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	<title>Arquivos Itamaraty - Paulo Delgado</title>
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		<title>O NOVO CHANCELER</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Paulo Delgado]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 26 Nov 2018 01:44:07 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Artigos Correio Braziliense e Estado de Minas]]></category>
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										<content:encoded><![CDATA[<p><em>Correio Braziliense e Estado de Minas – domingo, 25 de novembro de 2018.</em></p>
<p><strong>A</strong> luta ideológica virou carreira que alimenta direita-esquerda. Foi o que me veio à mente quando a escolha do novo chanceler mexeu na estante errada do Itamaraty e surpreendeu os bibliotecários que controlam a leitura permitida aos brasileiros. O diplomata todo arrumado, fiel ao comando do condutor, é o tipo adequado para entender o político com problemas de simetria interna-externa. Sempre foi assim. E a diplomacia costuma ser o campo ideal para o impaciente empregar seu poderio. Infelizmente, o Brasil ainda não precisa balancear seu comportamento no mundo sob a pressão da realidade internacional. Basta agradar ao público interno e, agora, parar de abraçar tirano em Malabo. Continuamos um espinhoso país impreciso, que não consegue ver a vida com regularidade. A nova cara da chancelaria é mais um ciclo da força que tem, entre nós, a esperança e a desordem.</p>
<p>Não me desespero antes da hora. E aos que bateram continência submissa para o operário, sem força para confrontar o chefe em nada, e agora andam irritados com o capitão antes da posse, respondam a Freud : qual a sua responsabilidade na desordem da qual você se queixa? Claro que é pouco diplomático um embaixador brasileiro expressar maior fascinação, culturalmente, pela Europa e, materialmente, pelos EUA, do que pelo Brasil, multiculturalmente inimitável. Também não o comparo com os mais controversos formuladores que andam botando fogo na língua das nações. Mas de um modo geral, basta observar o mundo para saber que mesmo grandes conservadores veem uma baita manipulação nesse furor identitário, nacionalista e antiglobalização. Foi um erro da esquerda, com o incentivo de todas as minorias, nos dividir assim e fingir que não via virtude nenhuma no capitalismo. E, agora que as diferenças e os problemas econômicos foram apropriados pela direita, as maiorias, choramingando, querem ser lideradas como se fossem minorias. Esquerda e direita usam “as minorias” como uma plataforma de desculpa para formar governos autoritários. Existem sinais do mesmo erro no novo governo, o de fingir não ver defeitos no liberalismo.</p>
<p>Quem anda ganhando eleição no mundo é um campo ideológico que podemos chamar de anti-establishment, o qaul já foi um campo de centro-esquerda. Atualmente, o populismo anti-esquerdista cresceu porque os partidos de centro e de esquerda, governando de forma populista, desistiram de cuidar do longo prazo da vida dos cidadãos e passaram a não entregar o que prometeram. Usufruíram da globalização quando lhes interessava e quando as ondas econômicas favoreciam. Quando veio a crise, com a desaceleração sincronizada da economia global, não tinham mais moral para criticar o modelo que os beneficiava. Por isso, não vejo sinceridade na “perplexidade” que personalidades ligadas ao Brasil em Genebra, a capital do mundo multilateral, dizem estar sentindo com a indicação do chanceler brasileiro. Ora, ora. Herman Hesse subiu para as montanhas suíças quando percebeu que “o maior vício moral é a absolvição de si mesmo; ela torna inúteis todos os esforços de recuperação”. Quem não se espantou com as tolices que fizemos pela esquerda não tem porque se espantar com as que, pela direita, ainda nem fizemos.</p>
<p>O conservadorismo é um freio de arrumação no caminhar desgovernado da humanidade. Entretanto, só vale se for coerente, ilustrado e dotado de propostas que capturem as questões pungentes. Enfiar ideologia em tudo, num culto da ação ao estilo militante, leva à sobrepolitização de todos os aspectos da vida. Ótima forma de rejeitar a vida democrática. A mensagem tem que ser totalmente clara e compreensível, coisa difícil na diplomacia profética, onde é preciso recusar a política. Ao confundir tradição com tradicionalismo é certo o prejuízo à fé, à pátria e à família. Mas parece que a política externa é mais uma retórica do que uma filosofia.</p>
<p>Samuel Huntington, o guru do governo atual, cita 13 vezes o Brasil quando fala em civilizações. Somos um caroço fora da fruta. Acerta um pouco quando faz referência para a relevância dos evangélicos no caráter nacional. O Brasil, que já teve dois presidentes protestantes — Café Filho, presbiteriano; Ernesto Geisel, luterano —, terá agora um evangélico. Para Huntington, a hegemonia brasileira na região é dificultada pela diferença linguística entre português e espanhol, e compara nossa situação na América Latina com a do persa Irã no mundo islâmico, majoritariamente árabe, que o circunda.</p>
<p>Huntington acha que a dificuldade de unir a região levará o Brasil à esfera de influência direta dos EUA, e só assim faremos parte da Civilização Ocidental. Se o ministro da Educação não fosse colombiano, teríamos um Brexit ao sul do Equador.</p>
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		<title>PRONTIDÃO ELEITORAL</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Paulo Delgado]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 26 May 2019 23:04:34 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Artigos Correio Braziliense e Estado de Minas]]></category>
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<p><em>Correio Braziliense e Estado de Minas &#8211; domingo, 26 de maio de 2019.</em></p>



<p>A guerra e sua preparação são partes essenciais da maneira com que os governos dos EUA se relacionam com o mundo. O estudo de 1986, que mencionamos no artigo anterior sobre a participação do país nas últimas cinco guerras em que estiveram envolvidos até então, apresenta também outro dado curioso. Quanto maior fosse o efeito negativo e desorganizador no dia a dia dos americanos, maior punição eleitoral sofreriam os políticos envolvidos no conflito. E que tal maldição recaía mais sobre o presidente do que sobre os parlamentares, mas afetava todos aqueles “associados” com a guerra. A conclusão do artigo era de que tal conhecimento talvez resultasse numa menor participação dos EUA em guerras dali para frente.</p>



<p><br>Entretanto, em janeiro de 1991, os EUA invadiam o Iraque numa operação com várias características que mudavam completamente o engajamento popular com guerras. A CNN fazia cobertura ao vivo do conflito pela primeira vez. O nível de tecnologia empregado diminuía drasticamente o uso de soldados americanos no campo de batalha. Ainda assim, eram 500 mil soldados, muito mais do que os utilizados hoje em dia nas guerras de drones. Mas, já em março, a Guerra do Golfo chegava ao fim. A aprovação de Bush pai, logo após o que o Pentágono considerou um fim bem-sucedido da curtíssima operação, extrapolou os 90%. Todavia, caiu muito rapidamente, por conta de confusões domésticas, e ele perdeu a reeleição em 1992. Parecia que as ideias do artigo estavam certas.</p>



<p><br>Entretanto, mais gente teorizava sobre ajustes finos que fizessem uma coisa ajudar e não atrapalhar a outra. George W. Bush, o filho, chegou à Presidência em janeiro de 2001. Em dezembro daquele ano, a aprovação de Bush alcançava 86%, a maior taxa de aprovação no fim do primeiro ano de mandato entre todos os presidentes americanos, de acordo com medições da Gallup feitas a partir de Eisenhower em 1953. Isso só aconteceu por conta do ataque sofrido por Nova York em 11 de setembro daquele ano. Antes do ataque, a aprovação do presidente estava em um pouco mais de 50%. Medições após o ataque mostraram o apoio acima de 90%. Bush invadiu o Iraque em 2003 e se reelegeu em 2004, em meio a uma guerra que durou até 2011.</p>



<p><br>A aprovação de Trump está no patamar mais alto de seu mandato — descontado o primeiro mês —, mas ainda abaixo de 50%. Os passarinhos lhe dizem que um conflito internacional próximo da eleição dará conta do recado, porque os ganhos do momento — ainda que se esvaiam rapidamente — são enormes se tiver pretexto claro compreendido pelo eleitorado. Para muitos, pretexto se fabrica. O problema é que a aceleração da inquietude que a guerra traz é incontrolável.</p>



<p><br>Por mil razões, muitas delas, aqui apontadas, a contra o Irã é o plano A. Por conta de contexto regional, a Venezuela é o plano B. Tanto Venezuela quanto Irã precisam de mudanças nas péssimas lideranças que têm para se tornarem países melhores para seus povos. Entretanto, uma mudança que venha por imposição militar externa — especialmente quando é politiqueira e interessada em petróleo, nos dois casos — só tende a abrir chagas que sangrarão por muito mais tempo.</p>



<p><br>No caso do Irã, as instituições brasileiras, em especial as Forças Armadas e o Itamaraty, têm pouco a contribuir. É importante lembrar que, sem nenhuma superioridade de poder, o governo brasileiro, entre 2009 e 2010, errou ao interferir na dinâmica da disputa entre EUA e Irã. Certeza excessiva é péssima conselheira em política e em diplomacia. Somos uma sociedade aberta, mas, por conta exatamente disso, não podemos passar recibo de desinformados a respeito dos arranjos globais, sob pena de terminarmos apenas com cara de pouco influente. O país persa tem forte lobby e presença nos EUA. Sabe tim-tim por tim-tim o que a administração americana atual pensa e quais são as forças a serem contactadas para se evitar uma desgraça. Desgraça que seria, no longo prazo, para os dois lados. Mas há sempre os cálculos e interesses imediatistas.</p>



<p><br>A Venezuela é um caso totalmente diferente. É nosso vizinho. Não dos EUA. São cerca de 2.200 quilômetros de fronteira conosco. A fronteira geopolítica dos EUA no continente é o Panamá. Nossas Forças Armadas sabem que não podem permitir conflito militar internacional aqui na América do Sul. É o mínimo que fazemos, e bem, manter a paz na nossa região. Infelizmente, a situação lá se agravou ao longo das últimas décadas em parte por culpa do Brasil, mas também dos EUA. Lá, sim, cabe uma atuação, do Itamaraty, principalmente, e das Forças Armadas, pelos canais multilaterais do sistema da ONU, para se garantir a transição de governo sem permitir que tenhamos um campo de guerra no nosso subcontinente, para uso da imprevisível campanha presidencial nos EUA.&nbsp;</p>
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		<title>Blow-up</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Paulo Delgado]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 14 Aug 2019 23:32:49 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Artigos Estadão]]></category>
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<p><em>O Estado de S. Paulo &#8211; 14 de agosto de 2019.</em></p>



<p><strong>B</strong>low-up é a ampliação do negativo. Ao revelar a cena e desconfiar da aparência do presidente, que fala em mudança e age como se não a quisesse, o Parlamento entendeu o recado. Partiu para agenda própria e precisa de ímpeto pontual e permanente diante do quotidiano disperso e ambíguo do Executivo.&nbsp;</p>



<p>Tem ainda a temporada no inferno por que passam o Judiciário e o Ministério Público. Seria bom os dois interromperem por um momento a troca de ofensas para explicarem, em nota conjunta, o que é mesmo a justiça para todos.&nbsp;</p>



<p>Convenhamos, não dá mais para alguém dizer essas coisas desse jeito. Sem modos nunca houve sociedade livre. Tem sido comum presidentes desfrutarem uma perigosa liberdade de expressão visando a dirigir os sentimentos da Nação para si próprios. Opiniões e atitudes nesse cargo deveriam ser fatos políticos extraordinários, e não o retrato dos princípios pessoais que estão por trás deles.&nbsp;</p>



<p>Ninguém é herdeiro das lutas do povo por ganhar uma eleição. Especialmente numa época em que milhões de mensagens angulam a percepção do eleitor numa determinada direção, violando sua privacidade. O escondido embaralha os critérios da pessoa, o flagrante esconde o principal. O truque da eleição continua.&nbsp;</p>



<p>Perder o equilíbrio da aparência para ser notícia contém uma carga de orgulho que, contrariada, pode desabar em violência. O insulto é uma forma de defesa. Nomear os outros para segregá-los, simplificando o sentido de tudo, revela um Brasil gigante anêmico.&nbsp;</p>



<p>Nada do que só fecha a porta ao entendimento é liberalismo. Tudo esconde seu oposto, especialmente venenosas atitudes cênicas. E ao deixar a economia se conduzir liberal, enquanto deixa claro que o que vale são acertos de contas, o presidente revela um mal inconsciente em sua compreensão das coisas. Explica a seus eleitores o que quer condenar supondo a rendição do País, que não gosta. Mais rígido, mais se enrola no paradoxo.&nbsp;</p>



<p>Se o Executivo não encara a imensidão de possibilidades que são a liberdade e a diversidade humana, sendo ela a única que pode realmente produzir o resultado econômico e cultural que faz qualquer governo dar certo, melhor o Congresso dar as cartas.&nbsp;</p>



<p>Querer prosperar economicamente sob um governo liberal e ao mesmo tempo ampliar o sectarismo sobre a sociedade é uma equação inexistente. A estagnação econômica permanecerá se não for enfrentada com a árdua missão de governar com autoridade, discernimento e sacrifício. Aqui é assim: a dificuldade no poder ampara o emocionalismo retrógrado do populismo brasileiro.&nbsp;</p>



<p>O coração do povo é mais vasto do que se supõe. Mira o futuro. Polêmicas políticas são piadas velhas. Provocam emoção num tipo de mercado paralelo onde opera uma cabeça de negócios superada.&nbsp;</p>



<p>Polêmicas morais, de querer costurar a letra escarlate em pessoas e instituições, nenhum governo transitório pode se pretender senhor assim. O erro nessa área será devastador se a razão que vê em tudo uma desordem inexistente preparar a justificativa para uma ordem indesejada. É risco na veia governar por antagonismos.&nbsp;</p>



<p>Muitos equívocos entre nós são fruto do esquecimento, que vem depressa. Sempre ficamos sabendo tarde demais que a oportunidade criada pela idiossincrasia das autoridades costuma ser cozida e comida para ser entregue em endereço certo. Assim, tudo pode começar a deturpar o comércio de bens democráticos e ampliar a fragilidade da vida política.&nbsp;</p>



<p>O Parlamento é a principal instituição do País. Existe uma afinidade vocacional e originária no bom parlamentar que é ser responsável sem precisar ser governista em tudo. Sua urgência é romper o despreocupado estado de espírito com os grandes desafios da hora e exercer o papel de organizar o debate nacional compondo interesses conflitantes e legítimos.&nbsp;</p>



<p>Em relação à ordem econômica, é mantra dizer que as economias bem-sucedidas se diferenciam pela duração dos períodos de crescimento. Já é consenso que a boa economia nem deve ser tratada como uma peça de moralidade, nem deve ser imoral.&nbsp;</p>



<p>O País está paralisado por uma espécie de “fada da confiança” vestida pela incerteza que é a natureza do estilo do presidente. E continua dividido entre os&nbsp;economistas sociais, certos de que é a desigualdade que está refreando a demanda, esmagando nossa recuperação e mantendo a crise permanente; e os&nbsp;economistas liberais, convencidos de que a ideia do crescimento é uma onda da oferta, traduzida na velha imagem de que é a maré alta que levanta todos os barcos.&nbsp;</p>



<p>Há expectativa e temor no Congresso de que a recuperação do País não seja compatível com o calor que emana do controle político desse presidencialismo de atritos. Só esfriando os ânimos se diminui o potencial da combustão que está no ar.&nbsp;</p>



<p>Outro desafio para a ação parlamentar é deter a tendência de mais um presidente querer inventar uma política externa. Fato que mais nos afasta da hipótese de termos algum papel na balança de poder mundial. Situação possível se o Senado não impedir que o Itamaraty continue a acumular desequilíbrios. É um erro político centrar o debate da ocupação do posto de Washington como problema familiar.&nbsp;</p>



<p>Não se trata de ofender o presidente, mas salvá-lo do risco de sonhar com grandezas que não nos dizem respeito, que é embarcar na encruzilhada em que Trump meteu os EUA com essa ideia de reconstruir o “Sistema de Yalta”, redividir o mundo em áreas de influência e apostar em conflitos regionais.&nbsp;</p>



<p>Se isso acontecer, o Brasil assumirá contornos que podem esfacelar nossa ordem continental, enfraquecer nossa força de poder brando em temas transnacionais, pôr em dúvida nossa legitimidade em operações de paz e quebrar nossa agricultura na OCDE ao ampliar a repercussão desse proselitismo ambiental equivocado. Um Brasil&nbsp;big stick&nbsp;e antieuropeu é um contrassenso cultural e um irrealismo político-militar inédito em 130 anos de História da República.</p>



<p>Leia também no <a href="https://opiniao.estadao.com.br/noticias/espaco-aberto,blow-up,70002966508">Estadão</a>.</p>
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