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	<title>Arquivos eleições - Paulo Delgado</title>
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		<title>&#8220;O Brasil está embalsamado&#8221;, diz Paulo Delgado</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Paulo Delgado]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 05 Jun 2018 20:37:19 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>5 de junho de 2018 &#8211; VALOR ECONÔMICO Entrevistadores: Rosângela Bittar e Raymundo Costa Quando a crise é abertamente política, como é a atual, aumenta a força do<span class="excerpt-hellip"> […]</span></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<div><em>5 de junho de 2018 &#8211; VALOR ECONÔMICO</em></div>
<div><em>Entrevistadores: Rosângela Bittar e Raymundo Costa</em></div>
<div></div>
<div>
<p><strong>Q</strong>uando a crise é abertamente política, como é a atual, aumenta a força do tagarela e do superficial &#8220;Os serviços de entrega do que é errado são mais eficientes do que os públicos. Ninguém fica na fila para comprar droga&#8221;</p>
<p>No momento em que muito se fala de renovação, a greve dos caminhoneiros serviu para mostrar velhos políticos em ação, uma pauta carcomida e que parecia superada &#8211; a concessão de subsídios &#8211; e certo descompromisso com as normas legais, algo que os sociólogos classificam como anomia. O país não está preparado para a economia de mercado, escreveu uma publicação estrangeira.</p>
<p>&#8220;O Brasil está embalsamado&#8221;, sintetiza o sociólogo Paulo Delgado, ex-deputado pelo PT de Minas Gerais, hoje presidente do Conselho de Sociologia e Política da Fecomercio e coordenador nacional do Centro de Integração Empresa-Escola (Ciee). Delgado não aponta soluções definitivas. No Congresso, vigora, na sua opinião, o estatuto da gafieira &#8211; &#8220;quem está dentro não sai, quem está fora não entra&#8221;.</p>
<p>Para o ex-militante histórico do PT, a força da política é &#8220;tirar a revolta do povo e não agravá-la&#8221;. E os políticos, testemunha, &#8220;estão em campanha e não fizeram nada para solucioná-la&#8221;. Ao contrário. Um candidato (Luiz Inácio Lula da Silva) faz campanha preso. &#8220;Há um componente atlético e uma escuridão na política que confunde o eleitor e aproxima os extremos.&#8221;</p>
<p>O sociólogo vê saída numa Constituinte, desde que exclusiva: &#8220;A Constituição virou uma peteca nas mãos do STF. E não vê solução no candidato espetacular, mágico: &#8220;O presidente tem que ser normal e previsível.&#8221;</p>
<p>Sobram críticas ao gigantismo do Estado, que não consegue mais se financiar nem funcionar de modo a atender a população. O tráfico, na sua avaliação, funciona com mais agilidade. &#8220;Não existe o aviso cocaína disque 1, maconha disque 2, crack disque 3&#8221;, ironiza.</p>
<p>Abaixo, os principais trechos da entrevista concedida ao Valor PRO, serviço de informação em tempo real do Valor:</p>
<p><strong>Valor: O país atravessa uma de suas piores crises e a política não dá uma resposta. O que aconteceu com os nossos políticos?</strong></p>
<p>Paulo Delgado: Se encapsularam negando até a lei da evolução das espécies. A lei eleitoral garante a autofecundação das oligarquias partidárias concentrando tempo de televisão e fundo partidário nos donos de legenda. Será a maior não renovação do Congresso desde os anos 80. Um estatuto da gafieira: quem está dentro não sai, quem está fora não entra. O presidencialismo de cooptação tornou o parlamento consanguíneo e hereditário.</p>
<p><strong>Valor: A política está em baixa em todo o mundo.</strong></p>
<p>Delgado: De maneira diferente em cada país. Onde há parlamentarismo há mais controle e eficácia. Nos Estados Unidos, o excêntrico [Donald] Trump é controverso, mas governa como um republicano. Na Itália, no entanto, a vitória dos políticos não políticos está um desastre, mas não é estática. A América Latina é que continua o ninho de cobra do presidencialismo de conchavos.</p>
<p><strong>Valor: O que diferenciou a última greve dos caminhoneiros das anteriores?</strong></p>
<p>Delgado: Embora decretada por organizações sindicais foi pilotada de forma descentralizada por líderes avulsos. Através do WhatsApp foram criados os grupos de ação, definidos os pontos de bloqueio, indicados os líderes da operação. Os caminhões são naves espaciais interconectadas, o caminhoneiro é um narrador natural que anda longe e tem mais o que contar do que os meios de comunicação. Em toda estrada tem líder, pelos mais diferentes motivos e lealdades locais, comunitárias. Quem confere sua liderança é a estrada. A política de frete e pedágios extorsivos aumentou a bronca. A insensibilidade monopolista da Petrobras compôs o enredo.</p>
<p><strong>Valor: Pesquisas dizem que mais de 80% da população apoia a greve de caminhoneiros, apesar dos prejuízos para ela própria. Não é um paradoxo?</strong></p>
<p>Delgado: Quem quis dar uma de líder foi logo desmoralizado. O rosto da greve é o diesel S-50/10 que deste outubro de 2016 tem seu preço definido pela Bolsa de Valores. A política de alinhamento a preços internacionais está errada. Os países-baleia, continentais como o Brasil, é que deveriam ser a referência. Entidades de classe alertaram ao governo da bomba-relógio armada. Do lado da Petrobras não havia líder também não. Uma alienação dos três monopólios: combustível estatal, matriz de transporte ultrapassada, império da rodovia. A greve acabou pela ação do Palácio, a identificação do locaute oportunista, o risco de convulsão por desabastecimento. Quanto ao prejuízo, seu horizonte é tão distante para o homem comum que ele realiza a dificuldade contando piada das peripécias sobre a corrida aos postos. Os militares usaram sua experiência em operações de paz. Quando encontraram a Polícia Militar de alguns Estados pegando carona na greve não quiseram confrontar, operaram como diplomatas da desobstrução. Demorou mais, mas me pareceu mais adequado do que a ação incisiva.</p>
<p><strong>Valor: O senhor vem dizendo que os partidos trabalham com públicos quando a indignação é da sociedade de massa. O que fazer?</strong></p>
<p>Delgado: O Brasil não devia ser um salão de baile onde cada um dança como quer. O diagnóstico do desregramento está feito e não temos tempo a perder. Nosso problema é interno, costumes ruins enraizados na dinâmica institucional que desequilibra a relação Estado-sociedade. Estamos numa encruzilhada. As profissões produtivas foram suplantadas por funções improdutivas de ofícios públicos que oneram a todos, a sociedade de favores. O contracheque humilhou a carteira de trabalho e os jovens estão adoecendo estudando para concurso público sem terem vocação pública.</p>
<p><strong>Valor: Os candidatos ao Planalto responderam adequadamente à greve?</strong></p>
<p>Delgado: Não estamos em guerra, estamos em crise. E a crise é do Estado muito forte, guloso, tributador impune, monopolista e concentrado em sua folha de pagamento e despesas correntes crescentes versus uma política fraca, um governo de transição ameaçado diariamente pelo canibalismo judicial e partidário. Por isso, se a energia dessa eleição continuar sendo a de querer abordar os problemas do país pelo lado da dependência individual e subordinação ao Estado teremos um outubro paralisante. A depreciação do político é fruto da sua dissolução no meio econômico, pendurado no Estado. A campanha é até secundária, importante é saber quem tem perfil e capacidade para, de fato, assumir a governabilidade do país. Até agora o que temos visto é papo de bajulador de eleitor. Acabou o tempo do candidato espetacular, mágico. O presidente tem que ser normal e previsível.</p>
<p><strong>Valor: O presidente da Petrobras caiu. O Brasil não está preparado para as leis de mercado ou o governo é que está fraco?</strong></p>
<p>Delgado: São coisas diferentes. [Pedro Parente] É um técnico reconhecido, mau gestor de emergência. Depois, prejuízo à sociedade não é considerado prejuízo no Brasil. O que prevalece é que cada um luta com seus próprios sentimentos. É certo que o interesse político não pode se sobrepor ao domínio técnico da questão, mas não é bom presidente de estatal que é cego diante da angústia de uma sociedade prisioneira de petróleo.</p>
<p><strong>Valor: Nesse Brasil anômico como o senhor vê o fato de um candidato a presidente fazer campanha de dentro da cadeia?</strong></p>
<p>Delgado: Mais um capítulo triste do desregramento geral. Todos estão fingindo que não estão vendo que o objetivo é deformar o entendimento do caso e desmoralizar a Justiça. Os visitadores usam as entrevistas para mandar recado eleitoral. A velha fixação publicitária de explicar como glória a contraglória. Só que, ao impedir que a realidade venha à tona, mais ampliam seu autoengano e tornam inútil seu partido. Este talvez seja o centro do diagnóstico de nosso tempo, não seremos uma sociedade livre se cada um puder criar o seu próprio contexto. Há muita gente que não está ligada à lei dos outros. Possuem suas próprias leis. Será que ninguém se dá conta de que se um líder político não aceita a coerção legal agir sobre ele, num país em que o crime é dirigido das penitenciárias, nada melhor para o mundo do Marcola do que um ex-presidente esculhambar o sistema penal aumentando a tolerância ao delito? Num mundo de plateias quem aplaude o erro também alarga a indolência diante da lei.</p>
<p><strong>Valor: O surgimento de uma direita orgânica no Brasil, que lidera as pesquisas na ausência de Lula, é resultado do fracasso da esquerda no governo?</strong></p>
<p>Delgado: Há um componente atlético e uma escuridão na política que confunde o eleitor e aproxima os extremos. O país não é uma cômoda em que um candidato acha que pode ir enfiando e tirando de suas gavetas o que quiser. Quando a crise é abertamente política, como é a atual, aumenta a força do tagarela e do superficial. Logo, logo, se quiser ter chance, terá que desacelerar e escrever uma carta aos brasileiros dizendo que entendeu. O Brasil não é de esquerda nem de direita. Somos social-democratas mambembes e autoritários, o que confunde os conceitos e os candidatos ligeiros.</p>
<p><strong>Valor: Nessa situação, como evitar os extremos?</strong></p>
<p>Delgado: Os espinhos da eleição cuidam disso. No parlamento o padrão do discurso e do voto da direita furiosa e da esquerda verbal é muito parecido. São estatistas, corporativos, gastadores, falam aos gritos e com o mesmo método de agir. A força da política é tirar a revolta do povo e não agravá-la. Tem uma saída: é certo que o afrouxamento moral dos últimos anos ampliou a crise da inteligência, mas como a contenção do dinheiro na campanha não permitirá comprar a eleição desta vez, essa é a eleição do eleitor livre. Só ele pode devolver a racionalidade à escolha. E espero que se dê conta que o pior candidato pode ser o melhor presidente.</p>
<p><strong>Valor: O que é preciso fazer para restabelecer a autoridade das instituições no Brasil?</strong></p>
<p>Delgado: Pé no chão. Falta talento de civilização às autoridades brasileiras. Olhando bem há menos arrogância numa reunião de prêmios Nobel do que no diálogo entre autoridades dos três Poderes. As instituições públicas impuseram seu monopólio sobre a gestão da sociedade para se autopreservarem. A vida é mais rica que o mundo oficial. A nação se move por fundamentos e hoje o Estado sufoca a criatividade da sociedade. O Brasil está embalsamado. A prioridade são as pessoas e sua vida, o contribuinte, não os interesses dos funcionários ricos do Estado. Nasceu no Estado uma classe alta escandalosamente privilegiada, um principado sem sentido.</p>
<p><strong>Valor: Executivo e Congresso estão em crise, atropelados pela LavaJato. Mas o Judiciário também não está ajudando a tencionar a crise?</strong></p>
<p>Delgado: A Constituição virou uma peteca nas mãos do Supremo, que tirou o caráter normativo do Direito e fez da interpretação da lei objeto de fruição pessoal. São maus costureiros, encheram o país de alfinetes. São as botas togadas do Estado, parecem gostar mais de triunfar do que julgar. Extravagância e exibicionismo moral não ficam bem na Justiça.</p>
<p><strong>Valor: Está na hora de rever a Constituição?</strong></p>
<p>Delgado: Há sim necessidade de simplificação constitucional, uma nova explanação, mas não vejo nenhuma centelha de sabedoria disponível. Se for para fazer outra tem que ser exclusiva, com deputados constituintes avulsos presentes. É justo que nem todos queiram ser representados por partidos.</p>
<p><strong>Valor: O presidencialismo de coalizão se esgotou?</strong></p>
<p>Delgado: A crise é o esgotamento da Constituição de 1988. O modelo político brasileiro atual, de 1985 a 2018, conhecido como &#8220;Nova República&#8221;, com sua estranha combinação de estabilidade institucional precária e crises político-econômicas periódicas, chegou ao máximo de sua falta de virtude, e cai como folha seca. Produziu sete eleições presidenciais diretas com duas destituições de eleitos. É entender sua ruína que pode nos fazer encontrar uma saída melhor para o país. O Congresso está em frangalhos, o Executivo loteado e o Judiciário querendo ganhar com a confusão.</p>
<p><strong>Valor: Chegamos ao ponto de a minoria comandar a maioria.</strong></p>
<p>Delgado: Sempre foi assim, democracia é governo de minoria legítima. Onde o eleitor é amestrado nem sempre a eleição é capaz de formar bons governos. Porque eleição é um fato periódico onde a maioria do povo filtra, pelo voto livre, a minoria legítima que vai governar. Não é, pois, problema o mercado eleitoral ser volátil, fragmentado e autônomo. É da sua natureza. O eleitor não é o culpado pelo erro dos candidatos. Quem escolhe, registra e atesta a honorabilidade são os partidos, cartórios e o TSE [Tribunal Superior Eleitoral], o maior deles. Precisamos é de boas leis pois a eleição não é prova de honra. É pedir demais ao voto. Se um desonesto se eleger cabe à lei impedir que ele consiga ser ladrão.</p>
<p><strong>Valor: Neste ano não é maior o desafio por causa das investigações de corrupção?</strong></p>
<p>Delgado: Maior, o desafio é de reconstrução e simplificação com um eleitor historicamente desatento e pragmaticamente conservador. Ninguém dará ao brasileiro o que já não existe nele mesmo. Será uma eleição de escolha dura, e não de rejeição vulgar. Quem ganha uma eleição precisando governar contra o Estado? Como confiar na sinceridade se nenhum candidato está sob juramento? Existem bons candidatos, felizmente. Mas vai começar a hora da mentira e da manipulação. Quem está na frente vai começar a esconder o que é. Por isso acho que o melhor é desobedecer as estatísticas e votar &#8220;errado&#8221;, contra as pesquisas. De que adianta estar na frente se você está na estrada errada?</p>
<p><strong>Valor: A política fora dos partidos, a sociedade de massa que o senhor chama de nova oposição, não é muito anárquica?</strong></p>
<p>Delgado: É um grande paradoxo. A tecnologia vai derrubar todos os cartórios. A internet nos libertou dos donos externos tradicionais, mas fez um curral em nossas cabeças. É o lugar ideal para a política da ira, o padrão de todo oposicionista brasileiro. Facebook, Google, Twitter, WhatsApp não são mais empresas de comunicação. São agências de incerteza, distração e velocidade que, com suas conexões, estão produzindo um cidadão novo, uma comunidade de públicos vociferantes e ativos. São mitos fortes contra a onipotência da política. Nem sempre é o melhor, concordo.</p>
<p><strong>Valor: Explique melhor o que o senhor define como mitos fortes criados pelos movimentos fora da política: reclamação e fiscalização.</strong></p>
<p>Delgado: É uma sociedade incivil. Para o brasileiro, reclamar e fiscalizar tem mais prestígio do que empregar e trabalhar. São milhares de plateias, essa sociedade de públicos e guetos que podem se encontrar inesperadamente como meteoros sobre a terra. A Europa acordou agora para a questão. A China, que tem 200 cidades com mais de 1 milhão de habitantes, não brinca em serviço, não deixa rede social surfar na cabeça do povo assim. Porque também sabe, por tradição e senso de dever com sua multidão de pessoas, que nenhum planeta novo tem o poder de alterar o horóscopo. O que falta ao Brasil é cultura do dever, coesão, propósito e um Estado menos alienado e fechado em si mesmo.</p>
<p><strong>Valor: A nova oposição tem resposta para esses problemas?</strong></p>
<p>Delgado: A maioria dos cidadãos está livre como um táxi. Pressiona com indiferença calculada o mundo dos partidos que não representam classes nem movimentos sociais reais. Seu papel é ampliar a fronteira da autonomia e desmoralizar a mentira eleitoral. Há centenas de grupos independentes de partidos debatendo o Brasil. Ninguém menospreza o que quer comprar, mas o preço da política vai ter que abaixar.</p>
<p><strong>Valor: Até que ponto a questão fiscal é responsável pela ruína? O Rio não é um exemplo preocupante, onde quem manda é o narcotráfico, a milícia. as denominações evangélicas?</strong></p>
<p>Delgado: Essa cultura da mão para a boca, sem poupança, déficit em conta corrente, sem previsibilidade e persistência é o conceito de prosperidade que predomina no Estado. É preciso mudar o sistema de funcionamento do poder simplificando a vida e a rotina do funcionário público. Quem quiser ficar rico deve sair do mundo dos três Poderes. Outra coisa é a burocracia. Os serviços de entrega do que é errado são mais eficientes do que os serviços públicos. Ninguém fica na fila para comprar droga ou se meter em corrupção. Não existe nada do tipo cocaína disque 1, maconha disque 2, crack disque 3, o traficante atrasou, não chegou, já saiu, deixe recado com uma das 15 secretárias, seu pedido ainda não foi analisado&#8230; Se para o mal tudo é rápido, para o bem a demora inutiliza seu valor. E há um escandaloso e lucrativo mercado dos pobres disputado por igrejas e partidos.</p>
<p><strong>Valor: É possível apontar um responsável por essa situação de desgoverno total?</strong></p>
<p>Delgado: Vários. Há muita hipocrisia no ar. Ninguém ousa admitir o que ganha com a desgraça dos outros. Nenhum governante deveria supor que a soberania simbólica da sua autoridade pressupõe a legalidade de qualquer dos seus atos. No Brasil, essa pretensão produziu a maioria das suas crises. Como pode um servidor público lucrar com aplicação de uma multa ou receber honorário de causa ganha pelo Estado? Auxílio-moradia para quem tem casa própria? É o fim do mundo. Do lado dos políticos é triste não compreenderem que são cedidos pela sociedade ao Estado. Ou seja, o bom político não está lotado no Estado, como um tijolo na parede.</p>
</div>
<p>Leia também no site do<a href="http://www.valor.com.br/politica/5569969/o-brasil-esta-embalsamado-diz-paulo-delgado"> jornal</a>:</p>
<p><a href="http://www.valor.com.br/politica/5569969/o-brasil-esta-embalsamado-diz-paulo-delgado"><img fetchpriority="high" decoding="async" class="size-medium wp-image-5073 aligncenter" src="https://paulodelgado.com.br/wp-content/uploads/2018/06/Embalsamado-300x245.png" alt="" width="300" height="245" srcset="https://paulodelgado.com.br/wp-content/uploads/2018/06/Embalsamado-300x245.png 300w, https://paulodelgado.com.br/wp-content/uploads/2018/06/Embalsamado-179x146.png 179w, https://paulodelgado.com.br/wp-content/uploads/2018/06/Embalsamado-50x41.png 50w, https://paulodelgado.com.br/wp-content/uploads/2018/06/Embalsamado-92x75.png 92w, https://paulodelgado.com.br/wp-content/uploads/2018/06/Embalsamado.png 618w" sizes="(max-width:767px) 300px, 300px" /></a></p>
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		<title>O mundo afogado em dados</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Paulo Delgado]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 10 Jun 2018 11:08:05 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Correio Braziliense e Estado de Minas – domingo, 10 de junho de 2018. Na última sexta-feira de maio, passou a vigorar na Europa uma legislação rigorosa<span class="excerpt-hellip"> […]</span></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p><em>Correio Braziliense e Estado de Minas – domingo, 10 de junho de 2018.</em></p>
<p><strong>N</strong>a última sexta-feira de maio, passou a vigorar na Europa uma legislação rigorosa sobre a captação e uso de dados, produzidos pelas inúmeras máquinas digitais que inundaram a vida de todos. Tudo o que é digital gera dados armazenados e analisados a exaustão. São ativos de valor inestimável que misturam indiscrição, marketing, segurança, economia e política.</p>
<p>Depois que cada página da web coloca lá seus cookies para monitorar pessoas, plataformas mais engenhosas e atraentes como Facebook, Google, Twitter, WhatsApp deixaram de ser empresas de comunicação. São agências de incerteza, distração e velocidade que, com suas conexões, estão produzindo um cidadão novo, uma comunidade de públicos vociferantes e ativos. São mitos fortes contra a onipotência da política. Fizeram do povo, essa multidão de miragens, sua plateia. Nem sempre é o melhor. A força desestabilizadora/criadora das quatro plataformas listadas acima foi logo compreendida pelo governo chinês de forma hostil. Lá não entram. Se pouco, o fazem clandestinamente. Há culturas que sabem que não são mídias que vão converter o povo na direção de novos conteúdos. Diferente do Brasil, cuja sociedade esfriou sua resistência a bobagens tecnológicas e, além de aceitar tudo, se orgulha de ficar distante do pensamento crítico, há países que sabem preservar seus códigos de analise à luz da sua civilização.</p>
<p>Na China, Renren, Baidu, Weibo, WeChat, respectivamente, fazem as vezes dos proscritos serviços americanos. E lá estão, escancaradamente, a serviço do Estado, o que também não é bom.</p>
<p>A China tencionou pelo nacionalismo estratégico, montando barricadas atrás de sua grande Firewall e se divertiu com a situação atual quando Donald Trump usou as armadilhas que os EUA montaram mundo afora para pegar os outros. Afinal, é como se uma Praça Taksim – a praça em Istambul de onde partem todas as manifestações, pacificas ou não, na Turquia – virtual inteira pousasse na Praça Lafayette em Washington.</p>
<p>Política à parte, a rápida revolução das empresas de tecnologia aponta para uma bipolaridade entre Vale do Silício e Shenzhen, polos usados por Washington e Beijing. A percepção de um mundo mau desafiante faz com que as pessoas, por medo, corram para construírem sua maldade e a terem sob seu controle. O problema é que a maldade construída é também indomável e sempre escapole das mãos dos que se acham bons.</p>
<p>A saída civilizada (e possível) da tradicionalista Europa foi seu “Regulamento Geral sobre a Proteção de Dados”, implicando “todas as empresas ativas na UE, independentemente da sua localização”. A iniciativa europeia é apenas um primeiro passo de uma vasta discussão sobre mau uso de dados em análises e algoritmos que podem ter impactos destruidores nas vidas das pessoas.<br />
Há um excelente livro popularizador desses palpitantes temas no mercado faz uns dois anos. Em tradução livre, se chama “Armas de Destruição Matemática”. Há uma clara alusão às armas de destruição em massa, porque os big data, com seus algoritmos, podem ser usados de forma maldosa, ou apenas por conta da inexorável falha humana. Sua autora, Cathy O’Neill, trata de forma didática desse assunto que para a grande maioria das pessoas é virtual e abstrato demais.<br />
O’Neill aponta como modelos opacos, humanos e, portanto, falhos, ganham aura de inquestionável ciência deixando uma infinidade de injustiças e más decisões por onde passam.</p>
<p>Na política são o novo campo da guerra de guerrilhas. Uma bomba atômica que todos correm para ter a sua. Há uma diferença, contudo, pois a difusão da bomba atômica acabou se tornando um fator de equilíbrio da paz. Porque seu uso, de enorme consequência, é tão óbvio que a própria antecipação da retaliação freia o potencial agressor. A manipulação maliciosa dos dados e comunicação, por outro lado, é micro, difusa demais, faz a disputa se arrastar até a exaustão sem exigir um novo patamar de relações e realidade. Até quando?</p>
<p>Na política trata-se da nova oposição, espalhada, convocada sem custos ou agenda definida. É excremencial. Caldeirão de contradições marchando em sintonia com a falta de diálogo. Falsa democracia direta. Sociedade de guetos que podem se encontrar inesperadamente como meteoros sobre a terra.</p>
<p>A Europa acorda agora para a questão. A China, que tem quase 200 cidades com mais de 1 milhão de habitantes, não brinca em serviço, não deixa rede social surfar na cabeça do povo assim. Porque também sabe, por tradição e senso de dever com sua multidão de pessoas, que nenhum planeta novo tem o poder de alterar o horóscopo. O jogo no mundo atual tem oportunidades e desafios que, em poucas tacadas, mexem com gente demais. Criatividade vai bem, desde que não despertem nas pessoas formas baixas de energia social.</p>
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		<title>O horror estético das massas</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Paulo Delgado]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 08 Jul 2018 10:48:38 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Correio Braziliense e Estado de Minas – domingo, 8 de julho de 2018. Erra quem interpreta a vitória eleitoral espetacular do próximo presidente mexicano, antigo prefeito<span class="excerpt-hellip"> […]</span></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p><em>Correio Braziliense e Estado de Minas – domingo, 8 de julho de 2018.</em></p>
<p><strong>E</strong>rra quem interpreta a vitória eleitoral espetacular do próximo presidente mexicano, antigo prefeito da Cidade do México, DF, puramente como conquista da esquerda. Não que ele não seja um esquerdista na visão do filósofo Norberto Bobbio: uma pessoa mais imersa no mundo dos mais pobres e que luta pela justiça social degraus acima da liberdade individual. Relativamente aos últimos muitos presidentes do México ele é diferente. No entanto, o fato é que, como militante político tradicional, concorreu em uma plataforma altamente publicitária que junta combate à corrupção, à violência, à privatização e ao establishment. Tipo de plataforma circunstancial que é muito utilizada no Brasil, já elegeu pela esquerda, agora agita pela direita, acaba sempre se irrealizando na prática.</p>
<p>Há uma onda de ciclo curto onde a natural alternância que o eleitor e a sociedade buscam fazer entre grupos de poder conhecidos ultrapassa questões ideológicas. O México ficou décadas trocando o poder entre conservadores tradicionais na sua institucionalizada “revolução”.  O presidente eleito domingo passado, quando perdeu a primeira vez, se proclamou eleito e até montou um governo paralelo, como é comum na região. Ou seja, desta vez, como não houve mal-entendido, foi feita a troca menos traumática, que é colocar um conhecido que nunca ocultou seu desejo de governar o país. A aceitação de um não conservador deve ser vista sob a ótica da rejeição recorde à atual administração conservadora e ao que se passa na retórica oficial dos EUA com relação ao país, o que dá margem a discurso mais inflamado em qualquer lugar. Não há necessidade de saber o nome de ninguém, pois nenhuma ação no período eleitoral tem sido irmã de sonho governamental. Está em curso o princípio universal do mais frio horror estético das massas quando o assunto é votar visando ao interesse geral.</p>
<p>A onda de ciclo longo, mais rara e por isso ainda mal compreendida, pois de fato causa estupefação, é a do mal-estar civilizacional com a estrutura vigente dos arranjos sociais, políticos e econômicos que sustentam a realidade no mundo atual.</p>
<p>Essa realidade sofreu um único rearranjo significativo interno e orgânico desde 1945, com a guinada neoliberal globalizante a partir de 1990. Seja econômica ou comportamental, liberais foram todos os governos importantes, de esquerda e de direita, de 1990 para cá. A insistente crise que chegou na década passada está acabando com esse élan, de lado a lado. São graves as chances de ruptura nos acordos que mantêm a paz mundial.</p>
<p>Por fim, para além das ondas globais das quais faz parte por força das circunstâncias objetivas, o novo presidente mexicano quer criar a ideia de que em torno de si avoluma-se uma terceira onda, especificamente mexicana. Cioso e estudioso da história que é, ele se coloca mais como o depurador do que na sua visão são fragilidades institucionais legadas pelo próprio processo de formação do Estado mexicano.</p>
<p>Se ele quiser preservar sua decência e trazer justiça social de fato, é prudente que evite ser a cara da vez do velho populismo de esquerda. Que na verdade é uma corda bamba latino-americana que vai da direita para a esquerda. Basta alguém ficar insistindo em manipular a massa que ela vagueia entre seu ideal teórico de mudança e a tentação prática de enfiar um parente no gabinete do presidente eleito.</p>
<p>Veja o caso das privatizações. Toda essa conversa contra a privatização só existe onde não existe Estado público. Se o Estado fosse mesmo Estado na América Latina, qual o problema de privatizar e fiscalizar a gestão privada e induzi-la ao desenvolvimento?  Todavia, o Estado mexicano é tão privado como o nosso, não há nenhuma área realmente pública. Mesmo a criminalidade e a corrupção são fortemente estimuladas pelas corporações e agentes públicos envolvidos. Fortalecer indústria de petróleo pública no México? Ora, é aumentar a corrupção, pois o costume na região é empresa estatal se tornar propriedade dos seus altos funcionários e dos políticos obcecados em usufruir de monopólio.</p>
<p>Ao menos 136 políticos foram assassinados desde setembro no México. Qualquer ideia de Estado judicial-policial pode rapidamente descambar para anacronismo disfuncional. Talvez um aguçado senso de destino pessoal tenha levado o presidente eleito no dia do anúncio de sua vitória a ser espantosamente comedido. O centro do que disse foi que queria “entrar para a história como um bom presidente para o México”. Meu Deus, que país precisa mais do que isso?  Para ser bom presidente, nada melhor que uma noção desmistificada de si e do que rege o mundo. Bom governo, presidente Andrés Manuel López Obrador.</p>
<p><img decoding="async" class=" wp-image-5095 aligncenter" src="https://paulodelgado.com.br/wp-content/uploads/2018/07/Eleição-mexicana-2018-300x184.jpg" alt="" width="476" height="292" srcset="https://paulodelgado.com.br/wp-content/uploads/2018/07/Eleição-mexicana-2018-300x184.jpg 300w, https://paulodelgado.com.br/wp-content/uploads/2018/07/Eleição-mexicana-2018-768x472.jpg 768w, https://paulodelgado.com.br/wp-content/uploads/2018/07/Eleição-mexicana-2018-1024x629.jpg 1024w, https://paulodelgado.com.br/wp-content/uploads/2018/07/Eleição-mexicana-2018-238x146.jpg 238w, https://paulodelgado.com.br/wp-content/uploads/2018/07/Eleição-mexicana-2018-50x31.jpg 50w, https://paulodelgado.com.br/wp-content/uploads/2018/07/Eleição-mexicana-2018-122x75.jpg 122w, https://paulodelgado.com.br/wp-content/uploads/2018/07/Eleição-mexicana-2018.jpg 2048w" sizes="(max-width:767px) 476px, 476px" /></p>
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		<title>A Dama das Camélias</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Paulo Delgado]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 11 Jul 2018 10:39:05 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Artigos Estadão]]></category>
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										<content:encoded><![CDATA[<p><em>O Estado de S. Paulo &#8211; 11 de julho de 2018.</em></p>
<p><strong>T</strong>oninho Drummond, jornalista admirado de quem fui amigo, contou-me certa vez que em 1937 o Cine Glória, da sua Araxá, anunciou a apresentação do filme A Dama das Camélias, dividido em duas partes. Sucesso total, e antes da segunda sessão na mesma semana, a mulher mais cobiçada da cidade confessou, sedutora, ao jovem operador do cinema que seria a pessoa mais feliz do mundo se Marguerite, a heroína, não morresse no final. Seduzido, o operador foi à luta munido de uma tesoura: reeditou o drama para fazer a vontade da insinuante dama. Cortou as cenas finais, substituiu-as por outras e assim Greta Garbo termina aos beijos com Robert Taylor, transformando a tragédia em farsa. Terminada a segunda sessão choveram protestos de leitores da obra original de Alexandre Dumas. O prefeito Antônio Vilas Boas, nomeado depois ministro do STF, estimulou a ira do promotor Christiano Barsante a agir contra o manipulador apaixonado. Chamaram o projecionista. “Semana passada assisti a este mesmo filme em Uberaba. A atriz morre tuberculosa no final. E aqui não?”, interpelou ameaçador, como é costume entre promotores aliados de juízes. “Uai, doutor, fulminou o responsável pela projeção, “ela sarou, todo mundo sabe que o clima de Araxá é muito melhor do que o de Uberaba”.</p>
<p>Não precisamos mexer na fita, caçar vilões com impropérios, manipular sonhos, usar o humor para acostumar o País a cretinos. Não queremos um leão, tigre, águia ou abutre que domine por violência e medo. Precisamos de um cisne que atravesse as águas com grandeza e coragem, a majestade de saber que não fará mau uso do seu poder. Não precisamos de uma geração de vingadores, nem de inimigos arrogantes do mal. Precisamos de uma República tranquila onde o povo não tema seu governante e veja nele sinceridade, concórdia e compromisso.</p>
<p>O País segue joguete da marca de Caim. Não há conflito elevado entre concepções do Direito e sua relação com as questões morais. Há soberba de infelizes juízes que, devendo obséquios a culpados, levam a magistratura a contribuir para a radicalização política aceitando petições atravessadas por poderosos como se a toga fosse traje de bordel sem alvará.</p>
<p>Há um dilaceramento provocado pela política na alma do brasileiro que o fez deixar de acreditar na superioridade do trabalho e na simplicidade do dever. A população não está conseguindo acompanhar o ritmo da vida cada vez mais dura, ostensivamente miserável para o batalhador, suntuosamente privilegiada para o jogador. A riqueza sem lastro ou refinamento desmoraliza a vocação e o esforço para a produtividade. Todo dia quem trabalha é assediado por jogos obscuros promovidos pelo tumulto de personalidades malévolas que ocupam postos muito altos nas principais instituições. Autoridades incapazes de enfrentar a batida do tempo deixam desconsolada e confusa a juventude, que se agride, se mata, se droga, diante deste naufrágio que virou a vida normal entre nós.</p>
<p>A popularidade de um político preso por corrupção beira o obsceno. Manipula o filme da cadeia seguro de que fundou novo conceito do uso do Estado e da Justiça. Deu identidade política ao desprezo pelo plausível e ancorou a farsa no governo como se fosse indignação. Impôs a improvisação e o privilégio como política pública e viu todas as classes se adaptarem sem dificuldade. Criou outra pele para a Nação, sob o açoite do interesse pessoal.</p>
<p>Assim, sem fundamentar a reunificação nacional num plano altamente espiritual em que as instituições públicas renunciem a esse poder viciado que receberam quase como cúmplices, não será possível mudar o timbre de ódio, inveja e bajulação que prevalece. O privilégio é a causa da pane do nosso boletim civilizatório.</p>
<p>Para outubro a confusão ampliada por juízes impunes já apresenta 18 candidatos a presidente com destaque para um falacioso destrutivo, um experiente meio bravo, um eficiente gestor traído, uma solitária de bom espírito, um preso que amedronta o Supremo com seus segredos e usa esse medo para solidificar a versão de que o cálculo político da sua condenação é superior à sua desonestidade como encarcerado. A perda de élan da Justiça diante do réu tornou-se um caso pejorativo. Parem, o Brasil não tem mais força para revidar a esse carrasco sem dó que é a corrupção velada pela Justiça.</p>
<p>São 35 partidos em campanha, incapazes de dar consistência partidária às ideias dos candidatos. Nenhuma preocupação com a articulação parlamentar para produzir a maioria política que estabilize um governo no presidencialismo. Candidato sério não se pode considerar independente da desordem partidária. Quem não estrutura sua base de apoio desde já, para legitimá-la pela urna, terá de fechar negócios depois de eleito, na feira que é a elefantíase do sistema político.</p>
<p>A verdade é um patrimônio da tradição. E faz parte da verdade que onde há reeleição é fundamental a função presidencial no concerto do processo sucessório, ou como candidato, ou como maestro. Especialmente agora que a eleição, garantida pela serenidade do presidente, se tornou a única premissa para que a ordem constitucional continue sendo considerada.</p>
<p>O Supremo, como ouvidoria de luxo de privilegiados, ameaça a ordem democrática ao querer harmonizar moralismo com autointeresse. Nada teme, “sobe aos céus e joga Deus por terra” para seguir na sua atmosfera de fogueteiro cuja função é agravar o desalinho do eixo gravitacional do governo.</p>
<p>De forma engenhosa, Temer construiu um modelo de equilíbrio entre uma agenda reformista na economia e uma postura conservadora na política, e se tornou o mais barato presidente do País em relação aos mecanismos tradicionais de obtenção de apoio parlamentar para fazer reformas. O que incomodou os que não querem mudança e partiram para manipular o andamento do filme sucessório, estimulados pelo fantasma regressivo que intimida maus juízes.</p>
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		<title>MILHÕES DE  WHATSAPP E BRUXAS</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Paulo Delgado]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 05 Aug 2018 17:36:08 +0000</pubDate>
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										<content:encoded><![CDATA[<p><em>Correio Braziliense e Estado de Minas &#8211; domingo, 5 de Agosto de 2018.</em></p>
<p><strong>N</strong>arendra Modi, primeiro-ministro da Índia desde 2014, fazia um discurso no interior do estado de Bengala Ocidental quando uma tenda que protegia o público da chuva desabou, levando quase 100 pessoas para o hospital. O evento ocorreu no dia 16 de julho, semana anterior ao embarque de Modi para a cimeira dos Brics em Joanesburgo. Ao retornar a Nova Délhi, as investigações sobre o acidente já estavam sobre sua mesa.</p>
<p>A parte central do inquérito está focada no fato de que as principais autoridades locais de alto escalão responsáveis pela segurança não estavam presentes no comício, algo estranho em se tratando de uma visita do chefe do governo nacional.</p>
<p>No momento que a tenda desabou, Modi vociferava contra a principal liderança política do estado, Mamata Banerjee, uma das mais famosas dissidentes bem-sucedidas do Partido do Congresso. Mamata é a ministra-chefe da Bengala Ocidental, o que corresponde ao principal cargo executivo dos estados regionais na Índia.</p>
<p>A partir da capital, Calcutá, Mamata comanda um estado com a quarta maior população do país. Seu partido, o Trinamool, foi fundado em 1998 com dissidentes da agremiação vinculada à família Gandhi. Hoje em dia, ela busca formar com os Gandhi, derrotados pelo Partido do Povo Indiano (BJP) de Modi nas últimas eleições nacionais em 2014, uma frente ampla de oposição ao atual primeiro-ministro.</p>
<p>As eleições nacionais indianas ocorrem no primeiro semestre do ano que vem, mas, com eleições nacional e regionais desvinculadas, todo ano é ano de eleição. Modi é um peixe n’água em tal ambiente. Seu mantra, repetido em comícios, é o de levar a Índia de um país lembrado no mundo por encantadores de serpente e feiticeiros para um de mestres da tecnologia da informação (TI). Parece um Rodrigues Alves buscando vacinar e sanear todo o Rio de Janeiro para combater a imagem de pestilência e insalubridade vinculada ao Brasil na época. A diferença é que Modi foca em habilidades tecnológicas e crescimento econômico. Sua briga é contra a visão da Índia como um lugar atrasado. E, em meio à revolução tecnológica atual, com sua hiperconectividade e grande importância da TI, a Índia está muito bem posicionada e desbancando a China no setor.</p>
<p>A briga pela condução do país está animadíssima. Mas não é nada tecnológica a versão do boicote no acidente do comício na Bengala Ocidental, governada por sua adversária. Impossível apurar a ação das bruxas da velha Índia, que sopram durante as chuvas para fazer os temporais.</p>
<p>Modi, enfático e hábil líder nacionalista hindu, tem um aplicativo por meio do qual divulga suas ideias e pede opiniões e sugestões da população inscrita. Ainda que ele só tenha sido baixado umas 5 milhões de vezes, já vem instalado em cerca de 40 milhões de celulares de baixo custo comercializados pela telefônica Reliance Jio. O uso e abuso de redes sociais criou o idiota transdisciplinar, o bruxo virtual do mundo sem lei.</p>
<p>Ao contrário do controle central que Pequim exerce sobre a circulação de notícias, na Índia o alastramento de rumores e (des)informação é avassalador. Algumas vezes com resultados deploráveis. Especialmente em meio aos 200 milhões de usuários do WhatsApp, o maior mercado no mundo para o aplicativo. O governo Modi anunciou no início de 2018 desejar colocar no Ministério da Informação uma central de acompanhamento das Mídias Sociais capaz de recolher dados que ajudem o governo a tomar o pulso do país e identificar focos de agitação criminosa. No ambiente democrático indiano, a proposta vem sendo rechaçada pelos riscos de descambar em vigilância em massa. Todavia, é interessante por ser proposta feita de forma pública e não oculta sob manto de segredo de segurança nacional como feito em outras democracias.</p>
<p>Como Modi tem o poder nas mãos sobre a maior democracia do mundo, o escrutínio sobre suas táticas atrai muita atenção. Inclusive para antever o lugar que nossa época realmente almeja para si e para líderes controversamente influentes enfiando veneno no caldeirão do Google, Facebook, Twitter, Instagram e WhatsApp.</p>
<p>“Seu estilo não é tão brutal quanto o de Putin ou Erdogan; nem tão selvagem quanto Trump ou do filipino Duterte. E ele está sujeito a muito mais pesos e contrapesos do que Xi Jinping”, avaliou recentemente Gideon Rachman para o Financial Times. Mas a forma como Modi buscará a reeleição em 2019 tem tudo para ficar no limite da interseção entre os ritos democráticos e a tecnologia atual, por um lado, com flertes autocráticos nas sombras cinzentas da lei. Se ele tiver sucesso em atravessar esse caminho continuando no campo democrático, será um alento para a democracia no mundo todo.</p>
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		<title>UM DESAMPARO MUNDIAL</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Paulo Delgado]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 19 Aug 2018 15:34:07 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Correio Braziliense e Estado de Minas – domingo, 19 de Agosto de 2018. Na semana em que a maior caixa de ressonância do pensamento liberal no<span class="excerpt-hellip"> […]</span></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<div><em>Correio Braziliense e Estado de Minas – domingo, 19 de Agosto de 2018.</em></div>
<div></div>
<div><strong>N</strong>a semana em que a maior caixa de ressonância do pensamento liberal no mundo, a revista The Economist, de Londres, trouxe sua edição anual de melhores cidades do mundo para se viver — um morango com chantilly para as pessoas que querem e podem viver melhor —, a Unicef publicou, em Brasília, um relatório sobre a situação desalentadora das crianças nas cidades brasileiras.</div>
<div></div>
<div>A qualidade da cidade e a boa formação das crianças são a mesma coisa. Cidade ruim é adoecedora e impõe a todos uma ansiedade crônica. A vida é muito curta para a incompetência a fazer pequena. A má cidade joga fora o futuro de uma pátria que só pode ser melhor se amar e proteger as crianças que nela crescem.</div>
<div></div>
<div>Vinte e cinco por cento da nota para a qualidade de vida nas cidades é dada pelo estudo da consultoria da Economist para o item estabilidade. Trata-se, basicamente, do levantamento sobre a ocorrência de crimes. Dos leves aos hediondos e terrorismo. Só por aí já se entende porque não há metrópole brasileira na lista. O levantamento da Unicef sobre privações, já tão negativo para o país, nem isso inclui: algo como o que seria o percentual de crianças privadas de estabilidade.</div>
<div></div>
<div>Os outros itens analisados pelo grupo inglês e pela Unicef são os suspeitos de sempre: infraestrutura, acesso e qualidade da saúde privada e pública, cultura e meio ambiente (onde entra corrupção) e educação. Seis das 10 cidades melhor avaliadas estão ou no Canadá ou na Austrália. Nenhuma nos EUA, país mais rico e poderoso do planeta, mas que tem dificuldade de proteger as crianças da violência.</div>
<div></div>
<div>
<div>Curiosamente, até alguns dias atrás concorria pela nomeação de candidato a governador nas primárias democratas para as eleições que ocorrerão em novembro no pequeno estado de Vermont, no nordeste dos EUA, um garoto de 14 anos. Foi derrotado por uma candidata transgênero, igualmente sem prévia passagem por cargo eletivo. O estudante, que ainda nem pode votar, fazia campanha com base na tragédia das chacinas que se repetem em escolas e sua ligação com a necessidade de uma melhor regulação sobre porte de armas. Vermont é um estado com um IDH mais alto do que a média dos estados americanos. É de lá o senador democrata Bernie Sanders, querido da boa juventude idealista americana, que perdeu nas primárias presidenciais passadas para Hillary Clinton, depois derrotada por Donald Trump.</div>
<div></div>
<div>A radicalização retórica contra o mal virou um estereótipo e um subproduto do atual estágio da comunicação em massa. Ao mesmo tempo em que mostra a condescendência da sociedade com o rude, abre o flanco dos ingênuos para líderes reacionários toscos, mas que estariam inviabilizados se as instituições funcionassem bem.</div>
<div></div>
</div>
<div>
<div>A ex-secretária de Estado americana Madeleine Albright publicou um longo estudo sobre o fascismo no mundo. Diz ela ser um alerta sobre algo com o que não se deve brincar, nem fingir não se ver. Lembra que já no entre guerras “a velocidade assustadora da globalização levou muitos a encontrar abrigo nos ritmos familiares de nação, cultura e fé; e pessoas por todo o lado pareciam à busca de líderes que clamavam ter respostas simples e satisfatórias para as confusas questões da modernidade”. Quanto mais complexo o mundo se torna, mais simples e fantasiosas são as estratégias dos demagogos, quase sempre sem maturidade ou força intelectual e moral para a vida prática e suas dificuldades.</div>
<div></div>
<div>O fato é que a grande luta pela democracia do século 20 foi contra grupos, independentemente da ideologia, que se formam por afinidades e discursos variados buscando substituir, na sociedade, a pluralidade pela uniformidade. A má estética que os identifica é a grosseria, a simplificação, o descompromisso de enxergar saídas com autoridade e planejamento, mas sem fúria ou mais violência.</div>
</div>
<div></div>
<div>
<div class="noticia">
<div>A vida social normal, regida por instituições abertas e rotinas virtuosas, parece muito chata a muita gente. Pense no Canadá e na Austrália, onde estão a maioria das boas cidades para se viver. São lugares “devagar”, salvo pelas belezas naturais e a gentileza da sua gente. Teoricamente, tal calma deveria ser almejada. Desde que a maior iguaria da política não fosse o conflito e a bravata acompanhados do elixir do engodo que é a destruição da razão dos seguidores. Há quem incendeie a sociedade para se oferecer protetor dela.</div>
<div></div>
<div>O século 20, que parecia ter enterrado seus falsos césares,  está refugando em saltar para um século 21 melhor diante do surgimento de estranhas figuras em todos os países. Para não piorar as coisas, melhor não ser arrebatado pela agenda da violência de ninguém. Olho no stress pessoal e na falta de paz interior: muitos políticos, atormentados, estão vestidos para uma guerra que não é a da melhoria de vida para todos.</div>
<div></div>
</div>
<div class="noticia"></div>
</div>
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		<title>Vulcão extinto</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Paulo Delgado]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 14 Sep 2018 22:55:15 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Artigos Estadão]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>O Estado de S. Paulo – 12 de setembro de 2018. Um, como Calígula, quer outra vez fazer seu cavalo cônsul. Outro, pensava atear fogo em<span class="excerpt-hellip"> […]</span></p>
<p>O post <a href="https://paulodelgado.com.br/vulcao-extinto/">Vulcão extinto</a> apareceu primeiro em <a href="https://paulodelgado.com.br">Paulo Delgado</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><em>O Estado de S. Paulo – 12 de setembro de 2018.</em></p>
<p><strong>U</strong>m, como Calígula, quer outra vez fazer seu cavalo cônsul. Outro, pensava atear fogo em Roma, mas bateu de frente com um Nero mais ligeiro.</p>
<p>A República não encoraja a ninguém seu vício exagerado, nem permite impor ao eleitor visita guiada até a urna. Quem brinca com o humor do povo pode até dar peso à fumaça, mas a vida assumirá seu erro logo à frente. Assim, que ninguém confunda seus medos com nossos males.</p>
<p>Mande parar de dar cachaça de presente para ele. Não tenho mais onde pôr, nem acho que um diplomata esteja oferecendo ao presidente algo da sua adega. Madame, não é da natureza de nossa diplomacia ver incorreção na busca da felicidade na carreira. Eles se agitam nos círculos fúteis e nos úteis em busca de promoção. A maioria não sabe bem quem vem antes, se gregos ou romanos, são produto do esporte praticado pelo chanceler e a mania da profissão de cultivar amizades lucrativas. Mas entendo sua angústia, das coisas desagradáveis da vida um embaixador puxa-saco é pior que um jantar de homens embriagados.</p>
<p>No outro polo, fazendo noite sobre seus pecados, ele delira: vou me impor como raposa, fingir a determinação de um leão, mas Deus me livre de provocar a ira de um tolo e ser por ele esfaqueado como um cão.</p>
<p>Não é da política que eles gostam. É da vida descuidada, ardilosa e sem lei que encontram no meio dela. Qualquer coisa que se diga dessa campanha, aos dois correspondem mais da metade dos problemas.</p>
<p>O favorito é que não deveria ter nenhum amigo. Minha amiga poderosa riu, passou o cigarro que sempre filava – serrar, amigo, aqui se fala serrar, dizia-me, divertida. Liguei o desconfiômetro, foquei na futilidade das maquinações humanas em proveito próprio e percebi como é fácil ser amigo de alguém no auge do seu triunfo. O medo de criticar um vitorioso tirou de cena o princípio de que “a expressão que fere é a certa”. O País pisa em ovos. Todos recuam diante de um césar. Eles inverteram a lógica da política, insultam, quando deveriam estar ali para serem insultados. Os dois decidiram andar com a cabeça virada para trás. Vêm melhor os ressentidos e a sombria arrogância dos rostos apressados, assentados nas almofadas de seda da política. Podem até ter virtudes, mas nenhum dos dois tem fronteira.</p>
<p>E vi os modos primorosos se anteciparem, diplomatas, artistas, intelectuais e religiosos, bem antes do rico pidão e do povão oferecido. Os eleitores, ah, os eleitores, esqueça, são o truque de tudo, a sombra na prosperidade dos maus que incomodava o rei Davi.</p>
<p>Ela gostava quando eu dizia que a política é paixão doentia, violenta, que toma a forma humana para agir usando a bandeira dos anjos. Somos o povão, prometia que seria diferente. Exultava quando lhe dizia que os que apoiam por lascívia não devem ser considerados “eu mesmo”. Sentenciosa e ciumenta, usava a deixa e exigia que com essas ideias normais deveríamos voltar mais cedo para casa para dar espaço a outros. Tinha uma harmonia de temperamento com ela, trocávamos ideias sobre os países do mundo, mas ficava com o pé atrás com a turma da carona do avião presidencial, desenvolta como se estivesse numa companhia aérea particular. Ela não teve tempo de ver o outro igual na direita, o mesmo método, provocador, intimidando os inocentes.</p>
<p>Ridículo nacional é o Brasil não conseguir modular a forma como age em episódios corriqueiros de falta de cultura, impostos ao povo por gente sem grandeza. O que falta ao País não é ousadia, é sobriedade. Nem da cela ele passa o bastão, pois é mesmo o dono de tudo; mesmo na maca, ele aponta a arma para a barriga aberta como se fosse um bisturi.</p>
<p>Ridículo transnacional é a indolente diplomacia que não consegue dividir suas inquietações com critério e se torna presa fácil do pessoal do manifesto, propagadores de utopias de encomenda. Quantos assinam tudo para fugir ao esquecimento? Uns adoram se dizer da ONU, caçadores de curiosidades, cheios de fórmulas e crachás, peritos-parte. Consideram o mundo político da periferia esgoto dos vizinhos, enquanto colecionam nas suas casas figurinhas de gente falada. Parcos em olhares e sinceridade, escrevem resolução como bula que indica leite Ninho para criança da época de Josué de Castro.</p>
<p>Foi a amizade que virou sabedoria que fez do papagaio, que também fala línguas estranhas, embaixador além-mar. Se eles não defendem o Brasil como deviam, o general candidato se põe a falar sobre as presumíveis causas das inundações do Nilo. Mania antiga essa conversa estrangeira e uniformizada, de falar mal e ameaçar as instituições do Brasil.</p>
<p>A campanha avança, parem com tolice. Os moderados se aproximem, não se deixem atacar de flanco, pois o veneno que se instalou pela controvérsia entre o certo e o errado demorou um pouco a produzir seu efeito. Melhor sair do círculo das grandes minorias, parar de pedir autógrafo, pois se é uma tolice falar mal do País, são duas votar em seus propagadores.</p>
<p>Poucos percebem que a multidão de negócios que o poder propicia é glória de nada se não pode ser oferecido, limpo, a quem se ama. Porque no fundo ninguém se absolve em seu foro íntimo se souber que sua glória é condenável. Para quem não sabe o que é a solidão e nunca parou para pensar na brevidade da vida, a popularidade até parece felicidade. Nenhum prazer positivo o poder proporciona a quem tem o inexorável desejo de subir e sufocar os outros.</p>
<p>Ela se foi preocupada quando eu disse que ele, senhor de tudo, começava a apertar o botão contra si mesmo e já era juiz, promotor, réu e prisão de sua própria causa. Nunca mais a vi, nem disse a ela o que acontece com quem ama o engano: para quem nada encontra dentro de si, tudo é pretexto para que a excitação anormal esconda a prostração civil. Vulcão extinto, na cadeia ou no hospital, só se percebe assim quando a alma do poder que o motiva se revela indiferente à alma verdadeiramente humana.</p>
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		<title>Gaviões e passarinhos</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Paulo Delgado]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 23 Jan 2019 04:00:34 +0000</pubDate>
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		<category><![CDATA[eleições]]></category>
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<p>Notícias do Dia &#8211; Florianópolis, 23/01/2019 &#8211; Grupo RIC.</p>



<p><strong>N</strong>o Senado Federal o passa­do não passa. Embora te­nha sofrido uma renova­ção de mais de 80% das cadeiras nas últimas eleições, a maior da história, com somente oito sena­dores reeleitos de 54 que concor­reram, podemos até dizer que o novo predomina, mas temos que reconhecer que é o velho que ain­da domina. Especialmente se con­tinuar em vigor o traje viscoso do regimento interno, costurado por gaviões para vestir passarinhos. </p>



<p>A história costuma trabalhar com a mesma velocidade da tartaruga quando seu curso mostra que fal­tam autoridades mo­rais que a impulsionem. Mas a eleição entre nós costuma significar que os eleitos passam a ter o direito de agir da mes­ma maneira que ditam as regras e os costumes dos que não saíram. E que os governos, quaisquer que sejam, ficam sempre num beco sem saída diante do parlamento. </p>



<p>O governo Bolsonaro é forma­do por diferentes grupos ide­ológicos e corporativos ativos &#8211; os liberais da economia e seus sonhos; os antiglobalização da política externa e seu voluntaris­mo; os militares <br>e seu pé no chão; os caçadores de infiéis das diver­sas vocações religiosas; os entu­siastas de uma justiça lava-jato e seus alvos conhecidos. Tão di­vidido na largada que ainda não é um modelo de governabilidade, especialmente pela falta de rosto parlamentar consistente. </p>



<p>Falta, parece, uma autocompre­ensão por parte dos novatos, embora muitos não sejam ama­dores, do que seja a força de um veterano em estruturas <br>seculares como são os parlamentos. Agra­vado, em outubro passado, pelo confuso presidencialismo multi­partidário que saiu das urnas fica muito fácil sabotar o discurso da campanha e prejudicar o gover­no achando que o está ajudando. Basta querer mudar tudo de ma­neira exagerada sem saber mol­dar o temperamento e ficar aten­to às artimanhas do regimento. </p>



<p>Se o governo pretende paz no parlamento, peça conselho a to­dos, mas nem sempre os siga. E libere a energia da eleição, dei­xe a água rolar nas duas Casas. Certo que o voto secreto é sempre um convite à traição, mas tam­bém <br>tem mais cara de liberdade. Governar com os livres é melhor, pois o poder de um presiden­te para um parlamentar não é bem ele como pessoa, mas todos sabem que é através dele que se manifesta o poder que influencia o mandato de todos.</p>



<p>Leia mais em https://ndonline.com.br/florianopolis/opiniao/artigo/gavioes-e-passarinhos</p>
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		<title>O voto da guerra</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Paulo Delgado]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 12 May 2019 15:25:52 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Artigos Correio Braziliense e Estado de Minas]]></category>
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<p>O Boletim dos Cientistas Atômicos, fundado por pessoas que trabalharam no projeto Manhattan — aquele que desenvolveu as primeiras armas nucleares nos EUA —, criou, em 1947, um relógio que é ajustado como um símbolo de proximidade a um evento de grande destruição planetária. Ele é uma medida subjetiva, baseado na opinião de membros do conselho do Boletim, que é basicamente uma ONG. Serve aqui como introdução. No conselho, atualmente, tem desde um ex-governador da Califórnia por quatro vezes, até uma ganhadora do prêmio Pulitzer, passando por uma série de pesquisadores de várias universidades americanas, poucas estrangeiras, e, até mesmo, alguns cientistas atômicos.</p>



<p>A ideia do relógio é usar a metáfora da proximidade da meia-noite como sendo a proximidade do fim. Quando foi criado, em 1947, já foi logo ajustado para faltando sete minutos para a meia-noite. De lá para cá, a marcação foi alterada 23 vezes para mais e para menos distante da meia-noite. Desde 2018, a contagem é de dois minutos para meia-noite, a mais baixa da série e apenas igual ao ano de 1953.</p>



<p>1953 foi um ano especialmente perigoso para o planeta, porque, em sequência ao teste inaugural de uma bomba de hidrogênio pelos americanos, no fim de 1952, a União Soviética testou a sua bomba de hidrogênio, enquanto os EUA faziam 11 testes nucleares no deserto de Nevada. </p>



<p>Nevada é hoje em dia muito mais famosa pelas festanças sem fim de Las Vegas. Quem sabe, por isso, talvez compreendamos mais por que o ano de 2019 é tão perigoso quanto 1953 por conta de outros acontecimentos.</p>



<p>Música alta, bebidas e clima festivo desanuviavam a noite de um Roosevelt Jr. querendo fazer história em Teerã. A alguma distância do imóvel que abrigava o estadunidense, residia Mohammed Mossadegh, primeiro-ministro do Irã. Naquela noite de 15 de agosto de 1953, Mossadegh tinha sua residência invadida por um grupo de militares decididos a lhe infligir um golpe de estado. Forças legalistas de prontidão impediram o golpe, prendendo dezenas de pessoas.</p>



<p>Já nas primeiras horas do dia 16, quando o rádio conectado no imóvel em que estava Roosevelt Jr. começou a tocar música marcial, celebrar Mossadegh e anunciar que um golpe havia sido reprimido, a ressaca da festa virou um funeral. Kermit Roosevelt Jr., descendente direto do presidente Theodore Roosevelt e também aparentado do presidente Franklin Roosevelt, era o homem enviado pelos EUA ao Irã com a missão de derrubar Mossadegh. Roosevelt Jr., ainda nos seus trinta e tantos anos, era um alto funcionário da CIA numa missão conspiratória secreta. É impossível entender a relação dos EUA com o Irã, e tudo o que tem acontecido e pode vir a acontecer, sem considerar essas ocorrências.</p>



<p>De fato, apenas 60 anos depois, ou seja, há cinco anos, a CIA admitiu sua participação direta nos eventos de 1953. Mais recentemente, em 2017, a CIA liberou um calhamaço de cerca de mil páginas de documentos a respeito da operação. </p>



<p>Fazia parte de um esforço de apaziguamento dos EUA com Teerã, que ganhou corpo na administração Obama e foi fortemente boicotado pela administração Trump. Lendo-os, se aprende que, passadas 48 horas do fracasso do golpe, Roosevelt Jr. recebeu um telegrama de Washington com ordens para abortar a operação.</p>



<p>O desobediente Roosevelt Jr. solenemente desconsiderou a determinação e conseguiu completar sua missão. As relações entre EUA e Irã jamais seriam as mesmas, dando contornos estranhíssimos ao balaio de gato que se tornou o Oriente Médio, onde o petróleo virou um óleo de cobra.</p>



<p>A parte mais famosa dessa valsa fúnebre ocorreu em 1979. A primeira vez que o herdeiro e empresário Donald Trump veio a público para se manifestar sobre algum assunto de política internacional foi justamente durante a invasão e o sequestro de todos os funcionários da embaixada americana em Teerã. Irado com o que ele considerava uma humilhação imperdoável sofrida por seu país.</p>



<p>Desde antes de Trump chegar ao poder, o país para o qual o Pentágono reserva mais horas de preparação para a guerra que ainda não ocorreu, desde o fim da Guerra Fria, é o Irã. De todos os conflitos do mundo, é o dos sonhos de Trump. John Bolton, Conselheiro de Segurança Nacional de Trump, informou neste 5 de maio ter deslocado um porta-aviões para perto da costa iraniana como um aviso. Um aviso que se mistura com os preparativos para as eleições presidenciais de 2020.</p>



<p>Desde o fim de 1986, um estudo publicado no Journal of Conflict Resolution mostra que, em média, a participação dos EUA nas cinco guerras em que esteve envolvido, entre 1896 e o princípio dos anos 1980, teve impacto negativo sobre o sucesso eleitoral do partido que enviava os EUA para cada uma das guerras. (<strong>Continua no próximo artigo</strong>)</p>
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		<title>PRONTIDÃO ELEITORAL</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Paulo Delgado]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 26 May 2019 23:04:34 +0000</pubDate>
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<p><em>Correio Braziliense e Estado de Minas &#8211; domingo, 26 de maio de 2019.</em></p>



<p>A guerra e sua preparação são partes essenciais da maneira com que os governos dos EUA se relacionam com o mundo. O estudo de 1986, que mencionamos no artigo anterior sobre a participação do país nas últimas cinco guerras em que estiveram envolvidos até então, apresenta também outro dado curioso. Quanto maior fosse o efeito negativo e desorganizador no dia a dia dos americanos, maior punição eleitoral sofreriam os políticos envolvidos no conflito. E que tal maldição recaía mais sobre o presidente do que sobre os parlamentares, mas afetava todos aqueles “associados” com a guerra. A conclusão do artigo era de que tal conhecimento talvez resultasse numa menor participação dos EUA em guerras dali para frente.</p>



<p><br>Entretanto, em janeiro de 1991, os EUA invadiam o Iraque numa operação com várias características que mudavam completamente o engajamento popular com guerras. A CNN fazia cobertura ao vivo do conflito pela primeira vez. O nível de tecnologia empregado diminuía drasticamente o uso de soldados americanos no campo de batalha. Ainda assim, eram 500 mil soldados, muito mais do que os utilizados hoje em dia nas guerras de drones. Mas, já em março, a Guerra do Golfo chegava ao fim. A aprovação de Bush pai, logo após o que o Pentágono considerou um fim bem-sucedido da curtíssima operação, extrapolou os 90%. Todavia, caiu muito rapidamente, por conta de confusões domésticas, e ele perdeu a reeleição em 1992. Parecia que as ideias do artigo estavam certas.</p>



<p><br>Entretanto, mais gente teorizava sobre ajustes finos que fizessem uma coisa ajudar e não atrapalhar a outra. George W. Bush, o filho, chegou à Presidência em janeiro de 2001. Em dezembro daquele ano, a aprovação de Bush alcançava 86%, a maior taxa de aprovação no fim do primeiro ano de mandato entre todos os presidentes americanos, de acordo com medições da Gallup feitas a partir de Eisenhower em 1953. Isso só aconteceu por conta do ataque sofrido por Nova York em 11 de setembro daquele ano. Antes do ataque, a aprovação do presidente estava em um pouco mais de 50%. Medições após o ataque mostraram o apoio acima de 90%. Bush invadiu o Iraque em 2003 e se reelegeu em 2004, em meio a uma guerra que durou até 2011.</p>



<p><br>A aprovação de Trump está no patamar mais alto de seu mandato — descontado o primeiro mês —, mas ainda abaixo de 50%. Os passarinhos lhe dizem que um conflito internacional próximo da eleição dará conta do recado, porque os ganhos do momento — ainda que se esvaiam rapidamente — são enormes se tiver pretexto claro compreendido pelo eleitorado. Para muitos, pretexto se fabrica. O problema é que a aceleração da inquietude que a guerra traz é incontrolável.</p>



<p><br>Por mil razões, muitas delas, aqui apontadas, a contra o Irã é o plano A. Por conta de contexto regional, a Venezuela é o plano B. Tanto Venezuela quanto Irã precisam de mudanças nas péssimas lideranças que têm para se tornarem países melhores para seus povos. Entretanto, uma mudança que venha por imposição militar externa — especialmente quando é politiqueira e interessada em petróleo, nos dois casos — só tende a abrir chagas que sangrarão por muito mais tempo.</p>



<p><br>No caso do Irã, as instituições brasileiras, em especial as Forças Armadas e o Itamaraty, têm pouco a contribuir. É importante lembrar que, sem nenhuma superioridade de poder, o governo brasileiro, entre 2009 e 2010, errou ao interferir na dinâmica da disputa entre EUA e Irã. Certeza excessiva é péssima conselheira em política e em diplomacia. Somos uma sociedade aberta, mas, por conta exatamente disso, não podemos passar recibo de desinformados a respeito dos arranjos globais, sob pena de terminarmos apenas com cara de pouco influente. O país persa tem forte lobby e presença nos EUA. Sabe tim-tim por tim-tim o que a administração americana atual pensa e quais são as forças a serem contactadas para se evitar uma desgraça. Desgraça que seria, no longo prazo, para os dois lados. Mas há sempre os cálculos e interesses imediatistas.</p>



<p><br>A Venezuela é um caso totalmente diferente. É nosso vizinho. Não dos EUA. São cerca de 2.200 quilômetros de fronteira conosco. A fronteira geopolítica dos EUA no continente é o Panamá. Nossas Forças Armadas sabem que não podem permitir conflito militar internacional aqui na América do Sul. É o mínimo que fazemos, e bem, manter a paz na nossa região. Infelizmente, a situação lá se agravou ao longo das últimas décadas em parte por culpa do Brasil, mas também dos EUA. Lá, sim, cabe uma atuação, do Itamaraty, principalmente, e das Forças Armadas, pelos canais multilaterais do sistema da ONU, para se garantir a transição de governo sem permitir que tenhamos um campo de guerra no nosso subcontinente, para uso da imprevisível campanha presidencial nos EUA.&nbsp;</p>
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