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	<title>Arquivos revolução - Paulo Delgado</title>
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		<title>TRUMP MEXE NO VESPEIRO</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Paulo Delgado]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 16 Sep 2018 21:04:50 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Artigos Correio Braziliense e Estado de Minas]]></category>
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										<content:encoded><![CDATA[<div><em>Correio Braziliense e Estado de Minas – domingo, 16 de setembro de 2018.</em></div>
<div></div>
<div><strong>A</strong> expressão que fere é a certa, mas, se vem anônima, pode não ser considerada bem opinião. Mancur Olson, cientista social americano, falava do Estado como um “bandido estacionário”. Ele monopoliza de forma racional a subtração da riqueza individual em forma de impostos. Procura não tirar mais do que o que permite à sociedade continuar existindo e produzindo riqueza. Impõe caprichos reguladores, induz e domina de maneira menos custosa ao desenvolvimento do que sua alternativa anárquica, quando faz o que quer. Nesse caso, distorcido por se acharem regiões inatingíveis do Estado, comportam-se como “bandidos errantes” — aqueles que secam o leite da vaca a ponto de não sobrar nada para o bezerro.</div>
<div></div>
<div>Nessa trama sem anjos, apenas com seres humanos, o “bandido estacionário” defende a ferro e fogo seu quinhão dos ataques errantes que, de vez em quando, acertam em cheio o bolso de uma parte da nação.</div>
<div></div>
<div>Por outro lado, quando o bom cobrador de impostos se acha esperto demais e se mistura com os “errantes” para prevalecer em disputas internas de poder, fica difícil parecer mocinho. É quando a manutenção da sobrevivência vem como banho d’água fria e põe a boca no mundo.</div>
<div></div>
<div>O grito desse Estado ameaçado foi ouvido por trás de um capuz na forma de um editorial, no jornal The New York Times do dia 5 de setembro. Mas será somente uma história americana o tal presidente que pinta e borda?</div>
<div></div>
<div>
<div>“Eu sou parte da resistência dentro da administração Trump” foi o título escolhido. Com o tamanho de meio tuíte, o título em si já carrega a mensagem que se espalhou sobre o conteúdo do artigo. Há pessoas que fazem parte da administração Trump que agem para frustrar parte das decisões do mandatário, o qual consideram “amoral”. De modo singular, o autor secreto descreve a resistência não como “o trabalho do assim chamado Estado profundo (&#8230;), [mas] do Estado estacionário”, inadvertidamente expressão ampla, comum e identificadora do funcionário público de carreira.  Ou seja, não se trata do “fogo amigo” brasileiro, essa imoralidade política praticada por partidos contra seus próprios membros mais influentes.</div>
<div></div>
<div>Trump é um forasteiro na política. Um cowboy errante de luxo duvidoso da indústria da incorporação imobiliária sem fronteiras ou limites. Um cafona, o principal figurino da política. Além da mídia, a qual ele declara ser “inimiga do povo”, Trump luta sua batalha diária para desconstruir o que ele chama de “Estado profundo”. Basicamente, aquelas partes das instituições republicanas que direcionam as políticas de forma permanente, sem serem muito afetadas pela mudança de orientação significativa que pode ser consagrada pelo voto popular. Trump entende que foi eleito com o direito de mudar essas estruturas. Não lhe comove que muitas delas sejam os esteios da estabilidade americana e mesmo internacional. Trump se deu bem e fez fortuna no mundo de bang-bang. Cansa sua beleza a previsibilidade institucional.</div>
</div>
<div></div>
<div>
<div>Steve Bannon, seu mentor intelectual e atual líder globe-trotter do sectarismo, após servir um tempo como estrategista-chefe na Casa Branca, se afastou e foi correr mundo difundindo suas teses. Quando saiu o editorial do Times, Bannon deixou de lado um pouco seu atual foco na política europeia para declarar ser “um golpe” o que está sendo tramado contra Trump. De fato, a natural e resistente parte estacionária da estrutura de poder resiste a quem decide atacá-la.</div>
<div></div>
<div>O errante Trump não é nenhum Robin Hood, muito pelo contrário. Mas na burocracia do Estado existem os estacionários que gostam bem de dar uma de Xerife de Nottingham, agarrados a Washington, e também não causam nenhuma simpatia ao povo americano. Muito menos quando usam máscara e seguem se beneficiando do que dizem combater. No Brasil tem um pessoal parecido, que quer multar, mas quer ganhar um pedaço da multa. São as hipocrisias que fazem Trumps.</div>
<div></div>
<div>Racionalmente, lembrando Olson, as pessoas se submetem ao Estado para não terem que ser roubadas a torto e a direito num mundo selvagem. O problema e a revolta nascem quando a percepção é de que a violência se generaliza para além do controle do Estado, bem como de que agentes do Estado estão subtraindo além daquilo que a parte do leão contratada socialmente determina.</div>
</div>
<div></div>
<div>Agora que a internet criou a preguiça do cérebro, uma espécie de ignorância racional sustentada pela dificuldade de pensar por conta própria, será que a imprensa vai se entupir de denúncias anônimas, pela dificuldade de investigar governos autoritários e inconsistências morais nas carreiras públicas? Não parece justo que todos tenham de se refugiar na intriga, entregar a alma às redes sociais e parar de ler jornais, a última cidadela da liberdade de expressão.</div>
<div></div>
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		<title>COLETE,  POLUIÇÃO E SABEDORIA</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Paulo Delgado]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 11 Dec 2018 14:40:33 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Artigos Correio Braziliense e Estado de Minas]]></category>
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		<category><![CDATA[china]]></category>
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										<content:encoded><![CDATA[<div><em>Correio Braziliense e Estado de Minas – domingo, 9 de dezembro de 2018.</em></div>
<div></div>
<div><strong>N</strong>a estreita Rua Varenne, no coração envelhecido de Paris, a mansão Matignon, cujo inquilino é o primeiro-ministro, abriu seus portões para receber alguns representantes do movimento dos coletes amarelos. Eles não foram. No sábado, ontem, como é de praxe em dias de protesto, a rua foi interditada. A França, que tem o modelo mais organizado para enfrentar protestos, foi apresentada à era dos protestos sem rosto. São legiões horizontais, sem nome, e quando alguns líderes despontam são cortados por qualquer um que tenha um celular à mão. É o outro lado da modernidade intuída por Macron, que é a de fazer política sem partidos e outras instituições de representação tradicionais. Vai bem, até a hora que desanda. Paris em pânico, sem saber do que está se defendendo, teve de fechar até áreas turísticas e museus.</div>
<div></div>
<div>E, assim, será cada vez mais neste mundo de poder popular ficcional, mas livre, e Estado centralizado, demorado e indiferente.  O planeta é um sistema fechado com recursos finitos, menos os governos de seus países que gastam até quebrar a natureza e irritar o cidadão. Que decide sair aos montes, anônimos em Paris, ou solitariamente, com o celular na mão, dentro de um avião no Brasil, filmar a crítica que faz à autoridade.</div>
<div></div>
<div>Vivemos sob o manto da insustentabilidade. Tudo pode ficar escasso, mas a falta de sensibilidade da elite do Estado para com a irritação do povo, começa a ameaçar a estabilidade do mundo.  A começar pela irracionalidade que é manter o petróleo como principal combustível do progresso.  É melhor não brincar com a poluição, ela contamina a vida de todos.</div>
<div></div>
<div>
<div>Andrzej Duda, que preside o atual governo conservador da Polônia, recebeu a conferência sobre mudança climática da ONU deste 2018 e lembrou que trabalhar para evitar a mudança climática é fundamental, mas não pode ser feito de uma forma que atrapalhe o crescimento de países em desenvolvimento. Simplesmente porque é injusto. Num mundo onde o governo dos Estados Unidos, país mais rico e poderoso do mundo, diz que não é problema dele, todos devem cooperar para salvar o planeta, mas com inteligência e criatividade para salvar também os seus. Não conversar com quem protesta, mandar prender quem critica, se não é asneira é tolice. Maior exemplo da Terra — de erros, acertos, meios, caminhos e resistências — se chama China.</div>
<div></div>
<div>As dívidas chinesas, pública e privada somadas, alcançam a cifra de US$ 34 trilhões. Isso são 17 PIBs brasileiros de 2017. A China entendeu como ninguém as regras do jogo e acumulou ao longo dos anos reservas cambiais que hoje somam mais de US$ 3 trilhões. Junto a isso mantém sua conta de capitais fechada para o exterior, conseguindo, pela soma das duas coisas, financiar dessa forma estratosférica seu desenvolvimento. Uma maneira que nenhum outro país do mundo, à exceção dos EUA, consegue.</div>
<div></div>
<div>O realismo de Trump é baseado na constatação de que os EUA foram engambelados no jogo que eles mesmos criaram e não detém instrumentos tradicionais de coação da China. Ao se tornar o maior PIB do mundo, a China, isolada em sua cultura de comerciantes, pode, sim, tirar os EUA da posição imperial.</div>
</div>
<div></div>
<div>
<div>E Trump pode, sim, estar “esquentando” a Terra para ganhar tempo e esfriar a China. A morte de George H. W. Bush, que foi, antes de ser presidente, embaixador em Pequim &#8211; um que jogava tênis com as lideranças chinesas e circulava de bicicleta pela cidade &#8211; é o símbolo maior da passagem de uma abordagem de confiança e relações pessoais que ajuda a explicar o crescimento chinês dos últimos 40 anos.</div>
<div></div>
<div>A China cresceu porque os EUA deixaram, para ganharem dinheiro, muito dinheiro, com isso. Porque, de Nixon para frente, passou a ter muitos bons amigos em Washington. Os maiores sendo Bush pai e Henry Kissinger, hoje com 95 anos de idade. O crescimento chinês deve mais a jantares do que ao chão de fábrica. O primeiro fator tem precedência, relações públicas, busca de senso comum. O desespero atual é como negociar com alguém que não sonha. Planejamento com sonho, mais produtividade e endividamento, é a outra face do investimento. Futuro é sonho, diálogo, pois a vida só no presente é brutal, estanque e curta.</div>
<div></div>
<div>Os coletes amarelos na França são sinais de uma revolução que não começou ali, mas na Primavera Árabe de 2010 e passou pelo Brasil, em 2013, e na greve dos caminhoneiros. Existe por conta dessa tecnologia de comunicação e informação, que reúne as empresas mais valiosas do mundo. Cabeça, inteligência e ideias. Destroem e constroem o mundo. Não há limites para esse crescimento. Todavia, só vale a pena se for com boa vontade, bondade e razão, virtudes sem as quais o crescimento pode se tornar uma péssima forma de governar sem sabedoria.</div>
</div>
<div></div>
<div><a href="https://paulodelgado.com.br/wp-content/uploads/2018/12/COLETE-POLUIÇÃO-E-SABEDORIA-09.12.2018-Correio-Braziliense-Caderno-Mundo-pág.-17.pdf">COLETE, POLUIÇÃO E SABEDORIA &#8211; 09.12.2018 &#8211; Correio Braziliense &#8211; Caderno Mundo pág. 17</a></div>
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