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	<title>Arquivos Embraer - Paulo Delgado</title>
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		<title>PAIXÃO PELA EXCELÊNCIA</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Paulo Delgado]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 23 Jul 2018 00:20:41 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Artigos Correio Braziliense e Estado de Minas]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Correio Braziliense e Estado de Minas – domingo, 22 de julho de 2018. “Conte até 10. Esse o máximo de tempo que você terá que esperar<span class="excerpt-hellip"> […]</span></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p><em>Correio Braziliense e Estado de Minas – domingo, 22 de julho de 2018.</em></p>
<p><strong>“C</strong>onte até 10. Esse o máximo de tempo que você terá que esperar até que um avião da Embraer decole de algum lugar do mundo”, diz a propaganda da empresa brasileira na Feira Internacional de Farnborough, Inglaterra. Riscando os céus do incerto verão inglês, as principais aeronaves à venda no mundo buscam seduzir compradores e o público nesse que é um dos dois mais tradicionais salões internacionais de aeronáutica. Com sete dias de programação, o salão termina hoje e por vários motivos a Embraer foi o assunto para todos aqueles que tentam imaginar o salão do ano que vem com as gigantes se juntando. Quem é transportado pela aeronáutica sabe; quem não se esquece da Rio-Sul e Nordeste lembra; quem costuma voar em jato particular ou fretado gosta; quem voa Azul tem certeza: a Embraer é uma realidade confortável nos céus no Brasil. Infelizmente, temos de sair do país para constatar o respeito da marca, como o avião da integração regional e a real dimensão do valor da indústria aeronáutica que temos. Ande pela Europa, pelos EUA e pela Ásia e veja o tamanho do sucesso da visão industrial da Embraer. Quando fui observador internacional na guerra de independência do Timor, chegava a Dili, via Darwin, na Austrália, em um Embraer da Airnorth.</p>
<div>Em 1969, o governo brasileiro criou a Embraer. Hoje, a empresa é a principal fabricante de jatos comerciais para até 146 passageiros e o mais destacado exemplo de exportação de bens de alto valor agregado em nosso país. No caminho entre uma coisa e outra, uma decisão foi fundamental: em dezembro de 1994, com Itamar Franco presidente, a Embraer foi privatizada. De lá para cá, a Embraer é um caso de sucesso da parceria entre capital nacional, Estado brasileiro e capital internacional.</div>
<div></div>
<div>Os franceses foram parceiros valorosos, essenciais, para o salto de qualidade que fez a Embraer chegar ao jato para mais de 100 passageiros. Hoje, ela é uma empresa global com sede no Brasil. Raríssimas são as empresas relevantes que não sejam globais. Assim, o investidor estrangeiro deve ser visto como sócio bem-vindo do nosso desenvolvimento.</div>
<div></div>
<div>Na ciranda entre os acionistas controladores, público e privados, a Embraer não foi mais longe porque não há cultura de planejamento estratégico no Estado brasileiro capaz de formar ativos para a construção da grandeza nacional.</div>
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<div>Foi a incapacidade de sucessivos governos de levar a bom termo o Projeto FX que não permitiu ao país desenvolver o caça brasileiro e avançar para o domínio da inteligência na família dos aviões de maior porte. O Brasil, de governos tíbios na questão tecnológica, falhou em não concluir a natural parceria com os franceses que já existia. Tudo nos últimos anos foi tão malfeito que acabamos comprando um jato de papel, um protótipo, avião estranho à dimensão territorial que temos, sem logística adequada a qualquer característica, nem do caça, nem do país.</div>
<div></div>
<div>Mas tudo que é perfeito em sua espécie acaba ultrapassando sua origem. E eis que há poucos meses, a Bombardier, a maior concorrente da Embraer no mundo, se uniu a Air Bus europeia fazendo do casamento Embraer-Boeing um destino manifesto.</div>
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<div>A Embraer é uma joia de brilho próprio e é evidente que a união com a Boeing é muito interessante, mas ninguém pode quebrar o pescoço. Não se trata de burocracia de negociação conduzida por palpiteiros que não perdem nada falando besteira. Os EUA e a China sabem os meios de descobrir o que é bom para sua indústria e, mais ainda, praticar negócios que incluem prejuízo por opinião ruim, fato desconhecido por negociadores estatais brasileiros. A engenharia da parceria deve conter uma filosofia de pessoa segura do seu sucesso: tem de levar em conta que é melhor ter uma boa relação e um plano para obter o que você quer do que querer obrigar o outro a escrever o que você deseja. Os dois lados têm força para fazer com que fique claro os benefícios mútuos da parceria. O bem se intui.</div>
<div></div>
<div>A Boeing sabe que custaria a ela muito mais do que US$ 3,8 bilhões para desenvolver jatos regionais com a qualidade dos jatos da Embraer. É um mercado que sempre buscaram, parecendo desdenhá-lo. A brasileira hoje controla 28% desse mercado. Por ser muito bom para a Boeing, tem que ser bem negociado, pois sabe a Embraer que não será boa a parceria se prevalecer a percepção de que um lado parece não atribuir o valor correto ao outro.</div>
</div>
<div></div>
<div>
<div>O acesso ao conhecimento acumulado, capacidade de investimento e poder de mercado que emana de Seattle é a trinca que permitiria aos prodígios de São José dos Campos serem muito mais produtivos e inovadores. Afinal, se quem faz ciência e avança a tecnologia nos EUA é muito bom, quem consegue fazer isso no Brasil é excepcional.</div>
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		<title>O que fazer nos EUA</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Paulo Delgado]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 17 Mar 2019 03:00:45 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Artigos Correio Braziliense e Estado de Minas]]></category>
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		<category><![CDATA[trump]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>O presidente do Brasil está a caminho de Washington a bordo de um avião da Airbus, empresa europeia que celebrou uma vantajosa aliança com a canadense<span class="excerpt-hellip"> […]</span></p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>O presidente do Brasil está a caminho de Washington a bordo de um avião da Airbus, empresa europeia que celebrou uma vantajosa aliança com a canadense Bombardier. Já a brasileira Embraer se aliou com a Boeing, mesmo controlando a maior fatia do mercado de jatos regionais do mundo, com 28%, contra apenas 12% de presença da americana, de forma pífia. A “parceria” ficou em 80% para Boeing, e 20%, para Embraer.</p>



<p>O acordo, da forma como foi feito, deixou o presidente Bolsonaro com a pulga atrás da orelha. Não contempla o interesse nacional. As proporções estão equivocadas, sem nenhuma feição de aliança estratégica. As garantias, muito frágeis, e não há plano consistente e explícito de longo prazo. Em suma, negócio de curto prazo, de má economia, sufocou o interesse histórico que o Brasil mantém no setor da aviação e no desenvolvimento constante de tecnologia de ponta. Bolsonaro e Trump podem pessoalmente melhorar isso a partir de terça feira.</p>



<p>É justo um upgrade no acordo Embraer-Boeing. Precisa ser uma aliança real, continental, tanto no papel, quanto na realidade visível. Em comparação, a alquebrada Bombardier manteve 50% das ações em seu acordo com a gigante europeia Airbus. O controle da Airbus ficou explicitado por uma diferença de apenas 0,1%. Isso é parceria, sem submissão.</p>



<p>A indústria aeronáutica é uma das mais avançadas que o Brasil possui. É fundamental assegurar o aumento da participação brasileira nesse novo desenho de aliança com os EUA, de olho no que se passa no mundo. Por isso, é preciso ter clareza sobre as disputas em que os EUA estão envolvidos e saber defender, da maneira eficaz, o interesse nacional brasileiro.</p>



<p>Os EUA acabam de pedir à China que dê um tempo no desenvolvimento de novas tecnologias. Há um diagnóstico, com alto potencial conflitivo, sobre a possibilidade de que o mundo se divida em dois diferentes padrões tecnológicos. Grosso modo, um lado com tecnologias de base americana, e outro lado com tecnologias de base chinesa. Washington corre para deter os asiáticos, pois teme ter que agir, militarmente, para impedir tal cisão. Para que não tenha que hastear bandeira e ir às vias de fato, inicialmente tenta o explícito processo de contenção já em operação. Trump busca obter uma moratória tecnológica de Pequim.</p>



<p>Algo que transcorria atrás de portas fechadas veio à luz, tanto por conta do estilo Trump, quanto pelo fato de ser difícil boicotar um país tão fechado e protegido quanto a China. A China também deu a dica quando, mordida pelo bicho da bravata, resolveu dizer a todos, em 2015, que estava articulando um plano para que em 10 anos o país chegasse à ponta da inovação tecnológica mundial. Momento em que, então, poderia dispensar as compras de equipamentos americanos. “Fabricado na China 2025” chama-se o plano que Washington quer ver Pequim postergar, ou abandonar em parte.</p>



<p>Trump quer dar um jeito de manter a distância relativa de poder entre Washington e Pequim estável por mais um tempo. Até, pelo menos, a Casa Branca ter uma noção mais clara de como agir num mundo em que não é mais a gestora da maior economia do planeta. Para isso, quer frear o crescimento chinês exigindo deles que se abstenham de algumas áreas específicas. Esse é o cabo de guerra com a Huawei. </p>



<p>Tecnologia pura, a droga do progresso real. Muito mais importante do que tarifas comerciais e outras bobagens secundárias que levam países inviáveis a se digladiarem.&nbsp; Os EUA querem impor barreiras não tarifárias para a tecnologia chinesa. Nem que seja com a ameaça de uma solução fora dos canais civilizados.</p>



<p>O calor do confronto se dá por causa de uma dúvida cada vez mais real: qual será o padrão tecnológico do mundo virtual e bioquimicamente transformador? Os EUA querem isso para si. Um pouco por instinto e cobiça, também por responsabilidade e culpa. Estamos no espólio final do que foi seu triunfo no século 20. Acham que merecem, por direito, tempo maior para aceitar uma transição tecnológica cujos termos desejam ditar do princípio ao fim. Se Bolsonaro não negociar com Trump a participação brasileira em um desses polos do futuro tecnológico do mundo, a viagem pode se desviar para a Disney.</p>



<p>Um ponto claro é selar um acordo para a fabricação de aviões maiores e de mais longo alcance pela Embraer, para que o presidente brasileiro possa vender o Airbus e, nos 200 anos de nossa independência, voar em um EB 7.09.2022 da Embraer-Boeing. Um avião de fuselagem estreita (narrowbody), de mais longo alcance, fabricado pela inteligência dos brasileiros. Política é convencimento e aliança, boa para ambos os lados. Para Trump e a Boeing, não seria problema. Para o Brasil, uma nova dimensão mundial. </p>



<p> </p>
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