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	<title>Arquivos governo 2019 - Paulo Delgado</title>
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		<title>O homem da multidão</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Paulo Delgado]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 14 Nov 2018 09:06:02 +0000</pubDate>
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										<content:encoded><![CDATA[<p><em>O Estado de S. Paulo &#8211; 14 de novembro de 2018.</em></p>
<p><strong>A</strong> esquerda observa as pessoas em cachos, como se quisesse formar pencas de gente igual. Movimento, silêncio não despertam atenção, diferente do que observa o narrador de Edgar Allan Poe no conto <em>O Homem da Multidão</em>. O povo percebeu a manobra e tornou mais pobre ainda a experiência da política, em que o eleitor é mero objeto de consumo. Foi um sentimento de solidão que o levou a reagir e disparar sua opinião de costas para os partidos. Toda eleição tem um polo do poder e um polo da liberdade. Nesta o poder foi representado pela esquerda e a liberdade, pela direita. Foi assim que a decisão se deslocou para fora do alcance da política velha.</p>
<p>Com um só olhar, a eleição que terminou foi a rebelião do horizontal. Amontoado como mercadoria num armazém, o eleitor-freguês olhou a saída sem ligar para vendedores perpendiculares a ele, verticais, na linha contrária ao horizonte. A maioria não aceitava mais que lhes empurrassem suas verdades. Foi ele, o eleitor, que escolheu, desde o início, um candidato para levar. Um candidato-aplicativo, sem intermediário, em sintonia com os conteúdos objetivos, os desejos e os fantasmas do eleitor. A farda é um detalhe que está aí no inconsciente do País. Não importa se passou ou não pela sua cabeça o mito purificador tenentista; o capitão Prestes, que dirigiu com mão de ferro o mais importante partido de esquerda da história do País; a sina que é constatar que ao cansaço do populismo de Getúlio se seguiu um marechal; de Jânio-Jango, oito generais; e de Lula-Dilma, um capitão e um general.</p>
<p>Uma eleição de eleitor incomodado, árbitro de si mesmo, sem dono, usando plataforma própria. Embebida em truques, delitos e destino, bloqueou donos de poder. Por exemplo: o prognóstico da decadência feito de forma confortavelmente entorpecida pelo velho roqueiro; a manipulação do fascismo pela universidade que só o sente à direita, na ruína da linguagem pública, e o esconde à esquerda, dando outro nome ao Estado-sindical-corporativo. O envolvimento emocional-depressivo-opressivo do Supremo com Lula, deixando entrever ao País que os dois podem tudo. A tardia indignação com a grosseria vocabular do deputado que falou o que quis na cara de oito presidentes da Câmara do período petista.</p>
<div class="limite-continuar-lendo"></div>
<p>A profanação da soberania do eleitor recebeu um freio da multidão. E mostrou que a polarização é um crack viciante que o PT usa para entorpecer o País. Bastaram nuances de autonomia individual para que a obsessão pela ideologia, que o servia, o derrubasse: “Se toda direita é fascista, toda esquerda é comunista. Que 2018 seja o cemitério do mundo binário para poder salvar as pessoas que se transformaram no que elas combatem. Quem não rasgar o manual da má compreensão dos fatos vai casar Marine Le Pen com Roger Waters em missa cantada por Bono Vox. Largue o alucinógeno da certeza e ouça bater, sem preconceito e clichês, o coração apertado de Cid Gomes, Regina Duarte e Mano Brown. Busque outra explanação, fuja da ignorância racional, até para xingar é preciso ser inteligente. Afinal, votar nem sempre é para escolher o melhor, às vezes é para impedir que o ruim queira ficar.</p>
<p>Podemos até estar diante de outro sósia da improvisação nacional. Ênfases e repetições: sai a CUT, entra Agulhas Negras. Sai a vida para a luta, entra a luta pela vida. Que não saia a sociedade civil e volte a inteligência racional. Toda eleição tem uma atmosfera, um costume. Essa consagrou um programa mais de rejeição do que de escolha. E não foi um programa de poucos. A agitação desarranjada das massas revelou-se lógica e determinada.</p>
<p>Meio antipolítica, a campanha vitoriosa foi tomada por apelos morais, que dialogaram melhor com a subjetividade do eleitor. <em>Primeiro</em>, porque as redes sociais foram escolhidas no século 21 para comunicar os segredos mais íntimos e as surpreendentes confidências das pessoas comuns. É o divã do povão. <em>Segundo</em>, porque as regulações que não têm como ser feitas é melhor que não existam. Travar a internet é bloquear a inteligência atrevida, o inesperado, o sarcasmo.</p>
<p>Uma campanha feita por celular, com votos adquiridos num click, decifrou um dos códigos que emperram o Brasil: o atraso tecnológico que é a gestão analógica das coisas em governos sem inteligência digital. Como a vitória foi feita pelo celular, podemos quebrar um tabu. Está inaugurada a democracia digital e o vislumbre de um futuro interessante e mais barato: inovação no Executivo e a desnecessidade do Parlamento de tempo integral, sem mandato presencial, salvo para votar emenda constitucional.</p>
<p>Sabemos que uma coisa é eleger, outra é governar. E o jogo começou. Primeiramente, não há erro no convite a Sergio Moro, o ministro da Justiça dos sonhos do PT original. Segundo, não é o ministro da Economia que aparece no horizonte das necessidades subjetivas, mas sim um grande porta-voz. O novo presidente precisará aceitar pesos domésticos para evitar previsíveis contrapesos externos. E no exterior, diferente do Brasil, acredita-se naquilo que a pessoa fala. Gringo leva as coisas ao pé da letra. E há temas sensíveis: ONU; a força espiritual de Jerusalém para o monoteísmo; nem divórcio da China nem casamento monogâmico com os EUA, dois amores inevitáveis. Ter na ponta da língua uma solução diplomática-humanitária para a Venezuela, um mandato internacional via OEA.</p>
<p>O ministro porta-voz deve ajudar o presidente a se livrar do rótulo de extrema direita. Nenhuma extrema tem prestígio. Como é religioso, sugiro que faça como Moisés, que, com dificuldades de comunicação, pediu a Deus alguém para falar por ele. Assim foi feito, Moisés fala com Deus e Aarão, seu irmão, com o povo e os faraós. Quem sabe, poderá até ser feita a prometida “travessia do Mar Vermelho”. Pois bem falado e compreendido, que Jair nem apague cores do arco-íris nem nos leve deserto adentro.</p>
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		<title>O protocolo</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Paulo Delgado]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 10 Jan 2019 23:36:46 +0000</pubDate>
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										<content:encoded><![CDATA[<p><em>O Estado de S. Paulo, 09 de Janeiro de 2019.</em></p>
<p><strong>D</strong>esprovida de acontecimentos interessantes, a cerimônia de posse é uma rotina. Até que uma expressão forte, direta e popular rouba a cena. O discurso da primeira-dama Michelle Bolsonaro é precursor de uma soberania específica, positividade que deve ser vista pelo que foi efetivamente visto, dito e ouvido. Não há muito espaço para o não aceitar, resistir a admirá-lo. Sua aparição, inesperada, com sua intérprete para a língua do discurso, foi a coisa mais emocionante que se viu numa posse presidencial. Seu ato, espiritualmente suficiente, demonstra que nem toda a realidade passa pela política e dispensa a boa-fé de dizer que a visibilidade do poder vai facilitar resolver a dor dos surdos de que está imbuída. Contém uma ruptura com nossa época de emoções estudadas, configurações, abrindo fronteiras espaciais novas, fora do mundo do protocolo, o esforço institucional previsível que costuma montar a armadilha que freia a novidade nos lugares de comando e controle, que são a base do poder. As primeiras-damas impedem que o poder se manifeste em estado puro e possuem segredos, investimentos de desejos, que estão além dos interesses de influência e mando. Embora não sejam propriamente as titulares do poder, podem modelá-lo ou revelar seu inconsciente.</p>
<div class="n--noticia__content content">
<p>Observar o fato microfisicamente permite tranquilizar o sistema político derrotado quanto à continuidade-descontinuidade das estruturas simbólicas mais importantes de uma nação, que é ver o poder se dirigir, preferencialmente, “aos que se sentem esquecidos”. Nem todo discurso fora da ordem significa que surgiu outro saber que invalide o passado. Mas abre caminho para a observação do que pode constituir a natureza estratégica do novo governo. “Onde há poder, ele se exerce.”</p>
<p>Bem, passando para outro discurso claro, compreensível e positivamente propagandista, de Paulo Guedes, vê-se que não há segredo diante do interesse e é possível observá-lo materialmente. Sua equipe é inteligente, experiente e conhece o funcionamento do Estado. É evidente que ali o poder se exerce na direção de desatolar a locomotiva brasileira e – não somente – para investidores e grupos econômicos embarcarem em boa e segura velocidade. Quanto mais difuso for o interesse de melhorar, mais sucesso governamental, em especial se alguém pensar que a economia deve crescer principalmente para aqueles que não têm muito interesse no governo. Deve ajudar quem está disposto a penetrar na vida quotidiana e observar que nem 8% da população ganha mais de R$ 5 mil, nem 5% compram livros, ou que os jovens são os que mais sofrem com o desemprego. O discurso foi duro, mas também tranquilizador quando deixa claro por que as transformações requeridas não precisam incluir nenhum dispositivo político espetacularmente novo. É o que saiu da eleição que está sendo convocado. Contém um alerta de como evitar que o poder queira ser humanista sem ter nenhuma base na realidade dos necessitados. E vai ao ponto, como arqueiro preciso e frio: os que fazem e julgam a lei, até aqui, agiram em seu próprio benefício, indiferentes à vida de mais de 200 milhões de brasileiros.</p>
<p>A teoria geral que está por trás do nosso problema econômico, com sua confusão entre cidadão e consumidor, direito adquirido e privilégio, é o fato de não conter nenhuma transformação relevante que seja constante, estável, nos últimos 60 anos. Pontualmente, nada se tornou universal, autossustentável. Entre nós a economia é uma prática precária, dispersa, subordinada aos governos de cada período presidencial. O que parece proposto é um novo exercício do poder, com um pouco mais de ênfase na autonomia e na liberdade de iniciativa. O tipo específico de poder que se quer configurar – liberal, conservador, de direita, etc. – precisa articular-se de maneiras variadas com o que está disponível entre altos e influentes servidores públicos, com destaque para o Congresso e o Judiciário, as duas maiores extremidades do privilégio previdenciário e salarial brasileiro.</p>
<p>Se o objetivo é fugir de um tipo específico de poder, é preciso, de fato, transformar o sistema estatal de esperança, mudar a mecânica do poder na sua relação com a sociedade, abrindo mão de técnicas de dominação estatais. E ter mais cuidado com o alcance da representação democrática. O fato, por exemplo, de o povo desejar ordem e progresso, o que é verdade, não se confunde automaticamente com os que estão dispostos a realizar tal interesse sem levar em conta a sutileza que existe nos limites do poder de representar. É preciso cuidado ao falar pelos outros. Outra dúvida, também, é querer combinar as boas ideias liberais com qualquer tipo de revide, desforra ou ajuste de contas. O Estado é formado por jurisdições seculares e a eleição produz um confronto natural de revezamentos, sem necessidade de muita eloquência adicional após a vitória. Assim, não há necessidade de querer reconfigurar culturalmente o Brasil ou confundir, em política externa, simpatia com subordinação.</p>
<p>O governo precisa ficar atento para o fato de que nem todas as mudanças que estão acontecendo na sociedade são provocadas pela política ou pelo minucioso e detalhado papel do Estado na vida das pessoas. Existe hoje outra rede de poderes, mais eficiente, presente e preparada do que o Estado, controlando e determinando valores, os comportamentos e a vida de todos, como uma inundação incontrolável. O papel do Estado é ajustar o calibre, sem tutelar. Muitos problemas brasileiros têm existência própria, são gerados em instituições específicas ou prosperam nos escalões mais altos, médios e baixos do centro e da periferia. Todo governo que pretenda dirigir ou influenciar a conduta de crianças, jovens, adultos e velhos será um governo hermético fadado ao fracasso. Pois se frustrará ao perceber que as ilusões da esquerda, com o Estado Educador Coletivo, são da mesma natureza autoritária da crença da direita no Estado Pastoral Conservador.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>*****</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><strong>Leia também no site do</strong> <a href="https://opiniao.estadao.com.br/noticias/espaco-aberto,o-protocolo,70002672203">Estadão</a>.</p>
</div>
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