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	<title>Arquivos brasil - Paulo Delgado</title>
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		<title>&#8220;O Brasil está embalsamado&#8221;, diz Paulo Delgado</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Paulo Delgado]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 05 Jun 2018 20:37:19 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>5 de junho de 2018 &#8211; VALOR ECONÔMICO Entrevistadores: Rosângela Bittar e Raymundo Costa Quando a crise é abertamente política, como é a atual, aumenta a força do<span class="excerpt-hellip"> […]</span></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<div><em>5 de junho de 2018 &#8211; VALOR ECONÔMICO</em></div>
<div><em>Entrevistadores: Rosângela Bittar e Raymundo Costa</em></div>
<div></div>
<div>
<p><strong>Q</strong>uando a crise é abertamente política, como é a atual, aumenta a força do tagarela e do superficial &#8220;Os serviços de entrega do que é errado são mais eficientes do que os públicos. Ninguém fica na fila para comprar droga&#8221;</p>
<p>No momento em que muito se fala de renovação, a greve dos caminhoneiros serviu para mostrar velhos políticos em ação, uma pauta carcomida e que parecia superada &#8211; a concessão de subsídios &#8211; e certo descompromisso com as normas legais, algo que os sociólogos classificam como anomia. O país não está preparado para a economia de mercado, escreveu uma publicação estrangeira.</p>
<p>&#8220;O Brasil está embalsamado&#8221;, sintetiza o sociólogo Paulo Delgado, ex-deputado pelo PT de Minas Gerais, hoje presidente do Conselho de Sociologia e Política da Fecomercio e coordenador nacional do Centro de Integração Empresa-Escola (Ciee). Delgado não aponta soluções definitivas. No Congresso, vigora, na sua opinião, o estatuto da gafieira &#8211; &#8220;quem está dentro não sai, quem está fora não entra&#8221;.</p>
<p>Para o ex-militante histórico do PT, a força da política é &#8220;tirar a revolta do povo e não agravá-la&#8221;. E os políticos, testemunha, &#8220;estão em campanha e não fizeram nada para solucioná-la&#8221;. Ao contrário. Um candidato (Luiz Inácio Lula da Silva) faz campanha preso. &#8220;Há um componente atlético e uma escuridão na política que confunde o eleitor e aproxima os extremos.&#8221;</p>
<p>O sociólogo vê saída numa Constituinte, desde que exclusiva: &#8220;A Constituição virou uma peteca nas mãos do STF. E não vê solução no candidato espetacular, mágico: &#8220;O presidente tem que ser normal e previsível.&#8221;</p>
<p>Sobram críticas ao gigantismo do Estado, que não consegue mais se financiar nem funcionar de modo a atender a população. O tráfico, na sua avaliação, funciona com mais agilidade. &#8220;Não existe o aviso cocaína disque 1, maconha disque 2, crack disque 3&#8221;, ironiza.</p>
<p>Abaixo, os principais trechos da entrevista concedida ao Valor PRO, serviço de informação em tempo real do Valor:</p>
<p><strong>Valor: O país atravessa uma de suas piores crises e a política não dá uma resposta. O que aconteceu com os nossos políticos?</strong></p>
<p>Paulo Delgado: Se encapsularam negando até a lei da evolução das espécies. A lei eleitoral garante a autofecundação das oligarquias partidárias concentrando tempo de televisão e fundo partidário nos donos de legenda. Será a maior não renovação do Congresso desde os anos 80. Um estatuto da gafieira: quem está dentro não sai, quem está fora não entra. O presidencialismo de cooptação tornou o parlamento consanguíneo e hereditário.</p>
<p><strong>Valor: A política está em baixa em todo o mundo.</strong></p>
<p>Delgado: De maneira diferente em cada país. Onde há parlamentarismo há mais controle e eficácia. Nos Estados Unidos, o excêntrico [Donald] Trump é controverso, mas governa como um republicano. Na Itália, no entanto, a vitória dos políticos não políticos está um desastre, mas não é estática. A América Latina é que continua o ninho de cobra do presidencialismo de conchavos.</p>
<p><strong>Valor: O que diferenciou a última greve dos caminhoneiros das anteriores?</strong></p>
<p>Delgado: Embora decretada por organizações sindicais foi pilotada de forma descentralizada por líderes avulsos. Através do WhatsApp foram criados os grupos de ação, definidos os pontos de bloqueio, indicados os líderes da operação. Os caminhões são naves espaciais interconectadas, o caminhoneiro é um narrador natural que anda longe e tem mais o que contar do que os meios de comunicação. Em toda estrada tem líder, pelos mais diferentes motivos e lealdades locais, comunitárias. Quem confere sua liderança é a estrada. A política de frete e pedágios extorsivos aumentou a bronca. A insensibilidade monopolista da Petrobras compôs o enredo.</p>
<p><strong>Valor: Pesquisas dizem que mais de 80% da população apoia a greve de caminhoneiros, apesar dos prejuízos para ela própria. Não é um paradoxo?</strong></p>
<p>Delgado: Quem quis dar uma de líder foi logo desmoralizado. O rosto da greve é o diesel S-50/10 que deste outubro de 2016 tem seu preço definido pela Bolsa de Valores. A política de alinhamento a preços internacionais está errada. Os países-baleia, continentais como o Brasil, é que deveriam ser a referência. Entidades de classe alertaram ao governo da bomba-relógio armada. Do lado da Petrobras não havia líder também não. Uma alienação dos três monopólios: combustível estatal, matriz de transporte ultrapassada, império da rodovia. A greve acabou pela ação do Palácio, a identificação do locaute oportunista, o risco de convulsão por desabastecimento. Quanto ao prejuízo, seu horizonte é tão distante para o homem comum que ele realiza a dificuldade contando piada das peripécias sobre a corrida aos postos. Os militares usaram sua experiência em operações de paz. Quando encontraram a Polícia Militar de alguns Estados pegando carona na greve não quiseram confrontar, operaram como diplomatas da desobstrução. Demorou mais, mas me pareceu mais adequado do que a ação incisiva.</p>
<p><strong>Valor: O senhor vem dizendo que os partidos trabalham com públicos quando a indignação é da sociedade de massa. O que fazer?</strong></p>
<p>Delgado: O Brasil não devia ser um salão de baile onde cada um dança como quer. O diagnóstico do desregramento está feito e não temos tempo a perder. Nosso problema é interno, costumes ruins enraizados na dinâmica institucional que desequilibra a relação Estado-sociedade. Estamos numa encruzilhada. As profissões produtivas foram suplantadas por funções improdutivas de ofícios públicos que oneram a todos, a sociedade de favores. O contracheque humilhou a carteira de trabalho e os jovens estão adoecendo estudando para concurso público sem terem vocação pública.</p>
<p><strong>Valor: Os candidatos ao Planalto responderam adequadamente à greve?</strong></p>
<p>Delgado: Não estamos em guerra, estamos em crise. E a crise é do Estado muito forte, guloso, tributador impune, monopolista e concentrado em sua folha de pagamento e despesas correntes crescentes versus uma política fraca, um governo de transição ameaçado diariamente pelo canibalismo judicial e partidário. Por isso, se a energia dessa eleição continuar sendo a de querer abordar os problemas do país pelo lado da dependência individual e subordinação ao Estado teremos um outubro paralisante. A depreciação do político é fruto da sua dissolução no meio econômico, pendurado no Estado. A campanha é até secundária, importante é saber quem tem perfil e capacidade para, de fato, assumir a governabilidade do país. Até agora o que temos visto é papo de bajulador de eleitor. Acabou o tempo do candidato espetacular, mágico. O presidente tem que ser normal e previsível.</p>
<p><strong>Valor: O presidente da Petrobras caiu. O Brasil não está preparado para as leis de mercado ou o governo é que está fraco?</strong></p>
<p>Delgado: São coisas diferentes. [Pedro Parente] É um técnico reconhecido, mau gestor de emergência. Depois, prejuízo à sociedade não é considerado prejuízo no Brasil. O que prevalece é que cada um luta com seus próprios sentimentos. É certo que o interesse político não pode se sobrepor ao domínio técnico da questão, mas não é bom presidente de estatal que é cego diante da angústia de uma sociedade prisioneira de petróleo.</p>
<p><strong>Valor: Nesse Brasil anômico como o senhor vê o fato de um candidato a presidente fazer campanha de dentro da cadeia?</strong></p>
<p>Delgado: Mais um capítulo triste do desregramento geral. Todos estão fingindo que não estão vendo que o objetivo é deformar o entendimento do caso e desmoralizar a Justiça. Os visitadores usam as entrevistas para mandar recado eleitoral. A velha fixação publicitária de explicar como glória a contraglória. Só que, ao impedir que a realidade venha à tona, mais ampliam seu autoengano e tornam inútil seu partido. Este talvez seja o centro do diagnóstico de nosso tempo, não seremos uma sociedade livre se cada um puder criar o seu próprio contexto. Há muita gente que não está ligada à lei dos outros. Possuem suas próprias leis. Será que ninguém se dá conta de que se um líder político não aceita a coerção legal agir sobre ele, num país em que o crime é dirigido das penitenciárias, nada melhor para o mundo do Marcola do que um ex-presidente esculhambar o sistema penal aumentando a tolerância ao delito? Num mundo de plateias quem aplaude o erro também alarga a indolência diante da lei.</p>
<p><strong>Valor: O surgimento de uma direita orgânica no Brasil, que lidera as pesquisas na ausência de Lula, é resultado do fracasso da esquerda no governo?</strong></p>
<p>Delgado: Há um componente atlético e uma escuridão na política que confunde o eleitor e aproxima os extremos. O país não é uma cômoda em que um candidato acha que pode ir enfiando e tirando de suas gavetas o que quiser. Quando a crise é abertamente política, como é a atual, aumenta a força do tagarela e do superficial. Logo, logo, se quiser ter chance, terá que desacelerar e escrever uma carta aos brasileiros dizendo que entendeu. O Brasil não é de esquerda nem de direita. Somos social-democratas mambembes e autoritários, o que confunde os conceitos e os candidatos ligeiros.</p>
<p><strong>Valor: Nessa situação, como evitar os extremos?</strong></p>
<p>Delgado: Os espinhos da eleição cuidam disso. No parlamento o padrão do discurso e do voto da direita furiosa e da esquerda verbal é muito parecido. São estatistas, corporativos, gastadores, falam aos gritos e com o mesmo método de agir. A força da política é tirar a revolta do povo e não agravá-la. Tem uma saída: é certo que o afrouxamento moral dos últimos anos ampliou a crise da inteligência, mas como a contenção do dinheiro na campanha não permitirá comprar a eleição desta vez, essa é a eleição do eleitor livre. Só ele pode devolver a racionalidade à escolha. E espero que se dê conta que o pior candidato pode ser o melhor presidente.</p>
<p><strong>Valor: O que é preciso fazer para restabelecer a autoridade das instituições no Brasil?</strong></p>
<p>Delgado: Pé no chão. Falta talento de civilização às autoridades brasileiras. Olhando bem há menos arrogância numa reunião de prêmios Nobel do que no diálogo entre autoridades dos três Poderes. As instituições públicas impuseram seu monopólio sobre a gestão da sociedade para se autopreservarem. A vida é mais rica que o mundo oficial. A nação se move por fundamentos e hoje o Estado sufoca a criatividade da sociedade. O Brasil está embalsamado. A prioridade são as pessoas e sua vida, o contribuinte, não os interesses dos funcionários ricos do Estado. Nasceu no Estado uma classe alta escandalosamente privilegiada, um principado sem sentido.</p>
<p><strong>Valor: Executivo e Congresso estão em crise, atropelados pela LavaJato. Mas o Judiciário também não está ajudando a tencionar a crise?</strong></p>
<p>Delgado: A Constituição virou uma peteca nas mãos do Supremo, que tirou o caráter normativo do Direito e fez da interpretação da lei objeto de fruição pessoal. São maus costureiros, encheram o país de alfinetes. São as botas togadas do Estado, parecem gostar mais de triunfar do que julgar. Extravagância e exibicionismo moral não ficam bem na Justiça.</p>
<p><strong>Valor: Está na hora de rever a Constituição?</strong></p>
<p>Delgado: Há sim necessidade de simplificação constitucional, uma nova explanação, mas não vejo nenhuma centelha de sabedoria disponível. Se for para fazer outra tem que ser exclusiva, com deputados constituintes avulsos presentes. É justo que nem todos queiram ser representados por partidos.</p>
<p><strong>Valor: O presidencialismo de coalizão se esgotou?</strong></p>
<p>Delgado: A crise é o esgotamento da Constituição de 1988. O modelo político brasileiro atual, de 1985 a 2018, conhecido como &#8220;Nova República&#8221;, com sua estranha combinação de estabilidade institucional precária e crises político-econômicas periódicas, chegou ao máximo de sua falta de virtude, e cai como folha seca. Produziu sete eleições presidenciais diretas com duas destituições de eleitos. É entender sua ruína que pode nos fazer encontrar uma saída melhor para o país. O Congresso está em frangalhos, o Executivo loteado e o Judiciário querendo ganhar com a confusão.</p>
<p><strong>Valor: Chegamos ao ponto de a minoria comandar a maioria.</strong></p>
<p>Delgado: Sempre foi assim, democracia é governo de minoria legítima. Onde o eleitor é amestrado nem sempre a eleição é capaz de formar bons governos. Porque eleição é um fato periódico onde a maioria do povo filtra, pelo voto livre, a minoria legítima que vai governar. Não é, pois, problema o mercado eleitoral ser volátil, fragmentado e autônomo. É da sua natureza. O eleitor não é o culpado pelo erro dos candidatos. Quem escolhe, registra e atesta a honorabilidade são os partidos, cartórios e o TSE [Tribunal Superior Eleitoral], o maior deles. Precisamos é de boas leis pois a eleição não é prova de honra. É pedir demais ao voto. Se um desonesto se eleger cabe à lei impedir que ele consiga ser ladrão.</p>
<p><strong>Valor: Neste ano não é maior o desafio por causa das investigações de corrupção?</strong></p>
<p>Delgado: Maior, o desafio é de reconstrução e simplificação com um eleitor historicamente desatento e pragmaticamente conservador. Ninguém dará ao brasileiro o que já não existe nele mesmo. Será uma eleição de escolha dura, e não de rejeição vulgar. Quem ganha uma eleição precisando governar contra o Estado? Como confiar na sinceridade se nenhum candidato está sob juramento? Existem bons candidatos, felizmente. Mas vai começar a hora da mentira e da manipulação. Quem está na frente vai começar a esconder o que é. Por isso acho que o melhor é desobedecer as estatísticas e votar &#8220;errado&#8221;, contra as pesquisas. De que adianta estar na frente se você está na estrada errada?</p>
<p><strong>Valor: A política fora dos partidos, a sociedade de massa que o senhor chama de nova oposição, não é muito anárquica?</strong></p>
<p>Delgado: É um grande paradoxo. A tecnologia vai derrubar todos os cartórios. A internet nos libertou dos donos externos tradicionais, mas fez um curral em nossas cabeças. É o lugar ideal para a política da ira, o padrão de todo oposicionista brasileiro. Facebook, Google, Twitter, WhatsApp não são mais empresas de comunicação. São agências de incerteza, distração e velocidade que, com suas conexões, estão produzindo um cidadão novo, uma comunidade de públicos vociferantes e ativos. São mitos fortes contra a onipotência da política. Nem sempre é o melhor, concordo.</p>
<p><strong>Valor: Explique melhor o que o senhor define como mitos fortes criados pelos movimentos fora da política: reclamação e fiscalização.</strong></p>
<p>Delgado: É uma sociedade incivil. Para o brasileiro, reclamar e fiscalizar tem mais prestígio do que empregar e trabalhar. São milhares de plateias, essa sociedade de públicos e guetos que podem se encontrar inesperadamente como meteoros sobre a terra. A Europa acordou agora para a questão. A China, que tem 200 cidades com mais de 1 milhão de habitantes, não brinca em serviço, não deixa rede social surfar na cabeça do povo assim. Porque também sabe, por tradição e senso de dever com sua multidão de pessoas, que nenhum planeta novo tem o poder de alterar o horóscopo. O que falta ao Brasil é cultura do dever, coesão, propósito e um Estado menos alienado e fechado em si mesmo.</p>
<p><strong>Valor: A nova oposição tem resposta para esses problemas?</strong></p>
<p>Delgado: A maioria dos cidadãos está livre como um táxi. Pressiona com indiferença calculada o mundo dos partidos que não representam classes nem movimentos sociais reais. Seu papel é ampliar a fronteira da autonomia e desmoralizar a mentira eleitoral. Há centenas de grupos independentes de partidos debatendo o Brasil. Ninguém menospreza o que quer comprar, mas o preço da política vai ter que abaixar.</p>
<p><strong>Valor: Até que ponto a questão fiscal é responsável pela ruína? O Rio não é um exemplo preocupante, onde quem manda é o narcotráfico, a milícia. as denominações evangélicas?</strong></p>
<p>Delgado: Essa cultura da mão para a boca, sem poupança, déficit em conta corrente, sem previsibilidade e persistência é o conceito de prosperidade que predomina no Estado. É preciso mudar o sistema de funcionamento do poder simplificando a vida e a rotina do funcionário público. Quem quiser ficar rico deve sair do mundo dos três Poderes. Outra coisa é a burocracia. Os serviços de entrega do que é errado são mais eficientes do que os serviços públicos. Ninguém fica na fila para comprar droga ou se meter em corrupção. Não existe nada do tipo cocaína disque 1, maconha disque 2, crack disque 3, o traficante atrasou, não chegou, já saiu, deixe recado com uma das 15 secretárias, seu pedido ainda não foi analisado&#8230; Se para o mal tudo é rápido, para o bem a demora inutiliza seu valor. E há um escandaloso e lucrativo mercado dos pobres disputado por igrejas e partidos.</p>
<p><strong>Valor: É possível apontar um responsável por essa situação de desgoverno total?</strong></p>
<p>Delgado: Vários. Há muita hipocrisia no ar. Ninguém ousa admitir o que ganha com a desgraça dos outros. Nenhum governante deveria supor que a soberania simbólica da sua autoridade pressupõe a legalidade de qualquer dos seus atos. No Brasil, essa pretensão produziu a maioria das suas crises. Como pode um servidor público lucrar com aplicação de uma multa ou receber honorário de causa ganha pelo Estado? Auxílio-moradia para quem tem casa própria? É o fim do mundo. Do lado dos políticos é triste não compreenderem que são cedidos pela sociedade ao Estado. Ou seja, o bom político não está lotado no Estado, como um tijolo na parede.</p>
</div>
<p>Leia também no site do<a href="http://www.valor.com.br/politica/5569969/o-brasil-esta-embalsamado-diz-paulo-delgado"> jornal</a>:</p>
<p><a href="http://www.valor.com.br/politica/5569969/o-brasil-esta-embalsamado-diz-paulo-delgado"><img fetchpriority="high" decoding="async" class="size-medium wp-image-5073 aligncenter" src="https://paulodelgado.com.br/wp-content/uploads/2018/06/Embalsamado-300x245.png" alt="" width="300" height="245" srcset="https://paulodelgado.com.br/wp-content/uploads/2018/06/Embalsamado-300x245.png 300w, https://paulodelgado.com.br/wp-content/uploads/2018/06/Embalsamado-179x146.png 179w, https://paulodelgado.com.br/wp-content/uploads/2018/06/Embalsamado-50x41.png 50w, https://paulodelgado.com.br/wp-content/uploads/2018/06/Embalsamado-92x75.png 92w, https://paulodelgado.com.br/wp-content/uploads/2018/06/Embalsamado.png 618w" sizes="(max-width:767px) 300px, 300px" /></a></p>
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		<title>O mundo afogado em dados</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Paulo Delgado]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 10 Jun 2018 11:08:05 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Correio Braziliense e Estado de Minas – domingo, 10 de junho de 2018. Na última sexta-feira de maio, passou a vigorar na Europa uma legislação rigorosa<span class="excerpt-hellip"> […]</span></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p><em>Correio Braziliense e Estado de Minas – domingo, 10 de junho de 2018.</em></p>
<p><strong>N</strong>a última sexta-feira de maio, passou a vigorar na Europa uma legislação rigorosa sobre a captação e uso de dados, produzidos pelas inúmeras máquinas digitais que inundaram a vida de todos. Tudo o que é digital gera dados armazenados e analisados a exaustão. São ativos de valor inestimável que misturam indiscrição, marketing, segurança, economia e política.</p>
<p>Depois que cada página da web coloca lá seus cookies para monitorar pessoas, plataformas mais engenhosas e atraentes como Facebook, Google, Twitter, WhatsApp deixaram de ser empresas de comunicação. São agências de incerteza, distração e velocidade que, com suas conexões, estão produzindo um cidadão novo, uma comunidade de públicos vociferantes e ativos. São mitos fortes contra a onipotência da política. Fizeram do povo, essa multidão de miragens, sua plateia. Nem sempre é o melhor. A força desestabilizadora/criadora das quatro plataformas listadas acima foi logo compreendida pelo governo chinês de forma hostil. Lá não entram. Se pouco, o fazem clandestinamente. Há culturas que sabem que não são mídias que vão converter o povo na direção de novos conteúdos. Diferente do Brasil, cuja sociedade esfriou sua resistência a bobagens tecnológicas e, além de aceitar tudo, se orgulha de ficar distante do pensamento crítico, há países que sabem preservar seus códigos de analise à luz da sua civilização.</p>
<p>Na China, Renren, Baidu, Weibo, WeChat, respectivamente, fazem as vezes dos proscritos serviços americanos. E lá estão, escancaradamente, a serviço do Estado, o que também não é bom.</p>
<p>A China tencionou pelo nacionalismo estratégico, montando barricadas atrás de sua grande Firewall e se divertiu com a situação atual quando Donald Trump usou as armadilhas que os EUA montaram mundo afora para pegar os outros. Afinal, é como se uma Praça Taksim – a praça em Istambul de onde partem todas as manifestações, pacificas ou não, na Turquia – virtual inteira pousasse na Praça Lafayette em Washington.</p>
<p>Política à parte, a rápida revolução das empresas de tecnologia aponta para uma bipolaridade entre Vale do Silício e Shenzhen, polos usados por Washington e Beijing. A percepção de um mundo mau desafiante faz com que as pessoas, por medo, corram para construírem sua maldade e a terem sob seu controle. O problema é que a maldade construída é também indomável e sempre escapole das mãos dos que se acham bons.</p>
<p>A saída civilizada (e possível) da tradicionalista Europa foi seu “Regulamento Geral sobre a Proteção de Dados”, implicando “todas as empresas ativas na UE, independentemente da sua localização”. A iniciativa europeia é apenas um primeiro passo de uma vasta discussão sobre mau uso de dados em análises e algoritmos que podem ter impactos destruidores nas vidas das pessoas.<br />
Há um excelente livro popularizador desses palpitantes temas no mercado faz uns dois anos. Em tradução livre, se chama “Armas de Destruição Matemática”. Há uma clara alusão às armas de destruição em massa, porque os big data, com seus algoritmos, podem ser usados de forma maldosa, ou apenas por conta da inexorável falha humana. Sua autora, Cathy O’Neill, trata de forma didática desse assunto que para a grande maioria das pessoas é virtual e abstrato demais.<br />
O’Neill aponta como modelos opacos, humanos e, portanto, falhos, ganham aura de inquestionável ciência deixando uma infinidade de injustiças e más decisões por onde passam.</p>
<p>Na política são o novo campo da guerra de guerrilhas. Uma bomba atômica que todos correm para ter a sua. Há uma diferença, contudo, pois a difusão da bomba atômica acabou se tornando um fator de equilíbrio da paz. Porque seu uso, de enorme consequência, é tão óbvio que a própria antecipação da retaliação freia o potencial agressor. A manipulação maliciosa dos dados e comunicação, por outro lado, é micro, difusa demais, faz a disputa se arrastar até a exaustão sem exigir um novo patamar de relações e realidade. Até quando?</p>
<p>Na política trata-se da nova oposição, espalhada, convocada sem custos ou agenda definida. É excremencial. Caldeirão de contradições marchando em sintonia com a falta de diálogo. Falsa democracia direta. Sociedade de guetos que podem se encontrar inesperadamente como meteoros sobre a terra.</p>
<p>A Europa acorda agora para a questão. A China, que tem quase 200 cidades com mais de 1 milhão de habitantes, não brinca em serviço, não deixa rede social surfar na cabeça do povo assim. Porque também sabe, por tradição e senso de dever com sua multidão de pessoas, que nenhum planeta novo tem o poder de alterar o horóscopo. O jogo no mundo atual tem oportunidades e desafios que, em poucas tacadas, mexem com gente demais. Criatividade vai bem, desde que não despertem nas pessoas formas baixas de energia social.</p>
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		<title>A Dama das Camélias</title>
		<link>https://paulodelgado.com.br/a-dama-das-camelias/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Paulo Delgado]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 11 Jul 2018 10:39:05 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>O Estado de S. Paulo &#8211; 11 de julho de 2018. Toninho Drummond, jornalista admirado de quem fui amigo, contou-me certa vez que em 1937 o<span class="excerpt-hellip"> […]</span></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p><em>O Estado de S. Paulo &#8211; 11 de julho de 2018.</em></p>
<p><strong>T</strong>oninho Drummond, jornalista admirado de quem fui amigo, contou-me certa vez que em 1937 o Cine Glória, da sua Araxá, anunciou a apresentação do filme A Dama das Camélias, dividido em duas partes. Sucesso total, e antes da segunda sessão na mesma semana, a mulher mais cobiçada da cidade confessou, sedutora, ao jovem operador do cinema que seria a pessoa mais feliz do mundo se Marguerite, a heroína, não morresse no final. Seduzido, o operador foi à luta munido de uma tesoura: reeditou o drama para fazer a vontade da insinuante dama. Cortou as cenas finais, substituiu-as por outras e assim Greta Garbo termina aos beijos com Robert Taylor, transformando a tragédia em farsa. Terminada a segunda sessão choveram protestos de leitores da obra original de Alexandre Dumas. O prefeito Antônio Vilas Boas, nomeado depois ministro do STF, estimulou a ira do promotor Christiano Barsante a agir contra o manipulador apaixonado. Chamaram o projecionista. “Semana passada assisti a este mesmo filme em Uberaba. A atriz morre tuberculosa no final. E aqui não?”, interpelou ameaçador, como é costume entre promotores aliados de juízes. “Uai, doutor, fulminou o responsável pela projeção, “ela sarou, todo mundo sabe que o clima de Araxá é muito melhor do que o de Uberaba”.</p>
<p>Não precisamos mexer na fita, caçar vilões com impropérios, manipular sonhos, usar o humor para acostumar o País a cretinos. Não queremos um leão, tigre, águia ou abutre que domine por violência e medo. Precisamos de um cisne que atravesse as águas com grandeza e coragem, a majestade de saber que não fará mau uso do seu poder. Não precisamos de uma geração de vingadores, nem de inimigos arrogantes do mal. Precisamos de uma República tranquila onde o povo não tema seu governante e veja nele sinceridade, concórdia e compromisso.</p>
<p>O País segue joguete da marca de Caim. Não há conflito elevado entre concepções do Direito e sua relação com as questões morais. Há soberba de infelizes juízes que, devendo obséquios a culpados, levam a magistratura a contribuir para a radicalização política aceitando petições atravessadas por poderosos como se a toga fosse traje de bordel sem alvará.</p>
<p>Há um dilaceramento provocado pela política na alma do brasileiro que o fez deixar de acreditar na superioridade do trabalho e na simplicidade do dever. A população não está conseguindo acompanhar o ritmo da vida cada vez mais dura, ostensivamente miserável para o batalhador, suntuosamente privilegiada para o jogador. A riqueza sem lastro ou refinamento desmoraliza a vocação e o esforço para a produtividade. Todo dia quem trabalha é assediado por jogos obscuros promovidos pelo tumulto de personalidades malévolas que ocupam postos muito altos nas principais instituições. Autoridades incapazes de enfrentar a batida do tempo deixam desconsolada e confusa a juventude, que se agride, se mata, se droga, diante deste naufrágio que virou a vida normal entre nós.</p>
<p>A popularidade de um político preso por corrupção beira o obsceno. Manipula o filme da cadeia seguro de que fundou novo conceito do uso do Estado e da Justiça. Deu identidade política ao desprezo pelo plausível e ancorou a farsa no governo como se fosse indignação. Impôs a improvisação e o privilégio como política pública e viu todas as classes se adaptarem sem dificuldade. Criou outra pele para a Nação, sob o açoite do interesse pessoal.</p>
<p>Assim, sem fundamentar a reunificação nacional num plano altamente espiritual em que as instituições públicas renunciem a esse poder viciado que receberam quase como cúmplices, não será possível mudar o timbre de ódio, inveja e bajulação que prevalece. O privilégio é a causa da pane do nosso boletim civilizatório.</p>
<p>Para outubro a confusão ampliada por juízes impunes já apresenta 18 candidatos a presidente com destaque para um falacioso destrutivo, um experiente meio bravo, um eficiente gestor traído, uma solitária de bom espírito, um preso que amedronta o Supremo com seus segredos e usa esse medo para solidificar a versão de que o cálculo político da sua condenação é superior à sua desonestidade como encarcerado. A perda de élan da Justiça diante do réu tornou-se um caso pejorativo. Parem, o Brasil não tem mais força para revidar a esse carrasco sem dó que é a corrupção velada pela Justiça.</p>
<p>São 35 partidos em campanha, incapazes de dar consistência partidária às ideias dos candidatos. Nenhuma preocupação com a articulação parlamentar para produzir a maioria política que estabilize um governo no presidencialismo. Candidato sério não se pode considerar independente da desordem partidária. Quem não estrutura sua base de apoio desde já, para legitimá-la pela urna, terá de fechar negócios depois de eleito, na feira que é a elefantíase do sistema político.</p>
<p>A verdade é um patrimônio da tradição. E faz parte da verdade que onde há reeleição é fundamental a função presidencial no concerto do processo sucessório, ou como candidato, ou como maestro. Especialmente agora que a eleição, garantida pela serenidade do presidente, se tornou a única premissa para que a ordem constitucional continue sendo considerada.</p>
<p>O Supremo, como ouvidoria de luxo de privilegiados, ameaça a ordem democrática ao querer harmonizar moralismo com autointeresse. Nada teme, “sobe aos céus e joga Deus por terra” para seguir na sua atmosfera de fogueteiro cuja função é agravar o desalinho do eixo gravitacional do governo.</p>
<p>De forma engenhosa, Temer construiu um modelo de equilíbrio entre uma agenda reformista na economia e uma postura conservadora na política, e se tornou o mais barato presidente do País em relação aos mecanismos tradicionais de obtenção de apoio parlamentar para fazer reformas. O que incomodou os que não querem mudança e partiram para manipular o andamento do filme sucessório, estimulados pelo fantasma regressivo que intimida maus juízes.</p>
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		<title>UM DESAMPARO MUNDIAL</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Paulo Delgado]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 19 Aug 2018 15:34:07 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Artigos Correio Braziliense e Estado de Minas]]></category>
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										<content:encoded><![CDATA[<div><em>Correio Braziliense e Estado de Minas – domingo, 19 de Agosto de 2018.</em></div>
<div></div>
<div><strong>N</strong>a semana em que a maior caixa de ressonância do pensamento liberal no mundo, a revista The Economist, de Londres, trouxe sua edição anual de melhores cidades do mundo para se viver — um morango com chantilly para as pessoas que querem e podem viver melhor —, a Unicef publicou, em Brasília, um relatório sobre a situação desalentadora das crianças nas cidades brasileiras.</div>
<div></div>
<div>A qualidade da cidade e a boa formação das crianças são a mesma coisa. Cidade ruim é adoecedora e impõe a todos uma ansiedade crônica. A vida é muito curta para a incompetência a fazer pequena. A má cidade joga fora o futuro de uma pátria que só pode ser melhor se amar e proteger as crianças que nela crescem.</div>
<div></div>
<div>Vinte e cinco por cento da nota para a qualidade de vida nas cidades é dada pelo estudo da consultoria da Economist para o item estabilidade. Trata-se, basicamente, do levantamento sobre a ocorrência de crimes. Dos leves aos hediondos e terrorismo. Só por aí já se entende porque não há metrópole brasileira na lista. O levantamento da Unicef sobre privações, já tão negativo para o país, nem isso inclui: algo como o que seria o percentual de crianças privadas de estabilidade.</div>
<div></div>
<div>Os outros itens analisados pelo grupo inglês e pela Unicef são os suspeitos de sempre: infraestrutura, acesso e qualidade da saúde privada e pública, cultura e meio ambiente (onde entra corrupção) e educação. Seis das 10 cidades melhor avaliadas estão ou no Canadá ou na Austrália. Nenhuma nos EUA, país mais rico e poderoso do planeta, mas que tem dificuldade de proteger as crianças da violência.</div>
<div></div>
<div>
<div>Curiosamente, até alguns dias atrás concorria pela nomeação de candidato a governador nas primárias democratas para as eleições que ocorrerão em novembro no pequeno estado de Vermont, no nordeste dos EUA, um garoto de 14 anos. Foi derrotado por uma candidata transgênero, igualmente sem prévia passagem por cargo eletivo. O estudante, que ainda nem pode votar, fazia campanha com base na tragédia das chacinas que se repetem em escolas e sua ligação com a necessidade de uma melhor regulação sobre porte de armas. Vermont é um estado com um IDH mais alto do que a média dos estados americanos. É de lá o senador democrata Bernie Sanders, querido da boa juventude idealista americana, que perdeu nas primárias presidenciais passadas para Hillary Clinton, depois derrotada por Donald Trump.</div>
<div></div>
<div>A radicalização retórica contra o mal virou um estereótipo e um subproduto do atual estágio da comunicação em massa. Ao mesmo tempo em que mostra a condescendência da sociedade com o rude, abre o flanco dos ingênuos para líderes reacionários toscos, mas que estariam inviabilizados se as instituições funcionassem bem.</div>
<div></div>
</div>
<div>
<div>A ex-secretária de Estado americana Madeleine Albright publicou um longo estudo sobre o fascismo no mundo. Diz ela ser um alerta sobre algo com o que não se deve brincar, nem fingir não se ver. Lembra que já no entre guerras “a velocidade assustadora da globalização levou muitos a encontrar abrigo nos ritmos familiares de nação, cultura e fé; e pessoas por todo o lado pareciam à busca de líderes que clamavam ter respostas simples e satisfatórias para as confusas questões da modernidade”. Quanto mais complexo o mundo se torna, mais simples e fantasiosas são as estratégias dos demagogos, quase sempre sem maturidade ou força intelectual e moral para a vida prática e suas dificuldades.</div>
<div></div>
<div>O fato é que a grande luta pela democracia do século 20 foi contra grupos, independentemente da ideologia, que se formam por afinidades e discursos variados buscando substituir, na sociedade, a pluralidade pela uniformidade. A má estética que os identifica é a grosseria, a simplificação, o descompromisso de enxergar saídas com autoridade e planejamento, mas sem fúria ou mais violência.</div>
</div>
<div></div>
<div>
<div class="noticia">
<div>A vida social normal, regida por instituições abertas e rotinas virtuosas, parece muito chata a muita gente. Pense no Canadá e na Austrália, onde estão a maioria das boas cidades para se viver. São lugares “devagar”, salvo pelas belezas naturais e a gentileza da sua gente. Teoricamente, tal calma deveria ser almejada. Desde que a maior iguaria da política não fosse o conflito e a bravata acompanhados do elixir do engodo que é a destruição da razão dos seguidores. Há quem incendeie a sociedade para se oferecer protetor dela.</div>
<div></div>
<div>O século 20, que parecia ter enterrado seus falsos césares,  está refugando em saltar para um século 21 melhor diante do surgimento de estranhas figuras em todos os países. Para não piorar as coisas, melhor não ser arrebatado pela agenda da violência de ninguém. Olho no stress pessoal e na falta de paz interior: muitos políticos, atormentados, estão vestidos para uma guerra que não é a da melhoria de vida para todos.</div>
<div></div>
</div>
<div class="noticia"></div>
</div>
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		<title>QUALQUER UM, MENOS ELES</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Paulo Delgado]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 02 Sep 2018 06:11:58 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Artigos Correio Braziliense e Estado de Minas]]></category>
		<category><![CDATA[Recentes]]></category>
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		<category><![CDATA[china]]></category>
		<category><![CDATA[Desigualdade]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Correio Braziliense e Estado de Minas – domingo, 02 de setembro de 2018. O mundo anda sufocado pelo excesso de pensamentos individuais que a abundância alimenta<span class="excerpt-hellip"> […]</span></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p><em>Correio Braziliense e Estado de Minas – domingo, 02 de setembro de 2018.</em></p>
<p><strong>O</strong> mundo anda sufocado pelo excesso de pensamentos individuais que a abundância alimenta e, estressado, não está sabendo ressurgir econômica e culturalmente como sociedade de seres humanos educados. O cavalo humano já não sabe mais o que fazer com o dobro de feno que lhe deram, mas ao preço de tirar-lhe o controle do pasto.</p>
<p>Há um retrocesso na ideia da liberdade e da responsabilidade de todos. O sofrimento dos povos advém de estarem tolamente entregues e iludidos com a agenda dos grandes conglomerados de ideias e coisas, crescentemente ligeiros e concentrados em fazer de todos massa de manobra. Políticas nacionais estimulam pessoas perdidas a confiar tudo no Estado, o maior oligopólio de sonho e frustração dos países com problema. A busca por sucesso e independência deveria conter a ideia de que resolver problemas incluí o direito de outras pessoas também resolverem os seus.</p>
<p>E quais são os problemas no mundo de hoje? Por que tanta fascinação pela violência e os violentos, pela velocidade e a solidão? Desigualdade e abundância explicam algumas questões.</p>
<p>Se, por um lado, o acesso às coisas materiais aumentou para todos, por outro, a desigualdade de renda também aumentou muito. Animal complicado que é, o ser humano mede sua satisfação de forma relativa, não absoluta. E parece valorizar mais a relação entre ele e o outro do que comparar seu passado com seu presente.</p>
<p>No princípio do século 20, Corrado Gini, cientista social italiano, primeiro presidente do ISTAT, o equivalente ao IBGE naquele país, popularizou uma medida estatística que mostra a desigualdade de uma sociedade, com suas relações com diversos aspectos das interações sociais e do progresso.</p>
<p>O índice de Gini vai de 0 a 1. Quanto mais próximo de 1, mais desigual. Quanto mais próximo de 0, mais igualitária é uma sociedade. Quando a desigualdade econômico-social cresce, tarimbados estudos mostram que cresce junto o sentimento de revolta na população e a simpatia por confusões e confusos, que passem por cima de leis e espalhem direitos de forma irresponsável. Não é um líder honesto que as massas, quando estão agitadas, procuram; é um que seja qualquer um, menos eles. A observação histórica dos países mostra que 0,5 no Gini é a fronteira para grave possibilidade de insurreição popular. Caso único entre os países organizados do mundo é o do Brasil, que vive há mais de meio século acima de 0,5. Vale a pena listar o grupo de países que acompanha o Brasil hoje acima de 0,5: África do Sul, país mais desigual do mundo, seguido de vários outros países da África subsaariana e da América Latina o Haiti, a Colômbia, o Panamá e Honduras.</p>
<p>A outra questão é a da melhoria material de quase todo mundo. As comodidades estão aí nas casas das pessoas. O aumento do acesso material pode ser sintetizado por um aumento da renda média e da liberação dos cidadãos para querer mais do que apenas sobreviver. Nesse quesito, a observação histórica dos países mostra que US$ 10 mil de PIB per capita é a fronteira para aumentar a insatisfação popular.</p>
<p>Essa janela que se abre em torno de US$ 10 mil de PIB per capita é um perigo para os governos e os arranjos institucionais estabelecidos na relação da sociedade com o Estado. Onde, aliás, se encontra o Brasil. E, para todos os efeitos, também a China. Que hoje corre para passar por lá para não ter que arrancar os cabelos de desespero com a possibilidade de revolta social. O curioso de observar a China é que ela também passou a sofrer com uma desigualdade social altíssima e decidiu aumentar a força do indivíduo criativo. Sem tirar o olho da perigosíssima influência da demagogia na política espalhada pelas redes sociais.</p>
<p>No fim das contas, o que importa para o rumo da história é onde mora o heroísmo e a vontade de criação. Em todo o mundo, as partes mais estáveis contam com pessoas originalmente bem de vida, saídos dos extratos mais favorecidos da sociedade. Elites, mas mesmo entre os desfavorecidos, há elites. As principais nações do mundo são dirigidas por suas elites a vida inteira. Desde que vistas como legítimas e não privilegiadas. São percebidas como capazes de gestos heroicos de abnegação para o bem nacional. São compreendidas como originadas por enorme esforço produtivo e sofisticada compreensão idealista do papel da pátria e do povo de onde extrai seus frutos. Os quais se obriga a multiplicar.</p>
<p>A aridez infértil da atual encruzilhada global que se projeta com dor e vingança dentro dos países clama por uma visão iluminada de futuro para as próximas gerações. Não adianta querer pular o iluminismo e a ciência e partir para a confusão na rua. Boa fé da elite gera boa fé do povo. E sempre vale o ditado: se tu fores infiel ao anjo, ainda que por um fio de cabelo, o mal empacotará tua alma.</p>
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		<title>Uma Constituição traída</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Paulo Delgado]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 10 Oct 2018 19:08:57 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Artigos Estadão]]></category>
		<category><![CDATA[Recentes]]></category>
		<category><![CDATA[1988]]></category>
		<category><![CDATA[brasil]]></category>
		<category><![CDATA[Constituição Brasileira]]></category>
		<category><![CDATA[constituinte]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>O Estado de S. Paulo &#8211; 10 de outubro de 2018. Passados 30 anos, como moderadora da ira social, a Constituição é até vitoriosa. Atravessou oito<span class="excerpt-hellip"> […]</span></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p><em>O Estado de S. Paulo &#8211; 10 de outubro de 2018.</em></p>
<p><strong>P</strong>assados 30 anos, como moderadora da ira social, a Constituição é até vitoriosa. Atravessou oito períodos presidenciais e dois impeachments sem turbulência institucional incontrolável. Mas como solução para o esgotamento do modelo econômico que nos oprime e forma legal de levar o país à prosperidade, foi derrotada. Infelizmente, desde a sua elaboração a Constituição não conseguiu assegurar acumulação de energia capaz de levar ao progresso econômico da Nação e à autonomia do cidadão perante o Estado.</p>
<p>A Constituição, sem aceitar a natureza criativa da economia, não conseguiu vincular prosperidade à liberdade de iniciativa e ao prazer de enriquecer paulatinamente. Com mão de ferro impôs controle à vida social e produtiva; tamanhas tutela e tributação a contribuintes e investidores, criando tantas conexões e sócios ocultos entre o Estado e a vida econômica que feriu de morte a iniciativa privada. Com isso o Brasil patina no seu crescimento econômico desde a promulgação da Carta de 88. Tal disfuncionalidade prejudica especialmente os mais jovens, os menos educados e os mais pobres, influenciados por uma análise paralisante dos problemas do País encostada na comodidade de culpar o mundo por tudo o que fizemos de errado. Enfrentando a maioria de suas crises com sentimentos de aversão, improvisação e sem confiança no seu povo, a ordem econômica brasileira é um oligopólio manipulado pelo Estado, o maior controlador e concentrador de poder na economia.</p>
<p>Ainda não chegamos ao fim, mas estamos no limite da macrolealdade constitucional, racional e humanitária com a proliferação de novos códigos culturais. A cidadania se vaporiza pelo abuso de seu uso vulgar e sem limites. Vivemos o tempo da fragmentação, do senso comum sem apreço pela lógica da coletividade, da atomização e da microssociologia do interesse. Os sentimentos em ação se deslocaram do sentido geral para o individualismo possessivo, do entusiasmo e esperança para a preocupação e o medo. A indignação, que é um sentimento social, virou raiva, marca da personalidade individual enfurecida. De maneira geral podemos dizer que o ambiente político, jurídico, intelectual não aprecia mais a cultura nem o brilho do outro, atormentado por comportamentos em que imperam meras imposturas e desvirtuamentos de qualquer raciocínio pela força da emoção e do sentimento de improvisação. O Brasil separou a ação do sonho e não abriu as portas da percepção para ver o bullying que políticos e ministros do Supremo, como valentões amedrontadores e interpretadores, aplicam no País, protegidos pela volatilidade da Carta Constitucional escrita para colocar o povo no centro e o Estado a seu serviço.</p>
<div class="limite-continuar-lendo"></div>
<p>Mesmo sendo justo apontar os problemas fiscais como fruto do contrato social firmado na Constituição, não devemos usar isso para negar a virtude necessária de um contrato social. Devemos, sim, considerar uma verdadeira depravação política a manipulação da questão social para manter o gigantismo irracional do Estado. Como exemplo podemos dizer que as vinculações constitucionais são um desestímulo à gestão austera e eficiente dos recursos públicos. O mau uso da Constituição tornou crime, pela vinculação obrigatória, estabelecer que não adianta economizar ou ser eficiente. Incentivado a gastar de forma irresponsável, o gestor público administra um saco sem fundo chamado educação, saúde e assistência social. Por fatos como esse a questão fiscal e tributária tornou-se a espinha dorsal, a arquitetura do estatismo estéril brasileiro. É a despesa que cria imposto e não temos uma política com força para dizer o que o governo não deve pagar, nem para justificar que não deve contratar mais gente. Porque, hoje, garantir mais um direito é um ardil que o Estado usa para gastar o excesso do Orçamento engessado.</p>
<p>A União vale-se de um texto da arte de vitral para introduzir e aumentar tanto os intermediários entre o cidadão e o Estado como a forma de fazer as leis fiscais e tributárias grudarem na sociedade como goma arábica. São as vinculações e a interpretação infraconstitucional de ministérios que tutelam a economia, isolam a Nação do comércio mundial, paralisam a ousadia empresarial, estatizam o cidadão. Tudo o que é direito se converte em mais despesa com cartório público, autoridade, burocracia. Até a compaixão foi estatizada, com uma política social que vislumbra substituir a força e a autonomia das entidades da sociedade, anteriores à formação do Estado nacional, para criar o pobre estatal e a falácia da igualdade, sempre utilizada para fins eleitorais.</p>
<p>Quem estimula o conflito na sociedade é o Estado, para mais se agigantar sobre ela. Diante disso, arrisco-me a dizer que a Constituição é violada cada vez que algum setor reivindica uma identidade exclusiva para si e consegue alterá-la. Ou quando o enunciado do direito é interpretado pela Justiça ou pelo Ministério Público como privilégio de alguns para furar a fila da coletividade e alcançar nos tribunais direitos especiais para si, como ocorre com a farmácia do remédio exclusivo, que só existe na cabeça de juízes elitistas, em confronto com a farmácia do SUS, que passa a ter problemas para servir à maioria.</p>
<p>Apesar de tudo, não creio que a debilidade da Constituição seja pelo fato de permitir mudanças, mas sim por fazê-la uma Constituição traída, quando tais mudanças não são do interesse geral. Nenhum cidadão se torna agradecido por se apropriar do que é do outro. Nem toda necessidade humana é responsabilidade do Estado atendê-la. Não cabe à Constituição nem proteger as pessoas contra suas escolhas, nem impor a elas escolhas setoriais que acarretam danos aos outros. A Constituição não deve pretender ser âncora, deve ser a asa da Nação.</p>
<p>Com esse espírito fui constituinte. Com o mesmo espírito a homenageio 30 anos depois.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Leia também no site do <a href="https://opiniao.estadao.com.br/noticias/geral,uma-constituicao-traida,70002541320">Estadão</a>.</p>
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		<item>
		<title>ANALISTAS DE POLÍTICA E ECONOMIA PROJETAM O BRASIL PÓS-ELEIÇÃO</title>
		<link>https://paulodelgado.com.br/analistas-de-politica-e-economia-projetam-o-brasil-pos-eleicao/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Paulo Delgado]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 15 Oct 2018 19:17:26 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Matérias]]></category>
		<category><![CDATA[Recentes]]></category>
		<category><![CDATA[brasil]]></category>
		<category><![CDATA[eleições 2018]]></category>
		<category><![CDATA[presidência da república]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Paulo Delgado e Gesner Oliveira, palestrantes convidados pelo SINFAC-SP para tratar dos assuntos macro do “11º Simpósio dos Empresários de Fomento Comercial do Estado de São<span class="excerpt-hellip"> […]</span></p>
<p>O post <a href="https://paulodelgado.com.br/analistas-de-politica-e-economia-projetam-o-brasil-pos-eleicao/">ANALISTAS DE POLÍTICA E ECONOMIA PROJETAM O BRASIL PÓS-ELEIÇÃO</a> apareceu primeiro em <a href="https://paulodelgado.com.br">Paulo Delgado</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><strong>P</strong>aulo Delgado e Gesner Oliveira, palestrantes convidados pelo SINFAC-SP para tratar dos assuntos macro do “11º Simpósio dos Empresários de Fomento Comercial do Estado de São Paulo”, brindaram os cerca de 200 participantes do evento com verdadeiras aulas em suas respectivas especialidades.</p>
<p>Sociólogo, professor e ex-deputado, Delgado disse no evento recém-realizado (28/09) que o Brasil requer uma combinação entre capacidade institucional, credibilidade social e visão internacional, pois só assim poderá iniciar a redução de uma defasagem histórica.</p>
<p>“Entre os 25 países do mundo com mais de 50 milhões de habitantes, somos o único que patina no processo de desenvolvimento”, disse o especialista, aludindo ao fato de a participação do PIB brasileiro na economia global estar estacionada há quase seis décadas.</p>
<p><img decoding="async" src="http://sinfacsp.com.br/ckfinder/userfiles/files/X-sinfac_335%20-%20Delgado.jpg" alt="" /><br />
<em><strong>Paulo Delgado</strong></em></p>
<p>Delgado considera especialmente preocupante para a reversão desse quadro a ausência de políticos locais focados em inovação, tecnologia e aquilo que ele define como “progresso imaterial”, realidade presenciada diariamente pelo fomento comercial, em meio a novas ferramentas operacionais e à crescente abolição do papel nos mais diversos processos.</p>
<p>Agora no segundo turno, ele espera o arrefecimento do clima conflitivo, marcado por insegurança, incerteza e até desprazer durante o primeiro, com a emoção finalmente cedendo espaço para a razão.</p>
<p>“Foram duas campanhas atípicas, feitas da cadeia e do hospital, que empolgaram o eleitorado como uma luta de galos feridos. Bolsonaro foi escolhido por mandar um recado desaforado à política e cumpriu bem o seu papel”. Já Haddad, no seu entender, aceitou o posto de porta-voz do passado e foi abraçado pelo Nordeste como tábua de salvação.</p>
<p>De forma geral, porém, o sociólogo define ambos os candidatos como sem programa, unidade de ideias e perspectivas futuras tranquilizadoras. “O principal sinal disso são os 30 partidos que elegeram deputados e farão um governo de chantagem e crise permanente”, prevê.</p>
<p>No campo das tendências, o sociólogo leva em conta o esgotamento do modelo econômico petista, o apelo de renovação trazido por Bolsonaro e a tendência oposicionista do atual eleitor, que votou maciçamente em deputados ligados ao postulante à Presidência.</p>
<p><strong>Economia</strong></p>
<p>Também sob a ótica do processo eleitoral em curso, Gesner Oliveira pontua alguns dos aspectos que considera essenciais à melhoria da atual situação econômica.</p>
<p>Para o professor da FGV e comentarista da <em>Rádio Bandeirantes</em>, o primeiro fator a considerar é o reequilíbrio do orçamento, como faz toda família quando os gastos mensais são maiores que os ganhos. O segundo é o estabelecimento de uma agenda do crescimento, com ênfase no investimento em infraestrutura, “pois isso aumentará, ao mesmo tempo, a demanda e a competitividade do país, via melhores portos, aeroportos e estradas”, explica.</p>
<p><img decoding="async" src="http://sinfacsp.com.br/ckfinder/userfiles/files/X-sinfac_536%20-%20Gesner.jpg" alt="" /><br />
<em><strong>Gesner Oliveira</strong></em></p>
<p>Enquanto esses eixos de ação não estiverem funcionando ele estima uma modesta evolução do PIB, não devendo superar os 1,4% este ano, quadro cuja mudança afirma depender das reformas essenciais à sobrevivência econômica do país no médio prazo.</p>
<p>Já o possível retrocesso do desemprego, hoje na casa dos 12%, Gesner condiciona a dois ou três anos de recuperação mais sólida, um quadro tão bem-vindo quanto a reestruturação da Previdência Social e um vigoroso processo de desburocratização para reduzir custos e facilitar o ambiente de negócios.</p>
<p>Como pano de fundo para essa virada de mesa, Gesner enumera algumas qualidades que considera indispensáveis para o próximo governo, seja lá quem vença no próximo dia 28.</p>
<p>“Estabilidade de regras, transparência, consistência do discurso, elevado padrão ético – para dar legitimidade e capacidade de mobilizar a sociedade em torno das reformas, bem como de negociação com o Congresso”, arremata.</p>
<p><em><strong>Fonte: Reperkut</strong></em></p>
<p>Leia o original em: <a href="http://sinfacsp.com.br/noticia/analistas-de-politica-e-economia-projetam-o-brasil-pos-eleicao">http://sinfacsp.com.br/noticia/analistas-de-politica-e-economia-projetam-o-brasil-pos-eleicao</a></p>
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		<title>O homem da multidão</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Paulo Delgado]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 14 Nov 2018 09:06:02 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Artigos Estadão]]></category>
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										<content:encoded><![CDATA[<p><em>O Estado de S. Paulo &#8211; 14 de novembro de 2018.</em></p>
<p><strong>A</strong> esquerda observa as pessoas em cachos, como se quisesse formar pencas de gente igual. Movimento, silêncio não despertam atenção, diferente do que observa o narrador de Edgar Allan Poe no conto <em>O Homem da Multidão</em>. O povo percebeu a manobra e tornou mais pobre ainda a experiência da política, em que o eleitor é mero objeto de consumo. Foi um sentimento de solidão que o levou a reagir e disparar sua opinião de costas para os partidos. Toda eleição tem um polo do poder e um polo da liberdade. Nesta o poder foi representado pela esquerda e a liberdade, pela direita. Foi assim que a decisão se deslocou para fora do alcance da política velha.</p>
<p>Com um só olhar, a eleição que terminou foi a rebelião do horizontal. Amontoado como mercadoria num armazém, o eleitor-freguês olhou a saída sem ligar para vendedores perpendiculares a ele, verticais, na linha contrária ao horizonte. A maioria não aceitava mais que lhes empurrassem suas verdades. Foi ele, o eleitor, que escolheu, desde o início, um candidato para levar. Um candidato-aplicativo, sem intermediário, em sintonia com os conteúdos objetivos, os desejos e os fantasmas do eleitor. A farda é um detalhe que está aí no inconsciente do País. Não importa se passou ou não pela sua cabeça o mito purificador tenentista; o capitão Prestes, que dirigiu com mão de ferro o mais importante partido de esquerda da história do País; a sina que é constatar que ao cansaço do populismo de Getúlio se seguiu um marechal; de Jânio-Jango, oito generais; e de Lula-Dilma, um capitão e um general.</p>
<p>Uma eleição de eleitor incomodado, árbitro de si mesmo, sem dono, usando plataforma própria. Embebida em truques, delitos e destino, bloqueou donos de poder. Por exemplo: o prognóstico da decadência feito de forma confortavelmente entorpecida pelo velho roqueiro; a manipulação do fascismo pela universidade que só o sente à direita, na ruína da linguagem pública, e o esconde à esquerda, dando outro nome ao Estado-sindical-corporativo. O envolvimento emocional-depressivo-opressivo do Supremo com Lula, deixando entrever ao País que os dois podem tudo. A tardia indignação com a grosseria vocabular do deputado que falou o que quis na cara de oito presidentes da Câmara do período petista.</p>
<div class="limite-continuar-lendo"></div>
<p>A profanação da soberania do eleitor recebeu um freio da multidão. E mostrou que a polarização é um crack viciante que o PT usa para entorpecer o País. Bastaram nuances de autonomia individual para que a obsessão pela ideologia, que o servia, o derrubasse: “Se toda direita é fascista, toda esquerda é comunista. Que 2018 seja o cemitério do mundo binário para poder salvar as pessoas que se transformaram no que elas combatem. Quem não rasgar o manual da má compreensão dos fatos vai casar Marine Le Pen com Roger Waters em missa cantada por Bono Vox. Largue o alucinógeno da certeza e ouça bater, sem preconceito e clichês, o coração apertado de Cid Gomes, Regina Duarte e Mano Brown. Busque outra explanação, fuja da ignorância racional, até para xingar é preciso ser inteligente. Afinal, votar nem sempre é para escolher o melhor, às vezes é para impedir que o ruim queira ficar.</p>
<p>Podemos até estar diante de outro sósia da improvisação nacional. Ênfases e repetições: sai a CUT, entra Agulhas Negras. Sai a vida para a luta, entra a luta pela vida. Que não saia a sociedade civil e volte a inteligência racional. Toda eleição tem uma atmosfera, um costume. Essa consagrou um programa mais de rejeição do que de escolha. E não foi um programa de poucos. A agitação desarranjada das massas revelou-se lógica e determinada.</p>
<p>Meio antipolítica, a campanha vitoriosa foi tomada por apelos morais, que dialogaram melhor com a subjetividade do eleitor. <em>Primeiro</em>, porque as redes sociais foram escolhidas no século 21 para comunicar os segredos mais íntimos e as surpreendentes confidências das pessoas comuns. É o divã do povão. <em>Segundo</em>, porque as regulações que não têm como ser feitas é melhor que não existam. Travar a internet é bloquear a inteligência atrevida, o inesperado, o sarcasmo.</p>
<p>Uma campanha feita por celular, com votos adquiridos num click, decifrou um dos códigos que emperram o Brasil: o atraso tecnológico que é a gestão analógica das coisas em governos sem inteligência digital. Como a vitória foi feita pelo celular, podemos quebrar um tabu. Está inaugurada a democracia digital e o vislumbre de um futuro interessante e mais barato: inovação no Executivo e a desnecessidade do Parlamento de tempo integral, sem mandato presencial, salvo para votar emenda constitucional.</p>
<p>Sabemos que uma coisa é eleger, outra é governar. E o jogo começou. Primeiramente, não há erro no convite a Sergio Moro, o ministro da Justiça dos sonhos do PT original. Segundo, não é o ministro da Economia que aparece no horizonte das necessidades subjetivas, mas sim um grande porta-voz. O novo presidente precisará aceitar pesos domésticos para evitar previsíveis contrapesos externos. E no exterior, diferente do Brasil, acredita-se naquilo que a pessoa fala. Gringo leva as coisas ao pé da letra. E há temas sensíveis: ONU; a força espiritual de Jerusalém para o monoteísmo; nem divórcio da China nem casamento monogâmico com os EUA, dois amores inevitáveis. Ter na ponta da língua uma solução diplomática-humanitária para a Venezuela, um mandato internacional via OEA.</p>
<p>O ministro porta-voz deve ajudar o presidente a se livrar do rótulo de extrema direita. Nenhuma extrema tem prestígio. Como é religioso, sugiro que faça como Moisés, que, com dificuldades de comunicação, pediu a Deus alguém para falar por ele. Assim foi feito, Moisés fala com Deus e Aarão, seu irmão, com o povo e os faraós. Quem sabe, poderá até ser feita a prometida “travessia do Mar Vermelho”. Pois bem falado e compreendido, que Jair nem apague cores do arco-íris nem nos leve deserto adentro.</p>
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		<title>O NOVO CHANCELER</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Paulo Delgado]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 26 Nov 2018 01:44:07 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Artigos Correio Braziliense e Estado de Minas]]></category>
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										<content:encoded><![CDATA[<p><em>Correio Braziliense e Estado de Minas – domingo, 25 de novembro de 2018.</em></p>
<p><strong>A</strong> luta ideológica virou carreira que alimenta direita-esquerda. Foi o que me veio à mente quando a escolha do novo chanceler mexeu na estante errada do Itamaraty e surpreendeu os bibliotecários que controlam a leitura permitida aos brasileiros. O diplomata todo arrumado, fiel ao comando do condutor, é o tipo adequado para entender o político com problemas de simetria interna-externa. Sempre foi assim. E a diplomacia costuma ser o campo ideal para o impaciente empregar seu poderio. Infelizmente, o Brasil ainda não precisa balancear seu comportamento no mundo sob a pressão da realidade internacional. Basta agradar ao público interno e, agora, parar de abraçar tirano em Malabo. Continuamos um espinhoso país impreciso, que não consegue ver a vida com regularidade. A nova cara da chancelaria é mais um ciclo da força que tem, entre nós, a esperança e a desordem.</p>
<p>Não me desespero antes da hora. E aos que bateram continência submissa para o operário, sem força para confrontar o chefe em nada, e agora andam irritados com o capitão antes da posse, respondam a Freud : qual a sua responsabilidade na desordem da qual você se queixa? Claro que é pouco diplomático um embaixador brasileiro expressar maior fascinação, culturalmente, pela Europa e, materialmente, pelos EUA, do que pelo Brasil, multiculturalmente inimitável. Também não o comparo com os mais controversos formuladores que andam botando fogo na língua das nações. Mas de um modo geral, basta observar o mundo para saber que mesmo grandes conservadores veem uma baita manipulação nesse furor identitário, nacionalista e antiglobalização. Foi um erro da esquerda, com o incentivo de todas as minorias, nos dividir assim e fingir que não via virtude nenhuma no capitalismo. E, agora que as diferenças e os problemas econômicos foram apropriados pela direita, as maiorias, choramingando, querem ser lideradas como se fossem minorias. Esquerda e direita usam “as minorias” como uma plataforma de desculpa para formar governos autoritários. Existem sinais do mesmo erro no novo governo, o de fingir não ver defeitos no liberalismo.</p>
<p>Quem anda ganhando eleição no mundo é um campo ideológico que podemos chamar de anti-establishment, o qaul já foi um campo de centro-esquerda. Atualmente, o populismo anti-esquerdista cresceu porque os partidos de centro e de esquerda, governando de forma populista, desistiram de cuidar do longo prazo da vida dos cidadãos e passaram a não entregar o que prometeram. Usufruíram da globalização quando lhes interessava e quando as ondas econômicas favoreciam. Quando veio a crise, com a desaceleração sincronizada da economia global, não tinham mais moral para criticar o modelo que os beneficiava. Por isso, não vejo sinceridade na “perplexidade” que personalidades ligadas ao Brasil em Genebra, a capital do mundo multilateral, dizem estar sentindo com a indicação do chanceler brasileiro. Ora, ora. Herman Hesse subiu para as montanhas suíças quando percebeu que “o maior vício moral é a absolvição de si mesmo; ela torna inúteis todos os esforços de recuperação”. Quem não se espantou com as tolices que fizemos pela esquerda não tem porque se espantar com as que, pela direita, ainda nem fizemos.</p>
<p>O conservadorismo é um freio de arrumação no caminhar desgovernado da humanidade. Entretanto, só vale se for coerente, ilustrado e dotado de propostas que capturem as questões pungentes. Enfiar ideologia em tudo, num culto da ação ao estilo militante, leva à sobrepolitização de todos os aspectos da vida. Ótima forma de rejeitar a vida democrática. A mensagem tem que ser totalmente clara e compreensível, coisa difícil na diplomacia profética, onde é preciso recusar a política. Ao confundir tradição com tradicionalismo é certo o prejuízo à fé, à pátria e à família. Mas parece que a política externa é mais uma retórica do que uma filosofia.</p>
<p>Samuel Huntington, o guru do governo atual, cita 13 vezes o Brasil quando fala em civilizações. Somos um caroço fora da fruta. Acerta um pouco quando faz referência para a relevância dos evangélicos no caráter nacional. O Brasil, que já teve dois presidentes protestantes — Café Filho, presbiteriano; Ernesto Geisel, luterano —, terá agora um evangélico. Para Huntington, a hegemonia brasileira na região é dificultada pela diferença linguística entre português e espanhol, e compara nossa situação na América Latina com a do persa Irã no mundo islâmico, majoritariamente árabe, que o circunda.</p>
<p>Huntington acha que a dificuldade de unir a região levará o Brasil à esfera de influência direta dos EUA, e só assim faremos parte da Civilização Ocidental. Se o ministro da Educação não fosse colombiano, teríamos um Brexit ao sul do Equador.</p>
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		<title>Civilização brasileira</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Paulo Delgado]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 12 Dec 2018 02:21:44 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Artigos Estadão]]></category>
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		<category><![CDATA[brasil]]></category>
		<category><![CDATA[Instituições]]></category>
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										<content:encoded><![CDATA[<p><em>O Estado de S. Paulo &#8211; 12 de dezembro de 2018.</em></p>
<p><strong>A</strong> ideologia é uma invenção da ideologia. Rodeada de armadilhas, é ímã para desafetos. Sua obstinação é ser contrapensamento e ferir a base da confiança da política, que é o que sustenta um país. Adia ao máximo a aceitação da regra do jogo que sugere respeitar o vencedor. A moldura do ringue é instigante e velha conhecida. O choque ideológico pode vir de qualquer lado: do vencedor, do derrotado, das Forças Armadas politizadas, da Polícia Federal autonomista, do Ministério Público açulador, do Supremo em erupção. Pode vir também da sociedade, dos sindicatos, das ONGs, das igrejas. Não há entre nós uma maneira coletiva de ser e agir, uma disciplina estrita de obediência à lei capaz de manter algo sólido como um princípio, aquele dom partilhado por todos que dá forma ao destino dos povos e configura a ética de uma nação.</p>
<div></div>
<p>Todos fazem parte do sistema nacional de poder. E embora sem condição de precisar bem a origem dos movimentos de partilha e fratura do novo governo, é possível identificar sinais da construção de um vazio, sem motivo aparente, já querendo dividir o poder com quem ainda nem tomou posse. O Brasil está entusiasmado com instituições cheias de sentimento de poder &#8211; Forças Armadas, Polícia Federal, Ministério Público &#8211; e indiferentes a quem faz a lei, o desmoralizado Congresso Nacional.</p>
<p>Constitucionalmente, estabelecido para governar é o presidente da República. Há Poderes da união que gostam de definir a época em que vivemos. E avançam sobre as fissuras do sistema político e a erosão que a vida pública provoca na honra dos seus titulares nos últimos anos. Não se trata de fazer concessões aos poderosos ou deixar de ser iconoclasta com governantes de araque que nos levam à lona. Mas o patriotismo insuficiente do oposicionismo de insulto é como dizer “nós estamos aqui, aguarde o transbordar sobre você do nosso reservatório de desconfianças”. Enquanto isso, o que a outra civilização quer saber é se pode surgir por aqui algo como um Putin, um Erdogan, um Xi Jinping para podermos ser levados a sério, ou temidos. Alguns, melhor não, mas a marca de nossa democracia é a facilidade com que depreciamos o poder. De um lado, pela fragilidade que é a falta de consenso sobre a soberania das escolhas políticas; de outro, o dissenso entre partidos sobre se é lícito a um presidente incluir entre seus privilégios o de tornar-se desonesto no exercício do cargo.</p>
<div class="m_1518729346977842127limite-continuar-lendo"></div>
<p>O Brasil não sabe fazer um pacto entre suas elites talvez porque nenhuma seja hegemônica. Só um pacto de natureza civilizacional, elite do povo incluída, poderá fazer-nos caminhar para ser uma civilização. Três pontos iniciais: compromisso com a verdade, não depreciar a presidência de nenhum órgão público e total aversão ao erro. Na competição política, evitar espalhar dúvida, medo, suspeita sobre todos os que nos incomodam. A ideia de que tudo na vida é resultado de mecanismos repressivos embutidos na política e na economia é uma ideia ruim. Não há como deter a evolução, a própria natureza tem um forte componente liberal, competitivo. Quem se acha um salmão em rio poluído, envenenado pelos “outros”, experimente Freud: qual a sua responsabilidade na desordem de que você se queixa?</p>
<p>O conservadorismo é um freio de arrumação no caminhar desgovernado da humanidade. Entretanto, só vale se for coerente, ilustrado e dotado de propostas que capturem as questões pungentes. Enfiar ideologia em tudo, num culto da ação ao estilo militante, leva à sobrepolitização de todos os aspectos da vida. Com a crise, a entrega de proteções começou a falhar e é explicável que novas forças surgissem. Caiu o sistema binário com a globalização e as coisas saíram do controle da esquerda. As políticas identitárias viraram as costas para o povão desorganizado, o maior e mais sub-representado contingente eleitoral em todos os países.</p>
<p>O livre comércio foi muito longe e meio sem lei. Os jovens estão desprotegidos em seu desejo de ser estagiário, aprendiz, e gostaram de ouvir do futuro presidente que estão em seu plano de governo. Afinal, precisam que a política pública incorpore seu futuro, pois no contingente dos desempregados do presente são eles a maior parte. Precisamos correr para compensar nosso atraso e assim dar ao trabalhador condições de competir na brutal realidade moderna, em que o homem desconectado não será mais explorado, será irrelevante.</p>
<p>O liberalismo apropriou-se das bandeiras da igualdade e vinculou-as a tecnologia e comunicação. Claro que há limites, tanto para as políticas distributivistas, pois não há liberdade com igualdade total (os protegidos tornam-se improdutivos legais e sem autonomia); como para os compromissos sociais dos governos liberais, pois também não há igualdade com liberdade total (os competitivos são atropelados pelos ilegais). O desafio é garantir um espaço autônomo para a vida social, econômica e política, novas instituições de negociação, sem pensar em sair do jogo mundial.</p>
<p>Assim, atenção aos tratados ambientais, pois eles fazem parte do pacote exigido dos fornecedores para a venda de produtos agrícolas aos consumidores europeus. Além do mais, a Convenção do Clima tem forte simbolismo para o Brasil, foi aqui a primeira Cúpula da Terra, no governo Collor; logo, sem desculpa de ter conotação ideológica de esquerda. A Rio-92 teve seu tratado ratificado por 196 países em Kyoto, em 1997, o que criou, até hoje, a melhor imagem do Brasil no mundo. Tal fato fez de nossa habilidade diplomática, nessa área, um líder internacional do soft power ambiental.</p>
<p>O novo governo deve também ficar atento: a revolta do eleitorado não contém um basta ao Estado protetor, nem parece representar uma despedida do modelo econômico brasileiro &#8211; o Estado de compadrio &#8211; dos últimos 80 anos. Um bom problema, pós-ideológico, para o mais homogêneo Ministério da Economia desde Castelo Branco.</p>
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