<?xml version="1.0" encoding="UTF-8"?><rss version="2.0"
	xmlns:content="http://purl.org/rss/1.0/modules/content/"
	xmlns:wfw="http://wellformedweb.org/CommentAPI/"
	xmlns:dc="http://purl.org/dc/elements/1.1/"
	xmlns:atom="http://www.w3.org/2005/Atom"
	xmlns:sy="http://purl.org/rss/1.0/modules/syndication/"
	xmlns:slash="http://purl.org/rss/1.0/modules/slash/"
	>

<channel>
	<title>Arquivos 2019 - Paulo Delgado</title>
	<atom:link href="https://paulodelgado.com.br/tag/2019/feed/" rel="self" type="application/rss+xml" />
	<link>https://paulodelgado.com.br/tag/2019/</link>
	<description></description>
	<lastBuildDate>Mon, 26 Aug 2019 07:37:52 +0000</lastBuildDate>
	<language>pt-BR</language>
	<sy:updatePeriod>
	hourly	</sy:updatePeriod>
	<sy:updateFrequency>
	1	</sy:updateFrequency>
	<generator>https://wordpress.org/?v=6.7.5</generator>
	<item>
		<title>2019: ideias e sensações</title>
		<link>https://paulodelgado.com.br/2019-ideias-e-sensacoes/</link>
					<comments>https://paulodelgado.com.br/2019-ideias-e-sensacoes/#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[Paulo Delgado]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 06 Jan 2019 04:34:34 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Artigos Correio Braziliense e Estado de Minas]]></category>
		<category><![CDATA[Recentes]]></category>
		<category><![CDATA[2019]]></category>
		<category><![CDATA[Abiy Ahmed]]></category>
		<category><![CDATA[Albert Hirschman]]></category>
		<category><![CDATA[Etiópia]]></category>
		<category><![CDATA[Sigmaringa Seixas]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://paulodelgado.com.br/?p=5181</guid>

					<description><![CDATA[<p>Estado de Minas e Correio Braziliense &#8211; domingo, 6 de janeiro de 2019. Boas ideias, muitas vezes, vêm à tona num contexto que as impede de<span class="excerpt-hellip"> […]</span></p>
<p>O post <a href="https://paulodelgado.com.br/2019-ideias-e-sensacoes/">2019: ideias e sensações</a> apareceu primeiro em <a href="https://paulodelgado.com.br">Paulo Delgado</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><em>Estado de Minas e Correio Braziliense &#8211; domingo, 6 de janeiro de 2019.</em></p>
<p><strong>B</strong>oas ideias, muitas vezes, vêm à tona num contexto que as impede de prosperar. Em outros casos temos contextos tão direcionados para um certo lado, que a realidade sai a cata de ideias que possam vesti-lo com alguma coerência. É o que popularmente chamamos forçação de barra. Com ele, o risco de ideias superficiais, não naturais, sem raízes, crescerem como erva-daninha é grande. E sufocam o aparecimento da estratégia que faça jus às oportunidades ofertadas pelo contexto. É o mal do ambiente conflitivo, fértil demais em indignação. Nele, ninguém mais sabe se relacionar, reclamam sem conhecer, apoiam sem racionar.<br />Por definição, o futuro é incerto. Ainda que se possa calcular o risco de muitas variáveis, a maioria das questões mais interessantes são simplesmente incertas. Há quem tente adivinhá-lo por astrologia. No terreno das incertezas, a intuição quer ser objetiva. Mais importante ainda é que muito do que se escreve para interpretar a realidade acaba se tornando, muito mais do que um mapa, em um guia para desenhar a realidade. Por isso que é importante ter cuidado com quem se leva muito a sério, porque ideias costumam ser como o poder, elas se exercem, sem que ninguém seja propriamente seu titular. Têm um poder imenso de separar pessoas e gosta como ninguém de determinar o que é bom, ou o que é ruim. De todo modo, a força da ideia depende do contexto para se definir qual seu curso de ação. Qual será o contexto de 2019? Nem quem possui poder sabe ao certo o que virá. Quem possua ideias, fortes como quem possuí poder, cuidado para não contribuir para um desentendimento maior no Ano Novo.<br />Albert Hirschman, um dos maiores pensadores do desenvolvimento no século XX e que durante sua vida dedicou especial atenção ao Brasil, apontava para dois problemas a serem evitados, próprios de pensamentos rígidos demais: o primeiro é a confiança cega na capacidade de se resolver qualquer problema, o segundo é justamente seu reverso, a certeza, inabalável, de que certos problemas não se resolvem. A vida é muito mais plástica do que nossas certezas. O futuro não é apenas incerto, mas influenciado por incontável rede de complexidade e, às vezes, caos. Fundamental reduzi-lo para dentro de limites racionais que permitam tomar decisões, e estar sempre atento ao contexto para compreende-lo e, se necessário, razoavelmente se opor ou adaptar.<br />Hirschman não foi o intelectual mais ouvido do século XX, mas talvez seu tempo tenha chegado no século XXI. Uma das suas mais importantes contribuições foi a defesa da experimentação de diferentes políticas para ver quais melhor se adaptam ao ambiente e melhor o alteram. Sensibilidade para se aproveitar o que determinada conjuntura traz. O desenvolvimento vem muito mais das oportunidades que aparecem e são melhor apropriadas do que como resultado de estratégias extremamente coerentes e balanceadas. Curiosamente, seu pensamento muito se explica a partir de um antigo ditado oriental que fala sobre o dever de sempre procurar a verdade nos fatos e ficar atento à direção dos ventos.<br />Em 2018 uma das mais interessantes experiências nesse sentido ocorreu na Etiópia. Abiy Ahmed assumiu o poder no país no último abril e de lá para cá tem conseguido resolver uma série de problemas pontuais que atormentavam a Etiópia. Em nove meses no comando do segundo país mais populoso da África, Ahmed deu fim a guerra que travava com a Eritreia. Ex-oficial do Exército, 42 anos, libertou milhares de presos políticos e entregou para uma líder da oposição, até então exilada, a presidência da comissão que faz as preparações para a próxima eleição no país em 2020. Membro do maior grupo étnico do país, os Oromo, Ahmed, que é filho de um muçulmano com uma cristã, tem como maior desafio pacificar as cizânias opondo as diferentes etnias que dividem o solo etíope e o impedem de atingir todo seu potencial de crescimento e bem-estar. Num mundo em que diferenças identitárias superficiais têm surgido com ênfase para criar grandes diferenças sem razão, o esforço de Ahmed para superar birras assentadas em séculos de rivalidade tribal pode dar a ele as mais altas honrarias internacionais, talvez, já em 2019.</p>
<p><strong>***</strong></p>
<p><strong>Desalento. Aproveite as boas amizades, as proteja. Está ficando impossível se aproximar de alguma coisa sem perdê-la. No dia de Natal morreu meu maior amigo dos tempos da política, Luiz Carlos Sigmaringa Seixas. Sig, magnânimo e sem alarde, teve com a vida uma relação imaculada. Todos os embates que enfrentou na sua peregrinação por ela tiveram a ver com a fúria dos ventos que atinge a humanidade e recruta os bons para a justificar.</strong></p>


<figure class="wp-block-embed-youtube wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio"><div class="wp-block-embed__wrapper">
<iframe width="1220" height="686" src="https://www.youtube.com/embed/4raxXeB60eY?start=6&#038;feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture" allowfullscreen></iframe>
</div></figure>
<p>O post <a href="https://paulodelgado.com.br/2019-ideias-e-sensacoes/">2019: ideias e sensações</a> apareceu primeiro em <a href="https://paulodelgado.com.br">Paulo Delgado</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>https://paulodelgado.com.br/2019-ideias-e-sensacoes/feed/</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
			</item>
		<item>
		<title>O MUNDO EM RISCO</title>
		<link>https://paulodelgado.com.br/o-mundo-em-risco/</link>
					<comments>https://paulodelgado.com.br/o-mundo-em-risco/#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[Paulo Delgado]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 18 Aug 2019 23:46:29 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Artigos Correio Braziliense e Estado de Minas]]></category>
		<category><![CDATA[Recentes]]></category>
		<category><![CDATA[2019]]></category>
		<category><![CDATA[automação]]></category>
		<category><![CDATA[brasil]]></category>
		<category><![CDATA[crise economica]]></category>
		<category><![CDATA[inteligencia artificial]]></category>
		<category><![CDATA[realismo]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://paulodelgado.com.br/?p=5364</guid>

					<description><![CDATA[<p>Correio Braziliense e Estado de Minas &#8211; domingo, 18 de agosto de 2019. O mundo passa por um momento muito conturbado e a maioria dos países<span class="excerpt-hellip"> […]</span></p>
<p>O post <a href="https://paulodelgado.com.br/o-mundo-em-risco/">O MUNDO EM RISCO</a> apareceu primeiro em <a href="https://paulodelgado.com.br">Paulo Delgado</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p><em>Correio Braziliense e Estado de Minas &#8211; domingo, 18 de agosto de 2019.</em></p>



<p><strong>O</strong> mundo passa por um momento muito conturbado e a maioria dos países está calada, refletindo e agindo. Nem todos. “Os EUA fazem o que fazem porque são uma grande potência. O Brasil não é”, afirmou, em artigo grosseiro, o expoente do neo-realismo estadunidense, Stephen Walt. Mas as consequências virão para todos, sem exceção.<br></p>



<p>Todavia, em um mundo cada vez mais conturbado, não podemos tirar a atenção do principal. A integridade nacional somente será preservada se o país aprender a ser governado no dia a dia, independente de eleições, partidos, ideologias&#8230; Vivemos um tempo de redobrada atenção no que é primordial aos poderes do Estado. Especialmente, diante da forte e veloz atualização tecnológica.</p>



<p><br>O Brasil é um grande encontro de civilizações a caminho de formar uma civilização própria. Isto é nossa maior característica. Na hipótese de nova crise financeira, inexiste hoje no mundo um grau de pensamento minimamente solidário para resolver um problema a partir da ação coletiva internacional, como existia em 2008. Se naquela época já não foi bem-feito, hoje talvez sequer fosse feito algo estruturado em conjunto, suficiente para amenizar a queda. Cada país está se achando senhor das suas ideias e partindo para experimentações sem levar em conta que o que nos salva é a harmonia da ação.</p>



<p><br>O aumento da automação resultante da revolução tecnológica em curso exige se arquitetar um futuro em que todos sejam servidos e se beneficiem das máquinas de inteligência artificial. Do contrário, o mundo da oferta não vai encontrar o mundo da demanda que estará desempregado e sem dinheiro.</p>



<p><br>A fim de se compreender o que vai se passar nas próximas décadas no mundo do trabalho, é importante ver o se passou no século 19. O trabalho escravo, que existia desde tempos imemoriais — todos os povos da Terra já foram escravizados em uma altura ou outra de sua história — foi substituído globalmente pelo trabalho assalariado.</p>



<p><br>Por mais que o movimento abolicionista representasse um avanço moral, cultural e intelectual da sociedade humana, havia questões práticas da lógica econômica sustentando o movimento. As revoluções tecnológicas que deram sequência à revolução industrial transferiram cada vez mais dinheiro e poder para setores industriais da sociedade que viam necessidade de ampliar seu mercado consumidor. Afinal, qual a lógica de produzir bens de consumo em larga escala se não existem consumidores em larga escala? Para isso, era fundamental incorporar o maior contingente possível de pessoas ao trabalho assalariado. Era preciso acabar com a escravidão, essa modalidade de trabalho em que o capitalista investe pesado apenas uma vez na aquisição e depois só faz manutenções básicas de subsistência. Pois bem, robôs de inteligência artificial também não recebem salários, podem ser caros para se adquirir, mas consomem pouco para subsistir.</p>



<p>Num controverso estudo de história econômica escrito por Robert Fogel e Stanley Engerman, na década de 1970 (o primeiro receberia o Nobel 20 anos mais tarde), a escravidão no sul dos EUA foi descrita como “investimento altamente lucrativo”, superior mesmo “às melhores oportunidades de investimento na manufatura”. Nos EUA, foi uma guerra civil que mudou essa balança e definiu que as pessoas passassem a receber salários em troca de trabalhos que geravam os produtos a serem consumidos em larga escala pelos próprios assalariados. Foi a boa lógica econômica que aboliu a escravidão, mais do que as razões morais.</p>



<p><br>No princípio do século 20, Henry Ford ficou famoso pela revolução organizacional representada pela introdução da linha de montagem, que racionalizava e barateava a produção em massa. Mais relevante ainda era a sua lógica de que seus trabalhadores precisavam ganhar bem o suficiente para que pudessem adquirir os carros que produziam. Ou seja, na sua indústria, Ford criava não apenas a oferta, mas também a demanda por seus produtos.</p>



<p><br>Há uma lógica que o ser humano também conhece há milênios e que, no último século, passou a ser conhecida como “paradoxo da parcimônia”, segundo o qual o indivíduo que mais poupa tem ganhos intertemporais maiores na sociedade, mas, se todos os indivíduos e organizações pouparem demais, a sociedade empobrece. Há uma adaptação possível para o pagamento de salário: para o empregador que paga o salário, quando mais baixo ele for, maior será o seu lucro; no entanto, se todos os empregadores pagarem salários baixos, as perdas de lucro se alastrarão pela economia real por conta do enfraquecimento do consumo.</p>



<p>Governar com palavras não vai deter a automação que ameaça o mundo e prepara a próxima grande crise econômica.</p>
<p>O post <a href="https://paulodelgado.com.br/o-mundo-em-risco/">O MUNDO EM RISCO</a> apareceu primeiro em <a href="https://paulodelgado.com.br">Paulo Delgado</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>https://paulodelgado.com.br/o-mundo-em-risco/feed/</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
			</item>
	</channel>
</rss>
