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	<title>Arquivos trump - Paulo Delgado</title>
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		<title>TRUMP MEXE NO VESPEIRO</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Paulo Delgado]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 16 Sep 2018 21:04:50 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Artigos Correio Braziliense e Estado de Minas]]></category>
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										<content:encoded><![CDATA[<div><em>Correio Braziliense e Estado de Minas – domingo, 16 de setembro de 2018.</em></div>
<div></div>
<div><strong>A</strong> expressão que fere é a certa, mas, se vem anônima, pode não ser considerada bem opinião. Mancur Olson, cientista social americano, falava do Estado como um “bandido estacionário”. Ele monopoliza de forma racional a subtração da riqueza individual em forma de impostos. Procura não tirar mais do que o que permite à sociedade continuar existindo e produzindo riqueza. Impõe caprichos reguladores, induz e domina de maneira menos custosa ao desenvolvimento do que sua alternativa anárquica, quando faz o que quer. Nesse caso, distorcido por se acharem regiões inatingíveis do Estado, comportam-se como “bandidos errantes” — aqueles que secam o leite da vaca a ponto de não sobrar nada para o bezerro.</div>
<div></div>
<div>Nessa trama sem anjos, apenas com seres humanos, o “bandido estacionário” defende a ferro e fogo seu quinhão dos ataques errantes que, de vez em quando, acertam em cheio o bolso de uma parte da nação.</div>
<div></div>
<div>Por outro lado, quando o bom cobrador de impostos se acha esperto demais e se mistura com os “errantes” para prevalecer em disputas internas de poder, fica difícil parecer mocinho. É quando a manutenção da sobrevivência vem como banho d’água fria e põe a boca no mundo.</div>
<div></div>
<div>O grito desse Estado ameaçado foi ouvido por trás de um capuz na forma de um editorial, no jornal The New York Times do dia 5 de setembro. Mas será somente uma história americana o tal presidente que pinta e borda?</div>
<div></div>
<div>
<div>“Eu sou parte da resistência dentro da administração Trump” foi o título escolhido. Com o tamanho de meio tuíte, o título em si já carrega a mensagem que se espalhou sobre o conteúdo do artigo. Há pessoas que fazem parte da administração Trump que agem para frustrar parte das decisões do mandatário, o qual consideram “amoral”. De modo singular, o autor secreto descreve a resistência não como “o trabalho do assim chamado Estado profundo (&#8230;), [mas] do Estado estacionário”, inadvertidamente expressão ampla, comum e identificadora do funcionário público de carreira.  Ou seja, não se trata do “fogo amigo” brasileiro, essa imoralidade política praticada por partidos contra seus próprios membros mais influentes.</div>
<div></div>
<div>Trump é um forasteiro na política. Um cowboy errante de luxo duvidoso da indústria da incorporação imobiliária sem fronteiras ou limites. Um cafona, o principal figurino da política. Além da mídia, a qual ele declara ser “inimiga do povo”, Trump luta sua batalha diária para desconstruir o que ele chama de “Estado profundo”. Basicamente, aquelas partes das instituições republicanas que direcionam as políticas de forma permanente, sem serem muito afetadas pela mudança de orientação significativa que pode ser consagrada pelo voto popular. Trump entende que foi eleito com o direito de mudar essas estruturas. Não lhe comove que muitas delas sejam os esteios da estabilidade americana e mesmo internacional. Trump se deu bem e fez fortuna no mundo de bang-bang. Cansa sua beleza a previsibilidade institucional.</div>
</div>
<div></div>
<div>
<div>Steve Bannon, seu mentor intelectual e atual líder globe-trotter do sectarismo, após servir um tempo como estrategista-chefe na Casa Branca, se afastou e foi correr mundo difundindo suas teses. Quando saiu o editorial do Times, Bannon deixou de lado um pouco seu atual foco na política europeia para declarar ser “um golpe” o que está sendo tramado contra Trump. De fato, a natural e resistente parte estacionária da estrutura de poder resiste a quem decide atacá-la.</div>
<div></div>
<div>O errante Trump não é nenhum Robin Hood, muito pelo contrário. Mas na burocracia do Estado existem os estacionários que gostam bem de dar uma de Xerife de Nottingham, agarrados a Washington, e também não causam nenhuma simpatia ao povo americano. Muito menos quando usam máscara e seguem se beneficiando do que dizem combater. No Brasil tem um pessoal parecido, que quer multar, mas quer ganhar um pedaço da multa. São as hipocrisias que fazem Trumps.</div>
<div></div>
<div>Racionalmente, lembrando Olson, as pessoas se submetem ao Estado para não terem que ser roubadas a torto e a direito num mundo selvagem. O problema e a revolta nascem quando a percepção é de que a violência se generaliza para além do controle do Estado, bem como de que agentes do Estado estão subtraindo além daquilo que a parte do leão contratada socialmente determina.</div>
</div>
<div></div>
<div>Agora que a internet criou a preguiça do cérebro, uma espécie de ignorância racional sustentada pela dificuldade de pensar por conta própria, será que a imprensa vai se entupir de denúncias anônimas, pela dificuldade de investigar governos autoritários e inconsistências morais nas carreiras públicas? Não parece justo que todos tenham de se refugiar na intriga, entregar a alma às redes sociais e parar de ler jornais, a última cidadela da liberdade de expressão.</div>
<div></div>
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		<title>Guerras Sem Fim</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Paulo Delgado]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 03 Mar 2019 18:35:04 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Artigos Correio Braziliense e Estado de Minas]]></category>
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<p><em>Correio Braziliense e Estado de Minas &#8211; Domingo, 3 de Março de 2019.</em></p>



<p>Após chefiar o FBI por 48 anos, o controverso Edgar Hoover fez uma de suas últimas jogadas ao informar o gabinete de reeleição do então presidente Richard Nixon de que desconfiava de um complô democrata para impedir seu sucesso eleitoral. A dica de Hoover deu substância para que o também paranoico Nixon passasse para a história pelo escândalo de Watergate.</p>



<p><br>Mas foi o desastrado Nixon que partiu para a China para reestabelecer relações com o país, no que é uma das mais relevantes atitudes tomadas por um líder político nos últimos 50 anos. Passados alguns meses de sua triunfal visita à terra de Mao — e apenas um mês após a morte de Hoover —, agentes a serviço da campanha de Nixon são presos enquanto colocavam grampos na Executiva Nacional do Partido Democrata em um dos prédios do condomínio Watergate.</p>



<p>O presidente Trump anda em busca de um trunfo que sufoque seus críticos e anime suas bases para não cair ou prejudicar sua reeleição. Se, por um lado, seu uso estratégico da Coreia do Norte bebe claramente em fontes inspiradas em Nixon, Trump parece atrair cada vez mais para perto de si aspectos indesejáveis para um presidente. O retumbante fracasso das conversas de Trump com Kim nesse fim de fevereiro é um primeiro sinal de que a cronologia dos eventos domésticos negativos está muito mais acelerada para Trump.</p>



<p><br>Após Cingapura, em 2018, o hotel Sofitel de Hanói, no Vietnã, serviu de palco para o segundo encontro entre Trump e Kim. O norte-coreano chegou a Hanói de trem. A longa viagem de Pyongyang a Hanói na velha composição blindada, que faz no máximo 60Km/h, foi a única opção aceita por Kim, dada à inviabilidade das alternativas. A Presidência norte-coreana tem um avião soviético em que eles não confiam. Kim não queria voar de novo num jumbo emprestado da China, como ele fez até Cingapura. Os americanos não aceitavam um encontro na própria Coreia do Norte. Os norte-coreanos não queriam a Coreia do Sul. Caso o evento fosse organizado na China ou na Rússia, não seria mais bilateral. Hanói foi a saída honrosa.</p>



<p>Assim como Nixon com relação à China, Trump seria a pessoa ideal para pacificar as relações com a Coreia do Norte. Simplesmente porque são justamente as figuras que politicamente pareceriam menos afeitas a fazê-lo. “Nixon na China” se tornou jargão de um conceito político sobre movimentos controversos que só são aceitos por virem de alguém que tem a confiança fanática de apoiadores. </p>



<p>Todavia, Trump encontrou-se muito fraco e desguarnecido em Hanói. Incapaz de entregar a demanda de Kim por um cancelamento substancial das inúmeras sanções impostas pelos EUA em troca da desnuclearização. Uma derrota para o presidente que diz querer dar fim às guerras que não acabam. E sua fraqueza é cada vez mais doméstica.</p>



<p><br>Em Washington, a atenção recai quase que completamente sobre o depoimento de Michael Cohen diante da Comissão de Supervisão e Reforma da Câmara dos Deputados dos EUA. Cohen, advogado pessoal de Trump ao longo de uma década, desancou o presidente americano. Trump, por sua vez, se refere a ele como “um fraco”, ou mesmo “um rato”.</p>



<p>No todo, o que o depoimento de Cohen aponta é que Trump não acreditava que ganharia a eleição e que não podia perder oportunidades de negócios que apareciam tanto ao longo dela quanto que vinham desde antes dela. Mesmo que objetivamente ilegais para um candidato. Afinal, com ele perdendo o pleito, pouca atenção atrairia ao que fez ou deixou de fazer. Assim, enquanto concorria, tocava pessoalmente negócios diversos de suas empresas inclusive envolvendo interesses estrangeiros, notadamente russos, que ele nega porque são condutas claramente ilegais para um candidato à presidência como expresso na legislação americana.</p>



<p><br>Segundo Cohen, que foi também um dos três principais responsáveis por arrecadação na Executiva Nacional do Partido Republicano durante 14 meses, entre 2017 e 2018, antes de cair em desgraça, Trump via sua campanha como “a maior programação paga da história da política”. Sua colaboração é desacreditada pelos republicanos, uma vez que só veio em sequência a ter sido condenado, pouco antes do Natal, a três anos de cadeia, após confessar crimes financeiros durante a campanha.</p>



<p>Na ausência de um trunfo de impacto no desenho da geopolítica mundial, a Trump restará se agarrar ao simbolismo mambembe da barreira física entre os EUA e o México. Um factoide que anime seus apoiadores a saírem de casa e a defendê-lo. Isso e abraçar com entusiasmo algum conflito que justifique o temor de uma migração em massa. Afinal, da forma como está estruturada a economia americana, o apetite em Washington por guerra é sempre maior do que por paz.&nbsp;<br></p>
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		<title>O que fazer nos EUA</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Paulo Delgado]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 17 Mar 2019 03:00:45 +0000</pubDate>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>O presidente do Brasil está a caminho de Washington a bordo de um avião da Airbus, empresa europeia que celebrou uma vantajosa aliança com a canadense Bombardier. Já a brasileira Embraer se aliou com a Boeing, mesmo controlando a maior fatia do mercado de jatos regionais do mundo, com 28%, contra apenas 12% de presença da americana, de forma pífia. A “parceria” ficou em 80% para Boeing, e 20%, para Embraer.</p>



<p>O acordo, da forma como foi feito, deixou o presidente Bolsonaro com a pulga atrás da orelha. Não contempla o interesse nacional. As proporções estão equivocadas, sem nenhuma feição de aliança estratégica. As garantias, muito frágeis, e não há plano consistente e explícito de longo prazo. Em suma, negócio de curto prazo, de má economia, sufocou o interesse histórico que o Brasil mantém no setor da aviação e no desenvolvimento constante de tecnologia de ponta. Bolsonaro e Trump podem pessoalmente melhorar isso a partir de terça feira.</p>



<p>É justo um upgrade no acordo Embraer-Boeing. Precisa ser uma aliança real, continental, tanto no papel, quanto na realidade visível. Em comparação, a alquebrada Bombardier manteve 50% das ações em seu acordo com a gigante europeia Airbus. O controle da Airbus ficou explicitado por uma diferença de apenas 0,1%. Isso é parceria, sem submissão.</p>



<p>A indústria aeronáutica é uma das mais avançadas que o Brasil possui. É fundamental assegurar o aumento da participação brasileira nesse novo desenho de aliança com os EUA, de olho no que se passa no mundo. Por isso, é preciso ter clareza sobre as disputas em que os EUA estão envolvidos e saber defender, da maneira eficaz, o interesse nacional brasileiro.</p>



<p>Os EUA acabam de pedir à China que dê um tempo no desenvolvimento de novas tecnologias. Há um diagnóstico, com alto potencial conflitivo, sobre a possibilidade de que o mundo se divida em dois diferentes padrões tecnológicos. Grosso modo, um lado com tecnologias de base americana, e outro lado com tecnologias de base chinesa. Washington corre para deter os asiáticos, pois teme ter que agir, militarmente, para impedir tal cisão. Para que não tenha que hastear bandeira e ir às vias de fato, inicialmente tenta o explícito processo de contenção já em operação. Trump busca obter uma moratória tecnológica de Pequim.</p>



<p>Algo que transcorria atrás de portas fechadas veio à luz, tanto por conta do estilo Trump, quanto pelo fato de ser difícil boicotar um país tão fechado e protegido quanto a China. A China também deu a dica quando, mordida pelo bicho da bravata, resolveu dizer a todos, em 2015, que estava articulando um plano para que em 10 anos o país chegasse à ponta da inovação tecnológica mundial. Momento em que, então, poderia dispensar as compras de equipamentos americanos. “Fabricado na China 2025” chama-se o plano que Washington quer ver Pequim postergar, ou abandonar em parte.</p>



<p>Trump quer dar um jeito de manter a distância relativa de poder entre Washington e Pequim estável por mais um tempo. Até, pelo menos, a Casa Branca ter uma noção mais clara de como agir num mundo em que não é mais a gestora da maior economia do planeta. Para isso, quer frear o crescimento chinês exigindo deles que se abstenham de algumas áreas específicas. Esse é o cabo de guerra com a Huawei. </p>



<p>Tecnologia pura, a droga do progresso real. Muito mais importante do que tarifas comerciais e outras bobagens secundárias que levam países inviáveis a se digladiarem.&nbsp; Os EUA querem impor barreiras não tarifárias para a tecnologia chinesa. Nem que seja com a ameaça de uma solução fora dos canais civilizados.</p>



<p>O calor do confronto se dá por causa de uma dúvida cada vez mais real: qual será o padrão tecnológico do mundo virtual e bioquimicamente transformador? Os EUA querem isso para si. Um pouco por instinto e cobiça, também por responsabilidade e culpa. Estamos no espólio final do que foi seu triunfo no século 20. Acham que merecem, por direito, tempo maior para aceitar uma transição tecnológica cujos termos desejam ditar do princípio ao fim. Se Bolsonaro não negociar com Trump a participação brasileira em um desses polos do futuro tecnológico do mundo, a viagem pode se desviar para a Disney.</p>



<p>Um ponto claro é selar um acordo para a fabricação de aviões maiores e de mais longo alcance pela Embraer, para que o presidente brasileiro possa vender o Airbus e, nos 200 anos de nossa independência, voar em um EB 7.09.2022 da Embraer-Boeing. Um avião de fuselagem estreita (narrowbody), de mais longo alcance, fabricado pela inteligência dos brasileiros. Política é convencimento e aliança, boa para ambos os lados. Para Trump e a Boeing, não seria problema. Para o Brasil, uma nova dimensão mundial. </p>



<p> </p>
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		<title>O BRASIL NA OTAN</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Paulo Delgado]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 01 Apr 2019 01:55:17 +0000</pubDate>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>Todas as vezes que as coisas apertam na economia aparece alguém “revolucionário” para dizer que é preciso domar o mercado e o capitalismo e colocá-los a serviço da prosperidade e da justiça social. Ninguém tem a coragem de dizer que falhar e vencer é a maior lição da vida. Já na área de defesa, o ideal nunca vem embrulhado na pasmaceira do sonho.</p>



<p><br>Em 1949, quando foi criada, a Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte) contava com 12 países. Um novo país pode entrar na organização, via governo dos EUA, caso conte com a concordância unânime dos demais membros e, segundo o artigo 10 do tratado, seja europeu. De lá para cá, 17 países se somaram ao grupo. Montenegro, pequeno país à beira do Mar Adriático, de frente para o sul da Itália, foi a última nação acolhida. Até que em Washington, durante conferência de imprensa no Rose Garden da Casa Branca, Bolsonaro ouviu a confirmação pública de que Trump tem a “intenção de designar o Brasil como “aliado importante fora da Otan”, ou mesmo possivelmente “um aliado da Otan”.<br>Ser um “aliado importante fora da Otan” não quer dizer muita coisa. Para o lado brasileiro, só por deixar os EUA usarem a Base de Alcântara e ter a Embraer em joint-venture com a Boeing na área de defesa já pagam a fatura. Todas os demais itens que se tornam disponíveis com tal tratamento são muito mais interessantes para os Estados Unidos. Como o Brasil, de fato, nunca antagonizou os EUA, a história de aliado extra-Otan na região já foi usada como migalha lançada à Argentina pelo governo Clinton, em 1998, para ver se espezinhava o Brasil.</p>



<p>Nunca nos espezinhou, e o convite ao vizinho nunca pôs nada substancial na mesa argentina. Celebrar a aliança entre Brasil e EUA com isso é como comemorar quinta colocação em campeonato mundial. Ajuda os EUA, donos da bola e do campeonato, sem dúvida. Afinal, ter o Brasil nesse grupo, ao lado de Paquistão, Afeganistão, Tunísia e Egito, legitima os EUA na imagem que passa para a comunidade internacional e nas suas barganhas militares mundo afora.<br>Para o Brasil, por outro lado, é basicamente aceitar ser equiparado a Paquistão, Afeganistão, Tunísia e Egito. Grandes países com grandes histórias, mas, no contexto atual do mundo, não, obrigado. Nem os EUA deveriam querer isso e sabem por quê. Se for só por conta de uma guerra com a Venezuela, que a administração Trump está doida para começar, não se assentam em bases sólidas. O horizonte de uma nação é muito mais longo e tal imediatismo não faz jus a tudo que gerações e mais gerações de brasileiros construíram para colocar o Brasil em pé, altivo e livre, contribuindo para um mundo melhor, inúmeras vezes ao lado dos EUA.</p>



<p><br>Trump faz um convite confuso, sem modelo claro, ao maior país da região. Convite que já foi feito à Colômbia. O que foi, a propósito, um acordo esdrúxulo também feito, em parte, para espezinhar o Brasil, mas que atingiu um pouco mais tal efeito. Desde 2013, vieram as conversações da Otan com a Colômbia e o Brasil, à época, não soube encaminhar corretamente seu interesse e da região — nem com a Otan, em geral, nem com os EUA, em específico. O Brasil foi empurrado à revelia, e a Colômbia entrou como aliada do grupo ano passado. Por que o Brasil não propõe que os EUA articulem nossa entrada como “parceiro global” da Otan com mais celeridade, qualidade e efetividade do que foi empregado para com a Colômbia? Simplesmente porque o Brasil sempre foi parceiro dos países da Otan, inclusive nas duas guerras mundiais, como nenhum outro país latino-americano.</p>



<p><br>Participar da Otan, para efeitos de compartilhamento de tecnologia e de reflexão sobre ações necessárias para garantir a estabilidade global, são suficientes para reconhecimento de sua relevância estratégica. De modo geral, há uma sobreposição entre ser denominado aliado extra-Otan dos EUA e ser também parceiro global da Otan. Tal é o caso explícito dos países com os quais os EUA não partilham apenas guerras, mas também a prosperidade e o futuro. Nos serve mais ser tratado como Austrália, Japão e Coreia do Sul.<br>Acima dessa categoria, há o caso de Israel. Em 2014, o Congresso americano tornou lei a parceria estratégica entre EUA e Israel. Tal é um caso único e amplo o suficiente para receber adequadamente o título de parceria estratégica. Como o Brasil não conta, nem de longe, com um lobby em Washington forte como o de Israel, tal ideia poderia se perder na burocracia. Entretanto, ali está bem esquadrinhado um tipo de acordo que pode orientar o que é uma verdadeira parceria estratégica. Caso contrário, o Brasil poderá resolver o problema americano sem mirar o interesse do próprio Brasil. Um contrassenso que nem mesmo a liderança americana compreenderia.</p>
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		<title>PRONTIDÃO ELEITORAL</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Paulo Delgado]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 26 May 2019 23:04:34 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Correio Braziliense e Estado de Minas &#8211; domingo, 26 de maio de 2019. A guerra e sua preparação são partes essenciais da maneira com que os<span class="excerpt-hellip"> […]</span></p>
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<p><em>Correio Braziliense e Estado de Minas &#8211; domingo, 26 de maio de 2019.</em></p>



<p>A guerra e sua preparação são partes essenciais da maneira com que os governos dos EUA se relacionam com o mundo. O estudo de 1986, que mencionamos no artigo anterior sobre a participação do país nas últimas cinco guerras em que estiveram envolvidos até então, apresenta também outro dado curioso. Quanto maior fosse o efeito negativo e desorganizador no dia a dia dos americanos, maior punição eleitoral sofreriam os políticos envolvidos no conflito. E que tal maldição recaía mais sobre o presidente do que sobre os parlamentares, mas afetava todos aqueles “associados” com a guerra. A conclusão do artigo era de que tal conhecimento talvez resultasse numa menor participação dos EUA em guerras dali para frente.</p>



<p><br>Entretanto, em janeiro de 1991, os EUA invadiam o Iraque numa operação com várias características que mudavam completamente o engajamento popular com guerras. A CNN fazia cobertura ao vivo do conflito pela primeira vez. O nível de tecnologia empregado diminuía drasticamente o uso de soldados americanos no campo de batalha. Ainda assim, eram 500 mil soldados, muito mais do que os utilizados hoje em dia nas guerras de drones. Mas, já em março, a Guerra do Golfo chegava ao fim. A aprovação de Bush pai, logo após o que o Pentágono considerou um fim bem-sucedido da curtíssima operação, extrapolou os 90%. Todavia, caiu muito rapidamente, por conta de confusões domésticas, e ele perdeu a reeleição em 1992. Parecia que as ideias do artigo estavam certas.</p>



<p><br>Entretanto, mais gente teorizava sobre ajustes finos que fizessem uma coisa ajudar e não atrapalhar a outra. George W. Bush, o filho, chegou à Presidência em janeiro de 2001. Em dezembro daquele ano, a aprovação de Bush alcançava 86%, a maior taxa de aprovação no fim do primeiro ano de mandato entre todos os presidentes americanos, de acordo com medições da Gallup feitas a partir de Eisenhower em 1953. Isso só aconteceu por conta do ataque sofrido por Nova York em 11 de setembro daquele ano. Antes do ataque, a aprovação do presidente estava em um pouco mais de 50%. Medições após o ataque mostraram o apoio acima de 90%. Bush invadiu o Iraque em 2003 e se reelegeu em 2004, em meio a uma guerra que durou até 2011.</p>



<p><br>A aprovação de Trump está no patamar mais alto de seu mandato — descontado o primeiro mês —, mas ainda abaixo de 50%. Os passarinhos lhe dizem que um conflito internacional próximo da eleição dará conta do recado, porque os ganhos do momento — ainda que se esvaiam rapidamente — são enormes se tiver pretexto claro compreendido pelo eleitorado. Para muitos, pretexto se fabrica. O problema é que a aceleração da inquietude que a guerra traz é incontrolável.</p>



<p><br>Por mil razões, muitas delas, aqui apontadas, a contra o Irã é o plano A. Por conta de contexto regional, a Venezuela é o plano B. Tanto Venezuela quanto Irã precisam de mudanças nas péssimas lideranças que têm para se tornarem países melhores para seus povos. Entretanto, uma mudança que venha por imposição militar externa — especialmente quando é politiqueira e interessada em petróleo, nos dois casos — só tende a abrir chagas que sangrarão por muito mais tempo.</p>



<p><br>No caso do Irã, as instituições brasileiras, em especial as Forças Armadas e o Itamaraty, têm pouco a contribuir. É importante lembrar que, sem nenhuma superioridade de poder, o governo brasileiro, entre 2009 e 2010, errou ao interferir na dinâmica da disputa entre EUA e Irã. Certeza excessiva é péssima conselheira em política e em diplomacia. Somos uma sociedade aberta, mas, por conta exatamente disso, não podemos passar recibo de desinformados a respeito dos arranjos globais, sob pena de terminarmos apenas com cara de pouco influente. O país persa tem forte lobby e presença nos EUA. Sabe tim-tim por tim-tim o que a administração americana atual pensa e quais são as forças a serem contactadas para se evitar uma desgraça. Desgraça que seria, no longo prazo, para os dois lados. Mas há sempre os cálculos e interesses imediatistas.</p>



<p><br>A Venezuela é um caso totalmente diferente. É nosso vizinho. Não dos EUA. São cerca de 2.200 quilômetros de fronteira conosco. A fronteira geopolítica dos EUA no continente é o Panamá. Nossas Forças Armadas sabem que não podem permitir conflito militar internacional aqui na América do Sul. É o mínimo que fazemos, e bem, manter a paz na nossa região. Infelizmente, a situação lá se agravou ao longo das últimas décadas em parte por culpa do Brasil, mas também dos EUA. Lá, sim, cabe uma atuação, do Itamaraty, principalmente, e das Forças Armadas, pelos canais multilaterais do sistema da ONU, para se garantir a transição de governo sem permitir que tenhamos um campo de guerra no nosso subcontinente, para uso da imprevisível campanha presidencial nos EUA.&nbsp;</p>
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