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	<title>Arquivos OTAN - Paulo Delgado</title>
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		<title>O que fazer nos EUA</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Paulo Delgado]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 17 Mar 2019 03:00:45 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Artigos Correio Braziliense e Estado de Minas]]></category>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>O presidente do Brasil está a caminho de Washington a bordo de um avião da Airbus, empresa europeia que celebrou uma vantajosa aliança com a canadense Bombardier. Já a brasileira Embraer se aliou com a Boeing, mesmo controlando a maior fatia do mercado de jatos regionais do mundo, com 28%, contra apenas 12% de presença da americana, de forma pífia. A “parceria” ficou em 80% para Boeing, e 20%, para Embraer.</p>



<p>O acordo, da forma como foi feito, deixou o presidente Bolsonaro com a pulga atrás da orelha. Não contempla o interesse nacional. As proporções estão equivocadas, sem nenhuma feição de aliança estratégica. As garantias, muito frágeis, e não há plano consistente e explícito de longo prazo. Em suma, negócio de curto prazo, de má economia, sufocou o interesse histórico que o Brasil mantém no setor da aviação e no desenvolvimento constante de tecnologia de ponta. Bolsonaro e Trump podem pessoalmente melhorar isso a partir de terça feira.</p>



<p>É justo um upgrade no acordo Embraer-Boeing. Precisa ser uma aliança real, continental, tanto no papel, quanto na realidade visível. Em comparação, a alquebrada Bombardier manteve 50% das ações em seu acordo com a gigante europeia Airbus. O controle da Airbus ficou explicitado por uma diferença de apenas 0,1%. Isso é parceria, sem submissão.</p>



<p>A indústria aeronáutica é uma das mais avançadas que o Brasil possui. É fundamental assegurar o aumento da participação brasileira nesse novo desenho de aliança com os EUA, de olho no que se passa no mundo. Por isso, é preciso ter clareza sobre as disputas em que os EUA estão envolvidos e saber defender, da maneira eficaz, o interesse nacional brasileiro.</p>



<p>Os EUA acabam de pedir à China que dê um tempo no desenvolvimento de novas tecnologias. Há um diagnóstico, com alto potencial conflitivo, sobre a possibilidade de que o mundo se divida em dois diferentes padrões tecnológicos. Grosso modo, um lado com tecnologias de base americana, e outro lado com tecnologias de base chinesa. Washington corre para deter os asiáticos, pois teme ter que agir, militarmente, para impedir tal cisão. Para que não tenha que hastear bandeira e ir às vias de fato, inicialmente tenta o explícito processo de contenção já em operação. Trump busca obter uma moratória tecnológica de Pequim.</p>



<p>Algo que transcorria atrás de portas fechadas veio à luz, tanto por conta do estilo Trump, quanto pelo fato de ser difícil boicotar um país tão fechado e protegido quanto a China. A China também deu a dica quando, mordida pelo bicho da bravata, resolveu dizer a todos, em 2015, que estava articulando um plano para que em 10 anos o país chegasse à ponta da inovação tecnológica mundial. Momento em que, então, poderia dispensar as compras de equipamentos americanos. “Fabricado na China 2025” chama-se o plano que Washington quer ver Pequim postergar, ou abandonar em parte.</p>



<p>Trump quer dar um jeito de manter a distância relativa de poder entre Washington e Pequim estável por mais um tempo. Até, pelo menos, a Casa Branca ter uma noção mais clara de como agir num mundo em que não é mais a gestora da maior economia do planeta. Para isso, quer frear o crescimento chinês exigindo deles que se abstenham de algumas áreas específicas. Esse é o cabo de guerra com a Huawei. </p>



<p>Tecnologia pura, a droga do progresso real. Muito mais importante do que tarifas comerciais e outras bobagens secundárias que levam países inviáveis a se digladiarem.&nbsp; Os EUA querem impor barreiras não tarifárias para a tecnologia chinesa. Nem que seja com a ameaça de uma solução fora dos canais civilizados.</p>



<p>O calor do confronto se dá por causa de uma dúvida cada vez mais real: qual será o padrão tecnológico do mundo virtual e bioquimicamente transformador? Os EUA querem isso para si. Um pouco por instinto e cobiça, também por responsabilidade e culpa. Estamos no espólio final do que foi seu triunfo no século 20. Acham que merecem, por direito, tempo maior para aceitar uma transição tecnológica cujos termos desejam ditar do princípio ao fim. Se Bolsonaro não negociar com Trump a participação brasileira em um desses polos do futuro tecnológico do mundo, a viagem pode se desviar para a Disney.</p>



<p>Um ponto claro é selar um acordo para a fabricação de aviões maiores e de mais longo alcance pela Embraer, para que o presidente brasileiro possa vender o Airbus e, nos 200 anos de nossa independência, voar em um EB 7.09.2022 da Embraer-Boeing. Um avião de fuselagem estreita (narrowbody), de mais longo alcance, fabricado pela inteligência dos brasileiros. Política é convencimento e aliança, boa para ambos os lados. Para Trump e a Boeing, não seria problema. Para o Brasil, uma nova dimensão mundial. </p>



<p> </p>
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		<title>O BRASIL NA OTAN</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Paulo Delgado]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 01 Apr 2019 01:55:17 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Artigos Correio Braziliense e Estado de Minas]]></category>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>Todas as vezes que as coisas apertam na economia aparece alguém “revolucionário” para dizer que é preciso domar o mercado e o capitalismo e colocá-los a serviço da prosperidade e da justiça social. Ninguém tem a coragem de dizer que falhar e vencer é a maior lição da vida. Já na área de defesa, o ideal nunca vem embrulhado na pasmaceira do sonho.</p>



<p><br>Em 1949, quando foi criada, a Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte) contava com 12 países. Um novo país pode entrar na organização, via governo dos EUA, caso conte com a concordância unânime dos demais membros e, segundo o artigo 10 do tratado, seja europeu. De lá para cá, 17 países se somaram ao grupo. Montenegro, pequeno país à beira do Mar Adriático, de frente para o sul da Itália, foi a última nação acolhida. Até que em Washington, durante conferência de imprensa no Rose Garden da Casa Branca, Bolsonaro ouviu a confirmação pública de que Trump tem a “intenção de designar o Brasil como “aliado importante fora da Otan”, ou mesmo possivelmente “um aliado da Otan”.<br>Ser um “aliado importante fora da Otan” não quer dizer muita coisa. Para o lado brasileiro, só por deixar os EUA usarem a Base de Alcântara e ter a Embraer em joint-venture com a Boeing na área de defesa já pagam a fatura. Todas os demais itens que se tornam disponíveis com tal tratamento são muito mais interessantes para os Estados Unidos. Como o Brasil, de fato, nunca antagonizou os EUA, a história de aliado extra-Otan na região já foi usada como migalha lançada à Argentina pelo governo Clinton, em 1998, para ver se espezinhava o Brasil.</p>



<p>Nunca nos espezinhou, e o convite ao vizinho nunca pôs nada substancial na mesa argentina. Celebrar a aliança entre Brasil e EUA com isso é como comemorar quinta colocação em campeonato mundial. Ajuda os EUA, donos da bola e do campeonato, sem dúvida. Afinal, ter o Brasil nesse grupo, ao lado de Paquistão, Afeganistão, Tunísia e Egito, legitima os EUA na imagem que passa para a comunidade internacional e nas suas barganhas militares mundo afora.<br>Para o Brasil, por outro lado, é basicamente aceitar ser equiparado a Paquistão, Afeganistão, Tunísia e Egito. Grandes países com grandes histórias, mas, no contexto atual do mundo, não, obrigado. Nem os EUA deveriam querer isso e sabem por quê. Se for só por conta de uma guerra com a Venezuela, que a administração Trump está doida para começar, não se assentam em bases sólidas. O horizonte de uma nação é muito mais longo e tal imediatismo não faz jus a tudo que gerações e mais gerações de brasileiros construíram para colocar o Brasil em pé, altivo e livre, contribuindo para um mundo melhor, inúmeras vezes ao lado dos EUA.</p>



<p><br>Trump faz um convite confuso, sem modelo claro, ao maior país da região. Convite que já foi feito à Colômbia. O que foi, a propósito, um acordo esdrúxulo também feito, em parte, para espezinhar o Brasil, mas que atingiu um pouco mais tal efeito. Desde 2013, vieram as conversações da Otan com a Colômbia e o Brasil, à época, não soube encaminhar corretamente seu interesse e da região — nem com a Otan, em geral, nem com os EUA, em específico. O Brasil foi empurrado à revelia, e a Colômbia entrou como aliada do grupo ano passado. Por que o Brasil não propõe que os EUA articulem nossa entrada como “parceiro global” da Otan com mais celeridade, qualidade e efetividade do que foi empregado para com a Colômbia? Simplesmente porque o Brasil sempre foi parceiro dos países da Otan, inclusive nas duas guerras mundiais, como nenhum outro país latino-americano.</p>



<p><br>Participar da Otan, para efeitos de compartilhamento de tecnologia e de reflexão sobre ações necessárias para garantir a estabilidade global, são suficientes para reconhecimento de sua relevância estratégica. De modo geral, há uma sobreposição entre ser denominado aliado extra-Otan dos EUA e ser também parceiro global da Otan. Tal é o caso explícito dos países com os quais os EUA não partilham apenas guerras, mas também a prosperidade e o futuro. Nos serve mais ser tratado como Austrália, Japão e Coreia do Sul.<br>Acima dessa categoria, há o caso de Israel. Em 2014, o Congresso americano tornou lei a parceria estratégica entre EUA e Israel. Tal é um caso único e amplo o suficiente para receber adequadamente o título de parceria estratégica. Como o Brasil não conta, nem de longe, com um lobby em Washington forte como o de Israel, tal ideia poderia se perder na burocracia. Entretanto, ali está bem esquadrinhado um tipo de acordo que pode orientar o que é uma verdadeira parceria estratégica. Caso contrário, o Brasil poderá resolver o problema americano sem mirar o interesse do próprio Brasil. Um contrassenso que nem mesmo a liderança americana compreenderia.</p>
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		<title>Dias piores virão</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Paulo Delgado]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 28 Apr 2019 23:11:41 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Artigos Correio Braziliense e Estado de Minas]]></category>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p><em>Correio Braziliense e Estado de Minas &#8211; domingo, 28 de abril de 2019.</em></p>



<p>Volodymyr Zelensky, de 41 anos, tomará posse como presidente da Ucrânia no fim de maio. O comediante fez sua campanha nas onipresentes redes sociais com um discurso já sintetizado no último verso do soneto 121 de Shakespeare: “O homem é mau e reina na maldade”. Ganhou de lavada. A Ucrânia, de 45 milhões de habitantes, está no centro das disputas que ocorrem no mundo desde a crise econômica iniciada em 2008. Foi na Ucrânia que a Rússia usou o Exército para mandar um recado para a Otan: tirem as botas do Leste Europeu. Em 2014, Moscou anexou a Crimeia, península ucraniana no Mar Negro. Recentemente, Putin foi à península homenagear a “reunificação da Crimeia com a Rússia”.</p>



<p><br>A ascensão de Zelensky é mais um dos sintomas de uma baita crise sem solução. E um presságio de que dias piores virão. Tudo começou quando Ben Shalom Bernanke, presidente do Banco Central Americano, o FED, de 2006 a 2014, quis parecer a pessoa certa, na hora certa, no lugar certo. Estudioso das recessões econômicas, Bernanke afirmou que não estava disposto a permitir uma segunda grande depressão nos EUA. No meio de um mundo desorientado, Bernanke tirou da cartola uma ideia chamada Afrouxamento Quantitativo.</p>



<p><br>A ideia foi comprada pelos sete países mais ricos. E empurrada garganta abaixo do G20 como uma generosa decisão de fraternidade internacional. O Brasil não reagiu estrategicamente e saiu comprando carro sem ter garagem. Os bancos centrais da Europa, Inglaterra, Japão e dos EUA, passaram de cerca de US$ 3 trilhões de crédito a receber do mercado, em 2007, para mais de US$ 14 trilhões, em 2018. Essas operações de empréstimo a juro zero ou mesmo negativo eram o mantra. Quem recebeu o esplendoroso “afrouxamento” foi o sistema&nbsp;financeiro e suas conexões. Bernanke não era mal-intencionado e acreditava piamente que inundar os ricos de dinheiro faria o cifrão descer e evitar, assim, a estagnação econômica e o empobrecimento da população.</p>



<p>Como a economia não secou em 2008, funcionou artificialmente encharcada alguns anos até virar o estopim da crise global como a que vivemos hoje. O vaso da economia mundial se estilhaçou e não voltará a ser como antes. A crise não passa porque o mundo está querendo enfrentar ideias antigas com mágica, ancorando gratuidade na concentração de renda.</p>



<p><br>Por quê? Porque o mundo que funciona não é o mundo de graça. A globalização, a imigração e a produção são coisas reais e trazem inteligência, inovação e desenvolvimento. Por isso mesmo, os US$ 14 trilhões emprestados ao mercado foram tragados pelo laguinho egoísta do sistema financeiro e dos parasitas nacionais diversos. Agentes e grupos transnacionais vão intensificar suas brigas dentro de todos os países para impedir a cooperação internacional. Mesmo que não botem a cara de fora, protegidos pela invulnerabilidade das redes sociais, usadas como inocentes úteis e baratos. Enquanto isso, os dois lados vão aperfeiçoando os sistemas de mísseis, para botar ordem na bagunça criada pela economia sem lei. Anomias que engolem anomias e produzem novas anomias. Estamos vivendo as várias etapas de uma Revolução Francesa, em que quem ajuda a destruir o primeiro círculo é destruído pela segunda onda, que será, então, pela terceira, quarta, até chegar outro&#8230; Napoleão. Tudo isso sem reflexão substantiva. Tudo em nome da facilidade, simplesmente porque depois da internet ninguém olha para os pés.</p>



<p><br>Aqui, voltamos à Rússia e à Ucrânia que, agora, será governada por um contador de anedotas. O governo russo, desde 2008, é o mais estável do mundo. Com Putin, o maior apoiador dos movimentos digitais anti-establishment na Europa. Aliás, líderes desestabilizadores e estáveis somente ele e Netanyahu em Israel, outro homem das nuvens. A alemã Merkel está fora desse benefício de estabilidade porque faz das tripas coração para manter a Alemanha no topo da Europa, ao preço da destruição da União Europeia. Algo que, paradoxalmente, a aproxima de Putin e Trump, outro parceiro desse jogo eletrônico de comando-controle, na guerra para limar a confiança do mundo em suas regras comuns e instituições coletivas.</p>



<p><br>O afrouxamento quantitativo leva Moscou a semear a discórdia onde pode para abalar as estruturas do disponível homem das redes. O apoio vai para qualquer grupo comprometido com avacalhar e dilapidar o mundo que está aí. Inclusive com a eleição de Zelensky, que recebeu apoio de Israel, inimigo da Síria, aliada da Rússia&#8230;</p>



<p><br>Zelensky é outra nuvem. Com a simpatia da Otan e a aceitação deslumbrada da população, veio para desestabilizar o que ainda resta dos contornos do mundo pós Guerra-Fria. Confusões nada liberais para provocar a inflexão final — quando será? —, aproveitando o rastilho de pólvora que queima desde 2008.</p>



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		<title>Um estranho estado de ânimo</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Paulo Delgado]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 09 May 2019 00:10:18 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Artigos Estadão]]></category>
		<category><![CDATA[Recentes]]></category>
		<category><![CDATA[afrouxamento quantitativo]]></category>
		<category><![CDATA[crise economica]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>O Estado de S. Paulo &#8211; 8 de maio de 2019 O mundo está adquirindo outra feição. A forte preferência política pela distração impôs a regra:<span class="excerpt-hellip"> […]</span></p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p><em>O Estado de S. Paulo &#8211; 8 de maio de 2019</em></p>



<p><strong>O</strong> mundo está adquirindo outra feição. A forte preferência política pela distração impôs a regra: todos viram, ninguém viu. A impressão que dá é que se alguém despertar tudo pode evaporar. Há algum tempo andorinhas não governam. Não é falha da razão, nem resultado da pobreza da curta experiência democrática. É um subproduto do fato de as atitudes predominantes na vida das pessoas se terem tornado cópias de comportamentos digitais. A moral moderna ainda não está codificada, mas seus memorandos presentes na navegação online, com a universalização de informações, ressentimentos diversos e a desatualização periódica de todos os sistemas de intermediação e valores, indicam uma formatação futura onde não haverá quem testemunhe pela testemunha. A internet é o inconsciente a céu aberto. </p>



<p>Volodymyr Zelenski, de 41 anos, toma posse como presidente da Ucrânia agora em maio. O comediante fez sua campanha nas redes sociais com um discurso sintetizado no último verso do soneto 121 de Shakespeare:&nbsp;<em>o homem é mau e reina na maldade</em>. Ganhou de lavada. A Ucrânia está no centro das disputas que se travam no mundo desde a crise econômica iniciada em 2008. Foi na Ucrânia que a Rússia usou o Exército para mandar um recado à Otan: tirem as botas do Leste Europeu. Em 2014 Moscou anexou a Crimeia, península ucraniana no Mar Negro.&nbsp;</p>



<p>A ascensão de Zelenski é mais um sintoma de uma baita crise sem solução iniciada pelo manejo econômico centralizado e impulsionada pelo desassossego (in)fértil da internet. É um presságio de que dias piores virão. Tudo começou quando Ben Bernanke, presidente do Banco Central americano (Fed) de 2006 a 2014, quis parecer a pessoa na hora certa, no lugar certo. Estudioso das recessões econômicas, Bernanke afirmou que não estava disposto a permitir uma segunda grande depressão nos EUA. No meio de um mundo em que o Estado, desorientado, briga com o capital, Bernanke tirou da cartola uma ideia chamada&nbsp;<em>afrouxamento quantitativo</em>&nbsp;e inundou o mundo do desejo de se aliviar, sem esforço.&nbsp;</p>



<p>A ideia foi comprada pelos sete países mais ricos. E empurrada garganta abaixo do G-20 como uma generosa decisão de fraternidade internacional. O Brasil não reagiu estrategicamente e saiu comprando carro sem ter garagem. Os bancos centrais dos países ricos passaram de cerca de US$ 3 trilhões de crédito a receber do mercado em 2007 para mais de US$ 14 trilhões em 2018. Operações de empréstimo a juro zero ou mesmo negativo viraram mantra. Quem recebeu o esplendoroso “afrouxamento” foram o sistema financeiro e suas conexões. Bernanke acreditava que inundar os ricos de dinheiro evitaria a estagnação econômica e o empobrecimento da população.&nbsp;</p>



<p>Como a economia não secou, funcionou artificialmente encharcada alguns anos até virar o estopim da crise global que dura até hoje. O vaso da economia mundial se estilhaçou, a política de potências esfarelou-se e a gula do mundo online explodiu, impondo aos jovens duas falácias desestruturantes: 1) basta a posse, deixe a propriedade comigo; 2) derrube tudo, o inimigo é a política. A sociedade embarcou na onda da conspiração abstrata: o real é caro, barato é o virtual. A crise não passa porque o mundo está querendo enfrentar ideias antigas, protecionistas ou antissociais, com mágica, ancorando gratuidade na concentração de renda e fazendo-se servil ao distributivismo digital. Mas a economia, diferente da política, só funciona se não tiver amigos.&nbsp;</p>



<p>Por quê? Porque riqueza não se produz nem de imediato, nem de graça. A globalização produtiva gera trabalho e oportunidade, é coisa real que traz valor, inovação e desenvolvimento. Contra isso os US$ 14 trilhões emprestados ao mercado foram tragados pelo laguinho egoísta do sistema financeiro e dos amigos da gratuidade. Agentes e grupos transnacionais estão intensificando suas brigas dentro de todos os países para impedir a cooperação internacional e o pacto pela nova sustentabilidade produtiva. Sem botar a cara de fora, por trás da santificada rede social, usam seus usuários, de graça, na luta pelo caos improdutivo.&nbsp;</p>



<p>Enquanto isso, o poder real vai aperfeiçoando os sistemas de mísseis, para botar ordem física na bagunça criada pela economia virtual. Anomias que engolem anomias e produzem novas anomias. Estamos vivendo as várias etapas de uma revolução suicida, em que quem ajuda a destruir o primeiro círculo é destruído pela segunda onda, que será então pela terceira, quarta, até chegar ao impasse violento. Tudo isso sem reflexão, a deusa da facilidade, simplesmente porque depois da internet ninguém olha mais para os pés.&nbsp;</p>



<p>Aqui voltamos à Rússia e à Ucrânia, que será governada por um contador de anedotas. O governo russo desde 2008 é o mais estável do mundo, com Putin, o maior apoiador dos movimentos digitais antiestablishment na Europa. Aliás, líderes desestabilizadores e estáveis somente ele e Netanyahu em Israel, outro homem das nuvens. A alemã Merkel balança, mas para manter a Alemanha no topo da Europa não se importa com a destruição da União Europeia. Algo que a aproxima de Trump, poderoso usuário dessa metralhadora online que vem limando a confiança do mundo em suas regras comuns e instituições coletivas.&nbsp;</p>



<p>Em meio à armadilha pelo afrouxamento quantitativo, Moscou vai semeando a discórdia onde pode para abalar as estruturas do disponível homem das redes. Apoia qualquer grupo comprometido com avacalhar e dilapidar o mundo que está aí. Inclusive com a eleição de Zelenski, que recebeu apoio de Israel, inimigo da Síria, aliada da Rússia&#8230;&nbsp;</p>



<p>Zelenski é nuvem caótica. Com a simpatia da Otan e o deslumbramento da população, tensiona o que ainda resta dos contornos do mundo das potências. Confusões nada liberais para provocar a inflexão final – quando será? – aproveitando o rastilho de pólvora que queima desde 2008.</p>



<p></p>
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