<?xml version="1.0" encoding="UTF-8"?><rss version="2.0"
	xmlns:content="http://purl.org/rss/1.0/modules/content/"
	xmlns:wfw="http://wellformedweb.org/CommentAPI/"
	xmlns:dc="http://purl.org/dc/elements/1.1/"
	xmlns:atom="http://www.w3.org/2005/Atom"
	xmlns:sy="http://purl.org/rss/1.0/modules/syndication/"
	xmlns:slash="http://purl.org/rss/1.0/modules/slash/"
	>

<channel>
	<title>Arquivos bolsonaro - Paulo Delgado</title>
	<atom:link href="https://paulodelgado.com.br/tag/bolsonaro/feed/" rel="self" type="application/rss+xml" />
	<link>https://paulodelgado.com.br/tag/bolsonaro/</link>
	<description></description>
	<lastBuildDate>Mon, 19 Aug 2019 23:55:49 +0000</lastBuildDate>
	<language>pt-BR</language>
	<sy:updatePeriod>
	hourly	</sy:updatePeriod>
	<sy:updateFrequency>
	1	</sy:updateFrequency>
	<generator>https://wordpress.org/?v=6.7.5</generator>
	<item>
		<title>Vulcão extinto</title>
		<link>https://paulodelgado.com.br/vulcao-extinto/</link>
					<comments>https://paulodelgado.com.br/vulcao-extinto/#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[Paulo Delgado]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 14 Sep 2018 22:55:15 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Artigos Estadão]]></category>
		<category><![CDATA[Recentes]]></category>
		<category><![CDATA[bolsonaro]]></category>
		<category><![CDATA[brasil 2018]]></category>
		<category><![CDATA[eleições]]></category>
		<category><![CDATA[Lula]]></category>
		<category><![CDATA[pt]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://paulodelgado.com.br/?p=5129</guid>

					<description><![CDATA[<p>O Estado de S. Paulo – 12 de setembro de 2018. Um, como Calígula, quer outra vez fazer seu cavalo cônsul. Outro, pensava atear fogo em<span class="excerpt-hellip"> […]</span></p>
<p>O post <a href="https://paulodelgado.com.br/vulcao-extinto/">Vulcão extinto</a> apareceu primeiro em <a href="https://paulodelgado.com.br">Paulo Delgado</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><em>O Estado de S. Paulo – 12 de setembro de 2018.</em></p>
<p><strong>U</strong>m, como Calígula, quer outra vez fazer seu cavalo cônsul. Outro, pensava atear fogo em Roma, mas bateu de frente com um Nero mais ligeiro.</p>
<p>A República não encoraja a ninguém seu vício exagerado, nem permite impor ao eleitor visita guiada até a urna. Quem brinca com o humor do povo pode até dar peso à fumaça, mas a vida assumirá seu erro logo à frente. Assim, que ninguém confunda seus medos com nossos males.</p>
<p>Mande parar de dar cachaça de presente para ele. Não tenho mais onde pôr, nem acho que um diplomata esteja oferecendo ao presidente algo da sua adega. Madame, não é da natureza de nossa diplomacia ver incorreção na busca da felicidade na carreira. Eles se agitam nos círculos fúteis e nos úteis em busca de promoção. A maioria não sabe bem quem vem antes, se gregos ou romanos, são produto do esporte praticado pelo chanceler e a mania da profissão de cultivar amizades lucrativas. Mas entendo sua angústia, das coisas desagradáveis da vida um embaixador puxa-saco é pior que um jantar de homens embriagados.</p>
<p>No outro polo, fazendo noite sobre seus pecados, ele delira: vou me impor como raposa, fingir a determinação de um leão, mas Deus me livre de provocar a ira de um tolo e ser por ele esfaqueado como um cão.</p>
<p>Não é da política que eles gostam. É da vida descuidada, ardilosa e sem lei que encontram no meio dela. Qualquer coisa que se diga dessa campanha, aos dois correspondem mais da metade dos problemas.</p>
<p>O favorito é que não deveria ter nenhum amigo. Minha amiga poderosa riu, passou o cigarro que sempre filava – serrar, amigo, aqui se fala serrar, dizia-me, divertida. Liguei o desconfiômetro, foquei na futilidade das maquinações humanas em proveito próprio e percebi como é fácil ser amigo de alguém no auge do seu triunfo. O medo de criticar um vitorioso tirou de cena o princípio de que “a expressão que fere é a certa”. O País pisa em ovos. Todos recuam diante de um césar. Eles inverteram a lógica da política, insultam, quando deveriam estar ali para serem insultados. Os dois decidiram andar com a cabeça virada para trás. Vêm melhor os ressentidos e a sombria arrogância dos rostos apressados, assentados nas almofadas de seda da política. Podem até ter virtudes, mas nenhum dos dois tem fronteira.</p>
<p>E vi os modos primorosos se anteciparem, diplomatas, artistas, intelectuais e religiosos, bem antes do rico pidão e do povão oferecido. Os eleitores, ah, os eleitores, esqueça, são o truque de tudo, a sombra na prosperidade dos maus que incomodava o rei Davi.</p>
<p>Ela gostava quando eu dizia que a política é paixão doentia, violenta, que toma a forma humana para agir usando a bandeira dos anjos. Somos o povão, prometia que seria diferente. Exultava quando lhe dizia que os que apoiam por lascívia não devem ser considerados “eu mesmo”. Sentenciosa e ciumenta, usava a deixa e exigia que com essas ideias normais deveríamos voltar mais cedo para casa para dar espaço a outros. Tinha uma harmonia de temperamento com ela, trocávamos ideias sobre os países do mundo, mas ficava com o pé atrás com a turma da carona do avião presidencial, desenvolta como se estivesse numa companhia aérea particular. Ela não teve tempo de ver o outro igual na direita, o mesmo método, provocador, intimidando os inocentes.</p>
<p>Ridículo nacional é o Brasil não conseguir modular a forma como age em episódios corriqueiros de falta de cultura, impostos ao povo por gente sem grandeza. O que falta ao País não é ousadia, é sobriedade. Nem da cela ele passa o bastão, pois é mesmo o dono de tudo; mesmo na maca, ele aponta a arma para a barriga aberta como se fosse um bisturi.</p>
<p>Ridículo transnacional é a indolente diplomacia que não consegue dividir suas inquietações com critério e se torna presa fácil do pessoal do manifesto, propagadores de utopias de encomenda. Quantos assinam tudo para fugir ao esquecimento? Uns adoram se dizer da ONU, caçadores de curiosidades, cheios de fórmulas e crachás, peritos-parte. Consideram o mundo político da periferia esgoto dos vizinhos, enquanto colecionam nas suas casas figurinhas de gente falada. Parcos em olhares e sinceridade, escrevem resolução como bula que indica leite Ninho para criança da época de Josué de Castro.</p>
<p>Foi a amizade que virou sabedoria que fez do papagaio, que também fala línguas estranhas, embaixador além-mar. Se eles não defendem o Brasil como deviam, o general candidato se põe a falar sobre as presumíveis causas das inundações do Nilo. Mania antiga essa conversa estrangeira e uniformizada, de falar mal e ameaçar as instituições do Brasil.</p>
<p>A campanha avança, parem com tolice. Os moderados se aproximem, não se deixem atacar de flanco, pois o veneno que se instalou pela controvérsia entre o certo e o errado demorou um pouco a produzir seu efeito. Melhor sair do círculo das grandes minorias, parar de pedir autógrafo, pois se é uma tolice falar mal do País, são duas votar em seus propagadores.</p>
<p>Poucos percebem que a multidão de negócios que o poder propicia é glória de nada se não pode ser oferecido, limpo, a quem se ama. Porque no fundo ninguém se absolve em seu foro íntimo se souber que sua glória é condenável. Para quem não sabe o que é a solidão e nunca parou para pensar na brevidade da vida, a popularidade até parece felicidade. Nenhum prazer positivo o poder proporciona a quem tem o inexorável desejo de subir e sufocar os outros.</p>
<p>Ela se foi preocupada quando eu disse que ele, senhor de tudo, começava a apertar o botão contra si mesmo e já era juiz, promotor, réu e prisão de sua própria causa. Nunca mais a vi, nem disse a ela o que acontece com quem ama o engano: para quem nada encontra dentro de si, tudo é pretexto para que a excitação anormal esconda a prostração civil. Vulcão extinto, na cadeia ou no hospital, só se percebe assim quando a alma do poder que o motiva se revela indiferente à alma verdadeiramente humana.</p>
<p>O post <a href="https://paulodelgado.com.br/vulcao-extinto/">Vulcão extinto</a> apareceu primeiro em <a href="https://paulodelgado.com.br">Paulo Delgado</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>https://paulodelgado.com.br/vulcao-extinto/feed/</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
			</item>
		<item>
		<title>O homem da multidão</title>
		<link>https://paulodelgado.com.br/o-homem-da-multidao/</link>
					<comments>https://paulodelgado.com.br/o-homem-da-multidao/#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[Paulo Delgado]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 14 Nov 2018 09:06:02 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Artigos Estadão]]></category>
		<category><![CDATA[Recentes]]></category>
		<category><![CDATA[bolsonaro]]></category>
		<category><![CDATA[brasil]]></category>
		<category><![CDATA[brasil 2018]]></category>
		<category><![CDATA[Brazil]]></category>
		<category><![CDATA[Direita]]></category>
		<category><![CDATA[eleições 2018]]></category>
		<category><![CDATA[Elições 2018]]></category>
		<category><![CDATA[Esquerda]]></category>
		<category><![CDATA[governo 2019]]></category>
		<category><![CDATA[Populismo]]></category>
		<category><![CDATA[tecnologia]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://paulodelgado.com.br/?p=5157</guid>

					<description><![CDATA[<p>O Estado de S. Paulo &#8211; 14 de novembro de 2018. A esquerda observa as pessoas em cachos, como se quisesse formar pencas de gente igual.<span class="excerpt-hellip"> […]</span></p>
<p>O post <a href="https://paulodelgado.com.br/o-homem-da-multidao/">O homem da multidão</a> apareceu primeiro em <a href="https://paulodelgado.com.br">Paulo Delgado</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><em>O Estado de S. Paulo &#8211; 14 de novembro de 2018.</em></p>
<p><strong>A</strong> esquerda observa as pessoas em cachos, como se quisesse formar pencas de gente igual. Movimento, silêncio não despertam atenção, diferente do que observa o narrador de Edgar Allan Poe no conto <em>O Homem da Multidão</em>. O povo percebeu a manobra e tornou mais pobre ainda a experiência da política, em que o eleitor é mero objeto de consumo. Foi um sentimento de solidão que o levou a reagir e disparar sua opinião de costas para os partidos. Toda eleição tem um polo do poder e um polo da liberdade. Nesta o poder foi representado pela esquerda e a liberdade, pela direita. Foi assim que a decisão se deslocou para fora do alcance da política velha.</p>
<p>Com um só olhar, a eleição que terminou foi a rebelião do horizontal. Amontoado como mercadoria num armazém, o eleitor-freguês olhou a saída sem ligar para vendedores perpendiculares a ele, verticais, na linha contrária ao horizonte. A maioria não aceitava mais que lhes empurrassem suas verdades. Foi ele, o eleitor, que escolheu, desde o início, um candidato para levar. Um candidato-aplicativo, sem intermediário, em sintonia com os conteúdos objetivos, os desejos e os fantasmas do eleitor. A farda é um detalhe que está aí no inconsciente do País. Não importa se passou ou não pela sua cabeça o mito purificador tenentista; o capitão Prestes, que dirigiu com mão de ferro o mais importante partido de esquerda da história do País; a sina que é constatar que ao cansaço do populismo de Getúlio se seguiu um marechal; de Jânio-Jango, oito generais; e de Lula-Dilma, um capitão e um general.</p>
<p>Uma eleição de eleitor incomodado, árbitro de si mesmo, sem dono, usando plataforma própria. Embebida em truques, delitos e destino, bloqueou donos de poder. Por exemplo: o prognóstico da decadência feito de forma confortavelmente entorpecida pelo velho roqueiro; a manipulação do fascismo pela universidade que só o sente à direita, na ruína da linguagem pública, e o esconde à esquerda, dando outro nome ao Estado-sindical-corporativo. O envolvimento emocional-depressivo-opressivo do Supremo com Lula, deixando entrever ao País que os dois podem tudo. A tardia indignação com a grosseria vocabular do deputado que falou o que quis na cara de oito presidentes da Câmara do período petista.</p>
<div class="limite-continuar-lendo"></div>
<p>A profanação da soberania do eleitor recebeu um freio da multidão. E mostrou que a polarização é um crack viciante que o PT usa para entorpecer o País. Bastaram nuances de autonomia individual para que a obsessão pela ideologia, que o servia, o derrubasse: “Se toda direita é fascista, toda esquerda é comunista. Que 2018 seja o cemitério do mundo binário para poder salvar as pessoas que se transformaram no que elas combatem. Quem não rasgar o manual da má compreensão dos fatos vai casar Marine Le Pen com Roger Waters em missa cantada por Bono Vox. Largue o alucinógeno da certeza e ouça bater, sem preconceito e clichês, o coração apertado de Cid Gomes, Regina Duarte e Mano Brown. Busque outra explanação, fuja da ignorância racional, até para xingar é preciso ser inteligente. Afinal, votar nem sempre é para escolher o melhor, às vezes é para impedir que o ruim queira ficar.</p>
<p>Podemos até estar diante de outro sósia da improvisação nacional. Ênfases e repetições: sai a CUT, entra Agulhas Negras. Sai a vida para a luta, entra a luta pela vida. Que não saia a sociedade civil e volte a inteligência racional. Toda eleição tem uma atmosfera, um costume. Essa consagrou um programa mais de rejeição do que de escolha. E não foi um programa de poucos. A agitação desarranjada das massas revelou-se lógica e determinada.</p>
<p>Meio antipolítica, a campanha vitoriosa foi tomada por apelos morais, que dialogaram melhor com a subjetividade do eleitor. <em>Primeiro</em>, porque as redes sociais foram escolhidas no século 21 para comunicar os segredos mais íntimos e as surpreendentes confidências das pessoas comuns. É o divã do povão. <em>Segundo</em>, porque as regulações que não têm como ser feitas é melhor que não existam. Travar a internet é bloquear a inteligência atrevida, o inesperado, o sarcasmo.</p>
<p>Uma campanha feita por celular, com votos adquiridos num click, decifrou um dos códigos que emperram o Brasil: o atraso tecnológico que é a gestão analógica das coisas em governos sem inteligência digital. Como a vitória foi feita pelo celular, podemos quebrar um tabu. Está inaugurada a democracia digital e o vislumbre de um futuro interessante e mais barato: inovação no Executivo e a desnecessidade do Parlamento de tempo integral, sem mandato presencial, salvo para votar emenda constitucional.</p>
<p>Sabemos que uma coisa é eleger, outra é governar. E o jogo começou. Primeiramente, não há erro no convite a Sergio Moro, o ministro da Justiça dos sonhos do PT original. Segundo, não é o ministro da Economia que aparece no horizonte das necessidades subjetivas, mas sim um grande porta-voz. O novo presidente precisará aceitar pesos domésticos para evitar previsíveis contrapesos externos. E no exterior, diferente do Brasil, acredita-se naquilo que a pessoa fala. Gringo leva as coisas ao pé da letra. E há temas sensíveis: ONU; a força espiritual de Jerusalém para o monoteísmo; nem divórcio da China nem casamento monogâmico com os EUA, dois amores inevitáveis. Ter na ponta da língua uma solução diplomática-humanitária para a Venezuela, um mandato internacional via OEA.</p>
<p>O ministro porta-voz deve ajudar o presidente a se livrar do rótulo de extrema direita. Nenhuma extrema tem prestígio. Como é religioso, sugiro que faça como Moisés, que, com dificuldades de comunicação, pediu a Deus alguém para falar por ele. Assim foi feito, Moisés fala com Deus e Aarão, seu irmão, com o povo e os faraós. Quem sabe, poderá até ser feita a prometida “travessia do Mar Vermelho”. Pois bem falado e compreendido, que Jair nem apague cores do arco-íris nem nos leve deserto adentro.</p>
<p>O post <a href="https://paulodelgado.com.br/o-homem-da-multidao/">O homem da multidão</a> apareceu primeiro em <a href="https://paulodelgado.com.br">Paulo Delgado</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>https://paulodelgado.com.br/o-homem-da-multidao/feed/</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
			</item>
		<item>
		<title>O protocolo</title>
		<link>https://paulodelgado.com.br/o-protocolo/</link>
					<comments>https://paulodelgado.com.br/o-protocolo/#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[Paulo Delgado]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 10 Jan 2019 23:36:46 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Artigos Estadão]]></category>
		<category><![CDATA[Recentes]]></category>
		<category><![CDATA[bolsonaro]]></category>
		<category><![CDATA[brasil]]></category>
		<category><![CDATA[governo 2019]]></category>
		<category><![CDATA[reformas]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://paulodelgado.com.br/?p=5178</guid>

					<description><![CDATA[<p>O Estado de S. Paulo, 09 de Janeiro de 2019. Desprovida de acontecimentos interessantes, a cerimônia de posse é uma rotina. Até que uma expressão forte,<span class="excerpt-hellip"> […]</span></p>
<p>O post <a href="https://paulodelgado.com.br/o-protocolo/">O protocolo</a> apareceu primeiro em <a href="https://paulodelgado.com.br">Paulo Delgado</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><em>O Estado de S. Paulo, 09 de Janeiro de 2019.</em></p>
<p><strong>D</strong>esprovida de acontecimentos interessantes, a cerimônia de posse é uma rotina. Até que uma expressão forte, direta e popular rouba a cena. O discurso da primeira-dama Michelle Bolsonaro é precursor de uma soberania específica, positividade que deve ser vista pelo que foi efetivamente visto, dito e ouvido. Não há muito espaço para o não aceitar, resistir a admirá-lo. Sua aparição, inesperada, com sua intérprete para a língua do discurso, foi a coisa mais emocionante que se viu numa posse presidencial. Seu ato, espiritualmente suficiente, demonstra que nem toda a realidade passa pela política e dispensa a boa-fé de dizer que a visibilidade do poder vai facilitar resolver a dor dos surdos de que está imbuída. Contém uma ruptura com nossa época de emoções estudadas, configurações, abrindo fronteiras espaciais novas, fora do mundo do protocolo, o esforço institucional previsível que costuma montar a armadilha que freia a novidade nos lugares de comando e controle, que são a base do poder. As primeiras-damas impedem que o poder se manifeste em estado puro e possuem segredos, investimentos de desejos, que estão além dos interesses de influência e mando. Embora não sejam propriamente as titulares do poder, podem modelá-lo ou revelar seu inconsciente.</p>
<div class="n--noticia__content content">
<p>Observar o fato microfisicamente permite tranquilizar o sistema político derrotado quanto à continuidade-descontinuidade das estruturas simbólicas mais importantes de uma nação, que é ver o poder se dirigir, preferencialmente, “aos que se sentem esquecidos”. Nem todo discurso fora da ordem significa que surgiu outro saber que invalide o passado. Mas abre caminho para a observação do que pode constituir a natureza estratégica do novo governo. “Onde há poder, ele se exerce.”</p>
<p>Bem, passando para outro discurso claro, compreensível e positivamente propagandista, de Paulo Guedes, vê-se que não há segredo diante do interesse e é possível observá-lo materialmente. Sua equipe é inteligente, experiente e conhece o funcionamento do Estado. É evidente que ali o poder se exerce na direção de desatolar a locomotiva brasileira e – não somente – para investidores e grupos econômicos embarcarem em boa e segura velocidade. Quanto mais difuso for o interesse de melhorar, mais sucesso governamental, em especial se alguém pensar que a economia deve crescer principalmente para aqueles que não têm muito interesse no governo. Deve ajudar quem está disposto a penetrar na vida quotidiana e observar que nem 8% da população ganha mais de R$ 5 mil, nem 5% compram livros, ou que os jovens são os que mais sofrem com o desemprego. O discurso foi duro, mas também tranquilizador quando deixa claro por que as transformações requeridas não precisam incluir nenhum dispositivo político espetacularmente novo. É o que saiu da eleição que está sendo convocado. Contém um alerta de como evitar que o poder queira ser humanista sem ter nenhuma base na realidade dos necessitados. E vai ao ponto, como arqueiro preciso e frio: os que fazem e julgam a lei, até aqui, agiram em seu próprio benefício, indiferentes à vida de mais de 200 milhões de brasileiros.</p>
<p>A teoria geral que está por trás do nosso problema econômico, com sua confusão entre cidadão e consumidor, direito adquirido e privilégio, é o fato de não conter nenhuma transformação relevante que seja constante, estável, nos últimos 60 anos. Pontualmente, nada se tornou universal, autossustentável. Entre nós a economia é uma prática precária, dispersa, subordinada aos governos de cada período presidencial. O que parece proposto é um novo exercício do poder, com um pouco mais de ênfase na autonomia e na liberdade de iniciativa. O tipo específico de poder que se quer configurar – liberal, conservador, de direita, etc. – precisa articular-se de maneiras variadas com o que está disponível entre altos e influentes servidores públicos, com destaque para o Congresso e o Judiciário, as duas maiores extremidades do privilégio previdenciário e salarial brasileiro.</p>
<p>Se o objetivo é fugir de um tipo específico de poder, é preciso, de fato, transformar o sistema estatal de esperança, mudar a mecânica do poder na sua relação com a sociedade, abrindo mão de técnicas de dominação estatais. E ter mais cuidado com o alcance da representação democrática. O fato, por exemplo, de o povo desejar ordem e progresso, o que é verdade, não se confunde automaticamente com os que estão dispostos a realizar tal interesse sem levar em conta a sutileza que existe nos limites do poder de representar. É preciso cuidado ao falar pelos outros. Outra dúvida, também, é querer combinar as boas ideias liberais com qualquer tipo de revide, desforra ou ajuste de contas. O Estado é formado por jurisdições seculares e a eleição produz um confronto natural de revezamentos, sem necessidade de muita eloquência adicional após a vitória. Assim, não há necessidade de querer reconfigurar culturalmente o Brasil ou confundir, em política externa, simpatia com subordinação.</p>
<p>O governo precisa ficar atento para o fato de que nem todas as mudanças que estão acontecendo na sociedade são provocadas pela política ou pelo minucioso e detalhado papel do Estado na vida das pessoas. Existe hoje outra rede de poderes, mais eficiente, presente e preparada do que o Estado, controlando e determinando valores, os comportamentos e a vida de todos, como uma inundação incontrolável. O papel do Estado é ajustar o calibre, sem tutelar. Muitos problemas brasileiros têm existência própria, são gerados em instituições específicas ou prosperam nos escalões mais altos, médios e baixos do centro e da periferia. Todo governo que pretenda dirigir ou influenciar a conduta de crianças, jovens, adultos e velhos será um governo hermético fadado ao fracasso. Pois se frustrará ao perceber que as ilusões da esquerda, com o Estado Educador Coletivo, são da mesma natureza autoritária da crença da direita no Estado Pastoral Conservador.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>*****</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><strong>Leia também no site do</strong> <a href="https://opiniao.estadao.com.br/noticias/espaco-aberto,o-protocolo,70002672203">Estadão</a>.</p>
</div>
<p>O post <a href="https://paulodelgado.com.br/o-protocolo/">O protocolo</a> apareceu primeiro em <a href="https://paulodelgado.com.br">Paulo Delgado</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>https://paulodelgado.com.br/o-protocolo/feed/</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Escudos e alvos</title>
		<link>https://paulodelgado.com.br/escudos-e-alvos-2/</link>
					<comments>https://paulodelgado.com.br/escudos-e-alvos-2/#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[Paulo Delgado]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 13 Mar 2019 18:15:24 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Artigos Estadão]]></category>
		<category><![CDATA[Recentes]]></category>
		<category><![CDATA[bolsonaro]]></category>
		<category><![CDATA[brasil]]></category>
		<category><![CDATA[governo]]></category>
		<category><![CDATA[paulo delgado]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://paulodelgado.com.br/?p=5219</guid>

					<description><![CDATA[<p>O Estado de S. Paulo, 13 de Março de 2019. De certa forma o povo aceita que o político fale por ele. Assim o presidente avança<span class="excerpt-hellip"> […]</span></p>
<p>O post <a href="https://paulodelgado.com.br/escudos-e-alvos-2/">Escudos e alvos</a> apareceu primeiro em <a href="https://paulodelgado.com.br">Paulo Delgado</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p><em>O Estado de S. Paulo, 13 de Março de 2019.</em></p>



<p>De certa forma o povo aceita que o político fale por ele. Assim o presidente avança do seu jeito, sem modelo definido ou acontecimento que aponte para dizer o que será seu governo. Bolsonaro segue a tradição de usar a linguagem para provocar controvérsia supondo aumentar o capital político. Mas sem método é impossível imaginar o que virá. </p>



<p>Também é impossível aquilatar se enfrentará ou recuará das correntes de força que provoca e se saberá lidar com os furacões que atrai, disposto a correr grandes riscos para si mesmo e para o País. </p>



<p>Guiado apenas por sua experiência pessoal no Legislativo, o presidente precisa de equipe. Sem sentimentos partidários, preferindo ideologia supremacista a diálogo, pode se meter em areia movediça. Seu amor próprio vem da lealdade que recebe de um comando militar que domina seu entorno e aposta no desenvolvimento organizacional da Presidência: vice, Gabinete de Segurança Institucional, Secretaria-Geral, porta-voz, Secretaria de Governo. Acaba usando-os como abrigo antiaéreo para se proteger dos estilhaços que o atingem, por culpa sua. Mas militares sabem que escudos viram alvos e, como diz Churchill, ninguém segura crise de “governo que continua firme na deriva, sólido na fluidez, onipotente na impotência”. </p>



<p>“Pobre o soldado sem os versos do poeta.” Os ministros militares parecem querer livrar o governo do amontoamento de ideias, se quiser falar de disciplina. São especialistas em espaços, observam bem ruídos, localizações e deslocamentos e conhecem o fato de que mesmo fortalezas precisam de passagens, pontos de fuga e ventilação. Talvez não queiram um governo de proibições. </p>



<p>Há uma realidade que precisa ser mudada, porque o Brasil sempre se coloca os mesmos problemas. Não há uma equação clara do que virá. A realidade avança. O ímpeto para mostrar bandeira exige que se cuide mais do foco e da imagem. </p>



<p>O otimismo com a agenda liberal é alto na sociedade. Já a agenda moralista é uma incógnita e um risco explosivo para quem precisa de popularidade para mudar a estrutura econômica. O presidente pressente que a identidade coletiva do povo é feita de costas para os políticos – adversários, é claro – e reforça o preconceito antipolítica como se pudesse comer o bolo e ter o bolo. </p>



<p>De modo geral sempre estamos dois passos atrás da democracia. O Brasil parou de crescer quando aumentou a fatia do Estado no PIB e diminuiu a presença do setor privado. A maior oferta do poder ainda é o favor e a amizade, agravada pelo fato de o lobby não ser regulamentado. E a última declaração do presidente parece dizer que não concorda que na hierarquia da democracia o poder da sociedade se sobreponha ao do Estado. É uma grande contradição com a filosofia liberal e um obstáculo ao surgimento de um circuito de lucro e riqueza mais vantajoso do que a corrupção. Se nossa sociabilidade continuar baseada em rede de tutelas, acomodações, só restará ao governo continuar testando seus limites no Twitter. Até a última jactância desagradável do carnaval, quando, de forma nua e crua, o presidente levou à indecência sua opinião, deve ser vista como improvisação na posição mais alta. Isso ainda é possível porque a formação da opinião pública hoje é móvel, põe o cidadão sob constante escrutínio e o armazena num arquivo customizado aprisionando sua imagem de “seguidor”. Para vazá-lo como estatística por algum mecanismo de busca. O cidadão da internet tornou-se um mendigo faminto de bobagens. </p>



<p>Estamos vivendo o colapso do contexto e ameaçando as reformas. Formar maioria conservadora na sociedade para usar como pressão cultural-moral sobre a política não ajuda em nada a destravar o debate econômico no Parlamento. Para obter disciplina partidária e lidar com vigor para mudar os fundamentos de um país atacado por 800 normas tributárias por dia útil, que está empobrecendo e há 30 anos cresce abaixo da média mundial, é preciso concentrar energia e tomar atitudes que correspondam aos fatos. </p>



<p>Não é costume desafiar o líder no auge do seu triunfo. Essa é a teoria da trégua dos cem dias. Um alarme: a avaliação positiva do presidente é quase 20% melhor do que a avaliação do seu governo. Sinal de que o “novo País” não é uma construção fácil. </p>



<p>O poder de seu Ministério será mais bem percebido quanto mais claras forem as prioridades de cada pasta. Até agora parece um governo de jurisdições. Áreas autônomas e bem homogêneas, enclaves confusos. No Parlamento, embora tenha sofrido enorme renovação nas últimas eleições, podemos dizer que o novo predomina, mas temos de reconhecer que é o velho que ainda domina. Novo não pode ser sinônimo de amador. </p>



<p>No governo Bolsonaro destacam-se cinco diferentes grupos ideológicos e corporativos ativos: os liberais da economia e seus sonhos; os antiglobalização da política externa e seus pesadelos; os militares ativos em vários ministérios e seu pé no chão; os caçadores de infiéis das diversas vocações; os entusiastas de uma Justiça lava-jato e seus alvos conhecidos. Tão dividido na largada, ainda não é um modelo de governabilidade, agravado pela falta de um consistente sexto grupo, o parlamentar, sua trincheira mais desorganizada. </p>



<p>E é ali, no Congresso, que pode acontecer o pior para o governo, que é ver a água se acumular atrás do dique dos insatisfeitos. Há códigos de relacionamento governo-Parlamento que são históricos. E deputado sem poder, aliado de governador quebrado, é confusão contratada. </p>



<p>Se o governo pretende paz no Parlamento, peça conselho a todos, mas nem sempre os siga. Governar com os livres é melhor. Todo governo novo pode muito, mas o que o distingue é a inventividade dos recursos que ele põe a serviço das mudanças. </p>



<p><strong><em>Leia também em: <a href="https://opiniao.estadao.com.br/noticias/espaco-aberto,escudos-e-alvos,70002752980">https://opiniao.estadao.com.br/noticias/espaco-aberto,escudos-e-alvos,70002752980</a></em></strong></p>
<p>O post <a href="https://paulodelgado.com.br/escudos-e-alvos-2/">Escudos e alvos</a> apareceu primeiro em <a href="https://paulodelgado.com.br">Paulo Delgado</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>https://paulodelgado.com.br/escudos-e-alvos-2/feed/</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
			</item>
		<item>
		<title>O que fazer nos EUA</title>
		<link>https://paulodelgado.com.br/o-que-fazer-nos-eua/</link>
					<comments>https://paulodelgado.com.br/o-que-fazer-nos-eua/#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[Paulo Delgado]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 17 Mar 2019 03:00:45 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Artigos Correio Braziliense e Estado de Minas]]></category>
		<category><![CDATA[Recentes]]></category>
		<category><![CDATA[bolsonaro]]></category>
		<category><![CDATA[Brasil-EUA]]></category>
		<category><![CDATA[Embraer]]></category>
		<category><![CDATA[OECD]]></category>
		<category><![CDATA[OMC]]></category>
		<category><![CDATA[OTAN]]></category>
		<category><![CDATA[trump]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://paulodelgado.com.br/?p=5228</guid>

					<description><![CDATA[<p>O presidente do Brasil está a caminho de Washington a bordo de um avião da Airbus, empresa europeia que celebrou uma vantajosa aliança com a canadense<span class="excerpt-hellip"> […]</span></p>
<p>O post <a href="https://paulodelgado.com.br/o-que-fazer-nos-eua/">O que fazer nos EUA</a> apareceu primeiro em <a href="https://paulodelgado.com.br">Paulo Delgado</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>O presidente do Brasil está a caminho de Washington a bordo de um avião da Airbus, empresa europeia que celebrou uma vantajosa aliança com a canadense Bombardier. Já a brasileira Embraer se aliou com a Boeing, mesmo controlando a maior fatia do mercado de jatos regionais do mundo, com 28%, contra apenas 12% de presença da americana, de forma pífia. A “parceria” ficou em 80% para Boeing, e 20%, para Embraer.</p>



<p>O acordo, da forma como foi feito, deixou o presidente Bolsonaro com a pulga atrás da orelha. Não contempla o interesse nacional. As proporções estão equivocadas, sem nenhuma feição de aliança estratégica. As garantias, muito frágeis, e não há plano consistente e explícito de longo prazo. Em suma, negócio de curto prazo, de má economia, sufocou o interesse histórico que o Brasil mantém no setor da aviação e no desenvolvimento constante de tecnologia de ponta. Bolsonaro e Trump podem pessoalmente melhorar isso a partir de terça feira.</p>



<p>É justo um upgrade no acordo Embraer-Boeing. Precisa ser uma aliança real, continental, tanto no papel, quanto na realidade visível. Em comparação, a alquebrada Bombardier manteve 50% das ações em seu acordo com a gigante europeia Airbus. O controle da Airbus ficou explicitado por uma diferença de apenas 0,1%. Isso é parceria, sem submissão.</p>



<p>A indústria aeronáutica é uma das mais avançadas que o Brasil possui. É fundamental assegurar o aumento da participação brasileira nesse novo desenho de aliança com os EUA, de olho no que se passa no mundo. Por isso, é preciso ter clareza sobre as disputas em que os EUA estão envolvidos e saber defender, da maneira eficaz, o interesse nacional brasileiro.</p>



<p>Os EUA acabam de pedir à China que dê um tempo no desenvolvimento de novas tecnologias. Há um diagnóstico, com alto potencial conflitivo, sobre a possibilidade de que o mundo se divida em dois diferentes padrões tecnológicos. Grosso modo, um lado com tecnologias de base americana, e outro lado com tecnologias de base chinesa. Washington corre para deter os asiáticos, pois teme ter que agir, militarmente, para impedir tal cisão. Para que não tenha que hastear bandeira e ir às vias de fato, inicialmente tenta o explícito processo de contenção já em operação. Trump busca obter uma moratória tecnológica de Pequim.</p>



<p>Algo que transcorria atrás de portas fechadas veio à luz, tanto por conta do estilo Trump, quanto pelo fato de ser difícil boicotar um país tão fechado e protegido quanto a China. A China também deu a dica quando, mordida pelo bicho da bravata, resolveu dizer a todos, em 2015, que estava articulando um plano para que em 10 anos o país chegasse à ponta da inovação tecnológica mundial. Momento em que, então, poderia dispensar as compras de equipamentos americanos. “Fabricado na China 2025” chama-se o plano que Washington quer ver Pequim postergar, ou abandonar em parte.</p>



<p>Trump quer dar um jeito de manter a distância relativa de poder entre Washington e Pequim estável por mais um tempo. Até, pelo menos, a Casa Branca ter uma noção mais clara de como agir num mundo em que não é mais a gestora da maior economia do planeta. Para isso, quer frear o crescimento chinês exigindo deles que se abstenham de algumas áreas específicas. Esse é o cabo de guerra com a Huawei. </p>



<p>Tecnologia pura, a droga do progresso real. Muito mais importante do que tarifas comerciais e outras bobagens secundárias que levam países inviáveis a se digladiarem.&nbsp; Os EUA querem impor barreiras não tarifárias para a tecnologia chinesa. Nem que seja com a ameaça de uma solução fora dos canais civilizados.</p>



<p>O calor do confronto se dá por causa de uma dúvida cada vez mais real: qual será o padrão tecnológico do mundo virtual e bioquimicamente transformador? Os EUA querem isso para si. Um pouco por instinto e cobiça, também por responsabilidade e culpa. Estamos no espólio final do que foi seu triunfo no século 20. Acham que merecem, por direito, tempo maior para aceitar uma transição tecnológica cujos termos desejam ditar do princípio ao fim. Se Bolsonaro não negociar com Trump a participação brasileira em um desses polos do futuro tecnológico do mundo, a viagem pode se desviar para a Disney.</p>



<p>Um ponto claro é selar um acordo para a fabricação de aviões maiores e de mais longo alcance pela Embraer, para que o presidente brasileiro possa vender o Airbus e, nos 200 anos de nossa independência, voar em um EB 7.09.2022 da Embraer-Boeing. Um avião de fuselagem estreita (narrowbody), de mais longo alcance, fabricado pela inteligência dos brasileiros. Política é convencimento e aliança, boa para ambos os lados. Para Trump e a Boeing, não seria problema. Para o Brasil, uma nova dimensão mundial. </p>



<p> </p>
<p>O post <a href="https://paulodelgado.com.br/o-que-fazer-nos-eua/">O que fazer nos EUA</a> apareceu primeiro em <a href="https://paulodelgado.com.br">Paulo Delgado</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>https://paulodelgado.com.br/o-que-fazer-nos-eua/feed/</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
			</item>
		<item>
		<title>O BRASIL NA OTAN</title>
		<link>https://paulodelgado.com.br/o-brasil-na-otan/</link>
					<comments>https://paulodelgado.com.br/o-brasil-na-otan/#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[Paulo Delgado]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 01 Apr 2019 01:55:17 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Artigos Correio Braziliense e Estado de Minas]]></category>
		<category><![CDATA[Recentes]]></category>
		<category><![CDATA[bolsonaro]]></category>
		<category><![CDATA[brasil]]></category>
		<category><![CDATA[EUA]]></category>
		<category><![CDATA[OTAN]]></category>
		<category><![CDATA[trump]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://paulodelgado.com.br/?p=5236</guid>

					<description><![CDATA[<p>Todas as vezes que as coisas apertam na economia aparece alguém “revolucionário” para dizer que é preciso domar o mercado e o capitalismo e colocá-los a<span class="excerpt-hellip"> […]</span></p>
<p>O post <a href="https://paulodelgado.com.br/o-brasil-na-otan/">O BRASIL NA OTAN</a> apareceu primeiro em <a href="https://paulodelgado.com.br">Paulo Delgado</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>Todas as vezes que as coisas apertam na economia aparece alguém “revolucionário” para dizer que é preciso domar o mercado e o capitalismo e colocá-los a serviço da prosperidade e da justiça social. Ninguém tem a coragem de dizer que falhar e vencer é a maior lição da vida. Já na área de defesa, o ideal nunca vem embrulhado na pasmaceira do sonho.</p>



<p><br>Em 1949, quando foi criada, a Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte) contava com 12 países. Um novo país pode entrar na organização, via governo dos EUA, caso conte com a concordância unânime dos demais membros e, segundo o artigo 10 do tratado, seja europeu. De lá para cá, 17 países se somaram ao grupo. Montenegro, pequeno país à beira do Mar Adriático, de frente para o sul da Itália, foi a última nação acolhida. Até que em Washington, durante conferência de imprensa no Rose Garden da Casa Branca, Bolsonaro ouviu a confirmação pública de que Trump tem a “intenção de designar o Brasil como “aliado importante fora da Otan”, ou mesmo possivelmente “um aliado da Otan”.<br>Ser um “aliado importante fora da Otan” não quer dizer muita coisa. Para o lado brasileiro, só por deixar os EUA usarem a Base de Alcântara e ter a Embraer em joint-venture com a Boeing na área de defesa já pagam a fatura. Todas os demais itens que se tornam disponíveis com tal tratamento são muito mais interessantes para os Estados Unidos. Como o Brasil, de fato, nunca antagonizou os EUA, a história de aliado extra-Otan na região já foi usada como migalha lançada à Argentina pelo governo Clinton, em 1998, para ver se espezinhava o Brasil.</p>



<p>Nunca nos espezinhou, e o convite ao vizinho nunca pôs nada substancial na mesa argentina. Celebrar a aliança entre Brasil e EUA com isso é como comemorar quinta colocação em campeonato mundial. Ajuda os EUA, donos da bola e do campeonato, sem dúvida. Afinal, ter o Brasil nesse grupo, ao lado de Paquistão, Afeganistão, Tunísia e Egito, legitima os EUA na imagem que passa para a comunidade internacional e nas suas barganhas militares mundo afora.<br>Para o Brasil, por outro lado, é basicamente aceitar ser equiparado a Paquistão, Afeganistão, Tunísia e Egito. Grandes países com grandes histórias, mas, no contexto atual do mundo, não, obrigado. Nem os EUA deveriam querer isso e sabem por quê. Se for só por conta de uma guerra com a Venezuela, que a administração Trump está doida para começar, não se assentam em bases sólidas. O horizonte de uma nação é muito mais longo e tal imediatismo não faz jus a tudo que gerações e mais gerações de brasileiros construíram para colocar o Brasil em pé, altivo e livre, contribuindo para um mundo melhor, inúmeras vezes ao lado dos EUA.</p>



<p><br>Trump faz um convite confuso, sem modelo claro, ao maior país da região. Convite que já foi feito à Colômbia. O que foi, a propósito, um acordo esdrúxulo também feito, em parte, para espezinhar o Brasil, mas que atingiu um pouco mais tal efeito. Desde 2013, vieram as conversações da Otan com a Colômbia e o Brasil, à época, não soube encaminhar corretamente seu interesse e da região — nem com a Otan, em geral, nem com os EUA, em específico. O Brasil foi empurrado à revelia, e a Colômbia entrou como aliada do grupo ano passado. Por que o Brasil não propõe que os EUA articulem nossa entrada como “parceiro global” da Otan com mais celeridade, qualidade e efetividade do que foi empregado para com a Colômbia? Simplesmente porque o Brasil sempre foi parceiro dos países da Otan, inclusive nas duas guerras mundiais, como nenhum outro país latino-americano.</p>



<p><br>Participar da Otan, para efeitos de compartilhamento de tecnologia e de reflexão sobre ações necessárias para garantir a estabilidade global, são suficientes para reconhecimento de sua relevância estratégica. De modo geral, há uma sobreposição entre ser denominado aliado extra-Otan dos EUA e ser também parceiro global da Otan. Tal é o caso explícito dos países com os quais os EUA não partilham apenas guerras, mas também a prosperidade e o futuro. Nos serve mais ser tratado como Austrália, Japão e Coreia do Sul.<br>Acima dessa categoria, há o caso de Israel. Em 2014, o Congresso americano tornou lei a parceria estratégica entre EUA e Israel. Tal é um caso único e amplo o suficiente para receber adequadamente o título de parceria estratégica. Como o Brasil não conta, nem de longe, com um lobby em Washington forte como o de Israel, tal ideia poderia se perder na burocracia. Entretanto, ali está bem esquadrinhado um tipo de acordo que pode orientar o que é uma verdadeira parceria estratégica. Caso contrário, o Brasil poderá resolver o problema americano sem mirar o interesse do próprio Brasil. Um contrassenso que nem mesmo a liderança americana compreenderia.</p>
<p>O post <a href="https://paulodelgado.com.br/o-brasil-na-otan/">O BRASIL NA OTAN</a> apareceu primeiro em <a href="https://paulodelgado.com.br">Paulo Delgado</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>https://paulodelgado.com.br/o-brasil-na-otan/feed/</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Fãs e amigos da onça</title>
		<link>https://paulodelgado.com.br/fas-e-amigos-da-onca/</link>
					<comments>https://paulodelgado.com.br/fas-e-amigos-da-onca/#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[Paulo Delgado]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 10 Apr 2019 05:25:43 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Artigos Estadão]]></category>
		<category><![CDATA[Recentes]]></category>
		<category><![CDATA[bolsonaro]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://paulodelgado.com.br/?p=5239</guid>

					<description><![CDATA[<p>Ainda não estamos na fase da traição e do abuso da confiança que marca nosso presidencialismo. Mas já vemos atrasos e danos. Para analisar de forma<span class="excerpt-hellip"> […]</span></p>
<p>O post <a href="https://paulodelgado.com.br/fas-e-amigos-da-onca/">Fãs e amigos da onça</a> apareceu primeiro em <a href="https://paulodelgado.com.br">Paulo Delgado</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p><strong>A</strong>inda não estamos na fase da traição e do abuso da confiança que marca nosso presidencialismo. Mas já vemos atrasos e danos. Para analisar de forma desengajada é preciso se convencer de que adesão ou oposição automática são burrices da vida política. É a comodidade da ideologia que leva o governo à impertinência de preferir a dificuldade de governar para uns à felicidade que é poder governar para todos. </p>



<p>“Jogue fora a luz, a definição. Diga lá o que você vê na escuridão.” A surpreendente falta de energia da economia, mesmo com inflação controlada, com crônico baixo crescimento, pouca capacidade de atrair investimento e de diminuir a desconfiança de quem dá emprego, não permite à família planejar o seu futuro e pode identificar uma estagnação estrutural ou ausência de foco na compreensão da nação que realmente somos. Mãos à obra, é impossível dirigir o Estado na forma como ele foi desenhado. </p>



<p>Embora o processo político nunca cumpra uma trajetória linear, a análise dos cem dias de governo não deve ser uma anamnese, essa mania de ouvir eleitor sobre dores que não sente, como quem faz exame médico só porque tem plano de saúde. A endoscopia invasiva da pesquisa produz um resultado muito parecido com as próprias perguntas. O momento não é de guerra fria, é de guerra quente e visível. Especialmente em razão do baixo equilíbrio institucional alcançado até aqui e da permanência dos traços de personalidade eleitoral do presidente. </p>



<p>Parece claro o seu desinteresse em convergir para uma posição de centro, relacionar-se melhor com a cúpula dos Poderes, diminuir o noticiário negativo e, assim, melhor acomodar as forças parlamentares e partidárias, que continuam desorganizadamente em ação. Como não conseguiu ver andar nenhum dos seus projetos e medidas provisórias enviados ao Congresso, é compreensível que use microblogs como tábua de salvação, desvinculados de qualquer estratégia coletiva de governo. O consolo é que a fase atual é de desapontamento, não de frustração. </p>



<p>O governo tem uma confusa matriz decisória, com a dupla Guedes-Moro, seus principais animadores políticos. O presidente tem uma mentalidade defensiva, reforçada pela linguagem agressiva e politicamente debilitante. Não temos na sua figura um liberal à la Thatcher que possa deter, pela autoridade e pela convicção, o custo da sabotagem política à abertura econômica. O que se vê na Bolsa, no dólar, nos indicadores de confiança e na paralisia econômica são consequências do caótico e desencontrado centro de decisão, com diferentes atores tentando se afirmar sobre um pano de fundo, interno e externo, em que alguns alinhados se comportam como porca que come sua ninhada. </p>



<p>Pelo que tenho visto, está mantida a tradição brasileira da paz violenta em todos os setores, marcada pela predominância da rixa política sobre a busca do desenvolvimento econômico. Brigar ajuda a ocultar os reveses de governo insincero no desejo de mudança. Para os militares, seus movimentos imprudentes na política externa podem estar deixando claro que ele tem uma perspectiva ingênua da instrumentalidade das Forças Armadas, tanto como capacidade permanente de dissuasão infalível, na sociedade civil, quanto como potencial ilimitado de condução de poder, na sociedade global. </p>



<p>A comunicação direta com seu público alimenta um mandato de fãs. Melhor seria apostar na influência da persuasão na sociedade organizada e no establishment econômico, pois, agenda liberal em economia burocratizada, sem os princípios da ordem espontânea, não funciona. Outro ponto dispersivo é a ilusão belicosa de afirmar identidade própria usando o contrapensamento. Não é de pregadores morais que o Brasil sente falta, é de líderes. Um MEC ácido e um Itamaraty impalatável são leões sem dentes, apenas passatempos nacionais. </p>



<p>A lógica do conflito sempre serviu a governos que querem atribuir a outros a responsabilidade por seus problemas. No caso atual está estimulando o surgimento de ativos esconderijos parlamentaristas. Não vejo vantagem em tirar do Congresso o seu maior orgulho, que sempre foi o de apoiar o governo. </p>



<p>Os parlamentares lutam para construir uma identidade, mas o destaque é para o celular, o ogro do político atual. O Congresso quer dosar oxigenação online com amadorismo presencial e Paulo Guedes foi a primeira grande vítima desse charlatanismo. Uma base desprestigiada ouve calada desaforos ensaiados por 20 anos. Há muita coisa velha fantasiada de nova. Todavia podemos dizer que, se nada está em rota de aprovação, nada, também, sofreu nenhum abalo fatal. O maior problema é o presidente continuar ambíguo em relação à defesa da modernização previdenciária tornando fracas as chances de a reforma ter a amplitude imaginada pela equipe econômica. </p>



<p>Nessa mistura de tensões e perspectivas sobressaem mais inércia e jogos ocultos do que crise política. Como o presidente foi eleito para dificultar a vida dos políticos tradicionais, parece que decidiu que o custo político da agenda das reformas deve ser assumido por cada poder separadamente. Melhor se dar conta de que, se o governo se movimenta de flanco, resta ao Congresso o rompimento frontal. Desde Otelo é o desprezo que leva ao ciúme. </p>



<p>O jogo oculto é poder estar em curso uma estratégia de impasse dentro da ideia de renovação por caos e uma certa indiferença estudada aos procedimentos protocolares. O conformismo da sociedade, conectada às bobagens das redes sociais, ajuda. E o prestígio mundial da autonegação da política pode dar curso a um experimento desaconselhável. Aventura de amigos da onça que querem ver o presidente romper os dois pilares da lealdade em combate: desconsiderar a distribuição ordenada do poder na hierarquia e considerar coragem, e não erro inominável, atentar contra os próprios. </p>
<p>O post <a href="https://paulodelgado.com.br/fas-e-amigos-da-onca/">Fãs e amigos da onça</a> apareceu primeiro em <a href="https://paulodelgado.com.br">Paulo Delgado</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>https://paulodelgado.com.br/fas-e-amigos-da-onca/feed/</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Blow-up</title>
		<link>https://paulodelgado.com.br/blow-up/</link>
					<comments>https://paulodelgado.com.br/blow-up/#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[Paulo Delgado]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 14 Aug 2019 23:32:49 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Artigos Estadão]]></category>
		<category><![CDATA[Recentes]]></category>
		<category><![CDATA[bolsonaro]]></category>
		<category><![CDATA[Itamaraty]]></category>
		<category><![CDATA[legislativo]]></category>
		<category><![CDATA[washington]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://paulodelgado.com.br/?p=5357</guid>

					<description><![CDATA[<p>O Estado de S. Paulo &#8211; 14 de agosto de 2019. Blow-up é a ampliação do negativo. Ao revelar a cena e desconfiar da aparência do<span class="excerpt-hellip"> […]</span></p>
<p>O post <a href="https://paulodelgado.com.br/blow-up/">Blow-up</a> apareceu primeiro em <a href="https://paulodelgado.com.br">Paulo Delgado</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p><em>O Estado de S. Paulo &#8211; 14 de agosto de 2019.</em></p>



<p><strong>B</strong>low-up é a ampliação do negativo. Ao revelar a cena e desconfiar da aparência do presidente, que fala em mudança e age como se não a quisesse, o Parlamento entendeu o recado. Partiu para agenda própria e precisa de ímpeto pontual e permanente diante do quotidiano disperso e ambíguo do Executivo.&nbsp;</p>



<p>Tem ainda a temporada no inferno por que passam o Judiciário e o Ministério Público. Seria bom os dois interromperem por um momento a troca de ofensas para explicarem, em nota conjunta, o que é mesmo a justiça para todos.&nbsp;</p>



<p>Convenhamos, não dá mais para alguém dizer essas coisas desse jeito. Sem modos nunca houve sociedade livre. Tem sido comum presidentes desfrutarem uma perigosa liberdade de expressão visando a dirigir os sentimentos da Nação para si próprios. Opiniões e atitudes nesse cargo deveriam ser fatos políticos extraordinários, e não o retrato dos princípios pessoais que estão por trás deles.&nbsp;</p>



<p>Ninguém é herdeiro das lutas do povo por ganhar uma eleição. Especialmente numa época em que milhões de mensagens angulam a percepção do eleitor numa determinada direção, violando sua privacidade. O escondido embaralha os critérios da pessoa, o flagrante esconde o principal. O truque da eleição continua.&nbsp;</p>



<p>Perder o equilíbrio da aparência para ser notícia contém uma carga de orgulho que, contrariada, pode desabar em violência. O insulto é uma forma de defesa. Nomear os outros para segregá-los, simplificando o sentido de tudo, revela um Brasil gigante anêmico.&nbsp;</p>



<p>Nada do que só fecha a porta ao entendimento é liberalismo. Tudo esconde seu oposto, especialmente venenosas atitudes cênicas. E ao deixar a economia se conduzir liberal, enquanto deixa claro que o que vale são acertos de contas, o presidente revela um mal inconsciente em sua compreensão das coisas. Explica a seus eleitores o que quer condenar supondo a rendição do País, que não gosta. Mais rígido, mais se enrola no paradoxo.&nbsp;</p>



<p>Se o Executivo não encara a imensidão de possibilidades que são a liberdade e a diversidade humana, sendo ela a única que pode realmente produzir o resultado econômico e cultural que faz qualquer governo dar certo, melhor o Congresso dar as cartas.&nbsp;</p>



<p>Querer prosperar economicamente sob um governo liberal e ao mesmo tempo ampliar o sectarismo sobre a sociedade é uma equação inexistente. A estagnação econômica permanecerá se não for enfrentada com a árdua missão de governar com autoridade, discernimento e sacrifício. Aqui é assim: a dificuldade no poder ampara o emocionalismo retrógrado do populismo brasileiro.&nbsp;</p>



<p>O coração do povo é mais vasto do que se supõe. Mira o futuro. Polêmicas políticas são piadas velhas. Provocam emoção num tipo de mercado paralelo onde opera uma cabeça de negócios superada.&nbsp;</p>



<p>Polêmicas morais, de querer costurar a letra escarlate em pessoas e instituições, nenhum governo transitório pode se pretender senhor assim. O erro nessa área será devastador se a razão que vê em tudo uma desordem inexistente preparar a justificativa para uma ordem indesejada. É risco na veia governar por antagonismos.&nbsp;</p>



<p>Muitos equívocos entre nós são fruto do esquecimento, que vem depressa. Sempre ficamos sabendo tarde demais que a oportunidade criada pela idiossincrasia das autoridades costuma ser cozida e comida para ser entregue em endereço certo. Assim, tudo pode começar a deturpar o comércio de bens democráticos e ampliar a fragilidade da vida política.&nbsp;</p>



<p>O Parlamento é a principal instituição do País. Existe uma afinidade vocacional e originária no bom parlamentar que é ser responsável sem precisar ser governista em tudo. Sua urgência é romper o despreocupado estado de espírito com os grandes desafios da hora e exercer o papel de organizar o debate nacional compondo interesses conflitantes e legítimos.&nbsp;</p>



<p>Em relação à ordem econômica, é mantra dizer que as economias bem-sucedidas se diferenciam pela duração dos períodos de crescimento. Já é consenso que a boa economia nem deve ser tratada como uma peça de moralidade, nem deve ser imoral.&nbsp;</p>



<p>O País está paralisado por uma espécie de “fada da confiança” vestida pela incerteza que é a natureza do estilo do presidente. E continua dividido entre os&nbsp;economistas sociais, certos de que é a desigualdade que está refreando a demanda, esmagando nossa recuperação e mantendo a crise permanente; e os&nbsp;economistas liberais, convencidos de que a ideia do crescimento é uma onda da oferta, traduzida na velha imagem de que é a maré alta que levanta todos os barcos.&nbsp;</p>



<p>Há expectativa e temor no Congresso de que a recuperação do País não seja compatível com o calor que emana do controle político desse presidencialismo de atritos. Só esfriando os ânimos se diminui o potencial da combustão que está no ar.&nbsp;</p>



<p>Outro desafio para a ação parlamentar é deter a tendência de mais um presidente querer inventar uma política externa. Fato que mais nos afasta da hipótese de termos algum papel na balança de poder mundial. Situação possível se o Senado não impedir que o Itamaraty continue a acumular desequilíbrios. É um erro político centrar o debate da ocupação do posto de Washington como problema familiar.&nbsp;</p>



<p>Não se trata de ofender o presidente, mas salvá-lo do risco de sonhar com grandezas que não nos dizem respeito, que é embarcar na encruzilhada em que Trump meteu os EUA com essa ideia de reconstruir o “Sistema de Yalta”, redividir o mundo em áreas de influência e apostar em conflitos regionais.&nbsp;</p>



<p>Se isso acontecer, o Brasil assumirá contornos que podem esfacelar nossa ordem continental, enfraquecer nossa força de poder brando em temas transnacionais, pôr em dúvida nossa legitimidade em operações de paz e quebrar nossa agricultura na OCDE ao ampliar a repercussão desse proselitismo ambiental equivocado. Um Brasil&nbsp;big stick&nbsp;e antieuropeu é um contrassenso cultural e um irrealismo político-militar inédito em 130 anos de História da República.</p>



<p>Leia também no <a href="https://opiniao.estadao.com.br/noticias/espaco-aberto,blow-up,70002966508">Estadão</a>.</p>
<p>O post <a href="https://paulodelgado.com.br/blow-up/">Blow-up</a> apareceu primeiro em <a href="https://paulodelgado.com.br">Paulo Delgado</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>https://paulodelgado.com.br/blow-up/feed/</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
			</item>
	</channel>
</rss>
