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	<title>Arquivos brasil 2018 - Paulo Delgado</title>
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		<title>Vulcão extinto</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Paulo Delgado]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 14 Sep 2018 22:55:15 +0000</pubDate>
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										<content:encoded><![CDATA[<p><em>O Estado de S. Paulo – 12 de setembro de 2018.</em></p>
<p><strong>U</strong>m, como Calígula, quer outra vez fazer seu cavalo cônsul. Outro, pensava atear fogo em Roma, mas bateu de frente com um Nero mais ligeiro.</p>
<p>A República não encoraja a ninguém seu vício exagerado, nem permite impor ao eleitor visita guiada até a urna. Quem brinca com o humor do povo pode até dar peso à fumaça, mas a vida assumirá seu erro logo à frente. Assim, que ninguém confunda seus medos com nossos males.</p>
<p>Mande parar de dar cachaça de presente para ele. Não tenho mais onde pôr, nem acho que um diplomata esteja oferecendo ao presidente algo da sua adega. Madame, não é da natureza de nossa diplomacia ver incorreção na busca da felicidade na carreira. Eles se agitam nos círculos fúteis e nos úteis em busca de promoção. A maioria não sabe bem quem vem antes, se gregos ou romanos, são produto do esporte praticado pelo chanceler e a mania da profissão de cultivar amizades lucrativas. Mas entendo sua angústia, das coisas desagradáveis da vida um embaixador puxa-saco é pior que um jantar de homens embriagados.</p>
<p>No outro polo, fazendo noite sobre seus pecados, ele delira: vou me impor como raposa, fingir a determinação de um leão, mas Deus me livre de provocar a ira de um tolo e ser por ele esfaqueado como um cão.</p>
<p>Não é da política que eles gostam. É da vida descuidada, ardilosa e sem lei que encontram no meio dela. Qualquer coisa que se diga dessa campanha, aos dois correspondem mais da metade dos problemas.</p>
<p>O favorito é que não deveria ter nenhum amigo. Minha amiga poderosa riu, passou o cigarro que sempre filava – serrar, amigo, aqui se fala serrar, dizia-me, divertida. Liguei o desconfiômetro, foquei na futilidade das maquinações humanas em proveito próprio e percebi como é fácil ser amigo de alguém no auge do seu triunfo. O medo de criticar um vitorioso tirou de cena o princípio de que “a expressão que fere é a certa”. O País pisa em ovos. Todos recuam diante de um césar. Eles inverteram a lógica da política, insultam, quando deveriam estar ali para serem insultados. Os dois decidiram andar com a cabeça virada para trás. Vêm melhor os ressentidos e a sombria arrogância dos rostos apressados, assentados nas almofadas de seda da política. Podem até ter virtudes, mas nenhum dos dois tem fronteira.</p>
<p>E vi os modos primorosos se anteciparem, diplomatas, artistas, intelectuais e religiosos, bem antes do rico pidão e do povão oferecido. Os eleitores, ah, os eleitores, esqueça, são o truque de tudo, a sombra na prosperidade dos maus que incomodava o rei Davi.</p>
<p>Ela gostava quando eu dizia que a política é paixão doentia, violenta, que toma a forma humana para agir usando a bandeira dos anjos. Somos o povão, prometia que seria diferente. Exultava quando lhe dizia que os que apoiam por lascívia não devem ser considerados “eu mesmo”. Sentenciosa e ciumenta, usava a deixa e exigia que com essas ideias normais deveríamos voltar mais cedo para casa para dar espaço a outros. Tinha uma harmonia de temperamento com ela, trocávamos ideias sobre os países do mundo, mas ficava com o pé atrás com a turma da carona do avião presidencial, desenvolta como se estivesse numa companhia aérea particular. Ela não teve tempo de ver o outro igual na direita, o mesmo método, provocador, intimidando os inocentes.</p>
<p>Ridículo nacional é o Brasil não conseguir modular a forma como age em episódios corriqueiros de falta de cultura, impostos ao povo por gente sem grandeza. O que falta ao País não é ousadia, é sobriedade. Nem da cela ele passa o bastão, pois é mesmo o dono de tudo; mesmo na maca, ele aponta a arma para a barriga aberta como se fosse um bisturi.</p>
<p>Ridículo transnacional é a indolente diplomacia que não consegue dividir suas inquietações com critério e se torna presa fácil do pessoal do manifesto, propagadores de utopias de encomenda. Quantos assinam tudo para fugir ao esquecimento? Uns adoram se dizer da ONU, caçadores de curiosidades, cheios de fórmulas e crachás, peritos-parte. Consideram o mundo político da periferia esgoto dos vizinhos, enquanto colecionam nas suas casas figurinhas de gente falada. Parcos em olhares e sinceridade, escrevem resolução como bula que indica leite Ninho para criança da época de Josué de Castro.</p>
<p>Foi a amizade que virou sabedoria que fez do papagaio, que também fala línguas estranhas, embaixador além-mar. Se eles não defendem o Brasil como deviam, o general candidato se põe a falar sobre as presumíveis causas das inundações do Nilo. Mania antiga essa conversa estrangeira e uniformizada, de falar mal e ameaçar as instituições do Brasil.</p>
<p>A campanha avança, parem com tolice. Os moderados se aproximem, não se deixem atacar de flanco, pois o veneno que se instalou pela controvérsia entre o certo e o errado demorou um pouco a produzir seu efeito. Melhor sair do círculo das grandes minorias, parar de pedir autógrafo, pois se é uma tolice falar mal do País, são duas votar em seus propagadores.</p>
<p>Poucos percebem que a multidão de negócios que o poder propicia é glória de nada se não pode ser oferecido, limpo, a quem se ama. Porque no fundo ninguém se absolve em seu foro íntimo se souber que sua glória é condenável. Para quem não sabe o que é a solidão e nunca parou para pensar na brevidade da vida, a popularidade até parece felicidade. Nenhum prazer positivo o poder proporciona a quem tem o inexorável desejo de subir e sufocar os outros.</p>
<p>Ela se foi preocupada quando eu disse que ele, senhor de tudo, começava a apertar o botão contra si mesmo e já era juiz, promotor, réu e prisão de sua própria causa. Nunca mais a vi, nem disse a ela o que acontece com quem ama o engano: para quem nada encontra dentro de si, tudo é pretexto para que a excitação anormal esconda a prostração civil. Vulcão extinto, na cadeia ou no hospital, só se percebe assim quando a alma do poder que o motiva se revela indiferente à alma verdadeiramente humana.</p>
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		<title>O homem da multidão</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Paulo Delgado]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 14 Nov 2018 09:06:02 +0000</pubDate>
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										<content:encoded><![CDATA[<p><em>O Estado de S. Paulo &#8211; 14 de novembro de 2018.</em></p>
<p><strong>A</strong> esquerda observa as pessoas em cachos, como se quisesse formar pencas de gente igual. Movimento, silêncio não despertam atenção, diferente do que observa o narrador de Edgar Allan Poe no conto <em>O Homem da Multidão</em>. O povo percebeu a manobra e tornou mais pobre ainda a experiência da política, em que o eleitor é mero objeto de consumo. Foi um sentimento de solidão que o levou a reagir e disparar sua opinião de costas para os partidos. Toda eleição tem um polo do poder e um polo da liberdade. Nesta o poder foi representado pela esquerda e a liberdade, pela direita. Foi assim que a decisão se deslocou para fora do alcance da política velha.</p>
<p>Com um só olhar, a eleição que terminou foi a rebelião do horizontal. Amontoado como mercadoria num armazém, o eleitor-freguês olhou a saída sem ligar para vendedores perpendiculares a ele, verticais, na linha contrária ao horizonte. A maioria não aceitava mais que lhes empurrassem suas verdades. Foi ele, o eleitor, que escolheu, desde o início, um candidato para levar. Um candidato-aplicativo, sem intermediário, em sintonia com os conteúdos objetivos, os desejos e os fantasmas do eleitor. A farda é um detalhe que está aí no inconsciente do País. Não importa se passou ou não pela sua cabeça o mito purificador tenentista; o capitão Prestes, que dirigiu com mão de ferro o mais importante partido de esquerda da história do País; a sina que é constatar que ao cansaço do populismo de Getúlio se seguiu um marechal; de Jânio-Jango, oito generais; e de Lula-Dilma, um capitão e um general.</p>
<p>Uma eleição de eleitor incomodado, árbitro de si mesmo, sem dono, usando plataforma própria. Embebida em truques, delitos e destino, bloqueou donos de poder. Por exemplo: o prognóstico da decadência feito de forma confortavelmente entorpecida pelo velho roqueiro; a manipulação do fascismo pela universidade que só o sente à direita, na ruína da linguagem pública, e o esconde à esquerda, dando outro nome ao Estado-sindical-corporativo. O envolvimento emocional-depressivo-opressivo do Supremo com Lula, deixando entrever ao País que os dois podem tudo. A tardia indignação com a grosseria vocabular do deputado que falou o que quis na cara de oito presidentes da Câmara do período petista.</p>
<div class="limite-continuar-lendo"></div>
<p>A profanação da soberania do eleitor recebeu um freio da multidão. E mostrou que a polarização é um crack viciante que o PT usa para entorpecer o País. Bastaram nuances de autonomia individual para que a obsessão pela ideologia, que o servia, o derrubasse: “Se toda direita é fascista, toda esquerda é comunista. Que 2018 seja o cemitério do mundo binário para poder salvar as pessoas que se transformaram no que elas combatem. Quem não rasgar o manual da má compreensão dos fatos vai casar Marine Le Pen com Roger Waters em missa cantada por Bono Vox. Largue o alucinógeno da certeza e ouça bater, sem preconceito e clichês, o coração apertado de Cid Gomes, Regina Duarte e Mano Brown. Busque outra explanação, fuja da ignorância racional, até para xingar é preciso ser inteligente. Afinal, votar nem sempre é para escolher o melhor, às vezes é para impedir que o ruim queira ficar.</p>
<p>Podemos até estar diante de outro sósia da improvisação nacional. Ênfases e repetições: sai a CUT, entra Agulhas Negras. Sai a vida para a luta, entra a luta pela vida. Que não saia a sociedade civil e volte a inteligência racional. Toda eleição tem uma atmosfera, um costume. Essa consagrou um programa mais de rejeição do que de escolha. E não foi um programa de poucos. A agitação desarranjada das massas revelou-se lógica e determinada.</p>
<p>Meio antipolítica, a campanha vitoriosa foi tomada por apelos morais, que dialogaram melhor com a subjetividade do eleitor. <em>Primeiro</em>, porque as redes sociais foram escolhidas no século 21 para comunicar os segredos mais íntimos e as surpreendentes confidências das pessoas comuns. É o divã do povão. <em>Segundo</em>, porque as regulações que não têm como ser feitas é melhor que não existam. Travar a internet é bloquear a inteligência atrevida, o inesperado, o sarcasmo.</p>
<p>Uma campanha feita por celular, com votos adquiridos num click, decifrou um dos códigos que emperram o Brasil: o atraso tecnológico que é a gestão analógica das coisas em governos sem inteligência digital. Como a vitória foi feita pelo celular, podemos quebrar um tabu. Está inaugurada a democracia digital e o vislumbre de um futuro interessante e mais barato: inovação no Executivo e a desnecessidade do Parlamento de tempo integral, sem mandato presencial, salvo para votar emenda constitucional.</p>
<p>Sabemos que uma coisa é eleger, outra é governar. E o jogo começou. Primeiramente, não há erro no convite a Sergio Moro, o ministro da Justiça dos sonhos do PT original. Segundo, não é o ministro da Economia que aparece no horizonte das necessidades subjetivas, mas sim um grande porta-voz. O novo presidente precisará aceitar pesos domésticos para evitar previsíveis contrapesos externos. E no exterior, diferente do Brasil, acredita-se naquilo que a pessoa fala. Gringo leva as coisas ao pé da letra. E há temas sensíveis: ONU; a força espiritual de Jerusalém para o monoteísmo; nem divórcio da China nem casamento monogâmico com os EUA, dois amores inevitáveis. Ter na ponta da língua uma solução diplomática-humanitária para a Venezuela, um mandato internacional via OEA.</p>
<p>O ministro porta-voz deve ajudar o presidente a se livrar do rótulo de extrema direita. Nenhuma extrema tem prestígio. Como é religioso, sugiro que faça como Moisés, que, com dificuldades de comunicação, pediu a Deus alguém para falar por ele. Assim foi feito, Moisés fala com Deus e Aarão, seu irmão, com o povo e os faraós. Quem sabe, poderá até ser feita a prometida “travessia do Mar Vermelho”. Pois bem falado e compreendido, que Jair nem apague cores do arco-íris nem nos leve deserto adentro.</p>
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