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	<title>Arquivos china - Paulo Delgado</title>
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		<title>QUALQUER UM, MENOS ELES</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Paulo Delgado]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 02 Sep 2018 06:11:58 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Artigos Correio Braziliense e Estado de Minas]]></category>
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										<content:encoded><![CDATA[<p><em>Correio Braziliense e Estado de Minas – domingo, 02 de setembro de 2018.</em></p>
<p><strong>O</strong> mundo anda sufocado pelo excesso de pensamentos individuais que a abundância alimenta e, estressado, não está sabendo ressurgir econômica e culturalmente como sociedade de seres humanos educados. O cavalo humano já não sabe mais o que fazer com o dobro de feno que lhe deram, mas ao preço de tirar-lhe o controle do pasto.</p>
<p>Há um retrocesso na ideia da liberdade e da responsabilidade de todos. O sofrimento dos povos advém de estarem tolamente entregues e iludidos com a agenda dos grandes conglomerados de ideias e coisas, crescentemente ligeiros e concentrados em fazer de todos massa de manobra. Políticas nacionais estimulam pessoas perdidas a confiar tudo no Estado, o maior oligopólio de sonho e frustração dos países com problema. A busca por sucesso e independência deveria conter a ideia de que resolver problemas incluí o direito de outras pessoas também resolverem os seus.</p>
<p>E quais são os problemas no mundo de hoje? Por que tanta fascinação pela violência e os violentos, pela velocidade e a solidão? Desigualdade e abundância explicam algumas questões.</p>
<p>Se, por um lado, o acesso às coisas materiais aumentou para todos, por outro, a desigualdade de renda também aumentou muito. Animal complicado que é, o ser humano mede sua satisfação de forma relativa, não absoluta. E parece valorizar mais a relação entre ele e o outro do que comparar seu passado com seu presente.</p>
<p>No princípio do século 20, Corrado Gini, cientista social italiano, primeiro presidente do ISTAT, o equivalente ao IBGE naquele país, popularizou uma medida estatística que mostra a desigualdade de uma sociedade, com suas relações com diversos aspectos das interações sociais e do progresso.</p>
<p>O índice de Gini vai de 0 a 1. Quanto mais próximo de 1, mais desigual. Quanto mais próximo de 0, mais igualitária é uma sociedade. Quando a desigualdade econômico-social cresce, tarimbados estudos mostram que cresce junto o sentimento de revolta na população e a simpatia por confusões e confusos, que passem por cima de leis e espalhem direitos de forma irresponsável. Não é um líder honesto que as massas, quando estão agitadas, procuram; é um que seja qualquer um, menos eles. A observação histórica dos países mostra que 0,5 no Gini é a fronteira para grave possibilidade de insurreição popular. Caso único entre os países organizados do mundo é o do Brasil, que vive há mais de meio século acima de 0,5. Vale a pena listar o grupo de países que acompanha o Brasil hoje acima de 0,5: África do Sul, país mais desigual do mundo, seguido de vários outros países da África subsaariana e da América Latina o Haiti, a Colômbia, o Panamá e Honduras.</p>
<p>A outra questão é a da melhoria material de quase todo mundo. As comodidades estão aí nas casas das pessoas. O aumento do acesso material pode ser sintetizado por um aumento da renda média e da liberação dos cidadãos para querer mais do que apenas sobreviver. Nesse quesito, a observação histórica dos países mostra que US$ 10 mil de PIB per capita é a fronteira para aumentar a insatisfação popular.</p>
<p>Essa janela que se abre em torno de US$ 10 mil de PIB per capita é um perigo para os governos e os arranjos institucionais estabelecidos na relação da sociedade com o Estado. Onde, aliás, se encontra o Brasil. E, para todos os efeitos, também a China. Que hoje corre para passar por lá para não ter que arrancar os cabelos de desespero com a possibilidade de revolta social. O curioso de observar a China é que ela também passou a sofrer com uma desigualdade social altíssima e decidiu aumentar a força do indivíduo criativo. Sem tirar o olho da perigosíssima influência da demagogia na política espalhada pelas redes sociais.</p>
<p>No fim das contas, o que importa para o rumo da história é onde mora o heroísmo e a vontade de criação. Em todo o mundo, as partes mais estáveis contam com pessoas originalmente bem de vida, saídos dos extratos mais favorecidos da sociedade. Elites, mas mesmo entre os desfavorecidos, há elites. As principais nações do mundo são dirigidas por suas elites a vida inteira. Desde que vistas como legítimas e não privilegiadas. São percebidas como capazes de gestos heroicos de abnegação para o bem nacional. São compreendidas como originadas por enorme esforço produtivo e sofisticada compreensão idealista do papel da pátria e do povo de onde extrai seus frutos. Os quais se obriga a multiplicar.</p>
<p>A aridez infértil da atual encruzilhada global que se projeta com dor e vingança dentro dos países clama por uma visão iluminada de futuro para as próximas gerações. Não adianta querer pular o iluminismo e a ciência e partir para a confusão na rua. Boa fé da elite gera boa fé do povo. E sempre vale o ditado: se tu fores infiel ao anjo, ainda que por um fio de cabelo, o mal empacotará tua alma.</p>
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		<title>COLETE,  POLUIÇÃO E SABEDORIA</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Paulo Delgado]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 11 Dec 2018 14:40:33 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Artigos Correio Braziliense e Estado de Minas]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Correio Braziliense e Estado de Minas – domingo, 9 de dezembro de 2018. Na estreita Rua Varenne, no coração envelhecido de Paris, a mansão Matignon, cujo<span class="excerpt-hellip"> […]</span></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<div><em>Correio Braziliense e Estado de Minas – domingo, 9 de dezembro de 2018.</em></div>
<div></div>
<div><strong>N</strong>a estreita Rua Varenne, no coração envelhecido de Paris, a mansão Matignon, cujo inquilino é o primeiro-ministro, abriu seus portões para receber alguns representantes do movimento dos coletes amarelos. Eles não foram. No sábado, ontem, como é de praxe em dias de protesto, a rua foi interditada. A França, que tem o modelo mais organizado para enfrentar protestos, foi apresentada à era dos protestos sem rosto. São legiões horizontais, sem nome, e quando alguns líderes despontam são cortados por qualquer um que tenha um celular à mão. É o outro lado da modernidade intuída por Macron, que é a de fazer política sem partidos e outras instituições de representação tradicionais. Vai bem, até a hora que desanda. Paris em pânico, sem saber do que está se defendendo, teve de fechar até áreas turísticas e museus.</div>
<div></div>
<div>E, assim, será cada vez mais neste mundo de poder popular ficcional, mas livre, e Estado centralizado, demorado e indiferente.  O planeta é um sistema fechado com recursos finitos, menos os governos de seus países que gastam até quebrar a natureza e irritar o cidadão. Que decide sair aos montes, anônimos em Paris, ou solitariamente, com o celular na mão, dentro de um avião no Brasil, filmar a crítica que faz à autoridade.</div>
<div></div>
<div>Vivemos sob o manto da insustentabilidade. Tudo pode ficar escasso, mas a falta de sensibilidade da elite do Estado para com a irritação do povo, começa a ameaçar a estabilidade do mundo.  A começar pela irracionalidade que é manter o petróleo como principal combustível do progresso.  É melhor não brincar com a poluição, ela contamina a vida de todos.</div>
<div></div>
<div>
<div>Andrzej Duda, que preside o atual governo conservador da Polônia, recebeu a conferência sobre mudança climática da ONU deste 2018 e lembrou que trabalhar para evitar a mudança climática é fundamental, mas não pode ser feito de uma forma que atrapalhe o crescimento de países em desenvolvimento. Simplesmente porque é injusto. Num mundo onde o governo dos Estados Unidos, país mais rico e poderoso do mundo, diz que não é problema dele, todos devem cooperar para salvar o planeta, mas com inteligência e criatividade para salvar também os seus. Não conversar com quem protesta, mandar prender quem critica, se não é asneira é tolice. Maior exemplo da Terra — de erros, acertos, meios, caminhos e resistências — se chama China.</div>
<div></div>
<div>As dívidas chinesas, pública e privada somadas, alcançam a cifra de US$ 34 trilhões. Isso são 17 PIBs brasileiros de 2017. A China entendeu como ninguém as regras do jogo e acumulou ao longo dos anos reservas cambiais que hoje somam mais de US$ 3 trilhões. Junto a isso mantém sua conta de capitais fechada para o exterior, conseguindo, pela soma das duas coisas, financiar dessa forma estratosférica seu desenvolvimento. Uma maneira que nenhum outro país do mundo, à exceção dos EUA, consegue.</div>
<div></div>
<div>O realismo de Trump é baseado na constatação de que os EUA foram engambelados no jogo que eles mesmos criaram e não detém instrumentos tradicionais de coação da China. Ao se tornar o maior PIB do mundo, a China, isolada em sua cultura de comerciantes, pode, sim, tirar os EUA da posição imperial.</div>
</div>
<div></div>
<div>
<div>E Trump pode, sim, estar “esquentando” a Terra para ganhar tempo e esfriar a China. A morte de George H. W. Bush, que foi, antes de ser presidente, embaixador em Pequim &#8211; um que jogava tênis com as lideranças chinesas e circulava de bicicleta pela cidade &#8211; é o símbolo maior da passagem de uma abordagem de confiança e relações pessoais que ajuda a explicar o crescimento chinês dos últimos 40 anos.</div>
<div></div>
<div>A China cresceu porque os EUA deixaram, para ganharem dinheiro, muito dinheiro, com isso. Porque, de Nixon para frente, passou a ter muitos bons amigos em Washington. Os maiores sendo Bush pai e Henry Kissinger, hoje com 95 anos de idade. O crescimento chinês deve mais a jantares do que ao chão de fábrica. O primeiro fator tem precedência, relações públicas, busca de senso comum. O desespero atual é como negociar com alguém que não sonha. Planejamento com sonho, mais produtividade e endividamento, é a outra face do investimento. Futuro é sonho, diálogo, pois a vida só no presente é brutal, estanque e curta.</div>
<div></div>
<div>Os coletes amarelos na França são sinais de uma revolução que não começou ali, mas na Primavera Árabe de 2010 e passou pelo Brasil, em 2013, e na greve dos caminhoneiros. Existe por conta dessa tecnologia de comunicação e informação, que reúne as empresas mais valiosas do mundo. Cabeça, inteligência e ideias. Destroem e constroem o mundo. Não há limites para esse crescimento. Todavia, só vale a pena se for com boa vontade, bondade e razão, virtudes sem as quais o crescimento pode se tornar uma péssima forma de governar sem sabedoria.</div>
</div>
<div></div>
<div><a href="https://paulodelgado.com.br/wp-content/uploads/2018/12/COLETE-POLUIÇÃO-E-SABEDORIA-09.12.2018-Correio-Braziliense-Caderno-Mundo-pág.-17.pdf">COLETE, POLUIÇÃO E SABEDORIA &#8211; 09.12.2018 &#8211; Correio Braziliense &#8211; Caderno Mundo pág. 17</a></div>
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		<title>DISPUTAS MUNDIAIS</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Paulo Delgado]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 03 Feb 2019 04:15:25 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Artigos Correio Braziliense e Estado de Minas]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Correio Braziliense e Estado de Minas – domingo, 03 de fevereiro de 2019. “Hoje somos a nação mais pobre e fraca da Terra. Ocupamos a mais<span class="excerpt-hellip"> […]</span></p>
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<p><em>Correio Braziliense e Estado de Minas – domingo, 03 de fevereiro de 2019</em>.</p>



<p><strong>“H</strong>oje somos a nação mais pobre e fraca da Terra. Ocupamos a mais baixa posição nas relações internacionais. Outras pessoas afiam as facas e servem os pratos: nós somos o peixe e somos a carne”, assim afirmou Sun Yat-sen, primeiro presidente de uma China republicana, em 1924. Nem 100 anos se passaram e o atual governante, Xi Jinping, poderia gracejar o exato oposto. O caminho entre um ponto e outro, nesse caso, envolveu revolução e adaptação aos limites do sistema mundial.</p>



<p>As nações, ou dão conta das suas questões, ou são engolidas pelo estrangeiro. Como empresas grandes e bem organizadas, comem empresas pequenas, mas quebram se perderem a noção de seus limites. Assim é também o reino animal mal amestrado. Na natureza, só comem o que precisam, diferente do ser humano antinatural, para quem muito é pouco.</p>



<p>Firmas e Estados normalmente têm conhecimento exclusivo sobre o que não devem fazer. Problemas que vão desde crimes de guerra até não conformidades de regulação sobre qualidade de vida, justiça, crises nacionais com impacto internacional. Atualmente, quase tudo pode ser chamado, mais ou menos, como questão internacional. Ninguém mais tem controle sobre tudo e é saudável “cair na real” para tal fato.</p>



<p>A Huawei é uma empresa chinesa que ascendeu de forma meteórica para a posição de líder do mercado de infraestrutura de informação e de comunicação no mundo. Em 1º de dezembro, a herdeira e atual diretora financeira da firma foi detida no Canadá a pedido dos EUA. No fim de janeiro, procuradores americanos apresentaram formalmente o pedido de extradição da executiva para ser julgada nos EUA.&nbsp; Antes disso, o embaixador do Canadá em Pequim foi retirado do cargo pelo primeiro-ministro Justin Trudeau. O embaixador canadense deu a entender que o então pedido de extradição por parte dos EUA era frágil demais e que era melhor que os EUA abandonassem a ideia. Tanto as afirmações do embaixador, quanto a firme ação de Trudeau, confirmam que, de fato, o buraco é bem mais embaixo. </p>



<p>Antes ainda disso, o embaixador da China no Canadá publicou uma coluna num jornal de Ottawa jogando a velha ficha chinesa de acusar humilhação. Numa linguagem gráfica e sem punhos de renda, a reação do embaixador chinês lembra o lamento acre de Sun Yat-sen, acrescido de acusação de racismo por parte dos canadenses e do “mundo ocidental” em geral.</p>



<p>Empresas e Estados são relutantes em compartilhar conhecimentos com o público, mesmo quando seriam úteis de imediato para seus próprios interesses. Não o fazem porque sabem que são parte de um jogo, sem fim. Há o domínio da lógica do pessoal de inteligência que não gosta que se saiba o que eles podem saber.&nbsp; A assimetria de informação é um poder. Mas é bom saber que o “agente secreto” está no fim.</p>



<p> </p>



<p>Na governança global, há muito receio por parte de agências de inteligência nacionais de disponibilizar informações sensíveis para Organizações Internacionais (OIs). Após o colapso da União Soviética, a cooperação internacional, inclusive o uso de OIs, aumentou muito. O caso emblemático é o da década de Guerra Civil nos Balcãs, com a traumática e bagunçada dissolução da Iugoslávia.</p>



<p>Para tratar de tudo de errado que ali se passou, as Nações Unidas acionaram o Tribunal Penal Internacional para a ex-Iugoslávia. O tribunal precisava de informações que eram detidas pelas Agências de Inteligência de outros países, sobretudo europeus, a respeito do que ocorreu ali. Muitos países não queriam revelar informações, métodos e tecnologias de que dispunham. O tribunal, que funcionou até 2017, eventualmente achou um caminho ao garantir sigilo aos países que fornecessem as evidências necessárias para se fazer justiça. Conseguiu indiciar 161 pessoas, com um pouco mais da metade acabando condenadas. Mais de 50 já cumpriram a pena.</p>



<p>Nos últimos anos, entretanto, há um declínio no uso das OIs para intermediar conflitos, ao mesmo passo em que explodiu a espionagem e o uso da justiça nacional como massa de manobra de interesses poderosos. Não parece uma estratégia que vá realmente evitar um conflito de larga escala. Tais Organizações Internacionais podem ser as formas tradicionais burocráticas, mas podem também realizar arbitragem de forma civilizada e ajudar o mundo.</p>



<p>A extensão desse assunto é a mais ampla possível. Observe a calamidade humana e ambiental que ocorreu em Minas Gerais. A Vale vai ter que responder também em Nova York, onde ela vende ações. A BHP Billiton, sócia da Vale na Samarco, está sendo processada em 5 bilhões de libras em Liverpool pelo acidente de 2015 que matou 19 pessoas. Não adianta querer fazer a Terra ficar plana. O curso espontâneo da economia é um pesadelo que vira e mexe desmoraliza a riqueza sem limites.</p>



<p><br></p>
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		<title>O que vai pelo mundo</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Paulo Delgado]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 11 Sep 2019 17:00:39 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Artigos Estadão]]></category>
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		<category><![CDATA[tecnologia]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>O Estado de S. Paulo &#8211; 11 de Setembro de 2019 Periodicamente o mundo vive sua cota de ansiedades alimentada por senhores da desordem. Não há<span class="excerpt-hellip"> […]</span></p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p><em>O Estado de S. Paulo &#8211; 11 de Setembro de 2019</em></p>



<p><strong>P</strong>eriodicamente o mundo vive sua cota de ansiedades alimentada por senhores da desordem. Não há nenhuma audácia ou extravagância em épocas de inversão permitida, especialmente se as rebeldias não servem para nada, como o 11 de setembro, salvo piorar a busca pela felicidade e fazer vítimas inocentes. Se quiser viver sem amargura, deixe a mente aberta ao otimismo e ampare sua desilusão na força da História. </p>



<p>Na hipótese de nova crise financeira, inexiste hoje no mundo um grau de pensamento minimamente solidário para resolver um problema a partir da ação coletiva internacional. Não está no ar algo estruturado, suficiente para amenizar a queda. O que vemos é o conjunto dos movimentos dos agentes socioeconômicos mostrar que a desconfiança está nublando o horizonte.&nbsp;</p>



<p>Cada país está se achando senhor das suas ideias e partindo para experimentações sem levar em conta que o que nos salva é a harmonia da ação. Sem uma pronta ação multilateral, a atmosfera opressiva imposta ao mundo pelo estilo Trump ameaça a lógica da acumulação de capital e da circulação de riquezas em tempo de paz. O multilateralismo estava atrelado à égide de uma espécie de consenso social-democrata que se vinha formando desde o final dos anos 1980. Uma social-democracia liberalizante permitia vislumbrar mais prosperidade e distribuição de renda.&nbsp;</p>



<p>O que anda pelo mundo são puras experimentações de conceitos e ideias descartadas. Por isso democracia, liberalismo e soberania estão regredindo a formas geopolíticas arcaicas. E as três piores consequências são o enfraquecimento do multilateralismo, a volta da bipolaridade política e o comércio administrado pelo protecionismo.&nbsp;</p>



<p>O principal personagem que nos está levando a este neoconservadorismo é, paradoxalmente, a disrupção mental e comportamental que a tecnologia pode causar. Diferente do momento histórico em que surgiram a imprensa e o telefone, com a internet o bobo da corte virou rei.&nbsp;</p>



<p>As novas tecnologias de informação e comunicação, que estão evoluindo com rapidez extasiante, são uma maravilha, tanto quanto a imprensa e o telefone, mas estão desestabilizando as sociedades tocadas por elas com uma fúria, rapidez e imprevisibilidade sem fim. O que temos hoje é um mundo de aplicativos pescando incautos para agendas contestatórias e levando governantes a tirar vaidade das grosserias que propagam.&nbsp;</p>



<p>Há mais de dez anos o dinheiro e o capital político migram na direção das empresas de tecnologia de informação e comunicação. Mais do que só a capacidade de financiamento, esses grupos têm vocação para influenciar e dirigir grupos políticos e movimentos sociais. Basta um paladino de alguma coisa usar com destemor a internet que ela vira a toca do urso, o mundo dos&nbsp;hackers&nbsp;e das curtidas insidiosas.&nbsp;</p>



<p>O uso celerado da tecnologia põe em risco a herança cultural universal. E está na origem do flerte com a forte contestação que sofrem a democracia, o capitalismo e, como coice de mula, a própria tecnologia. Todos os dias o cidadão livre é reinscrito em algum mecanismo de busca e levado a um oculto tribunal de costumes e interesses para ser classificado e julgado por esse sistema não jurídico de imposição de desejos. Gatos parindo tigres em todos os campos da atividade humana. A internet é pólvora indemonstrável, que dispensa a necessidade de indivíduos, das instituições e dos paradigmas da organização social democrática.&nbsp;</p>



<p>Só isso já causa uma ruptura política e social de vasto alcance. Pois esses grupos monopolistas cresceram vendo suas tecnologias serem usadas por manipuladores externos a eles, mediante associações vantajosas. Esse é o estado da arte. Quem quer poder natural arruma seguidor artificial. Ou alguém sensato acredita que uma pessoa tenha milhões de seguidores? Nem aqui nem na China. A comunicação de massa, impulsionada por robôs, cria cardumes desse tipo meio cretino, meio engraçado que é o crédulo chamado fã.&nbsp;</p>



<p>Assim cresce a percepção de que o poder de tais tecnologias tem o potencial de gerar lucros e outras formas de mais poder. Chocado em ninho de pessoas entupidas de apologia, inunda o mundo de tons de ganância e subtons de caos e facilidades, possibilitando um retorno muito maior de poder e dinheiro do que qualquer outra atividade econômica.&nbsp;</p>



<p>O contexto geral da simbiose política-tecnologia tende mesmo a ser preocupante. Já o específico, que faz com que os agentes socioeconômicos globais tenham dúvidas profundas sobre o mundo que vem por aí, tem que ver com princípios básicos de crescimento econômico em condições democráticas. Cresce a percepção de que os adversários dos princípios que orientaram o surgimento do mundo moderno estão ganhando força e poder.&nbsp;</p>



<p>São variadas as espécies de “malthusianismos” rondando o planeta. Em comum elas têm a visão de um desequilíbrio catastrófico e do simplismo das soluções. Seja o malthusianismo ambiental, o malthusianismo do emprego e do trabalho, o da criminalidade e do terrorismo.&nbsp;</p>



<p>Por malthusianismo entende-se aqui uma preferência por apontar com passividade, falsa lógica e alarde antissocial situações complexas e problemáticas. Reúne os que preferem insistir no fatalismo e na impossibilidade de solução diante do anormal a investir na busca de solução em que prevaleça o normal. Fazer o futuro é estar disposto a dizer que nenhum sistema pode fazer-se independente para levar vantagem sobre o sistema democrático.&nbsp;</p>



<p>Pondo culpa na China, que também apostou na tecnologia, o governo norte-americano inicia forte campanha de coação sobre suas empresas para que deixem suas plantas industriais no exterior e concentrem as operações dentro do país. A percepção é de que a automação e a inteligência artificial acabarão com o emprego. Sem poderem parar o Vale do Silício, os EUA querem parar o mundo, até saberem o que fazer com os traumas sociais desestabilizadores que sua tecnologia acentuou.</p>



<p>Leia também no site do <a href="https://opiniao.estadao.com.br/noticias/espaco-aberto,o-que-vai-pelo-mundo,70003005300">Estadão</a>.</p>
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		<title>FMI NO OLHO DO FURACÃO</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Paulo Delgado]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 28 Oct 2019 02:20:13 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Artigos Correio Braziliense e Estado de Minas]]></category>
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<p><em>Correio Braziliense e Estado de Minas &#8211; domingo, 27 de Outubro de 2019</em><a href="http://www.cbdigital.com.br/correiobraziliense/27/10/2019/p14#"></a><a href="http://www.cbdigital.com.br/correiobraziliense/27/10/2019/p14#"></a><a href="http://www.cbdigital.com.br/correiobraziliense/27/10/2019/p14#"></a></p>



<p><strong>N</strong>este mês, a búlgara Kristalina Georgieva assumiu o posto de diretora-gerente do Fundo Monetário Internacional (FMI). Georgieva não quebra o acordo de cavalheiros que prevê sempre um europeu na direção do Fundo. É assim desde a criação do órgão, em 1944, na Conferência de Bretton Woods, bairro da cidade de Carroll, no estado New Hampshire (EUA), onde as 44 nações aliadas decidiram dar uma organizada no capitalismo para quando acabasse a 2ª Guerra Mundial. O primeiro diretor-gerente foi um belga e, nos 73 anos de vida do Fundo, em 44 deles algum francês ocupou o posto principal. Quem vê política em tudo diz que Georgieva é a primeira de um país em desenvolvimento.</p>



<p>Todavia, o país de Georgieva — que, com 7 milhões de habitantes, tem uma população igual à do município do Rio de Janeiro — é parte da União Europeia desde 2007. Além disso, a nova diretora é uma burocrata tarimbada, com passagem tanto no sistema das Nações Unidas quanto na União Europeia. Assim, sua promoção é apenas o resultado de seleção de mérito dentro da própria Europa. De toda forma, é bom saber que Georgieva é unha e carne com o pensamento reinante em Paris.</p>



<p>A outra organização internacional criada em um resort de Bretton Woods foi o Banco Mundial. Desde sempre, a presidência do órgão foi exercida pelos EUA. Em 2012, ocorreu um movimento para ampliar o feudo estadunidense na instituição com as candidaturas de Ngozi Okonjo-Iweala, uma nigeriana de sangue real enviada para estudar nas mais poderosas universidades dos EUA ainda adolescente, e que chegou a número dois do Banco Mundial, e o colombiano José Antonio Ocampo, professor na principal universidade de Nova York e figura calejada do sistema ONU.</p>



<p>Numa atitude que tentava dialogar com a situação, os EUA de Obama escolheram promover um estadunidense nascido na Coreia do Sul como o máximo de avanço possível. Jim Yong Kim, o escolhido, apesar de bem-intencionado e com importante contribuição na área de saúde filantrópica, fez uma das mais conturbadas gestões que a organização já teve. Pediu para sair no início deste ano e foi substituído a toque de caixa pelo atual presidente, David Malpass. Quando Malpass chegou ao Banco Mundial, encontrou Georgieva atuando como diretora executiva.</p>



<p>Tanto o Banco Mundial quanto o FMI, para além de suas funções centrais de canalizar empréstimos e financiamentos para resolver desequilíbrios da economia mundial, também se organizam como grandes fábricas de diagnósticos, prognósticos e tratamentos aplicados às questões econômicas das diversas partes do mundo.&nbsp; Ambas as instituições são parte central da governança global, mesmo para países que não dependem delas. Apesar das brigas políticas que desanimam as organizações, as duas instituições são centros muito bem informados e com equipe da mais alta qualidade. Mas, hoje, enfrentam um furacão: com as atuais regras do jogo, a China vai ganhar o campeonato iniciado em Bretton Woods.</p>



<p>O primeiro relatório sobre a situação global publicado pelo FMI sob Kristalina Georgieva aponta para a economia mundial crescendo 3% em 2019. O mais baixo crescimento desde o epicentro da crise financeira nas economias centrais, entre 2008 e 2009. A perspectiva é de uma queda no crescimento tanto da China quanto dos EUA, por conta de belicosas decisões políticas tomadas em cada um dos dois países com relação ao outro.</p>



<p>A decisão dos governos desses dois países de ferir a economia um do outro é surreal, dado o nível de emaranhamento complexo entre as duas maiores economias do planeta. Ao ferir a China, os EUA ferem a si mesmos. Ao ferir Washington, Pequim fere a si mesma. Do jeito que os dois países estão se comportando, podemos sentir, talvez, a mais ousada tentativa do modelo econômico liberal — praticado pelos dois, a seu modo — de acabar com a intermediação política e desestabilizar as instituições democráticas. Sem confiança no horizonte, o resto da economia global é tratada como dano colateral. Dado o violento narcisismo paranoico de vários dos envolvidos, o efeito manada que a retórica nacionalista causa agrava a competição pura e desvairada. China e EUA podem sequestrar o mundo num longo processo revisionista, estimulados pela moda política de ver mais virilidade na grosseria do que na educação.</p>



<p>Em linguagem mais neutra e burocrática, como cabe a tais relatórios, o FMI, quem diria, aponta para a necessidade de se dar um basta nas tensões comerciais internacionais, revigorar a cooperação multilateral e prover apoio público à atividade econômica onde for necessário. Tendo como objetivo tornar o crescimento econômico socialmente mais justo e parar de apostar na incerteza das tensões geopolíticas.</p>



<p><br></p>
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		<title>A angústia da esperança</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Paulo Delgado]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 13 Nov 2019 20:16:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Artigos Estadão]]></category>
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		<category><![CDATA[brasil]]></category>
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		<category><![CDATA[china]]></category>
		<category><![CDATA[crise de 2008]]></category>
		<category><![CDATA[Estratégia de Segurança Nacional]]></category>
		<category><![CDATA[Índia]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>O Estado de S. Paulo &#8211; 13 de Novembro de 2019. Não tente ver spams, memes, emojis e outras formas do assédio online com simpatia. A<span class="excerpt-hellip"> […]</span></p>
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<p><em>O Estado de S. Paulo &#8211; 13 de Novembro de 2019.</em></p>



<p><strong>N</strong>ão tente ver spams, memes, emojis e outras formas do assédio online com simpatia. A insegurança cibernética é um assombro e a internet, uma fábrica mortal de trolls, exércitos mercenários e hospedeiros de notícias e sentimentos falsos perturbando a sociedade. Sem freios, avança feroz para desestabilizar pessoas e instituições democráticas. </p>



<p>Não é a desaceleração da economia mundial que está tirando o sono do mundo. É o aumento da matrícula na escola do ressentimento para depravar política e tecnologia. O tráfego de pessoas, produtos e Estados autoritários na internet contra a vida alheia é uma obra-prima da extravagância que cria e agrava conflitos em todos os países. Robôs e redes sociais põem multidões a postos, negociam notícias produzidas por hackers e insuflam o exagero dramático dos jovens diante das dificuldades da vida.&nbsp;</p>



<p>Assim como a destruição da razão em política combina com uma bomba-relógio, a era da inteligência artificial consolida os novos currais eleitorais de ativistas sob controle das comunicações manipuladas. A revolta ganha força impulsionada pela desinformação, a propaganda dirigida e a perda de controle do cidadão sobre seus dados pessoais. Não é bem reivindicação, o que move a massa é a reclamação. A era tecnológica é cada vez mais volátil e nada disso cheira a democracia.&nbsp;</p>



<p>Na região, um dado a mais. É a discórdia, não a polarização, a marca incorrigível da democracia. Agravada por sistemas políticos acuadores, que não aceitam derrotar os empacados, o líder que não quer mudança. Em toda eleição aparece um ancestral, ou que não quer sair, ou que quer voltar. Somos um continente inibidor e assombrado.&nbsp;</p>



<p>Todos os embaraços se agravam, misturados à mania de confundir problemas reais com personagens políticos. No Brasil a desavença é um descentramento, o nada no centro, um abalo segregador que visa a impedir que surja algo novo. Não é o avesso da coisa, é a má forma do original. Sociedade que só se move por sentimentos partidários é o ambiente ideal para a crítica virar sinônimo de amargura ou frivolidade.&nbsp;</p>



<p>E é nessa confusão que começa hoje em Brasília a XI Cúpula do Brics, quando Bolsonaro, Putin, Modi, Jinping e Ramaphosa terão a oportunidade de confirmar que são boas ideias que mudam o mundo, não más notícias. O grupo representa 44% da população mundial, cerca de um quarto da terra e outro quarto de seu PIB. Não há nada no Brics destoante da ordem mundial fundada com a vitória aliada contra o fascismo. É uma cúpula de vencedores essencial ao debate das ações globais.&nbsp;</p>



<p>Que deve observar que desde 2011 o transatlântico da estratégia de segurança americana cansou-se do Oriente Médio. Tomou susto e birra com os avanços do mundo eletrônico que não estava focado em guerras e ajustou seu curso para a Ásia. Desde então essa reorientação vem sendo construída em meio ao rescaldo da maior crise financeira desde a 2.ª Guerra. Os Brics não podem embarcar nesse navio de guerra ou deixar hacker emporcalhar a tecnologia que mira o futuro. Tampouco devem deixar de buscar pontes com todos os que refutam a ideia de que a única utilidade dos seres humanos hoje é gerar dados para monopólios de comunicação e passeata.&nbsp;</p>



<p>Os Brics estão sob um ataque de anulação, ou dos que não têm fonte fora de Washington, ou dos que não querem salvar os EUA de si mesmo. Pois um mundo próspero, tranquilo e seguro não combina com nenhuma potência hegemônica.&nbsp;</p>



<p>A ideia de Rússia, China e Índia de separar sua internet do mundo americano para preservar sua autonomia é uma opção pior. Embora revele mínima noção do que vem por aí. Ao Brasil cabe convencê-los a trabalhar com União Europeia e EUA para a construção de normas de segurança cibernética e sua regulação mundial. Juntos poderão combinar perdas passadas com apetite futuro. Estados, plutocracias e movimentos autoritários não deviam poder nos atacar dentro dos nossos computadores e celulares. É hora de fazer o balanço das 323 manifestações, pacíficas ou violentas, que agitam os países para reeducar a tecnologia e não usar revolta como propaganda de poder.&nbsp;</p>



<p>Cabe ainda ao Brasil aumentar sua capacidade de defesa cibernética para ser levado a sério, pois passa a impressão de estar perdido. Somos o único país grande que não está ligado, com seriedade de Estado, na questão da tecnologia do futuro.&nbsp;</p>



<p>Para entender a escalada da encrenca geopolítica atual é preciso voltar à Estratégia de Segurança Nacional americana. Em 2015 a linguagem dos EUA dizia que “o potencial da Índia, o crescimento da China e a agressão da Rússia, todos impactarão significativamente o futuro das relações entre grandes potências”. Com relação à China vem à tona a ansiosa formulação de que se buscará “gerir a competição a partir de uma posição de força”.&nbsp;</p>



<p>O documento publicado em 2017 mira os Brics de modo cru. E aperta o gatilho 33 vezes em direção à China e 25 em direção à Rússia, informando que os dois países querem “erodir a prosperidade e a segurança dos EUA.” Tantas citações servem para incluir a palavra “revisionistas, um conceito parecido com heresia, desvio, palavra perigosa e injusta nesse debate. À Índia é bem vista como aliada. O Brasil nem sequer é citado.&nbsp;</p>



<p>Com esse clima de confronto, risco e incerteza estão aumentando em todos os países. Cresce, desamparada, a angústia da esperança. E a dúvida sobre política econômica no mundo chegou em agosto ao mais alto índice da série iniciada em 1985.&nbsp;</p>



<p>Os governos não estão conseguindo escrever o texto dessa vida que possa diminuir o abandono no coração dos jovens. A tecnologia vira droga na mão de manipuladores. Cabe à política garantir a liberdade para proteger a riqueza humana. A reunião de Brasília pode contribuir para o entendimento de que manipular dados e fatos pela internet serve a poucos e desvia o foco da economia construtiva, que serve a todos.</p>
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