando e controle.</p>
<p>A convenção para a Prevenção e Repressão do Crime de Genocídio é de 1946, uma das primeiras aprovadas pela Assembleia Geral. Crime inscrito no direito dos povos, está em contradição com o espírito e os fins das Nações Unidas. É anterior à Declaração Universal dos Direitos Humanos. Não são crimes políticos passíveis de clemência ou extradição. São graves, assim como os crimes contra a humanidade que ditadores promovem contra civis e opositores. Como ocorre agora na Síria. E só serão julgados pelo Tribunal Penal Internacional se o contorcionismo verbal e a inércia política deixaram de tomar o tempo da diplomacia que frequenta a entidade. Pois sem um padrão humanitário sólido para enfrentar massacres e tiranias, a institucionalidade internacional da ONU é uma gigantesca, cara e inconsistente burocracia.</p>
<p>Os objetivos e explicações incompatíveis que dilaceram as nações em guerra também estão presentes na gramática sem regras claras das Nações Unidas. Por isso, na maioria das vezes, a persuasão pelo uso da força externa, que possa deter o conflito, é mais propaganda do que realidade. Da mesma forma que o princípio da autodeterminação do Estado, este sim, tem sido tão útil ao arbítrio dos ditadores. Pois sempre encontram aliados nos escritórios confortáveis da política internacional e multilateral, onde os governantes tricotam sua ambição e sua vaidade por poder. Assim, só convocam a reunião quando já decidiram quem detém, entre as partes em conflito, o consentimento para autorizar a intervenção. Só se movem ouvindo o agressor. Nunca os consultados são as vítimas civis: mulheres, crianças e desarmados em geral.</p>
<p>E vão além. Em decisões nem sempre tomadas com imparcialidade e objetividade – até na formação dos contingentes militares muitos dos países que fornecem tropas para a missão não escondem seus preconceitos e simpatias por um dos lados –, a ONU sempre chega atrasada e dividida à terra arrasada. Como barata tonta e sem ter responsabilidade de governo, não encontra condições de oferecer segurança coletiva nem recursos humanitários consistentes e imediatos.</p>
<p>Centrado na ideia das metas militares de imposição da paz, e do dominado por ambições de hegemonia dos países que compõem, o sistema das Nações Unidas perde a força. E fracassa nos países dominados por ditaduras ou ferocidades tribais, étnicas e religiosas. Não há independência operacional nem orçamento suficiente para aplicar no desenvolvimento econômico e social dos países onde atua.</p>
<p>Claro que a ONU não é um governo mundial. Mas ditadura, assassinato de civis, não são assuntos internos e precisam ser condenados. Pouco ajuda, também, a subdivisão de países em grupos de pressão e interesse, essa mania “G” seguido de um número, só pata sócios: nacionalismos que retiram a força das decisões multilaterais. Por isso, cresce o desrespeito a regras partilhadas, especialmente sobre o caráter universal dos direitos humanos, a liberdade de opinião e o convívio harmonioso mundial.</p>
<p>Nada é pior para as Nações Unidas do que aceitar ser subcontratada de politicas nacionais de defesa e ser vista como parte do conflito.</p>
<p><em><strong>Paulo Delgado</strong>, sociólogo, foi deputado federal.</em></p>
<p><em><a href="https://paulodelgado.com.br/wp-content/uploads/2011/08/a-inconsistencia-da-onu.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" class="aligncenter size-medium wp-image-2384" title="a inconsistencia da onu" src="https://paulodelgado.com.br/wp-content/uploads/2011/08/a-inconsistencia-da-onu-300x212.jpg" alt="" width="300" height="212" srcset="https://paulodelgado.com.br/wp-content/uploads/2011/08/a-inconsistencia-da-onu-300x212.jpg 300w, https://paulodelgado.com.br/wp-content/uploads/2011/08/a-inconsistencia-da-onu-768x542.jpg 768w, https://paulodelgado.com.br/wp-content/uploads/2011/08/a-inconsistencia-da-onu.jpg 1024w, https://paulodelgado.com.br/wp-content/uploads/2011/08/a-inconsistencia-da-onu-207x146.jpg 207w, https://paulodelgado.com.br/wp-content/uploads/2011/08/a-inconsistencia-da-onu-50x35.jpg 50w, https://paulodelgado.com.br/wp-content/uploads/2011/08/a-inconsistencia-da-onu-106x75.jpg 106w" sizes="auto, (max-width:767px) 300px, 300px" /></a><br />
</em></p>
<p><em><br />
</em></p>
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		<title>Destinos</title>
		<link>https://paulodelgado.com.br/destinos/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Paulo Delgado]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 22 Aug 2011 03:00:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Artigos]]></category>
		<category><![CDATA[Artigos Correio Braziliense e Estado de Minas]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Num longo processo de diferenciação a história segue ritmos e rumos diferentes para<br />
diferentes povos. Algumas regiões a viveram intensamente, mas continuam primitivas no<br />
usufruto de sua experiência.</p>
<p>O post <a href="https://paulodelgado.com.br/destinos/">Destinos</a> apareceu primeiro em <a href="https://paulodelgado.com.br">Paulo Delgado</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><em>Correio Braziliense e Estado de Minas, domingo, 21 de agosto de 2011</em></p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;">Num longo processo de diferenciação a história segue ritmos e rumos diferentes para</p>
<p style="text-align: justify;">diferentes povos. Algumas regiões a viveram intensamente, mas continuam primitivas no</p>
<p style="text-align: justify;">usufruto de sua experiência.</p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;">Invenções impulsionadas por necessidades explicam muita coisa. A roda foi uma delas.</p>
<p style="text-align: justify;">Mas exagerar no automóvel limita o direito de ir e vir. Estacionar já é um bem mais escasso</p>
<p style="text-align: justify;">do que dirigir. Logo, logo só compra carro quem tiver garagem, como em Paris e Xangai.</p>
<p style="text-align: justify;">Ter o espírito criativo explica muita coisa, mas a concorrência explica muito mais. O Google</p>
<p style="text-align: justify;">comprou a Motorola e as suas 17 mil patentes por medo da Apple. Mas quem investirá na</p>
<p style="text-align: justify;">educação de quem fala ao celular? Trabalhar, ter uma profissão, não atrapalha. Mas se for</p>
<p style="text-align: justify;">por vocação, atrapalha muito menos.</p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;">Meio ambiente ajuda e atrapalha. Preservar a água só ajuda, na abundância ou na</p>
<p style="text-align: justify;">escassez. Quem soube primeiro domesticar não precisou amestrar e progrediu mais quem</p>
<p style="text-align: justify;">primeiro se afeiçoou aos animais. Mas isso produziu complicações, pois tal convivência</p>
<p style="text-align: justify;">trouxe doenças. Micróbios e pestes mataram mais do que guerras e catástrofes naturais.</p>
<p style="text-align: justify;">Mas também produziram evolução: quem primeiro adoeceu primeiro se vacinou.</p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;">Quem primeiro compreendeu a igualdade de todos os homens desistiu de escravidão.</p>
<p style="text-align: justify;">A vida em coletividade assegura que anda mais quem vai sozinho, mas quem anda junto</p>
<p style="text-align: justify;">vai mais longe. Assim quem decidiu morar em um lugar, construir propriedade, tornou-se</p>
<p style="text-align: justify;">dono sem precisar carregar. A mobília, a lavoura e a poupança, são sinais do progresso;</p>
<p style="text-align: justify;">a mochila, a imigração, tem muito de contingência e solidão. E quem parou, organizou</p>
<p style="text-align: justify;">a conquista sobre a própria vida. A vida sedentária movida a bons valores não é um</p>
<p style="text-align: justify;">mal. Metal, fontes energéticas, terra e clima foram compondo o ambiente favorável</p>
<p style="text-align: justify;">ao progresso e ao desenvolvimento. E nasceu o comercio e as cidades e então surgiu o</p>
<p style="text-align: justify;">dinheiro.</p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;">É preferível ter saúde a ser rico, mas não é fácil ter saúde sem ser rico. Antes ser</p>
<p style="text-align: justify;">alfabetizado a ser culto, mas é melhor ser alfabetizado com cultura. Enquanto você espera</p>
<p style="text-align: justify;">ficar rico é preferível ser classe média a ser pobre. Melhor ser pobre que miserável. Para</p>
<p style="text-align: justify;">ser adulto é preferível sobreviver como criança a morrer subnutrido. Se você não pode</p>
<p style="text-align: justify;">comprar, procure produzir e vender. É mais fácil andar sendo saudável do que por ter</p>
<p style="text-align: justify;">dinheiro. Mas a crise atual está mostrando uma doença financeira: quem tem crédito</p>
<p style="text-align: justify;">parece não ter dinheiro.</p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;">Governo centralizado e regras claras mais ajudam do que atrapalham. Democracia</p>
<p style="text-align: justify;">só ajuda, especialmente quando valoriza a paz e a inteligência humana; estimula a</p>
<p style="text-align: justify;">inovação, tecnologia e a industrialização. E é tolerante com opiniões e crenças diferentes.</p>
<p style="text-align: justify;">Mas há muita confusão a respeito dos valores essenciais da humanidade. Governos só</p>
<p style="text-align: justify;">pensam no presente, típico raciocínio de guerra, querendo impor uma vontade. Essa</p>
<p style="text-align: justify;">falta de discernimento da política internacional atrapalha a vida das pessoas comuns.</p>
<p style="text-align: justify;">Guerras iguais &#8211; militares, comerciais, diplomáticas &#8211; com armas desiguais. Um mundo em</p>
<p style="text-align: justify;">deslocamento do centro para o sul, do ocidente para o oriente, mas com os emergentes</p>
<p style="text-align: justify;">valendo-se dos mesmos expedientes, o pragmatismo sem moderação, para reunir aliados,</p>
<p style="text-align: justify;">que criticam na Europa e nos EUA.</p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;">Maus conselhos e seus aparatos manipuladores, da indústria militar ou da diplomacia,</p>
<p style="text-align: justify;">incendeiam o fanatismo e ajudam a manter o Oriente Médio em convulsão e fantoche</p>
<p style="text-align: justify;">de amigos insinceros. Quando começou o comercio os árabes inventaram a prestação, a</p>
<p style="text-align: justify;">loja e os mascates: formas de demonstrar confiança e paciência. Quem são os fregueses</p>
<p style="text-align: justify;">da sua falta de liberdade? Continuam a péssima tradição autoritária de usar mais paixão</p>
<p style="text-align: justify;">do que razão. Países mais à direita usam as ideias liberais para continuarem protetorados</p>
<p style="text-align: justify;">familiares, assentados em barris de petróleo, a mais obsoleta das energias. Os mais à</p>
<p style="text-align: justify;">esquerda usam as ideias socialistas oferecidas à região pela guerra fria como poder de</p>
<p style="text-align: justify;">polícia e perpetuação de castas e tiranias.</p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;">A revolução é a mais persistente das ideias ocidentais na região. Serve até hoje para</p>
<p style="text-align: justify;">qualificar as iniciativas políticas. Fixou ali o princípio da regra de ninguém, indiferente a</p>
<p style="text-align: justify;">soluções políticas e ao respeito aos direitos individuais. A democracia não combina com a</p>
<p style="text-align: justify;">fúria de governantes. Continua o meio mais tranquilo para conciliar diferenças. Um destino</p>
<p style="text-align: justify;">distante da região berço da civilização ocidental e da fé monoteísta do mundo.</p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;"><em><strong>PAULO DELGADO</strong> é sociólogo. Foi Deputado Federal.</em></p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;"><em><a href="https://paulodelgado.com.br/wp-content/uploads/2011/08/destinos.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" class="aligncenter size-medium wp-image-2378" title="destinos" src="https://paulodelgado.com.br/wp-content/uploads/2011/08/destinos-300x212.jpg" alt="" width="300" height="212" /></a><br />
</em></p>
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		<title>Reflexos da Índia</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Paulo Delgado]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 28 Aug 2011 03:00:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Artigos]]></category>
		<category><![CDATA[Artigos Correio Braziliense e Estado de Minas]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>A Índia é movimento e multidão. Quando Anna Hazare, um senhor de 74 anos, foi preso por protestar contra as talhas e limitações contidas na lei anticorrupção, o verão em Nova Délhi esquentou mais ainda. Imediatamente, milhares de pessoas saíram às ruas para apoiar o líder. Querem que a lei, em discussão no parlamento indiano, seja alterada, para acabar com as exceções que livrariam políticos e magistrados de serem julgados. "Só é aceitável um forte Lokpal (escritório anticorrupção) de vasto alcance que possa julgar qualquer cidadão suspeito de práticas fraudulentas, sem importar cargo, poder ou condição social", advertiu, sem autopiedade, o ativista anticorrupção. O premiê indiano não aceita a forma escolhida por Hazare para protestar. "A greve de fome... é um caminho totalmente equivocado e carregado de consequências para a nossa democracia."</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><em>Correio Braziliense e Estado de Minas, domingo, 28 de agosto de 2011.</em></p>
<p><strong>A</strong> Índia é movimento e multidão. Quando Anna Hazare, um senhor de 74 anos, foi preso por protestar contra as talhas e limitações contidas na lei anticorrupção, o verão em Nova Délhi esquentou mais ainda. Imediatamente, milhares de pessoas saíram às ruas para apoiar o líder. Querem que a lei, em discussão no parlamento indiano, seja alterada, para acabar com as exceções que livrariam políticos e magistrados de serem julgados. &#8220;Só é aceitável um forte Lokpal (escritório anticorrupção) de vasto alcance que possa julgar qualquer cidadão suspeito de práticas fraudulentas, sem importar cargo, poder ou condição social&#8221;, advertiu, sem autopiedade, o ativista anticorrupção. O premiê indiano não aceita a forma escolhida por Hazare para protestar. &#8220;A greve de fome&#8230; é um caminho totalmente equivocado e carregado de consequências para a nossa democracia.&#8221;</p>
<p>O que certamente incomoda o primeiro-ministro é bem mais do que a memória da luta contra os ingleses. Ele determinou que só fosse tolerável um jejum de 15 dias, considerando que mais do que isso seria provocativo e deflagrador de distúrbio. É que hoje falta dimensão espiritual à política. Há um descompasso evidente entre a imagem mental que os líderes tradicionais têm do poder, com sua pompa e afetação, e o surgimento inesperado do líder popular, capaz de combinai ação e passividade. Num tempo tão desprovido de altruísmo e austeridade, surgiu do nada a figura única de um Gandhi. É a espiritualidade do jejum ameaçando o festim da política!</p>
<p>A índia sempre soube fazer conviver e combinar o privilégio com a devoção. É um país que criou religiões, onde o conflito entre o hinduísmo e o islamismo retoma sempre. Seu sistema social de castas não consegue mais conservar e regular a fragmentação do país, pois o surgimento da democracia tem agitado o gigante. Há um número infindável de partidos, e os arranjos políticos que daí derivam permitem mexer na vida das pessoas, com a ascensão e a queda de famílias inteiras em muito pouco tempo. Assim, o povo encara a política como um navio, e a si mesmo como uma escada de bordo, que somente sobe se agarrado a ele.</p>
<p>O controverso prêmio Nobel de Literatura Vidiadhar S. Naipaul, de família indiana, descreve uma reunião parlamentar em que &#8220;os deputados viviam freneticamente, em constante movimento, como um grupo de pinguins caminhando em meio à tempestade de neve. Os da periferia, tratando de atingir a massa dos que estavam no centro do grupo, onde era mais quente. A política do Estado, tal como registrada nos jornais, era impenetrável para os turistas. Numa situação de alinhamentos e realinhamentos, não havia princípios nem programas, somente inimigos ou aliados: a metáfora dos pinguins&#8221;.</p>
<p>Naipaul assegura que &#8220;era possível ignorar boa parte do conteúdo dos jornais, pois o entendimento da situação política não dependia de saber o nome das pessoas e dos lugares, assim como a habilidade que o país adquiriu no manejo do computador não decorria do conhecimento integral de nenhum programa. Os programas poderiam ser modificados ou abandonados, e os políticos poderiam desaparecer ou mudar de cargo muito rapidamente&#8221;. O país se movia pela dança da sobrevivência e &#8220;parecia um milagre que houvesse governo. Mas, com o crescimento da economia, a maioria das pessoas acreditava que elas próprias, ou alguém de sua família, tinham a possibilidade de chegar ao centro mais quente, onde estavam os políticos, o poder e o dinheiro&#8221;.</p>
<p>Os desentendimentos de todos os dias, a vida entupida de realidade — crenças e línguas que fazem a rotina dos mais de l bilhão de indianos —, podem sempre acabar beneficiando alguém mais próximo, especialmente se ocorrerem na noite em que alguns deuses dormem.</p>
<p>Inevitavelmente, a política reflete as turbulências de uma nação segmentada e regionalista, acostumada a pouca mobilidade social e comprimida entre tantos poderes rivais. Os nacionalismos — separatistas ou centralizadores — enfrentam-se todos os dias nas ruas e no parlamento. Neste, assiste-se a debates feitos aos gritos, tapas, arrancar de microfones, rasgar de documentos e arremessos diversos. E quando as sessões legislativas transcorrem com tranquilidade, terminam com barulhentos socos na mesa, em lugar de palmas.</p>
<p>Tudo meio cômico, meio sério, nessa nação surpreendente e explosiva. Mas nada jovial ou tranquilizadora para um país emergente que pretende liderar o mundo.</p>
<p><em>Paulo Delgado é sociólogo. Foi deputado federal.</em></p>
<p><em><a href="https://paulodelgado.com.br/wp-content/uploads/2011/08/reflexos-da-india.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" class="aligncenter size-medium wp-image-2376" title="reflexos da india" src="https://paulodelgado.com.br/wp-content/uploads/2011/08/reflexos-da-india-300x212.jpg" alt="" width="300" height="212" srcset="https://paulodelgado.com.br/wp-content/uploads/2011/08/reflexos-da-india-300x212.jpg 300w, https://paulodelgado.com.br/wp-content/uploads/2011/08/reflexos-da-india-768x542.jpg 768w, https://paulodelgado.com.br/wp-content/uploads/2011/08/reflexos-da-india.jpg 1024w, https://paulodelgado.com.br/wp-content/uploads/2011/08/reflexos-da-india-207x146.jpg 207w, https://paulodelgado.com.br/wp-content/uploads/2011/08/reflexos-da-india-50x35.jpg 50w, https://paulodelgado.com.br/wp-content/uploads/2011/08/reflexos-da-india-106x75.jpg 106w" sizes="auto, (max-width:767px) 300px, 300px" /></a><br />
</em></p>
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		<title>Enigmas da Rússia</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Paulo Delgado]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 05 Sep 2011 03:00:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Artigos]]></category>
		<category><![CDATA[Artigos Correio Braziliense e Estado de Minas]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Quando José Alencar, então vice-presidente da República e ministro da Defesa, atravessou o primeiro corredor da gigantesca fábrica dos imponentes caças Sukhoi e viu extintores de incêndio vencidos, computadores ultrapassados e muita poeira, pegou no meu braço e sapecou: "Isso aqui tá pior do que a pior fábrica de móveis lá de Ubá".<br />
Ironia síntese da decadência tecnológica e do abandono da economia do conhecimento, a competitividade soviética acabou imersa numa indústria mecânica fixada em guerra.</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><em>Correio Braziliense e Estado de Minas, domingo, 4 de setembro de 2011.</em></p>
<p>Quando José Alencar, então vice-presidente da República e ministro da Defesa, atravessou o primeiro corredor da gigantesca fábrica dos imponentes caças Sukhoi e viu extintores de incêndio vencidos, computadores ultrapassados e muita poeira, pegou no meu braço e sapecou: &#8220;Isso aqui tá pior do que a pior fábrica de móveis lá de Ubá&#8221;.</p>
<p>Ironia síntese da decadência tecnológica e do abandono da economia do conhecimento, a competitividade soviética acabou imersa numa indústria mecânica fixada em guerra. Quando o deslumbrado Gorbachev — último governante da URSS — percebeu o descompasso entre a inteligência e a ambição do império socialista, mandou abrir o coração, igualmente empoeirado e com prazo de validade vencido, da irreformável União Soviética.</p>
<p>Vinte anos depois do fracasso do levante militar que, em agosto de 1991, pretendia restaurar o governo socialista, o governo da Rússia se negou a dar a tradicional guarda de honra para acompanhar a cerimônia de colocação da coroa de flores na sepultura dos jovens que morreram esmagados debaixo dos tanques golpistas. A atitude de desprezo dos atuais dirigentes do país por um dos acontecimentos históricos que permitiram sua chegada ao poder no Kremlin reflete um ensaiado passo para trás nas reformas políticas, econômicas e sociais pelas quais passa a Rússia.</p>
<p>Conta a lenda que, quando Vladimir Putin (ex-presidente e atual primeiro-ministro), à época agente da KGB e também espião da Stasi, a Policia Secreta da Alemanha Oriental (RDA), sentiu desmoronar os 70 anos do regime socialista, enfiou na gaveta suas credenciais à espera de tempos melhores. Em 2000, escolhido por Yeltsin para sucedê-lo, recebeu como tarefa manter o modelo de concentração econômica sob controle de grupos privados. Missão só possível nas mãos de quem viesse das antigas instituições de força e da tradição autoritária do país. A revisão negativa do movimento pelas liberdades civis, imprensa livre e reformas econômicas dos anos 1990 resultou no renascimento da burocracia à la soviética, fundida com a delinquência econômica e a corrupção que se apropriaram de todos os bens do Estado. Formada desde as privatizações da época de Yeltsin, a nova oligarquia econômica é hoje indissociável da oligarquia política, com as velhas empresas estatais nas mãos de seus antigos gerentes. O que explica a patética performance da Rússia como país com mais bilionários do mundo. A opção pela concentração e uso vertical do poder, sempre feita nas sucessões russas, é explicada por Gorbachev, agora na oposição, como se fosse a confissão de seus próprios erros e da fragilidade de suas convicções democráticas: &#8220;Naquele momento não era preciso ler livros, devia ver a realidade e a partir da realidade agir&#8221;.</p>
<p>Na Rússia, a transição tem sido radical: do excesso de ideologia do período da Guerra Fria para a era da ideologia nenhuma. O problema é que nenhuma nação gigantesca como aquela, com altíssimos índices de exclusão e pobreza e com forte tradição centralizadora e arbitrária desde o período czarista, pode viver sem utopia. O alcoolismo e as máfias, que fazem de Moscou a cidade mais violenta da Europa, substituíram a falta de sonhos ou senso de missão da terra de Tchaikovsky, Tólstoi, Marc Chagal, Gagarin e Dostoiévski.</p>
<p>Negócios e suas diversas formas de realizá-los, longe de serem de interesse comum, transformaram-se nos maiores atrativos da política russa. Começam, pois, a surgir sinais de insatisfação com a falta de liberdade no país que poderão movimentar as eleições parlamentares deste ano e a sucessão presidencial do ano que vem.</p>
<p>A previsão é que o &#8220;Rússia Unida&#8221;, partido de Putin, e seus aliados mantenham a dianteira com mais de 60% dos deputados eleitos. São tantos os magnatas que manobram os partidos viáveis que o ambiente lembra mais uma plutocracia do que uma democracia de fato. Temendo por sua Rússia na nova ordem de Putin, Alexander Solzhenitsyn, Prêmio Nobel de literatura, disse certa vez à revista The New Yorker: &#8220;O curso da história e da cultura mundial nos mostra que existem, e deveriam haver, autoridades morais. Elas constituem uma espécie de hierarquia espiritual que é absolutamente necessária para cada indivíduo e país&#8221;. Destruir líderes desse tipo foi, segundo ele, uma &#8220;forma para que todos pudessem agir da maneira que quisessem&#8221;. E o efeito desse processo tenderia a ser pior na Rússia, lamentou Solzhenitsyn, constatando a facilidade que tem seu povo de se moldar a quem tem poder.</p>
<p>Com a inércia da sociedade civil, falta de mobilidade social e uma aversão persistente ao jogo democrático, ainda é alto o deficit de confiança do país perante a comunidade internacional. O que adia os planos da Rússia de constituir-se como polo independente, e ter significado e influência na iminente multipolaridade do mundo.</p>
<p><em>Paulo Delgado é sociólogo. Foi deputado federal.</em></p>
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