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	<title>Arquivos política - Paulo Delgado</title>
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		<title>No Sincomercio Paulo Delgado impressiona o público com palestra sobre política econômica</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Paulo Delgado]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 14 Feb 2019 15:28:59 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Matérias]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Revista Comércio, Indústria e Agronegócio &#8211; 14 de Fevereiro de 2019 Por mais de duas horas, Paulo Delgado proferiu palestra no auditório do Sincomercio Araraquara nesta quarta-feira (13)<span class="excerpt-hellip"> […]</span></p>
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<p><em>Revista Comércio, Indústria e Agronegócio &#8211; 14 de Fevereiro de 2019   </em></p>



<p>Por mais de duas horas, Paulo Delgado proferiu palestra no auditório do Sincomercio Araraquara nesta quarta-feira (13) para um seleto grupo de empresários. Mais de 100 convidados acompanharam a iniciativa do Sindicato do Comércio Varejista que teve apoio da Zitune Empreendimentos Imobiliários, empresa que em nossa cidade está lançando o Residencial Tivoli, em ponto privilegiado. O acontecimento fez parte do projeto Conversa de Balcão, organizado pelo Sincomercio.</p>



<p>Sociólogo, Pós-Graduado em Ciência Política, Professor Universitário, Deputado Constituinte em 1988, com mandatos federais até 2011, Paulo Delgado impressionou os participantes do encontro pela forma simples com que se manteve o tempo todo.</p>



<p>Por sinal, simplicidade foi uma das palavras-chave que ele utilizou na palestra para focar o começo da gestão Jair Bolsonaro na presidência da República, citando “a necessidade de uma equipe harmoniosa ao seu lado e pessoas que respeitem a hierarquia funcional”. A maneira com que conduziu a explicação parecia demonstrar então, naquele momento, que público e palestrante já se conheciam há muito tempo e sincronizados em uma única linha de conhecimento.</p>



<p><strong>A IMPORTÂNCIA DO TEMA</strong></p>



<p>O evento foi aberto pelo presidente do Sincomercio, Antonio Deliza Neto, que ressaltou a interação entre a entidade e os associados, bem como a proposta de parceria com a Zitune Empreendimentos. Deliza destacou que o sindicato neste primeiro semestre terá vários eventos proporcionando ao empresário – conhecimento para a conquista de novos negócios. “É verdade que estamos unidos em torno de propostas que se aliem ao momento que vivemos, ao período de transformação tecnológica e aos novos formatos que permitem proporcionar melhores resultados no varejo.</p>



<p>Ivo Dall’Acqua Junior, vice-presidente da FecomercioSP, argumentou que o Sincomercio tem a visão de “oferecer para as cabeças das pessoas, matéria prima que lhes proporcione reflexões, e que quando se fala em mudança a pessoa tem que se compenetrar que as mudanças começam a partir de nós mesmos”.</p>



<p>Durante a entrevista Ivo chegou a mencionar um pensamento de Einstein – que as pessoas que imaginam poder ter resultados diversos fazendo sempre as mesmas coisas da mesma forma, ou estão malucas ou são ignorantes. “A gente para mudar tem que participar do processo e assumir a parte que nos cabe nisso, mas os processos são complicados. Estou vivendo agora os processos negociais, onde as representações de empregados ainda não entenderam. Então não é só o país que está precisando mudar, o mundo mudou, a vida é outra e nós temos que nos reinventar&#8221;, disse.</p>



<p>Para o vice-presidente da FecomercioSP, a palestra realizada é uma matéria-prima, um componente, um estímulo, para os nossos empresários terem mais informações, refletirem, poderem enxergar o que vai ocorrer e principalmente participar.</p>



<p>Já o presidente do Sincomercio, Deliza Neto entende que o capital, o trabalho e o conhecimento devem andar juntos e salienta que a função primordial da atividade sindical patronal ou de qualquer uma delas no Brasil, precisa desenvolver essa prestação de serviços, precisa ser esse desenvolvimento de idéias, apresentar essa inovação para o empresário e provocá-lo para participar da &nbsp;mudança que o Brasil precisa.</p>



<p>Após a palestra os convidados foram recepcionados em um coquetel oferecido pelo Residencial Tivoli.</p>



<p>Leia mais em: <a href="http://rciararaquara.com/noticias/4405-no-sincomercio-o-ex-deputado-paulo-delgado-impressiona-o-publico-com-palestra-sobre-politica-economica">http://rciararaquara.com/noticias/4405-no-sincomercio-o-ex-deputado-paulo-delgado-impressiona-o-publico-com-palestra-sobre-politica-economica</a></p>



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		<title>Como a razão acaba</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Paulo Delgado]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 17 Feb 2019 16:43:43 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Artigos Correio Braziliense e Estado de Minas]]></category>
		<category><![CDATA[Recentes]]></category>
		<category><![CDATA[França]]></category>
		<category><![CDATA[itália]]></category>
		<category><![CDATA[política]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Estado de Minas e Correio Braziliense &#8211; domingo, 17 de fevereiro de 2019 Na quinta-feira, a Amazon anunciou que desistiu de prosseguir com seus planos de<span class="excerpt-hellip"> […]</span></p>
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<p><em>Estado de Minas e Correio Braziliense &#8211; domingo, 17 de fevereiro de 2019</em></p>



<p><strong>N</strong>a quinta-feira, a Amazon anunciou que desistiu de prosseguir com seus planos de abrir uma segunda sede para a empresa no bairro nova-iorquino do Queens. A decisão veio como reconhecimento de que a gigante das compras on-line sentiu o baque das ferozes contestações sobre as mudanças indesejadas que ela traria ao Queens e a Nova York como um todo.<br>A esnobada que a Amazon levou remete aos problemas que grandes multinacionais enfrentam ao pedirem incentivos públicos demasiados para se instalarem em alguma cidade. E é a mania de “botar na rede” para engajar fanáticos de tudo. O caso da Amazon, empresa que mês passado atingiu a posição de mais valiosa do mundo, tem a ver com o processo de seleção, um verdadeiro circo de publicidade manipulada, fazendo com que cidades americanas se digladiassem para convencer a empresa que eram as melhores pretendentes. Ao escolher Nova York, se esqueceu de que a própria tecnologia de hiperconectividade, base do sucesso de empresas como a Amazon, provoca efeito negativo do mesmo tamanho.</p>



<p>Tentando ser engraçada, em pleno dia dos namorados nos EUA, a empresa anunciou que o caso de amor com o Queens não iria mais para frente. Para quem se achava a queridinha de todos, bastou o povo atento de Nova York ficar sabendo que ela receberia US$ 3 bilhões de incentivos para ali se instalar, que a difamação superou o entusiasmo.<br>A mal-sucedida história de amor e dinheiro da Amazon com o Queens é um suave suspiro da conexão entre grandes negócios e sociedade, em um mundo de internautas, e que estoura como crise quando envolve sociedade e política.<br>Basta acompanhar essa irracionalidade se desenvolver mais longe e ver a brigalhada entre França e Itália atualmente. Tristes aqueles que veem ali o que fazer, mais do que o exemplo perfeito de o que não fazer. A Itália vive um período em que o presidente, além de ser apenas um chefe de Estado com características de rainha da Inglaterra, tem um primeiro-ministro com poderes reais de tocar o país, como um figurante de baixa relevância política.<br>O país acéfalo é governado, de fato, por duas figuras adoradoras de internet. Salvini e Di Maio representam grupos que tiveram sucesso eleitoral na base do ódio contra tudo, projetado a partir de redes sociais.</p>



<p>Salvini é o mais acabado tipo de idiota on-line. Usa redes sociais para tudo. Inclusive para se mostrar banhando em piscinas de propriedades de chefes mafiosos que o Estado confiscou sob sua ordem. A tosca ideia é a de mostrar que a piscina em que ele agora nada é do povo. Populismo extravagante que só convence uma minoria da população italiana, mas que vai dando ibope até deixar de dar. Ou então, como fez semana passada, usando diferentes redes, deu palpite “político” no resultado do festival de San Remo deste ano. Segundo o vice-primeiro-ministro, o festival, vencido pelo brasileiro Roberto Carlos em 1968, é uma clara demonstração da distância entre povo e elite. Isso porque ele preferia que o vencedor fosse outro. No fundo, pura contestação da italianidade do cantor vencedor que tem pai egípcio. Ele quer voto popular para decidir o vencedor do festival.<br>Um governante que se dá ao desfrute de um papelão desses pode ser um prato cheio para galhofa nas mídias sociais. Todavia, mais do que um problema de mau gosto, quando envolve identidades nacionais — Salvini, afinal, tem tanta cara de egípcio quanto o tal cantor Mahmood — há um perigo real de o circo pegar fogo.</p>



<p>Outro fato é que, pela primeira vez desde o início da Segunda Guerra Mundial, a França convocou de volta a Paris seu embaixador em Roma no dia 7 deste mês. Tudo por conta de extenso, variado e alucinado falatório por meio de mídias sociais por parte de Di Maio e Salvini a respeito da França. Ações que culminaram com o intolerável ato anunciado por Di Maio em seu Facebook: “O vento da mudança cruzou os Alpes” […] “Hoje, demos um pulo na França para nos encontrar com o líder dos ‘coletes amarelos’ Christophe Chalençon e candidatos às eleições europeias”. Paris, obviamente, fumegou.<br>Em recente artigo, o ex-secretário de Estado americano, hoje nonagenário, Henry Kissinger, apontou que “a ênfase do mundo digital na velocidade inibe a reflexão; seu incentivo da força ao radical sobre o pensativo; seus valores são moldados pelo consenso do subgrupo”. Tudo vai bem até que uma hora dá tudo errado e a apropriação desse mundo digital se vira contra quem faz uso dele. Os dois conectados líderes italianos podem levar França e Itália a romperem relações para atingir o objetivo mais profundo de naufragar a União Europeia. Políticos precisam mais é de razão do que a tolice que anda sobrando nas redes sociais.</p>
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		<title>Paulo Delgado: “O Parlamento tornou-se mais importante que o Executivo”</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Paulo Delgado]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 24 May 2019 05:40:28 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Capital Político &#8211; Por João Bosco Rabello Professor, sociólogo e cientista politico, Paulo Delgado (foto) foi constituinte de 1988 e exerceu mandatos de deputado federal até<span class="excerpt-hellip"> […]</span></p>
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<p><em>Capital Político &#8211; Por João Bosco Rabello</em></p>



<p>Professor, sociólogo e cientista politico, Paulo Delgado (foto) foi constituinte de 1988 e exerceu mandatos de deputado federal até 2011. Atualmente é co-presidente do Conselho de Economia Empresarial e Conjuntura Política da Fecomercio / SP e articulista dos jornais O Estado de São Paulo,&nbsp; Correio Braziliense e O Estado de Minas, nestes dois últimos titular de colunas sobre política externa.</p>



<p>Nessa entrevista ao<strong>&nbsp;Capital Político,&nbsp;</strong>ele aborda o momento brasileiro, o impasse econômico, o esgotamento do modelo político-administrativo do país, seus reflexos internos e a influência das mudanças globais nesse processo de transição.</p>



<p><strong>Capital Político – O governo eleito propôs-se a uma ruptura com o modelo político-administrativo do país. Mas as dificuldades parecem maiores do que previu e a economia permanece estagnada. &nbsp;O noticiário reflete uma babel ideológica. O que acontece?</strong></p>



<p><strong>Paulo Delgado</strong>&nbsp;–&nbsp;Ainda não chegamos ao risco extremo, &nbsp;mas&nbsp;o país precisa encontrar o círculo virtuoso a partir de &nbsp;uma visão de realidade e não de torcida. Nosso desafio é chegar o mais perto possível de reconstruir,&nbsp;com isenção e crítica<em>,</em>&nbsp;a lógica e o entendimento dos fenômenos do dia a dia, na política e na economia.&nbsp;&nbsp;Especialmente porque estamos sofrendo, de forma sistemática e recorrente, com um desempenho aquém do esperado da economia. Uma surpreendente falta de energia da economia brasileira&nbsp;aliado &nbsp;ao&nbsp;consenso de que é mau o funcionamento da macroeconomia e&nbsp;acrescido de dificuldades incomuns ao início de mandato pelo contínuo auto-desgaste a que o presidente se impõe, depois de vários anos de inflação controlada, mudanças políticas e calendário eleitoral respeitado e vitória não contestada. Precisamos estar em condições de responder rapidamente às demandas reais do país e não desprezar, nem considerar exagerado por parte das empresas e agentes econômicos, a preocupação com a necessidade de introduzir preparativos de proteção e cautela contra a vulnerabilidade que estamos vivendo. O governo opera a imprevisibilidade como virtude e parece supor que controla até o erro de cálculo. Estamos vivendo um início de governo não linear, com tendência a um desequilíbrio programado, mas ainda não sabemos claramente qual &nbsp;método, e sentido, organiza essa dinâmica caótica.</p>



<p><strong>CP</strong>–&nbsp;<strong>Não há razão, então, para otimismo com esse ciclo que se inicia</strong>?</p>



<p>Bem, neste mundo de incerteza e complexidade, onde é necessário mudar a maneira de pensar e desenvolver novas intuições e instintos a todo tempo, devemos trabalhar mais com concepções probabilísticas do que com modelos ideais. O que mais importa é o fato, o dado obtido, sua análise e a busca mais próxima da verdade. É evidente que também estamos autorizados a manter o otimismo histórico, mesmo na divergência de análise e principalmente se os desafios aumentarem.</p>



<p><strong>CP – Em termos de conjuntura, estamos em um cenário de modelo estrutural esgotado, persistente estado estacionário e crítico o suficiente para dar ano de 2019 como já perdido?</strong></p>



<p>Este cenário existe como diagnóstico do momento e como possibilidade de um agravamento, se baixos índices de confiança evoluírem para uma crise de esperança<em>,</em>&nbsp;com a consequente insegurança estratégica, um pessimismo que bloqueie investimentos. Há um mundo novo em ebulição e nada destrava um país desanimado e debaixo de tanto ruído.</p>



<p>Só para dar um exemplo de que estamos perdendo tempo com a imaturidade política prolongada chamo a atenção para dois fatos que se destacam: primeiro, todas as políticas públicas que caracterizaram o Estado de Bem Estar Social nasceram em cima do vínculo de emprego. Hoje, no mundo volátil da tecnologia e da velocidade – os fatos mais ostensivos do mundo moderno – é preciso&nbsp;<em>reimaginação</em>&nbsp;para lidar com a incerteza e, ao mesmo tempo, oferecer proteção ao trabalhador no mercado. Já é hora de se pensar em alguma renda básica não contributiva, um benefício mínimo para qualquer um, que proteja o indivíduo, não o emprego. E, segundo, &nbsp;ativos compartilhados, gratuidade, acesso universal facilitado e usufrutos diversos são mais atrativos do que a aquisição de bens no mundo atual. Como a comunicação à disposição de todos não passa pela estrutura de custos tradicionais, ela contém um desapego que revoluciona costumes e altera o comportamento dos consumidores. As ferramentas digitais estão provocando mudanças sociais, alterando a base do conceito de satisfação/progresso e mesmo da nossa cultura erigida sob a égide do direito de propriedade. O uso comum e gratuito de um bem, a facilidade, essa qualidade de fazer sem dificuldade, muda o conceito de bem de capital e de produção de mercadoria. Trata-se de uma mudança refletida no mundo dos bens de consumo que contém o risco da extinção ou escassez do trabalho e do emprego, como estamos vendo. A União europeia já começa a enfrentar o problema. Como hoje as relações humanas se fazem por aparelhos e tais ferramentas tecnológicas se tornaram bens sociais deveríamos compartilhar seu lucro, já que partilhamos seu uso. E se somos sócios do que outro é dono, isso inclui rever o conceito de patente.</p>



<div class="wp-block-image"><figure class="aligncenter"><img fetchpriority="high" decoding="async" width="330" height="346" src="https://paulodelgado.com.br/wp-content/uploads/2019/05/paulo-delgado.jpg" alt="" class="wp-image-5290" srcset="https://paulodelgado.com.br/wp-content/uploads/2019/05/paulo-delgado.jpg 330w, https://paulodelgado.com.br/wp-content/uploads/2019/05/paulo-delgado-286x300.jpg 286w, https://paulodelgado.com.br/wp-content/uploads/2019/05/paulo-delgado-139x146.jpg 139w, https://paulodelgado.com.br/wp-content/uploads/2019/05/paulo-delgado-48x50.jpg 48w, https://paulodelgado.com.br/wp-content/uploads/2019/05/paulo-delgado-72x75.jpg 72w" sizes="(max-width:767px) 330px, 330px" /><figcaption><em><strong>Paulo Delgado</strong></em></figcaption></figure></div>



<p><strong>CP – No curto prazo, a reforma da Previdência é uma porta de saída para o país?</strong></p>



<p><strong>PD</strong>&nbsp;– A combinação de estagnação econômica em ambiente de revolução tecnológica, com baixos indicadores sociais, &nbsp;não se resolve apenas com&nbsp; aposta única. Agora, &nbsp;se trata de evitar que o país possa quebrar, conter a explosão das contas públicas, inviáveis em nação onde o princípio do “direito adquirido” é visto de forma estática como se fosse virtude constitucionalizar políticas públicas conjunturais, remunerações e privilégios, sem levar em conta a ideia do equilíbrio orçamentário e da solidariedade e da justiça para todos. Estamos em um país onde 47% da renda previdenciária pertencem aos 15% mais ricos do regime próprio dos funcionários públicos e onde um diplomata ou um juiz iniciam a carreira, antes dos 25 anos, recebendo mais de 6 mil euros de salário. E já pensando em ficar 40 anos aposentado, com salário integral e igual ao da ativa. Não dá outra: nossa alta posição no PIB mundial está anos- luz da vergonhosa posição que ocupamos no&nbsp;<em>ranking</em>&nbsp;de desenvolvimento humano. Enfim, esgotou completamente a capacidade do governo de absorver e sustentar dívidas de custeio que são o retrato de desigualdade social dentro da nação.</p>



<p><strong>CP – Mas a reforma da Previdência, por si só, já tem potencial desestabilizador suficiente para tensionar qualquer governo. Não lhe parece que este governo amplia essa tensão com uma pauta paralela concorrente?</strong></p>



<p><strong>PD</strong>– O governo, visivelmente, não quer produzir estabilidade política e um fato notório é que, nem mesmo a reforma administrativa – MP 870 – que redesenhou o modelo ministerial, &nbsp;ficou sob o controle do Executivo. A decisão de aprova-la foi exclusivamente da Câmara. Com consequências diversas como, por exemplo, retirar o Coaf da Justiça e devolvê-lo à Economia, o que &nbsp;compromete o pleito do Brasil de entrar na OCDE por sinalizar descompromisso com o combate à corrupção e lavagem de dinheiro. &nbsp;Ao carimbar como ideológicas todas as polêmicas o governo &nbsp;aproveita para fazer propaganda de sua baixa capacidade adaptativa, sem se importar em aumentar a desordem. Ou, está movido pela ilusão errada de que pode fundar sua atitude no resultado eleitoral e assim, de qualquer jeito, promover mudanças institucionais, por vias inconstitucionais. O governo bem que poderia conduzir as mudanças econômicas sem produzir ou estimular eventos políticos inconvenientes, mas prefere desafiar o país com sua interpretação simplista da separação dos poderes. Usa a prerrogativa de propor a discussão no Congresso e se retira dela. Convoca o povo para pressionar o sistema político sem atentar para os limites da responsabilidade de um presidente.</p>



<p>Como ninguém tem recursos de poder próprios – e, na selva pluripartidária, os parlamentares ainda não sabem qual &nbsp;incentivo concreto pode existir em se distanciarem do Executivo e manterem a viabilidade eleitoral futura – no curto prazo dificilmente o país recuperará a previsibilidade.</p>



<p>Aparentemente vivemos um jogo jogado sem o jogador principal. Apesar de que a autorização para recriação de dois ministérios para atender parlamentares – Cidades e Integração Regional – ainda que já descartada pelo Congresso, soe como um arrependimento.&nbsp; Com somente 8% do tempo de mandato podemos dizer que há uma realidade institucional nova: para o jogo político o parlamento tornou-se mais importante do que o Executivo<em>.&nbsp;</em>E, para o dia a dia, temos uma governabilidade de quatro cabeças: a vice-presidência; o Ministério da Economia; a da Justiça e o Presidente da Câmara.</p>



<p>Ou seja, como o governo decidiu não ter uma base parlamentar, é mais difícil mapear o poder, pois não há controle ou previsibilidade do que pode acontecer do lado do Executivo. E, conforme recente análise de vocês mesmos da&nbsp;<strong>Capital Politico –</strong>&nbsp;que são especialistas em qualificar os processos de decisão para empresas -, tendo o presidente saído do controle do leme congressual, quem está propondo o ritmo e o tipo de jogo político é o nível de apoio parlamentar que os presidentes da Câmara e do Senado possam ter. Na Reforma Tributária, por exemplo, o Congresso anuncia, lidera e dá sequência ao debate sem esperar pelo governo. Todas as avaliações na Câmara sobre a dimensão econômica têm viés negativo: retirada de subsídios; concessões e PPPs; abertura comercial; política externa; agenda econômica geral. Retirando a oposição da análise – pelo costume de dar zero em tudo que vem do governo, todos os índices ficam avariados agravando os limites da avaliação qualitativa – ainda assim o viés do que seria o apoio parlamentar ao governo é mais para neutrodo que para um otimista discreto. A pesquisa de vocês autoriza a conclusão de que no momento,&nbsp;quanto de apoioo presidente tenha é menos importante do que saber&nbsp;quanto de força&nbsp;o presidente da Câmara possui ao receber de graça esse poder administrativo de cunho parlamentar.</p>



<p><strong>CP – E também o governo tem problemas internos que podem isolar mais ainda o presidente, não?</strong></p>



<p>PD – Sim, afora o isolamento externo, há sinais de isolamento interno.&nbsp; Apesar da má fama do Congresso, quem está melhor se apropriando do isolamento do presidente é o subgoverno, o mandarinato dos funcionários públicos e cargos de confiança, que podem estar fixando e ampliando o poder da burocracia. Quem quer renormatizar tudo, não gosta muito de desnormatizar nada. Talvez, aí, um dos motivos pelos quais a “carta anônima” do investidor do partido Novo, do Rio, Paulo Portinho, tenha posto de fato o dedo na ferida: a matemática própria de poder da elite do Estado, sua gramática, é que realmente governa o país. O que em nada se justifica estimular conflito entre os poderes e confundir qualquer conversa, pleito ou negociação com conchavo e “velha política”.</p>



<p>É bom não esquecer que foi a Perestroika que, se aproveitando de tanta autonomia para fazer mudança, isolou o presidente, para continuar no poder. A analogia, evidente, não deve ser levada ao pé da letra, mas nãocusta lembrar que Gorbachev foi derrubado pelos altos funcionários de Estado que viraram os maiores proprietários da Rússia capitalista, inclusive seu presidente atual.</p>



<p>O fato, pelo seu tom anti-político, está produzindo mais turbulência no Congresso onde já se fala abertamente em “descontinuidade” do mandato presidencial. Por enquanto pela indiferença do presidente ao debate congressual, mas pode evoluir para arranjos mais ou menos desestabilizadores.&nbsp; Em política não se fala do que não existe. E como na química, se substâncias se chocam, só não haverá transformação, se não ocorrer reação alguma. Não parece o caso.</p>



<p>De uma maneira geral um dos erros da análise política é imaginar que todas as pessoas compreendem bem o que lhes falta, ou que estão insatisfeitas por compreenderem pouco o que acontece. A internet hoje é um grande fator de poder e ao mesmo tempo acomodadora de conflitos. A maioria dos internautas parece satisfeita em vender óleo de cobra, mais do que buscar conhecimento ou qualquer remédio. Quem sonha com uma “primavera árabe” dia 26, torce por ela. Mas, como nem os aliados do presidente andam se entendendo sobre com que roupa sair, devemos ter mais um domingo de outono quente, essa confusão mundial de cidadão-aplicativo e sua visão heroica das ruas.</p>



<p><strong>CP – Mas o que determina tudo isso é mais a estagnação econômica ou erros políticos?</strong></p>



<p><strong>PD</strong>&nbsp;– Enfim, quem é o criador do desastre, a política, ou a economia ? Difícil dizer, mas a dinâmica real da economia está se impondo sobre a resiliência insensata da política. Se o presidente quer avançar e abrir mão de ser chefe do governo, deve admitir o princípio dos &nbsp;<em>checks and balances,</em>&nbsp;a forma clássica do controle recíproco entre os poderes.&nbsp; Se não pretende voltar atrás e insistir em conservar ideias confusas sobre o papel da chefia da administração deve enterrar de vez o problemático presidencialismo brasileiro e lutar pelo parlamentarismo. Ou, se de fato, não for nada disso, mas quer precipitar a mudança para valer, é preciso enfrentar o desconforto que é governar em período de crise oferecendo ao país mais temperança e racionalidade para que a nação possa compreendê-lo melhor.</p>



<p>Leia também em:<a href="https://capitalpolitico.info/paulo-delgado-o-parlamento-tornou-se-mais-importante-que-o-executivo/"> https://capitalpolitico.info/paulo-delgado-o-parlamento-tornou-se-mais-importante-que-o-executivo/</a></p>
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		<title>ARMADILHAS DO BAIXO CRESCIMENTO</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Paulo Delgado]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 23 Jun 2019 23:52:25 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Artigos Correio Braziliense e Estado de Minas]]></category>
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		<category><![CDATA[opinião pública]]></category>
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<p><em>Correio Braziliense e Estado de Minas &#8211; domingo, 23 de junho de 2019</em>.</p>



<p>Sempre que insistimos em desconhecer os desafios da realidade mundial, ficamos um pouco mais pobres. Negar tudo que é realidade sempre estimulou reflexões pouco certeiras. Em relação ao capitalismo e sua força, por exemplo, dizendo que a riqueza e o lucro são ruins e de direita. Agora, vem o discurso de direita, dizendo que calor, CO2 e direitos humanos são mentiras de esquerda. Aliás, a organização do mundo por ideologia cultural e mística é um circo montado para que as pessoas se esqueçam do que realmente está em jogo.<br>Saber o papel da ignorância na compreensão das coisas e qual a força do atraso de quem quer desestruturar a ordem institucional e científica do mundo por razões ideológicas ou políticas é fundamental.</p>



<p><br>Uma das características mais duradouras encontradas em pesquisas de opinião nas democracias do mundo é o estarrecedor desconhecimento que as pessoas têm sobre assuntos que são pautas de políticas a serem decididas. Desconhecimento no sentido de incompreensão, falta de conhecimento. Não que as pessoas não tenham ouvido falar e até tenham opinião a respeito, mas simplesmente que elas não estão suficientemente informadas.</p>



<p><br>Evidente que existe um componente educacional, mas essa falta de conhecimento vai de analfabeto a doutor. Algo compreensível, já que boa parte dos assuntos é específica e mesmo quem estudou ou vivenciou muito um tema nem sempre está melhor equipado para julgar um assunto de uma área alheia. Como a maioria dos britânicos não sabiam da importância da União Europeia (EU) para o país.</p>



<p>O que explica muito o Brexit, por exemplo, é que, de todos os países da UE, a Inglaterra é a que pior avalia o grupo desde sempre. Único país da UE que, em todos os anos de 2001 a 2018, mais de 50% da população diz não confiar na UE. Ou seja, terreno fértil para se semear a discórdia. Enquanto isso, a população da maioria dos países do grupo diz confiar mais na UE do que nas instituições de representação nacionais. Os britânicos, pós-Thatcher, desconfiam de ambas.</p>



<p><br>Considerando que desconhecer é a regra, a opção pela moderação e uma opinião de centro é uma boa sabedoria. Um ponto de partida. Pouca gente se dá realmente ao trabalho de entender um tema a fundo, ouvir todos os argumentos, refletir, fazer as contas. Assimetria de informação é algo muito real e presente. Grande parte das vezes custa muito ter as informações certas. Por isso, na dúvida, o meio. Melhor regular a vida com mão leve.<br>Aqui que está o problema atual. As pessoas estão fugindo do meio. Estão indo para as beiradas. Ou melhor, elas estão sendo expulsas do centro, ou atraídas — por meio de coação — para os extremos. Isso é um fenômeno mundial nas democracias. O pior da polarização.<br></p>



<p>O problema é que pautar sua opinião de forma constante e polarizada não é natural. Uma hipótese é que o ser humano evoluiu privilegiando a sensatez. A pessoa que não se interessa muito sobre um assunto e decide não aderir a nenhuma opinião extrema a respeito é uma sábia. Ela tem mais chances de sobreviver no quadro geral da vida porque vai errar menos.</p>



<p>Uma segunda hipótese é que a despeito da sabedoria do caminho do meio imperar ao longo da história, ela não permite grandes mudanças que alguns desejam ver em vida. O anseio por sentir-se parte de um grande momento transformador é cativante. Grandes mudanças de curso são naturalmente arriscadas. Por isso, não são propostas nem lideradas por sábios.<br>Como apontado por Donald Tusk, presidente do Conselho Europeu, o Brexit foi uma vacina sobre o deslumbrado desejo de mudança radical dos destruidores de instituições. Ainda é cedo para dizer se a vacina chega à próxima eleição. Por isso, o crescimento dos partidos verdes no Parlamento Europeu é um ótimo alerta para quem prega o discurso obscuro que nega o problema das mudanças climáticas. É prejuízo certo aos interesses da agricultura de países com pretensão de entrar de forma positiva no comércio com a OCDE.</p>



<p><br>O mundo vem balançando “fora da curva” da razoabilidade. Está visivelmente desequilibrado. A briga dos EUA com a China pelos cercamentos da tecnologia de informação e comunicação; a ganância sem fim que o petróleo segue impondo ao Oriente Médio; a possibilidade crescente de a China enfrentar de forma heroica seu lugar no mundo; os EUA dando empurrões inconvenientes na economia pelos quatro cantos do planeta; a Europa enfraquecida por seus antagonistas e pela falta de coragem de assumir uma união fiscal no bloco e liderar o mundo para a paz; a armadilha do baixo crescimento que tomou conta da América Latina e do Brasil.</p>
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