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	<title>Arquivos crise economica - Paulo Delgado</title>
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		<title>Um estranho estado de ânimo</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Paulo Delgado]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 09 May 2019 00:10:18 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Artigos Estadão]]></category>
		<category><![CDATA[Recentes]]></category>
		<category><![CDATA[afrouxamento quantitativo]]></category>
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<p><em>O Estado de S. Paulo &#8211; 8 de maio de 2019</em></p>



<p><strong>O</strong> mundo está adquirindo outra feição. A forte preferência política pela distração impôs a regra: todos viram, ninguém viu. A impressão que dá é que se alguém despertar tudo pode evaporar. Há algum tempo andorinhas não governam. Não é falha da razão, nem resultado da pobreza da curta experiência democrática. É um subproduto do fato de as atitudes predominantes na vida das pessoas se terem tornado cópias de comportamentos digitais. A moral moderna ainda não está codificada, mas seus memorandos presentes na navegação online, com a universalização de informações, ressentimentos diversos e a desatualização periódica de todos os sistemas de intermediação e valores, indicam uma formatação futura onde não haverá quem testemunhe pela testemunha. A internet é o inconsciente a céu aberto. </p>



<p>Volodymyr Zelenski, de 41 anos, toma posse como presidente da Ucrânia agora em maio. O comediante fez sua campanha nas redes sociais com um discurso sintetizado no último verso do soneto 121 de Shakespeare:&nbsp;<em>o homem é mau e reina na maldade</em>. Ganhou de lavada. A Ucrânia está no centro das disputas que se travam no mundo desde a crise econômica iniciada em 2008. Foi na Ucrânia que a Rússia usou o Exército para mandar um recado à Otan: tirem as botas do Leste Europeu. Em 2014 Moscou anexou a Crimeia, península ucraniana no Mar Negro.&nbsp;</p>



<p>A ascensão de Zelenski é mais um sintoma de uma baita crise sem solução iniciada pelo manejo econômico centralizado e impulsionada pelo desassossego (in)fértil da internet. É um presságio de que dias piores virão. Tudo começou quando Ben Bernanke, presidente do Banco Central americano (Fed) de 2006 a 2014, quis parecer a pessoa na hora certa, no lugar certo. Estudioso das recessões econômicas, Bernanke afirmou que não estava disposto a permitir uma segunda grande depressão nos EUA. No meio de um mundo em que o Estado, desorientado, briga com o capital, Bernanke tirou da cartola uma ideia chamada&nbsp;<em>afrouxamento quantitativo</em>&nbsp;e inundou o mundo do desejo de se aliviar, sem esforço.&nbsp;</p>



<p>A ideia foi comprada pelos sete países mais ricos. E empurrada garganta abaixo do G-20 como uma generosa decisão de fraternidade internacional. O Brasil não reagiu estrategicamente e saiu comprando carro sem ter garagem. Os bancos centrais dos países ricos passaram de cerca de US$ 3 trilhões de crédito a receber do mercado em 2007 para mais de US$ 14 trilhões em 2018. Operações de empréstimo a juro zero ou mesmo negativo viraram mantra. Quem recebeu o esplendoroso “afrouxamento” foram o sistema financeiro e suas conexões. Bernanke acreditava que inundar os ricos de dinheiro evitaria a estagnação econômica e o empobrecimento da população.&nbsp;</p>



<p>Como a economia não secou, funcionou artificialmente encharcada alguns anos até virar o estopim da crise global que dura até hoje. O vaso da economia mundial se estilhaçou, a política de potências esfarelou-se e a gula do mundo online explodiu, impondo aos jovens duas falácias desestruturantes: 1) basta a posse, deixe a propriedade comigo; 2) derrube tudo, o inimigo é a política. A sociedade embarcou na onda da conspiração abstrata: o real é caro, barato é o virtual. A crise não passa porque o mundo está querendo enfrentar ideias antigas, protecionistas ou antissociais, com mágica, ancorando gratuidade na concentração de renda e fazendo-se servil ao distributivismo digital. Mas a economia, diferente da política, só funciona se não tiver amigos.&nbsp;</p>



<p>Por quê? Porque riqueza não se produz nem de imediato, nem de graça. A globalização produtiva gera trabalho e oportunidade, é coisa real que traz valor, inovação e desenvolvimento. Contra isso os US$ 14 trilhões emprestados ao mercado foram tragados pelo laguinho egoísta do sistema financeiro e dos amigos da gratuidade. Agentes e grupos transnacionais estão intensificando suas brigas dentro de todos os países para impedir a cooperação internacional e o pacto pela nova sustentabilidade produtiva. Sem botar a cara de fora, por trás da santificada rede social, usam seus usuários, de graça, na luta pelo caos improdutivo.&nbsp;</p>



<p>Enquanto isso, o poder real vai aperfeiçoando os sistemas de mísseis, para botar ordem física na bagunça criada pela economia virtual. Anomias que engolem anomias e produzem novas anomias. Estamos vivendo as várias etapas de uma revolução suicida, em que quem ajuda a destruir o primeiro círculo é destruído pela segunda onda, que será então pela terceira, quarta, até chegar ao impasse violento. Tudo isso sem reflexão, a deusa da facilidade, simplesmente porque depois da internet ninguém olha mais para os pés.&nbsp;</p>



<p>Aqui voltamos à Rússia e à Ucrânia, que será governada por um contador de anedotas. O governo russo desde 2008 é o mais estável do mundo, com Putin, o maior apoiador dos movimentos digitais antiestablishment na Europa. Aliás, líderes desestabilizadores e estáveis somente ele e Netanyahu em Israel, outro homem das nuvens. A alemã Merkel balança, mas para manter a Alemanha no topo da Europa não se importa com a destruição da União Europeia. Algo que a aproxima de Trump, poderoso usuário dessa metralhadora online que vem limando a confiança do mundo em suas regras comuns e instituições coletivas.&nbsp;</p>



<p>Em meio à armadilha pelo afrouxamento quantitativo, Moscou vai semeando a discórdia onde pode para abalar as estruturas do disponível homem das redes. Apoia qualquer grupo comprometido com avacalhar e dilapidar o mundo que está aí. Inclusive com a eleição de Zelenski, que recebeu apoio de Israel, inimigo da Síria, aliada da Rússia&#8230;&nbsp;</p>



<p>Zelenski é nuvem caótica. Com a simpatia da Otan e o deslumbramento da população, tensiona o que ainda resta dos contornos do mundo das potências. Confusões nada liberais para provocar a inflexão final – quando será? – aproveitando o rastilho de pólvora que queima desde 2008.</p>



<p></p>
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		<title>O MUNDO EM RISCO</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Paulo Delgado]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 18 Aug 2019 23:46:29 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Artigos Correio Braziliense e Estado de Minas]]></category>
		<category><![CDATA[Recentes]]></category>
		<category><![CDATA[2019]]></category>
		<category><![CDATA[automação]]></category>
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<p><em>Correio Braziliense e Estado de Minas &#8211; domingo, 18 de agosto de 2019.</em></p>



<p><strong>O</strong> mundo passa por um momento muito conturbado e a maioria dos países está calada, refletindo e agindo. Nem todos. “Os EUA fazem o que fazem porque são uma grande potência. O Brasil não é”, afirmou, em artigo grosseiro, o expoente do neo-realismo estadunidense, Stephen Walt. Mas as consequências virão para todos, sem exceção.<br></p>



<p>Todavia, em um mundo cada vez mais conturbado, não podemos tirar a atenção do principal. A integridade nacional somente será preservada se o país aprender a ser governado no dia a dia, independente de eleições, partidos, ideologias&#8230; Vivemos um tempo de redobrada atenção no que é primordial aos poderes do Estado. Especialmente, diante da forte e veloz atualização tecnológica.</p>



<p><br>O Brasil é um grande encontro de civilizações a caminho de formar uma civilização própria. Isto é nossa maior característica. Na hipótese de nova crise financeira, inexiste hoje no mundo um grau de pensamento minimamente solidário para resolver um problema a partir da ação coletiva internacional, como existia em 2008. Se naquela época já não foi bem-feito, hoje talvez sequer fosse feito algo estruturado em conjunto, suficiente para amenizar a queda. Cada país está se achando senhor das suas ideias e partindo para experimentações sem levar em conta que o que nos salva é a harmonia da ação.</p>



<p><br>O aumento da automação resultante da revolução tecnológica em curso exige se arquitetar um futuro em que todos sejam servidos e se beneficiem das máquinas de inteligência artificial. Do contrário, o mundo da oferta não vai encontrar o mundo da demanda que estará desempregado e sem dinheiro.</p>



<p><br>A fim de se compreender o que vai se passar nas próximas décadas no mundo do trabalho, é importante ver o se passou no século 19. O trabalho escravo, que existia desde tempos imemoriais — todos os povos da Terra já foram escravizados em uma altura ou outra de sua história — foi substituído globalmente pelo trabalho assalariado.</p>



<p><br>Por mais que o movimento abolicionista representasse um avanço moral, cultural e intelectual da sociedade humana, havia questões práticas da lógica econômica sustentando o movimento. As revoluções tecnológicas que deram sequência à revolução industrial transferiram cada vez mais dinheiro e poder para setores industriais da sociedade que viam necessidade de ampliar seu mercado consumidor. Afinal, qual a lógica de produzir bens de consumo em larga escala se não existem consumidores em larga escala? Para isso, era fundamental incorporar o maior contingente possível de pessoas ao trabalho assalariado. Era preciso acabar com a escravidão, essa modalidade de trabalho em que o capitalista investe pesado apenas uma vez na aquisição e depois só faz manutenções básicas de subsistência. Pois bem, robôs de inteligência artificial também não recebem salários, podem ser caros para se adquirir, mas consomem pouco para subsistir.</p>



<p>Num controverso estudo de história econômica escrito por Robert Fogel e Stanley Engerman, na década de 1970 (o primeiro receberia o Nobel 20 anos mais tarde), a escravidão no sul dos EUA foi descrita como “investimento altamente lucrativo”, superior mesmo “às melhores oportunidades de investimento na manufatura”. Nos EUA, foi uma guerra civil que mudou essa balança e definiu que as pessoas passassem a receber salários em troca de trabalhos que geravam os produtos a serem consumidos em larga escala pelos próprios assalariados. Foi a boa lógica econômica que aboliu a escravidão, mais do que as razões morais.</p>



<p><br>No princípio do século 20, Henry Ford ficou famoso pela revolução organizacional representada pela introdução da linha de montagem, que racionalizava e barateava a produção em massa. Mais relevante ainda era a sua lógica de que seus trabalhadores precisavam ganhar bem o suficiente para que pudessem adquirir os carros que produziam. Ou seja, na sua indústria, Ford criava não apenas a oferta, mas também a demanda por seus produtos.</p>



<p><br>Há uma lógica que o ser humano também conhece há milênios e que, no último século, passou a ser conhecida como “paradoxo da parcimônia”, segundo o qual o indivíduo que mais poupa tem ganhos intertemporais maiores na sociedade, mas, se todos os indivíduos e organizações pouparem demais, a sociedade empobrece. Há uma adaptação possível para o pagamento de salário: para o empregador que paga o salário, quando mais baixo ele for, maior será o seu lucro; no entanto, se todos os empregadores pagarem salários baixos, as perdas de lucro se alastrarão pela economia real por conta do enfraquecimento do consumo.</p>



<p>Governar com palavras não vai deter a automação que ameaça o mundo e prepara a próxima grande crise econômica.</p>
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		<title>BELEZA AMERICANA</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Paulo Delgado]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 01 Sep 2019 04:27:21 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Artigos Correio Braziliense e Estado de Minas]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Correio Braziliense e Estado de Minas – domingo, 1° de setembro de 2019. A tradicional pesquisa da Universidade de Michigan acerca do sentimento dos consumidores americanos,<span class="excerpt-hellip"> […]</span></p>
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<p><em>Correio Braziliense e Estado de Minas – domingo, 1° de setembro de 2019.</em></p>



<p><strong>A</strong> tradicional pesquisa da Universidade de Michigan acerca do sentimento dos consumidores americanos, em sua última edição, mostrou uma variação particular relacionada aos efeitos das políticas do governo Trump em diferentes grupos populacionais.<br>No país em que só existem dois partidos, consumidores que se autoidentificam como republicanos vinham demonstrando níveis muito superiores de entusiasmo com a situação e as perspectivas econômicas do que aqueles que se dizem democratas. Entretanto, de julho para agosto ocorreu uma queda significativa na percepção dos republicanos, tanto a respeito da situação quanto das perspectivas econômicas. No olhar para o futuro, os republicanos estão hoje com as expectativas mais baixas desde o início do mandato de Trump.</p>



<p>A beleza americana é o movimento livre do seu povo. Os democratas, que já estão “deprimidos” há muito tempo com relação aos rumos do país, não tiveram um baque como os republicanos. O fato é que muitas das políticas da administração Trump, inclusive sua escalada retórica no Twitter, têm impacto negativo sobre seus próprios eleitores. O entusiasmo que os republicanos vinham mantendo com a administração está sofrendo reveses cada vez que a conta das experimentações nada ortodoxas de Trump vai ficando mais cara no bolso do próprio consumidor (e produtor) que o apoia. Trump teve que, por exemplo, voltar atrás na imposição anunciada de mais tarifas sobre a China por receio de mais insatisfação popular pela elevação dos preços dos produtos chineses, especialmente natalinos.</p>



<p>Atrapalhar o Natal não está fora do cardápio da Casa Branca. As tensões comerciais entre EUA e China podem levar a uma grande desaceleração global por conta dos efeitos imediatos da disrupção de cadeias globais de valor que vinculam os dois países. Os EUA, que de liberalismo econômico atualmente não têm nada, inverteram a lógica sempre defendida por eles e, atualmente, se dão o direito de declarar seja lá o que for como questão de segurança nacional para impor tarifas, sanções e bloqueios comerciais vários. Usando fortemente o Departamento de Justiça como espécie de unidade avançada de prospecções econômicas, a Casa Branca é um bunker estatal do comércio administrado.</p>



<p>A avacalhada visão de grande transformação que acalenta Trump e seus admiradores carece de teoria liberal e perde apoio dos grupos sociais e econômicos mais poderosos nos EUA. Peter Navarro, seu principal assessor anti-China é pessoa estranha aos círculos que construíram e disputaram a direção do comércio internacional estadunidense no último meio século. A partir dos anos 2000, Navarro se especializou na publicação de teorias e análises espalhafatosas e obcecadas com a ameaça do que ele chama “morte pela China.”</p>



<p>As obras de Navarro são da safra das profecias autorrealizáveis — esses medos que muitas pessoas têm e que lidam com eles forçando a barra para fazer com que eles ocorram, ao invés de raciocinar o que é preciso fazer para que o medo não se materialize. Desde que chegou ao poder em Washington, a escola de contenção da China tem tido sucesso em incluir cada vez mais pessoas que pensam assim para projetar a atitude americana com relação ao país asiático.</p>



<p>Em abril deste ano, Kiron Skinner, conselheira sênior do Departamento de Estado, fez a apresentação mais pesada, mostrando querer nivelar a compreensão oficial americana ao pior que existe da compreensão oficiosa de partes do governo chinês. Com a diferença de que sempre se espera mais grandiosidade daquele que tem mais poder, para que esse poder permaneça legítimo. Skinner acabou tendo que deixar seu posto agora em agosto, pois, pelo que se relata, a belicosidade se exercia também no ambiente de trabalho, a um ponto que ficou insuportável.</p>



<p>O problema central talvez seja o efeito paradoxal que décadas de paz global, em geral, e dentro da China e dos EUA, em específico, acometem em cabeças fracas. Quem nunca viveu, ou nunca estudou a fundo as dores, as misérias e o horror que a guerra traz, tende a falar de maneira irresponsável sobre a possibilidade de guerra. A crise do multilateralismo pilotada por Trump contém um desequilíbrio catastrófico embutido e fará surgir uma bipolaridade crescente no mundo. A briga comercial com a China é o novo Vietnã dos EUA.</p>



<p>A história é dura. Para a China, a última guerra de amplo espectro — a das Coreias — terminou em 1953, e a maioria dos chineses vivos nasceu depois disso. No caso dos EUA, a última grande guerra foi a do Vietnã, terminou em 1975 e custou a vida de 58 mil americanos. A geração que viveu o conflito com o Vietnã, hoje acima de 43 anos de idade, é a geração que ainda detém as rédeas do país. Maus alunos de história não deviam poder ser presidentes.</p>
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