<?xml version="1.0" encoding="UTF-8"?><rss version="2.0"
	xmlns:content="http://purl.org/rss/1.0/modules/content/"
	xmlns:wfw="http://wellformedweb.org/CommentAPI/"
	xmlns:dc="http://purl.org/dc/elements/1.1/"
	xmlns:atom="http://www.w3.org/2005/Atom"
	xmlns:sy="http://purl.org/rss/1.0/modules/syndication/"
	xmlns:slash="http://purl.org/rss/1.0/modules/slash/"
	>

<channel>
	<title>Arquivos EUA - Paulo Delgado</title>
	<atom:link href="https://paulodelgado.com.br/tag/eua/feed/" rel="self" type="application/rss+xml" />
	<link>https://paulodelgado.com.br/tag/eua/</link>
	<description></description>
	<lastBuildDate>Tue, 04 Feb 2020 23:37:52 +0000</lastBuildDate>
	<language>pt-BR</language>
	<sy:updatePeriod>
	hourly	</sy:updatePeriod>
	<sy:updateFrequency>
	1	</sy:updateFrequency>
	<generator>https://wordpress.org/?v=6.7.5</generator>
	<item>
		<title>EQUILíBRIO, DESEQUILÍBRIO NOS EUA</title>
		<link>https://paulodelgado.com.br/equilibrio-desequilibrio-nos-eua/</link>
					<comments>https://paulodelgado.com.br/equilibrio-desequilibrio-nos-eua/#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[Paulo Delgado]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 12 Nov 2018 01:40:39 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Artigos Correio Braziliense e Estado de Minas]]></category>
		<category><![CDATA[Recentes]]></category>
		<category><![CDATA[eleições 2018]]></category>
		<category><![CDATA[EUA]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://paulodelgado.com.br/?p=5162</guid>

					<description><![CDATA[<p>Correio Braziliense e Estado de Minas – domingo, 11 de novembro de 2018. Cinquenta anos se passaram desde quando, em novembro de 1968, Richard Nixon se<span class="excerpt-hellip"> […]</span></p>
<p>O post <a href="https://paulodelgado.com.br/equilibrio-desequilibrio-nos-eua/">EQUILíBRIO, DESEQUILÍBRIO NOS EUA</a> apareceu primeiro em <a href="https://paulodelgado.com.br">Paulo Delgado</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<div><em>Correio Braziliense e Estado de Minas – domingo, 11 de novembro de 2018.</em></div>
<div></div>
<div><strong>C</strong>inquenta anos se passaram desde quando, em novembro de 1968, Richard Nixon se elegeu presidente dos EUA. Deputado Federal, senador e vice-presidente bastante atuante no governo de Eisenhower, Nixon perdera as eleições de 1960 por uma diferença irrisória, para Kennedy. Nos anos que separam uma eleição e outra, Nixon se dedicou a fortalecer o Partido Republicano e, nas prévias de 1968, ganhou por vasta margem, deixando para trás Nelson Rockefeller, que disputava com ele. O período Nixon na Casa Branca foi de decisões de enorme importância para o desenho do mundo atual e ele foi reeleito com grande vantagem. Seu segundo mandato, no entanto, foi encurtado por avassaladoras crises. Seu vice-presidente, acusado de corrupção, resolveu deixar o cargo em outubro de 1973. Nos EUA, a vacância da vice-presidência é ocupada por uma indicação feita pelo presidente e confirmada pelo Congresso. Gerald Ford foi o escolhido. No ano seguinte, foi a vez de Nixon renunciar em face da ameaça de impeachment. Ford virou presidente e Rockefeller foi nomeado vice. Anos de grande tumulto em Washington.</div>
<div></div>
<div>O período atual, no entanto, ao seu modo, é ainda mais tumultuado. As últimas eleições podem ser consideradas uma vitória importante para os democratas, mas também não foi uma derrota tão cruel para Trump. É normal as eleições americanas ou já saírem balanceadas desde a eleição do presidente, ou, quando não, gerarem maior equilíbrio de forças nas eleições de meio de mandato. Como em 2016 a vitória de Trump no Colégio Eleitoral veio acompanhada de maioria na Câmara e no Senado, nada mais natural do que haver um maior número de pessoas mais dispostas a distribuir melhor o poder no país. Especialmente em uma situação em que o voto não é obrigatório, a capacidade de gerar interesse e comprometimento é chave. Nesse caso, acabou favorecendo os democratas a ideia de que havia desequilíbrio no parlamento.</p>
<div></div>
<div>Um fato realmente novo foi a ampliação da variação no perfil dos congressistas. Mulheres foram eleitas em números recordes. Serão ao menos 102 na Câmara dos Deputados, que tem 435 membros ao todo. Nesse seleto grupo, estão a primeira mulher indígena, fato ocorrido na eleição brasileira, e as duas primeiras muçulmanas a garantirem vaga no Congresso dos EUA. Assim, os democratas passaram a ser maioria na Câmara, enquanto os republicanos ampliaram ainda mais um pouco sua força no Senado. Trump fez seu papel. Viajou país adentro fazendo comícios para assegurar a maioria no Senado. Qual será a lealdade dos senadores republicanos para com ele é uma incógnita.</div>
</div>
<div></div>
<div>
<div>Imediatamente após o dia da eleição, o presidente americano reagiu dobrando a aposta no discurso de divisão e nos rompantes autoritários. Na quarta-feira, Trump fez com que Jeff Sessions se demitisse do cargo de procurador-geral. Nos Estados Unidos, o procurador-geral também é o chefe do Departamento de Justiça, bem como advogado-geral da União. Colocou em seu lugar alguém que espera que esteja mais alinhado com seus interesses. Se não for o caso, trocará de novo. Sob supervisão do Departamento de Justiça, corre a investigação sobre interferência da Rússia na eleição de 2016. Criada em maio de 2017 e capitaneada por Robert Mueller, ela é a pedra no sapato do presidente.</div>
<div></div>
<div>A partir de janeiro de 2019, os democratas terão condições de fazer uma oposição mais organizada, podendo até pedir o impeachment do presidente. Aparentemente, Trump não buscará conciliação, muito pelo contrário. Sua estratégia deve ser cada vez mais o ataque. Como, de fato, a Câmara pode paralisar muitas de suas políticas, preparem-se para um rol ainda maior de factoides e movimentos espetaculosos por parte de Trump. Todavia, apesar de tudo, é possível trabalhar muito bem com ele. Um pouco como Nixon, Trump é capaz de avançar agendas impensáveis na calculista burocracia tradicional americana. É uma questão de saber o que se quer.</div>
</div>
<div></div>
<div>
<div>Qual será a estratégia dos democratas ainda não está claro. Uma tentativa de impeachment, por exemplo, ainda que bem possível de ser aprovada na Câmara, se vier com cara principalmente de queda de braço partidária, seria em sequência barrada no Senado. Assim ocorreu no caso de Bill Clinton. Trump só cai se dois terços dos senadores votarem contra ele. Algo que só se pode vislumbrar num contexto de absurda comoção nacional diante de um eventual fato novo e chocante. Mesmo assim, dado o clima atual, não é certo que seja suficiente. Uma acomodação por parte dos democratas, inviabilizando Trump, com vistas à eleição presidencial de 2020, é mais provável. Por mais provocações que Trump siga fazendo, as rotas do interesse partidário são sempre bem calculadas.</div>
<div></div>
</div>
<p>O post <a href="https://paulodelgado.com.br/equilibrio-desequilibrio-nos-eua/">EQUILíBRIO, DESEQUILÍBRIO NOS EUA</a> apareceu primeiro em <a href="https://paulodelgado.com.br">Paulo Delgado</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>https://paulodelgado.com.br/equilibrio-desequilibrio-nos-eua/feed/</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
			</item>
		<item>
		<title>O NOVO CHANCELER</title>
		<link>https://paulodelgado.com.br/o-novo-chanceler/</link>
					<comments>https://paulodelgado.com.br/o-novo-chanceler/#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[Paulo Delgado]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 26 Nov 2018 01:44:07 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Artigos Correio Braziliense e Estado de Minas]]></category>
		<category><![CDATA[Recentes]]></category>
		<category><![CDATA[brasil]]></category>
		<category><![CDATA[Civilizações]]></category>
		<category><![CDATA[EUA]]></category>
		<category><![CDATA[Itamaraty]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://paulodelgado.com.br/?p=5165</guid>

					<description><![CDATA[<p>Correio Braziliense e Estado de Minas – domingo, 25 de novembro de 2018. A luta ideológica virou carreira que alimenta direita-esquerda. Foi o que me veio<span class="excerpt-hellip"> […]</span></p>
<p>O post <a href="https://paulodelgado.com.br/o-novo-chanceler/">O NOVO CHANCELER</a> apareceu primeiro em <a href="https://paulodelgado.com.br">Paulo Delgado</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><em>Correio Braziliense e Estado de Minas – domingo, 25 de novembro de 2018.</em></p>
<p><strong>A</strong> luta ideológica virou carreira que alimenta direita-esquerda. Foi o que me veio à mente quando a escolha do novo chanceler mexeu na estante errada do Itamaraty e surpreendeu os bibliotecários que controlam a leitura permitida aos brasileiros. O diplomata todo arrumado, fiel ao comando do condutor, é o tipo adequado para entender o político com problemas de simetria interna-externa. Sempre foi assim. E a diplomacia costuma ser o campo ideal para o impaciente empregar seu poderio. Infelizmente, o Brasil ainda não precisa balancear seu comportamento no mundo sob a pressão da realidade internacional. Basta agradar ao público interno e, agora, parar de abraçar tirano em Malabo. Continuamos um espinhoso país impreciso, que não consegue ver a vida com regularidade. A nova cara da chancelaria é mais um ciclo da força que tem, entre nós, a esperança e a desordem.</p>
<p>Não me desespero antes da hora. E aos que bateram continência submissa para o operário, sem força para confrontar o chefe em nada, e agora andam irritados com o capitão antes da posse, respondam a Freud : qual a sua responsabilidade na desordem da qual você se queixa? Claro que é pouco diplomático um embaixador brasileiro expressar maior fascinação, culturalmente, pela Europa e, materialmente, pelos EUA, do que pelo Brasil, multiculturalmente inimitável. Também não o comparo com os mais controversos formuladores que andam botando fogo na língua das nações. Mas de um modo geral, basta observar o mundo para saber que mesmo grandes conservadores veem uma baita manipulação nesse furor identitário, nacionalista e antiglobalização. Foi um erro da esquerda, com o incentivo de todas as minorias, nos dividir assim e fingir que não via virtude nenhuma no capitalismo. E, agora que as diferenças e os problemas econômicos foram apropriados pela direita, as maiorias, choramingando, querem ser lideradas como se fossem minorias. Esquerda e direita usam “as minorias” como uma plataforma de desculpa para formar governos autoritários. Existem sinais do mesmo erro no novo governo, o de fingir não ver defeitos no liberalismo.</p>
<p>Quem anda ganhando eleição no mundo é um campo ideológico que podemos chamar de anti-establishment, o qaul já foi um campo de centro-esquerda. Atualmente, o populismo anti-esquerdista cresceu porque os partidos de centro e de esquerda, governando de forma populista, desistiram de cuidar do longo prazo da vida dos cidadãos e passaram a não entregar o que prometeram. Usufruíram da globalização quando lhes interessava e quando as ondas econômicas favoreciam. Quando veio a crise, com a desaceleração sincronizada da economia global, não tinham mais moral para criticar o modelo que os beneficiava. Por isso, não vejo sinceridade na “perplexidade” que personalidades ligadas ao Brasil em Genebra, a capital do mundo multilateral, dizem estar sentindo com a indicação do chanceler brasileiro. Ora, ora. Herman Hesse subiu para as montanhas suíças quando percebeu que “o maior vício moral é a absolvição de si mesmo; ela torna inúteis todos os esforços de recuperação”. Quem não se espantou com as tolices que fizemos pela esquerda não tem porque se espantar com as que, pela direita, ainda nem fizemos.</p>
<p>O conservadorismo é um freio de arrumação no caminhar desgovernado da humanidade. Entretanto, só vale se for coerente, ilustrado e dotado de propostas que capturem as questões pungentes. Enfiar ideologia em tudo, num culto da ação ao estilo militante, leva à sobrepolitização de todos os aspectos da vida. Ótima forma de rejeitar a vida democrática. A mensagem tem que ser totalmente clara e compreensível, coisa difícil na diplomacia profética, onde é preciso recusar a política. Ao confundir tradição com tradicionalismo é certo o prejuízo à fé, à pátria e à família. Mas parece que a política externa é mais uma retórica do que uma filosofia.</p>
<p>Samuel Huntington, o guru do governo atual, cita 13 vezes o Brasil quando fala em civilizações. Somos um caroço fora da fruta. Acerta um pouco quando faz referência para a relevância dos evangélicos no caráter nacional. O Brasil, que já teve dois presidentes protestantes — Café Filho, presbiteriano; Ernesto Geisel, luterano —, terá agora um evangélico. Para Huntington, a hegemonia brasileira na região é dificultada pela diferença linguística entre português e espanhol, e compara nossa situação na América Latina com a do persa Irã no mundo islâmico, majoritariamente árabe, que o circunda.</p>
<p>Huntington acha que a dificuldade de unir a região levará o Brasil à esfera de influência direta dos EUA, e só assim faremos parte da Civilização Ocidental. Se o ministro da Educação não fosse colombiano, teríamos um Brexit ao sul do Equador.</p>
<p>O post <a href="https://paulodelgado.com.br/o-novo-chanceler/">O NOVO CHANCELER</a> apareceu primeiro em <a href="https://paulodelgado.com.br">Paulo Delgado</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>https://paulodelgado.com.br/o-novo-chanceler/feed/</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
			</item>
		<item>
		<title>COLETE,  POLUIÇÃO E SABEDORIA</title>
		<link>https://paulodelgado.com.br/colete-poluicao-e-sabedoria/</link>
					<comments>https://paulodelgado.com.br/colete-poluicao-e-sabedoria/#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[Paulo Delgado]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 11 Dec 2018 14:40:33 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Artigos Correio Braziliense e Estado de Minas]]></category>
		<category><![CDATA[Recentes]]></category>
		<category><![CDATA[Bush]]></category>
		<category><![CDATA[china]]></category>
		<category><![CDATA[EUA]]></category>
		<category><![CDATA[França]]></category>
		<category><![CDATA[Kissinger]]></category>
		<category><![CDATA[Protesto]]></category>
		<category><![CDATA[revolução]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://paulodelgado.com.br/?p=5168</guid>

					<description><![CDATA[<p>Correio Braziliense e Estado de Minas – domingo, 9 de dezembro de 2018. Na estreita Rua Varenne, no coração envelhecido de Paris, a mansão Matignon, cujo<span class="excerpt-hellip"> […]</span></p>
<p>O post <a href="https://paulodelgado.com.br/colete-poluicao-e-sabedoria/">COLETE,  POLUIÇÃO E SABEDORIA</a> apareceu primeiro em <a href="https://paulodelgado.com.br">Paulo Delgado</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<div><em>Correio Braziliense e Estado de Minas – domingo, 9 de dezembro de 2018.</em></div>
<div></div>
<div><strong>N</strong>a estreita Rua Varenne, no coração envelhecido de Paris, a mansão Matignon, cujo inquilino é o primeiro-ministro, abriu seus portões para receber alguns representantes do movimento dos coletes amarelos. Eles não foram. No sábado, ontem, como é de praxe em dias de protesto, a rua foi interditada. A França, que tem o modelo mais organizado para enfrentar protestos, foi apresentada à era dos protestos sem rosto. São legiões horizontais, sem nome, e quando alguns líderes despontam são cortados por qualquer um que tenha um celular à mão. É o outro lado da modernidade intuída por Macron, que é a de fazer política sem partidos e outras instituições de representação tradicionais. Vai bem, até a hora que desanda. Paris em pânico, sem saber do que está se defendendo, teve de fechar até áreas turísticas e museus.</div>
<div></div>
<div>E, assim, será cada vez mais neste mundo de poder popular ficcional, mas livre, e Estado centralizado, demorado e indiferente.  O planeta é um sistema fechado com recursos finitos, menos os governos de seus países que gastam até quebrar a natureza e irritar o cidadão. Que decide sair aos montes, anônimos em Paris, ou solitariamente, com o celular na mão, dentro de um avião no Brasil, filmar a crítica que faz à autoridade.</div>
<div></div>
<div>Vivemos sob o manto da insustentabilidade. Tudo pode ficar escasso, mas a falta de sensibilidade da elite do Estado para com a irritação do povo, começa a ameaçar a estabilidade do mundo.  A começar pela irracionalidade que é manter o petróleo como principal combustível do progresso.  É melhor não brincar com a poluição, ela contamina a vida de todos.</div>
<div></div>
<div>
<div>Andrzej Duda, que preside o atual governo conservador da Polônia, recebeu a conferência sobre mudança climática da ONU deste 2018 e lembrou que trabalhar para evitar a mudança climática é fundamental, mas não pode ser feito de uma forma que atrapalhe o crescimento de países em desenvolvimento. Simplesmente porque é injusto. Num mundo onde o governo dos Estados Unidos, país mais rico e poderoso do mundo, diz que não é problema dele, todos devem cooperar para salvar o planeta, mas com inteligência e criatividade para salvar também os seus. Não conversar com quem protesta, mandar prender quem critica, se não é asneira é tolice. Maior exemplo da Terra — de erros, acertos, meios, caminhos e resistências — se chama China.</div>
<div></div>
<div>As dívidas chinesas, pública e privada somadas, alcançam a cifra de US$ 34 trilhões. Isso são 17 PIBs brasileiros de 2017. A China entendeu como ninguém as regras do jogo e acumulou ao longo dos anos reservas cambiais que hoje somam mais de US$ 3 trilhões. Junto a isso mantém sua conta de capitais fechada para o exterior, conseguindo, pela soma das duas coisas, financiar dessa forma estratosférica seu desenvolvimento. Uma maneira que nenhum outro país do mundo, à exceção dos EUA, consegue.</div>
<div></div>
<div>O realismo de Trump é baseado na constatação de que os EUA foram engambelados no jogo que eles mesmos criaram e não detém instrumentos tradicionais de coação da China. Ao se tornar o maior PIB do mundo, a China, isolada em sua cultura de comerciantes, pode, sim, tirar os EUA da posição imperial.</div>
</div>
<div></div>
<div>
<div>E Trump pode, sim, estar “esquentando” a Terra para ganhar tempo e esfriar a China. A morte de George H. W. Bush, que foi, antes de ser presidente, embaixador em Pequim &#8211; um que jogava tênis com as lideranças chinesas e circulava de bicicleta pela cidade &#8211; é o símbolo maior da passagem de uma abordagem de confiança e relações pessoais que ajuda a explicar o crescimento chinês dos últimos 40 anos.</div>
<div></div>
<div>A China cresceu porque os EUA deixaram, para ganharem dinheiro, muito dinheiro, com isso. Porque, de Nixon para frente, passou a ter muitos bons amigos em Washington. Os maiores sendo Bush pai e Henry Kissinger, hoje com 95 anos de idade. O crescimento chinês deve mais a jantares do que ao chão de fábrica. O primeiro fator tem precedência, relações públicas, busca de senso comum. O desespero atual é como negociar com alguém que não sonha. Planejamento com sonho, mais produtividade e endividamento, é a outra face do investimento. Futuro é sonho, diálogo, pois a vida só no presente é brutal, estanque e curta.</div>
<div></div>
<div>Os coletes amarelos na França são sinais de uma revolução que não começou ali, mas na Primavera Árabe de 2010 e passou pelo Brasil, em 2013, e na greve dos caminhoneiros. Existe por conta dessa tecnologia de comunicação e informação, que reúne as empresas mais valiosas do mundo. Cabeça, inteligência e ideias. Destroem e constroem o mundo. Não há limites para esse crescimento. Todavia, só vale a pena se for com boa vontade, bondade e razão, virtudes sem as quais o crescimento pode se tornar uma péssima forma de governar sem sabedoria.</div>
</div>
<div></div>
<div><a href="https://paulodelgado.com.br/wp-content/uploads/2018/12/COLETE-POLUIÇÃO-E-SABEDORIA-09.12.2018-Correio-Braziliense-Caderno-Mundo-pág.-17.pdf">COLETE, POLUIÇÃO E SABEDORIA &#8211; 09.12.2018 &#8211; Correio Braziliense &#8211; Caderno Mundo pág. 17</a></div>
<p>O post <a href="https://paulodelgado.com.br/colete-poluicao-e-sabedoria/">COLETE,  POLUIÇÃO E SABEDORIA</a> apareceu primeiro em <a href="https://paulodelgado.com.br">Paulo Delgado</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>https://paulodelgado.com.br/colete-poluicao-e-sabedoria/feed/</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
			</item>
		<item>
		<title>DISPUTAS MUNDIAIS</title>
		<link>https://paulodelgado.com.br/disputas-mundiais/</link>
					<comments>https://paulodelgado.com.br/disputas-mundiais/#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[Paulo Delgado]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 03 Feb 2019 04:15:25 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Artigos Correio Braziliense e Estado de Minas]]></category>
		<category><![CDATA[Recentes]]></category>
		<category><![CDATA[china]]></category>
		<category><![CDATA[EUA]]></category>
		<category><![CDATA[governança global]]></category>
		<category><![CDATA[organizações internacionais]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://paulodelgado.com.br/?p=5205</guid>

					<description><![CDATA[<p>Correio Braziliense e Estado de Minas – domingo, 03 de fevereiro de 2019. “Hoje somos a nação mais pobre e fraca da Terra. Ocupamos a mais<span class="excerpt-hellip"> […]</span></p>
<p>O post <a href="https://paulodelgado.com.br/disputas-mundiais/">DISPUTAS MUNDIAIS</a> apareceu primeiro em <a href="https://paulodelgado.com.br">Paulo Delgado</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p><em>Correio Braziliense e Estado de Minas – domingo, 03 de fevereiro de 2019</em>.</p>



<p><strong>“H</strong>oje somos a nação mais pobre e fraca da Terra. Ocupamos a mais baixa posição nas relações internacionais. Outras pessoas afiam as facas e servem os pratos: nós somos o peixe e somos a carne”, assim afirmou Sun Yat-sen, primeiro presidente de uma China republicana, em 1924. Nem 100 anos se passaram e o atual governante, Xi Jinping, poderia gracejar o exato oposto. O caminho entre um ponto e outro, nesse caso, envolveu revolução e adaptação aos limites do sistema mundial.</p>



<p>As nações, ou dão conta das suas questões, ou são engolidas pelo estrangeiro. Como empresas grandes e bem organizadas, comem empresas pequenas, mas quebram se perderem a noção de seus limites. Assim é também o reino animal mal amestrado. Na natureza, só comem o que precisam, diferente do ser humano antinatural, para quem muito é pouco.</p>



<p>Firmas e Estados normalmente têm conhecimento exclusivo sobre o que não devem fazer. Problemas que vão desde crimes de guerra até não conformidades de regulação sobre qualidade de vida, justiça, crises nacionais com impacto internacional. Atualmente, quase tudo pode ser chamado, mais ou menos, como questão internacional. Ninguém mais tem controle sobre tudo e é saudável “cair na real” para tal fato.</p>



<p>A Huawei é uma empresa chinesa que ascendeu de forma meteórica para a posição de líder do mercado de infraestrutura de informação e de comunicação no mundo. Em 1º de dezembro, a herdeira e atual diretora financeira da firma foi detida no Canadá a pedido dos EUA. No fim de janeiro, procuradores americanos apresentaram formalmente o pedido de extradição da executiva para ser julgada nos EUA.&nbsp; Antes disso, o embaixador do Canadá em Pequim foi retirado do cargo pelo primeiro-ministro Justin Trudeau. O embaixador canadense deu a entender que o então pedido de extradição por parte dos EUA era frágil demais e que era melhor que os EUA abandonassem a ideia. Tanto as afirmações do embaixador, quanto a firme ação de Trudeau, confirmam que, de fato, o buraco é bem mais embaixo. </p>



<p>Antes ainda disso, o embaixador da China no Canadá publicou uma coluna num jornal de Ottawa jogando a velha ficha chinesa de acusar humilhação. Numa linguagem gráfica e sem punhos de renda, a reação do embaixador chinês lembra o lamento acre de Sun Yat-sen, acrescido de acusação de racismo por parte dos canadenses e do “mundo ocidental” em geral.</p>



<p>Empresas e Estados são relutantes em compartilhar conhecimentos com o público, mesmo quando seriam úteis de imediato para seus próprios interesses. Não o fazem porque sabem que são parte de um jogo, sem fim. Há o domínio da lógica do pessoal de inteligência que não gosta que se saiba o que eles podem saber.&nbsp; A assimetria de informação é um poder. Mas é bom saber que o “agente secreto” está no fim.</p>



<p> </p>



<p>Na governança global, há muito receio por parte de agências de inteligência nacionais de disponibilizar informações sensíveis para Organizações Internacionais (OIs). Após o colapso da União Soviética, a cooperação internacional, inclusive o uso de OIs, aumentou muito. O caso emblemático é o da década de Guerra Civil nos Balcãs, com a traumática e bagunçada dissolução da Iugoslávia.</p>



<p>Para tratar de tudo de errado que ali se passou, as Nações Unidas acionaram o Tribunal Penal Internacional para a ex-Iugoslávia. O tribunal precisava de informações que eram detidas pelas Agências de Inteligência de outros países, sobretudo europeus, a respeito do que ocorreu ali. Muitos países não queriam revelar informações, métodos e tecnologias de que dispunham. O tribunal, que funcionou até 2017, eventualmente achou um caminho ao garantir sigilo aos países que fornecessem as evidências necessárias para se fazer justiça. Conseguiu indiciar 161 pessoas, com um pouco mais da metade acabando condenadas. Mais de 50 já cumpriram a pena.</p>



<p>Nos últimos anos, entretanto, há um declínio no uso das OIs para intermediar conflitos, ao mesmo passo em que explodiu a espionagem e o uso da justiça nacional como massa de manobra de interesses poderosos. Não parece uma estratégia que vá realmente evitar um conflito de larga escala. Tais Organizações Internacionais podem ser as formas tradicionais burocráticas, mas podem também realizar arbitragem de forma civilizada e ajudar o mundo.</p>



<p>A extensão desse assunto é a mais ampla possível. Observe a calamidade humana e ambiental que ocorreu em Minas Gerais. A Vale vai ter que responder também em Nova York, onde ela vende ações. A BHP Billiton, sócia da Vale na Samarco, está sendo processada em 5 bilhões de libras em Liverpool pelo acidente de 2015 que matou 19 pessoas. Não adianta querer fazer a Terra ficar plana. O curso espontâneo da economia é um pesadelo que vira e mexe desmoraliza a riqueza sem limites.</p>



<p><br></p>
<p>O post <a href="https://paulodelgado.com.br/disputas-mundiais/">DISPUTAS MUNDIAIS</a> apareceu primeiro em <a href="https://paulodelgado.com.br">Paulo Delgado</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>https://paulodelgado.com.br/disputas-mundiais/feed/</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Guerras Sem Fim</title>
		<link>https://paulodelgado.com.br/guerras-sem-fim/</link>
					<comments>https://paulodelgado.com.br/guerras-sem-fim/#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[Paulo Delgado]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 03 Mar 2019 18:35:04 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Artigos Correio Braziliense e Estado de Minas]]></category>
		<category><![CDATA[Recentes]]></category>
		<category><![CDATA[Coreia do Norte]]></category>
		<category><![CDATA[EUA]]></category>
		<category><![CDATA[FBI]]></category>
		<category><![CDATA[Kim]]></category>
		<category><![CDATA[trump]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://paulodelgado.com.br/?p=5224</guid>

					<description><![CDATA[<p>Correio Braziliense e Estado de Minas &#8211; Domingo, 3 de Março de 2019. Após chefiar o FBI por 48 anos, o controverso Edgar Hoover fez uma<span class="excerpt-hellip"> […]</span></p>
<p>O post <a href="https://paulodelgado.com.br/guerras-sem-fim/">Guerras Sem Fim</a> apareceu primeiro em <a href="https://paulodelgado.com.br">Paulo Delgado</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p><em>Correio Braziliense e Estado de Minas &#8211; Domingo, 3 de Março de 2019.</em></p>



<p>Após chefiar o FBI por 48 anos, o controverso Edgar Hoover fez uma de suas últimas jogadas ao informar o gabinete de reeleição do então presidente Richard Nixon de que desconfiava de um complô democrata para impedir seu sucesso eleitoral. A dica de Hoover deu substância para que o também paranoico Nixon passasse para a história pelo escândalo de Watergate.</p>



<p><br>Mas foi o desastrado Nixon que partiu para a China para reestabelecer relações com o país, no que é uma das mais relevantes atitudes tomadas por um líder político nos últimos 50 anos. Passados alguns meses de sua triunfal visita à terra de Mao — e apenas um mês após a morte de Hoover —, agentes a serviço da campanha de Nixon são presos enquanto colocavam grampos na Executiva Nacional do Partido Democrata em um dos prédios do condomínio Watergate.</p>



<p>O presidente Trump anda em busca de um trunfo que sufoque seus críticos e anime suas bases para não cair ou prejudicar sua reeleição. Se, por um lado, seu uso estratégico da Coreia do Norte bebe claramente em fontes inspiradas em Nixon, Trump parece atrair cada vez mais para perto de si aspectos indesejáveis para um presidente. O retumbante fracasso das conversas de Trump com Kim nesse fim de fevereiro é um primeiro sinal de que a cronologia dos eventos domésticos negativos está muito mais acelerada para Trump.</p>



<p><br>Após Cingapura, em 2018, o hotel Sofitel de Hanói, no Vietnã, serviu de palco para o segundo encontro entre Trump e Kim. O norte-coreano chegou a Hanói de trem. A longa viagem de Pyongyang a Hanói na velha composição blindada, que faz no máximo 60Km/h, foi a única opção aceita por Kim, dada à inviabilidade das alternativas. A Presidência norte-coreana tem um avião soviético em que eles não confiam. Kim não queria voar de novo num jumbo emprestado da China, como ele fez até Cingapura. Os americanos não aceitavam um encontro na própria Coreia do Norte. Os norte-coreanos não queriam a Coreia do Sul. Caso o evento fosse organizado na China ou na Rússia, não seria mais bilateral. Hanói foi a saída honrosa.</p>



<p>Assim como Nixon com relação à China, Trump seria a pessoa ideal para pacificar as relações com a Coreia do Norte. Simplesmente porque são justamente as figuras que politicamente pareceriam menos afeitas a fazê-lo. “Nixon na China” se tornou jargão de um conceito político sobre movimentos controversos que só são aceitos por virem de alguém que tem a confiança fanática de apoiadores. </p>



<p>Todavia, Trump encontrou-se muito fraco e desguarnecido em Hanói. Incapaz de entregar a demanda de Kim por um cancelamento substancial das inúmeras sanções impostas pelos EUA em troca da desnuclearização. Uma derrota para o presidente que diz querer dar fim às guerras que não acabam. E sua fraqueza é cada vez mais doméstica.</p>



<p><br>Em Washington, a atenção recai quase que completamente sobre o depoimento de Michael Cohen diante da Comissão de Supervisão e Reforma da Câmara dos Deputados dos EUA. Cohen, advogado pessoal de Trump ao longo de uma década, desancou o presidente americano. Trump, por sua vez, se refere a ele como “um fraco”, ou mesmo “um rato”.</p>



<p>No todo, o que o depoimento de Cohen aponta é que Trump não acreditava que ganharia a eleição e que não podia perder oportunidades de negócios que apareciam tanto ao longo dela quanto que vinham desde antes dela. Mesmo que objetivamente ilegais para um candidato. Afinal, com ele perdendo o pleito, pouca atenção atrairia ao que fez ou deixou de fazer. Assim, enquanto concorria, tocava pessoalmente negócios diversos de suas empresas inclusive envolvendo interesses estrangeiros, notadamente russos, que ele nega porque são condutas claramente ilegais para um candidato à presidência como expresso na legislação americana.</p>



<p><br>Segundo Cohen, que foi também um dos três principais responsáveis por arrecadação na Executiva Nacional do Partido Republicano durante 14 meses, entre 2017 e 2018, antes de cair em desgraça, Trump via sua campanha como “a maior programação paga da história da política”. Sua colaboração é desacreditada pelos republicanos, uma vez que só veio em sequência a ter sido condenado, pouco antes do Natal, a três anos de cadeia, após confessar crimes financeiros durante a campanha.</p>



<p>Na ausência de um trunfo de impacto no desenho da geopolítica mundial, a Trump restará se agarrar ao simbolismo mambembe da barreira física entre os EUA e o México. Um factoide que anime seus apoiadores a saírem de casa e a defendê-lo. Isso e abraçar com entusiasmo algum conflito que justifique o temor de uma migração em massa. Afinal, da forma como está estruturada a economia americana, o apetite em Washington por guerra é sempre maior do que por paz.&nbsp;<br></p>
<p>O post <a href="https://paulodelgado.com.br/guerras-sem-fim/">Guerras Sem Fim</a> apareceu primeiro em <a href="https://paulodelgado.com.br">Paulo Delgado</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>https://paulodelgado.com.br/guerras-sem-fim/feed/</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
			</item>
		<item>
		<title>O BRASIL NA OTAN</title>
		<link>https://paulodelgado.com.br/o-brasil-na-otan/</link>
					<comments>https://paulodelgado.com.br/o-brasil-na-otan/#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[Paulo Delgado]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 01 Apr 2019 01:55:17 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Artigos Correio Braziliense e Estado de Minas]]></category>
		<category><![CDATA[Recentes]]></category>
		<category><![CDATA[bolsonaro]]></category>
		<category><![CDATA[brasil]]></category>
		<category><![CDATA[EUA]]></category>
		<category><![CDATA[OTAN]]></category>
		<category><![CDATA[trump]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://paulodelgado.com.br/?p=5236</guid>

					<description><![CDATA[<p>Todas as vezes que as coisas apertam na economia aparece alguém “revolucionário” para dizer que é preciso domar o mercado e o capitalismo e colocá-los a<span class="excerpt-hellip"> […]</span></p>
<p>O post <a href="https://paulodelgado.com.br/o-brasil-na-otan/">O BRASIL NA OTAN</a> apareceu primeiro em <a href="https://paulodelgado.com.br">Paulo Delgado</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>Todas as vezes que as coisas apertam na economia aparece alguém “revolucionário” para dizer que é preciso domar o mercado e o capitalismo e colocá-los a serviço da prosperidade e da justiça social. Ninguém tem a coragem de dizer que falhar e vencer é a maior lição da vida. Já na área de defesa, o ideal nunca vem embrulhado na pasmaceira do sonho.</p>



<p><br>Em 1949, quando foi criada, a Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte) contava com 12 países. Um novo país pode entrar na organização, via governo dos EUA, caso conte com a concordância unânime dos demais membros e, segundo o artigo 10 do tratado, seja europeu. De lá para cá, 17 países se somaram ao grupo. Montenegro, pequeno país à beira do Mar Adriático, de frente para o sul da Itália, foi a última nação acolhida. Até que em Washington, durante conferência de imprensa no Rose Garden da Casa Branca, Bolsonaro ouviu a confirmação pública de que Trump tem a “intenção de designar o Brasil como “aliado importante fora da Otan”, ou mesmo possivelmente “um aliado da Otan”.<br>Ser um “aliado importante fora da Otan” não quer dizer muita coisa. Para o lado brasileiro, só por deixar os EUA usarem a Base de Alcântara e ter a Embraer em joint-venture com a Boeing na área de defesa já pagam a fatura. Todas os demais itens que se tornam disponíveis com tal tratamento são muito mais interessantes para os Estados Unidos. Como o Brasil, de fato, nunca antagonizou os EUA, a história de aliado extra-Otan na região já foi usada como migalha lançada à Argentina pelo governo Clinton, em 1998, para ver se espezinhava o Brasil.</p>



<p>Nunca nos espezinhou, e o convite ao vizinho nunca pôs nada substancial na mesa argentina. Celebrar a aliança entre Brasil e EUA com isso é como comemorar quinta colocação em campeonato mundial. Ajuda os EUA, donos da bola e do campeonato, sem dúvida. Afinal, ter o Brasil nesse grupo, ao lado de Paquistão, Afeganistão, Tunísia e Egito, legitima os EUA na imagem que passa para a comunidade internacional e nas suas barganhas militares mundo afora.<br>Para o Brasil, por outro lado, é basicamente aceitar ser equiparado a Paquistão, Afeganistão, Tunísia e Egito. Grandes países com grandes histórias, mas, no contexto atual do mundo, não, obrigado. Nem os EUA deveriam querer isso e sabem por quê. Se for só por conta de uma guerra com a Venezuela, que a administração Trump está doida para começar, não se assentam em bases sólidas. O horizonte de uma nação é muito mais longo e tal imediatismo não faz jus a tudo que gerações e mais gerações de brasileiros construíram para colocar o Brasil em pé, altivo e livre, contribuindo para um mundo melhor, inúmeras vezes ao lado dos EUA.</p>



<p><br>Trump faz um convite confuso, sem modelo claro, ao maior país da região. Convite que já foi feito à Colômbia. O que foi, a propósito, um acordo esdrúxulo também feito, em parte, para espezinhar o Brasil, mas que atingiu um pouco mais tal efeito. Desde 2013, vieram as conversações da Otan com a Colômbia e o Brasil, à época, não soube encaminhar corretamente seu interesse e da região — nem com a Otan, em geral, nem com os EUA, em específico. O Brasil foi empurrado à revelia, e a Colômbia entrou como aliada do grupo ano passado. Por que o Brasil não propõe que os EUA articulem nossa entrada como “parceiro global” da Otan com mais celeridade, qualidade e efetividade do que foi empregado para com a Colômbia? Simplesmente porque o Brasil sempre foi parceiro dos países da Otan, inclusive nas duas guerras mundiais, como nenhum outro país latino-americano.</p>



<p><br>Participar da Otan, para efeitos de compartilhamento de tecnologia e de reflexão sobre ações necessárias para garantir a estabilidade global, são suficientes para reconhecimento de sua relevância estratégica. De modo geral, há uma sobreposição entre ser denominado aliado extra-Otan dos EUA e ser também parceiro global da Otan. Tal é o caso explícito dos países com os quais os EUA não partilham apenas guerras, mas também a prosperidade e o futuro. Nos serve mais ser tratado como Austrália, Japão e Coreia do Sul.<br>Acima dessa categoria, há o caso de Israel. Em 2014, o Congresso americano tornou lei a parceria estratégica entre EUA e Israel. Tal é um caso único e amplo o suficiente para receber adequadamente o título de parceria estratégica. Como o Brasil não conta, nem de longe, com um lobby em Washington forte como o de Israel, tal ideia poderia se perder na burocracia. Entretanto, ali está bem esquadrinhado um tipo de acordo que pode orientar o que é uma verdadeira parceria estratégica. Caso contrário, o Brasil poderá resolver o problema americano sem mirar o interesse do próprio Brasil. Um contrassenso que nem mesmo a liderança americana compreenderia.</p>
<p>O post <a href="https://paulodelgado.com.br/o-brasil-na-otan/">O BRASIL NA OTAN</a> apareceu primeiro em <a href="https://paulodelgado.com.br">Paulo Delgado</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>https://paulodelgado.com.br/o-brasil-na-otan/feed/</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
			</item>
		<item>
		<title>O voto da guerra</title>
		<link>https://paulodelgado.com.br/o-voto-da-guerra/</link>
					<comments>https://paulodelgado.com.br/o-voto-da-guerra/#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[Paulo Delgado]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 12 May 2019 15:25:52 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Artigos Correio Braziliense e Estado de Minas]]></category>
		<category><![CDATA[Recentes]]></category>
		<category><![CDATA[eleições]]></category>
		<category><![CDATA[EUA]]></category>
		<category><![CDATA[guerra]]></category>
		<category><![CDATA[irã]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://paulodelgado.com.br/?p=5285</guid>

					<description><![CDATA[<p>O Boletim dos Cientistas Atômicos, fundado por pessoas que trabalharam no projeto Manhattan — aquele que desenvolveu as primeiras armas nucleares nos EUA —, criou, em<span class="excerpt-hellip"> […]</span></p>
<p>O post <a href="https://paulodelgado.com.br/o-voto-da-guerra/">O voto da guerra</a> apareceu primeiro em <a href="https://paulodelgado.com.br">Paulo Delgado</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>O Boletim dos Cientistas Atômicos, fundado por pessoas que trabalharam no projeto Manhattan — aquele que desenvolveu as primeiras armas nucleares nos EUA —, criou, em 1947, um relógio que é ajustado como um símbolo de proximidade a um evento de grande destruição planetária. Ele é uma medida subjetiva, baseado na opinião de membros do conselho do Boletim, que é basicamente uma ONG. Serve aqui como introdução. No conselho, atualmente, tem desde um ex-governador da Califórnia por quatro vezes, até uma ganhadora do prêmio Pulitzer, passando por uma série de pesquisadores de várias universidades americanas, poucas estrangeiras, e, até mesmo, alguns cientistas atômicos.</p>



<p>A ideia do relógio é usar a metáfora da proximidade da meia-noite como sendo a proximidade do fim. Quando foi criado, em 1947, já foi logo ajustado para faltando sete minutos para a meia-noite. De lá para cá, a marcação foi alterada 23 vezes para mais e para menos distante da meia-noite. Desde 2018, a contagem é de dois minutos para meia-noite, a mais baixa da série e apenas igual ao ano de 1953.</p>



<p>1953 foi um ano especialmente perigoso para o planeta, porque, em sequência ao teste inaugural de uma bomba de hidrogênio pelos americanos, no fim de 1952, a União Soviética testou a sua bomba de hidrogênio, enquanto os EUA faziam 11 testes nucleares no deserto de Nevada. </p>



<p>Nevada é hoje em dia muito mais famosa pelas festanças sem fim de Las Vegas. Quem sabe, por isso, talvez compreendamos mais por que o ano de 2019 é tão perigoso quanto 1953 por conta de outros acontecimentos.</p>



<p>Música alta, bebidas e clima festivo desanuviavam a noite de um Roosevelt Jr. querendo fazer história em Teerã. A alguma distância do imóvel que abrigava o estadunidense, residia Mohammed Mossadegh, primeiro-ministro do Irã. Naquela noite de 15 de agosto de 1953, Mossadegh tinha sua residência invadida por um grupo de militares decididos a lhe infligir um golpe de estado. Forças legalistas de prontidão impediram o golpe, prendendo dezenas de pessoas.</p>



<p>Já nas primeiras horas do dia 16, quando o rádio conectado no imóvel em que estava Roosevelt Jr. começou a tocar música marcial, celebrar Mossadegh e anunciar que um golpe havia sido reprimido, a ressaca da festa virou um funeral. Kermit Roosevelt Jr., descendente direto do presidente Theodore Roosevelt e também aparentado do presidente Franklin Roosevelt, era o homem enviado pelos EUA ao Irã com a missão de derrubar Mossadegh. Roosevelt Jr., ainda nos seus trinta e tantos anos, era um alto funcionário da CIA numa missão conspiratória secreta. É impossível entender a relação dos EUA com o Irã, e tudo o que tem acontecido e pode vir a acontecer, sem considerar essas ocorrências.</p>



<p>De fato, apenas 60 anos depois, ou seja, há cinco anos, a CIA admitiu sua participação direta nos eventos de 1953. Mais recentemente, em 2017, a CIA liberou um calhamaço de cerca de mil páginas de documentos a respeito da operação. </p>



<p>Fazia parte de um esforço de apaziguamento dos EUA com Teerã, que ganhou corpo na administração Obama e foi fortemente boicotado pela administração Trump. Lendo-os, se aprende que, passadas 48 horas do fracasso do golpe, Roosevelt Jr. recebeu um telegrama de Washington com ordens para abortar a operação.</p>



<p>O desobediente Roosevelt Jr. solenemente desconsiderou a determinação e conseguiu completar sua missão. As relações entre EUA e Irã jamais seriam as mesmas, dando contornos estranhíssimos ao balaio de gato que se tornou o Oriente Médio, onde o petróleo virou um óleo de cobra.</p>



<p>A parte mais famosa dessa valsa fúnebre ocorreu em 1979. A primeira vez que o herdeiro e empresário Donald Trump veio a público para se manifestar sobre algum assunto de política internacional foi justamente durante a invasão e o sequestro de todos os funcionários da embaixada americana em Teerã. Irado com o que ele considerava uma humilhação imperdoável sofrida por seu país.</p>



<p>Desde antes de Trump chegar ao poder, o país para o qual o Pentágono reserva mais horas de preparação para a guerra que ainda não ocorreu, desde o fim da Guerra Fria, é o Irã. De todos os conflitos do mundo, é o dos sonhos de Trump. John Bolton, Conselheiro de Segurança Nacional de Trump, informou neste 5 de maio ter deslocado um porta-aviões para perto da costa iraniana como um aviso. Um aviso que se mistura com os preparativos para as eleições presidenciais de 2020.</p>



<p>Desde o fim de 1986, um estudo publicado no Journal of Conflict Resolution mostra que, em média, a participação dos EUA nas cinco guerras em que esteve envolvido, entre 1896 e o princípio dos anos 1980, teve impacto negativo sobre o sucesso eleitoral do partido que enviava os EUA para cada uma das guerras. (<strong>Continua no próximo artigo</strong>)</p>
<p>O post <a href="https://paulodelgado.com.br/o-voto-da-guerra/">O voto da guerra</a> apareceu primeiro em <a href="https://paulodelgado.com.br">Paulo Delgado</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>https://paulodelgado.com.br/o-voto-da-guerra/feed/</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
			</item>
		<item>
		<title>PRONTIDÃO ELEITORAL</title>
		<link>https://paulodelgado.com.br/prontidao-eleitoral/</link>
					<comments>https://paulodelgado.com.br/prontidao-eleitoral/#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[Paulo Delgado]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 26 May 2019 23:04:34 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Artigos Correio Braziliense e Estado de Minas]]></category>
		<category><![CDATA[Recentes]]></category>
		<category><![CDATA[eleições]]></category>
		<category><![CDATA[EUA]]></category>
		<category><![CDATA[Forças Armadas]]></category>
		<category><![CDATA[irã]]></category>
		<category><![CDATA[Itamaraty]]></category>
		<category><![CDATA[trump]]></category>
		<category><![CDATA[venezuela]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://paulodelgado.com.br/?p=5306</guid>

					<description><![CDATA[<p>Correio Braziliense e Estado de Minas &#8211; domingo, 26 de maio de 2019. A guerra e sua preparação são partes essenciais da maneira com que os<span class="excerpt-hellip"> […]</span></p>
<p>O post <a href="https://paulodelgado.com.br/prontidao-eleitoral/">PRONTIDÃO ELEITORAL</a> apareceu primeiro em <a href="https://paulodelgado.com.br">Paulo Delgado</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p><em>Correio Braziliense e Estado de Minas &#8211; domingo, 26 de maio de 2019.</em></p>



<p>A guerra e sua preparação são partes essenciais da maneira com que os governos dos EUA se relacionam com o mundo. O estudo de 1986, que mencionamos no artigo anterior sobre a participação do país nas últimas cinco guerras em que estiveram envolvidos até então, apresenta também outro dado curioso. Quanto maior fosse o efeito negativo e desorganizador no dia a dia dos americanos, maior punição eleitoral sofreriam os políticos envolvidos no conflito. E que tal maldição recaía mais sobre o presidente do que sobre os parlamentares, mas afetava todos aqueles “associados” com a guerra. A conclusão do artigo era de que tal conhecimento talvez resultasse numa menor participação dos EUA em guerras dali para frente.</p>



<p><br>Entretanto, em janeiro de 1991, os EUA invadiam o Iraque numa operação com várias características que mudavam completamente o engajamento popular com guerras. A CNN fazia cobertura ao vivo do conflito pela primeira vez. O nível de tecnologia empregado diminuía drasticamente o uso de soldados americanos no campo de batalha. Ainda assim, eram 500 mil soldados, muito mais do que os utilizados hoje em dia nas guerras de drones. Mas, já em março, a Guerra do Golfo chegava ao fim. A aprovação de Bush pai, logo após o que o Pentágono considerou um fim bem-sucedido da curtíssima operação, extrapolou os 90%. Todavia, caiu muito rapidamente, por conta de confusões domésticas, e ele perdeu a reeleição em 1992. Parecia que as ideias do artigo estavam certas.</p>



<p><br>Entretanto, mais gente teorizava sobre ajustes finos que fizessem uma coisa ajudar e não atrapalhar a outra. George W. Bush, o filho, chegou à Presidência em janeiro de 2001. Em dezembro daquele ano, a aprovação de Bush alcançava 86%, a maior taxa de aprovação no fim do primeiro ano de mandato entre todos os presidentes americanos, de acordo com medições da Gallup feitas a partir de Eisenhower em 1953. Isso só aconteceu por conta do ataque sofrido por Nova York em 11 de setembro daquele ano. Antes do ataque, a aprovação do presidente estava em um pouco mais de 50%. Medições após o ataque mostraram o apoio acima de 90%. Bush invadiu o Iraque em 2003 e se reelegeu em 2004, em meio a uma guerra que durou até 2011.</p>



<p><br>A aprovação de Trump está no patamar mais alto de seu mandato — descontado o primeiro mês —, mas ainda abaixo de 50%. Os passarinhos lhe dizem que um conflito internacional próximo da eleição dará conta do recado, porque os ganhos do momento — ainda que se esvaiam rapidamente — são enormes se tiver pretexto claro compreendido pelo eleitorado. Para muitos, pretexto se fabrica. O problema é que a aceleração da inquietude que a guerra traz é incontrolável.</p>



<p><br>Por mil razões, muitas delas, aqui apontadas, a contra o Irã é o plano A. Por conta de contexto regional, a Venezuela é o plano B. Tanto Venezuela quanto Irã precisam de mudanças nas péssimas lideranças que têm para se tornarem países melhores para seus povos. Entretanto, uma mudança que venha por imposição militar externa — especialmente quando é politiqueira e interessada em petróleo, nos dois casos — só tende a abrir chagas que sangrarão por muito mais tempo.</p>



<p><br>No caso do Irã, as instituições brasileiras, em especial as Forças Armadas e o Itamaraty, têm pouco a contribuir. É importante lembrar que, sem nenhuma superioridade de poder, o governo brasileiro, entre 2009 e 2010, errou ao interferir na dinâmica da disputa entre EUA e Irã. Certeza excessiva é péssima conselheira em política e em diplomacia. Somos uma sociedade aberta, mas, por conta exatamente disso, não podemos passar recibo de desinformados a respeito dos arranjos globais, sob pena de terminarmos apenas com cara de pouco influente. O país persa tem forte lobby e presença nos EUA. Sabe tim-tim por tim-tim o que a administração americana atual pensa e quais são as forças a serem contactadas para se evitar uma desgraça. Desgraça que seria, no longo prazo, para os dois lados. Mas há sempre os cálculos e interesses imediatistas.</p>



<p><br>A Venezuela é um caso totalmente diferente. É nosso vizinho. Não dos EUA. São cerca de 2.200 quilômetros de fronteira conosco. A fronteira geopolítica dos EUA no continente é o Panamá. Nossas Forças Armadas sabem que não podem permitir conflito militar internacional aqui na América do Sul. É o mínimo que fazemos, e bem, manter a paz na nossa região. Infelizmente, a situação lá se agravou ao longo das últimas décadas em parte por culpa do Brasil, mas também dos EUA. Lá, sim, cabe uma atuação, do Itamaraty, principalmente, e das Forças Armadas, pelos canais multilaterais do sistema da ONU, para se garantir a transição de governo sem permitir que tenhamos um campo de guerra no nosso subcontinente, para uso da imprevisível campanha presidencial nos EUA.&nbsp;</p>
<p>O post <a href="https://paulodelgado.com.br/prontidao-eleitoral/">PRONTIDÃO ELEITORAL</a> apareceu primeiro em <a href="https://paulodelgado.com.br">Paulo Delgado</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>https://paulodelgado.com.br/prontidao-eleitoral/feed/</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
			</item>
		<item>
		<title>FMI NO OLHO DO FURACÃO</title>
		<link>https://paulodelgado.com.br/fmi-no-olho-do-furacao/</link>
					<comments>https://paulodelgado.com.br/fmi-no-olho-do-furacao/#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[Paulo Delgado]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 28 Oct 2019 02:20:13 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Artigos Correio Braziliense e Estado de Minas]]></category>
		<category><![CDATA[Recentes]]></category>
		<category><![CDATA[china]]></category>
		<category><![CDATA[crise]]></category>
		<category><![CDATA[EUA]]></category>
		<category><![CDATA[fmi]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://paulodelgado.com.br/?p=5405</guid>

					<description><![CDATA[<p>Correio Braziliense e Estado de Minas &#8211; domingo, 27 de Outubro de 2019 Neste mês, a búlgara Kristalina Georgieva assumiu o posto de diretora-gerente do Fundo<span class="excerpt-hellip"> […]</span></p>
<p>O post <a href="https://paulodelgado.com.br/fmi-no-olho-do-furacao/">FMI NO OLHO DO FURACÃO</a> apareceu primeiro em <a href="https://paulodelgado.com.br">Paulo Delgado</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p><em>Correio Braziliense e Estado de Minas &#8211; domingo, 27 de Outubro de 2019</em><a href="http://www.cbdigital.com.br/correiobraziliense/27/10/2019/p14#"></a><a href="http://www.cbdigital.com.br/correiobraziliense/27/10/2019/p14#"></a><a href="http://www.cbdigital.com.br/correiobraziliense/27/10/2019/p14#"></a></p>



<p><strong>N</strong>este mês, a búlgara Kristalina Georgieva assumiu o posto de diretora-gerente do Fundo Monetário Internacional (FMI). Georgieva não quebra o acordo de cavalheiros que prevê sempre um europeu na direção do Fundo. É assim desde a criação do órgão, em 1944, na Conferência de Bretton Woods, bairro da cidade de Carroll, no estado New Hampshire (EUA), onde as 44 nações aliadas decidiram dar uma organizada no capitalismo para quando acabasse a 2ª Guerra Mundial. O primeiro diretor-gerente foi um belga e, nos 73 anos de vida do Fundo, em 44 deles algum francês ocupou o posto principal. Quem vê política em tudo diz que Georgieva é a primeira de um país em desenvolvimento.</p>



<p>Todavia, o país de Georgieva — que, com 7 milhões de habitantes, tem uma população igual à do município do Rio de Janeiro — é parte da União Europeia desde 2007. Além disso, a nova diretora é uma burocrata tarimbada, com passagem tanto no sistema das Nações Unidas quanto na União Europeia. Assim, sua promoção é apenas o resultado de seleção de mérito dentro da própria Europa. De toda forma, é bom saber que Georgieva é unha e carne com o pensamento reinante em Paris.</p>



<p>A outra organização internacional criada em um resort de Bretton Woods foi o Banco Mundial. Desde sempre, a presidência do órgão foi exercida pelos EUA. Em 2012, ocorreu um movimento para ampliar o feudo estadunidense na instituição com as candidaturas de Ngozi Okonjo-Iweala, uma nigeriana de sangue real enviada para estudar nas mais poderosas universidades dos EUA ainda adolescente, e que chegou a número dois do Banco Mundial, e o colombiano José Antonio Ocampo, professor na principal universidade de Nova York e figura calejada do sistema ONU.</p>



<p>Numa atitude que tentava dialogar com a situação, os EUA de Obama escolheram promover um estadunidense nascido na Coreia do Sul como o máximo de avanço possível. Jim Yong Kim, o escolhido, apesar de bem-intencionado e com importante contribuição na área de saúde filantrópica, fez uma das mais conturbadas gestões que a organização já teve. Pediu para sair no início deste ano e foi substituído a toque de caixa pelo atual presidente, David Malpass. Quando Malpass chegou ao Banco Mundial, encontrou Georgieva atuando como diretora executiva.</p>



<p>Tanto o Banco Mundial quanto o FMI, para além de suas funções centrais de canalizar empréstimos e financiamentos para resolver desequilíbrios da economia mundial, também se organizam como grandes fábricas de diagnósticos, prognósticos e tratamentos aplicados às questões econômicas das diversas partes do mundo.&nbsp; Ambas as instituições são parte central da governança global, mesmo para países que não dependem delas. Apesar das brigas políticas que desanimam as organizações, as duas instituições são centros muito bem informados e com equipe da mais alta qualidade. Mas, hoje, enfrentam um furacão: com as atuais regras do jogo, a China vai ganhar o campeonato iniciado em Bretton Woods.</p>



<p>O primeiro relatório sobre a situação global publicado pelo FMI sob Kristalina Georgieva aponta para a economia mundial crescendo 3% em 2019. O mais baixo crescimento desde o epicentro da crise financeira nas economias centrais, entre 2008 e 2009. A perspectiva é de uma queda no crescimento tanto da China quanto dos EUA, por conta de belicosas decisões políticas tomadas em cada um dos dois países com relação ao outro.</p>



<p>A decisão dos governos desses dois países de ferir a economia um do outro é surreal, dado o nível de emaranhamento complexo entre as duas maiores economias do planeta. Ao ferir a China, os EUA ferem a si mesmos. Ao ferir Washington, Pequim fere a si mesma. Do jeito que os dois países estão se comportando, podemos sentir, talvez, a mais ousada tentativa do modelo econômico liberal — praticado pelos dois, a seu modo — de acabar com a intermediação política e desestabilizar as instituições democráticas. Sem confiança no horizonte, o resto da economia global é tratada como dano colateral. Dado o violento narcisismo paranoico de vários dos envolvidos, o efeito manada que a retórica nacionalista causa agrava a competição pura e desvairada. China e EUA podem sequestrar o mundo num longo processo revisionista, estimulados pela moda política de ver mais virilidade na grosseria do que na educação.</p>



<p>Em linguagem mais neutra e burocrática, como cabe a tais relatórios, o FMI, quem diria, aponta para a necessidade de se dar um basta nas tensões comerciais internacionais, revigorar a cooperação multilateral e prover apoio público à atividade econômica onde for necessário. Tendo como objetivo tornar o crescimento econômico socialmente mais justo e parar de apostar na incerteza das tensões geopolíticas.</p>



<p><br></p>
<p>O post <a href="https://paulodelgado.com.br/fmi-no-olho-do-furacao/">FMI NO OLHO DO FURACÃO</a> apareceu primeiro em <a href="https://paulodelgado.com.br">Paulo Delgado</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>https://paulodelgado.com.br/fmi-no-olho-do-furacao/feed/</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
			</item>
		<item>
		<title>EXPORTADOR DE PROBLEMAS</title>
		<link>https://paulodelgado.com.br/exportador-de-problemas/</link>
					<comments>https://paulodelgado.com.br/exportador-de-problemas/#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[Paulo Delgado]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 19 Jan 2020 23:21:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Artigos Correio Braziliense e Estado de Minas]]></category>
		<category><![CDATA[Recentes]]></category>
		<category><![CDATA[eleições]]></category>
		<category><![CDATA[EUA]]></category>
		<category><![CDATA[guerra]]></category>
		<category><![CDATA[impeachment]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://paulodelgado.com.br/?p=5442</guid>

					<description><![CDATA[<p>Correio Braziliense e Estado de Minas &#8211; domingo, 19 de janeiro de 2020. Na esteira da eleição de Franklin Roosevelt, em 1932, foi eleita uma vasta<span class="excerpt-hellip"> […]</span></p>
<p>O post <a href="https://paulodelgado.com.br/exportador-de-problemas/">EXPORTADOR DE PROBLEMAS</a> apareceu primeiro em <a href="https://paulodelgado.com.br">Paulo Delgado</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p><em>Correio Braziliense e Estado de Minas &#8211; domingo, 19 de janeiro de 2020.</em></p>



<p><strong>N</strong>a esteira da eleição de Franklin Roosevelt, em 1932, foi eleita uma vasta maioria de membros do Partido Democrata para o Senado e a Câmara dos Deputados dos EUA. A primeira eleição após a morte de Roosevelt, que governou 12 anos com maioria democrata, resultou em maiorias do Partido Republicano nas duas Casas do Congresso. Foi um curto respiro dos republicanos no Legislativo nacional, pois, passados dois anos, a hegemonia democrata no Capitólio voltou a predominar até os anos 1980.</p>



<p>De 1933 a 1980, republicanos só tiveram maioria firme no Senado por quatro anos. Na Câmara dos Deputados, também foram apenas quatro anos, entre 1931 e 1994. Somente em 1995, republicanos teriam a maioria nas duas Casas do Congresso. Para um país que se organiza em torno de apenas dois partidos, o predomínio congressual dos democratas foi resultado de uma grande coalizão mantida sob os ideais do New Deal, a política de recuperação econômica formulada por F. Roosevelt.</p>



<p>Os republicanos voltaram a ser maioria no Senado na mesma eleição em que Jimmy Carter perdeu para Ronald Reagan. Uma grande parte do que ocorreu na eleição de 1980 foi o início do colapso da hegemonia dos valores do New Deal, que estavam exauridos. Entretanto, o que contou para valer foi o fato de que a eleição transcorreu com 52 americanos feitos reféns na embaixada americana de Teerã. E conta até hoje.</p>



<p>Desde antes de Trump chegar ao poder, o país para o qual o Pentágono pós-guerra fria reserva mais horas de preparação para invadir é o Irã. De todos os conflitos do mundo, é o que mistura sonhos e pesadelos dessa geração que duvidou dos rumos americanos em 1980.</p>



<p>Não é à toa que o recente assassinato, no Iraque, comandado por controle remoto, do general iraniano foi decidido no contexto de uma reação abrupta à aparente ameaça de invasão da embaixada americana em Bagdá, por volta da virada deste ano. Ao lado dos EUA, o Irã é o país que mais tem influência no Iraque. Tocaram fundo em Trump os ecos de 1979, ao se sentir sob a possibilidade de parecer “fraco” como Carter. Pesou a mão e deu vazão às forças que querem mudança radical no Irã.</p>



<p>Apesar de ter que dizer oficialmente que “não intenciona forçar mudança de regime em Teerã”, para não se complicar mais desde que a Câmara dos Deputados aprovou seu impeachment, forçar a mudança de regime por meio da intensificação continuada das sanções ao Irã é exatamente o que está sendo feito. E tudo meticulosamente misturado aos preparativos para as eleições presidenciais deste ano.</p>



<p>A aposta é muito arriscada. E envolveu na semana passada, como reporta o Washington Post, uma “extorsão” para cima das potências europeias, que se viram obrigadas a acionar o mecanismo de disputa do tratado nuclear com o Irã, sob ameaça de terem seus automóveis tarifados por Washington. Extorsão ou não, o fato é que o aumento das sanções encurrala ainda mais o regime iraniano. É quase que forçar uma escalada de um regime já afeito à violência, mais ainda contra seu próprio povo. Desde dezembro de 2017, protestos no país estão sendo reprimidos com brutalidade, prisões e mortes.</p>



<p>Após o balão de ensaio lançado com o assassinato do general iraniano, a aprovação de Trump subiu. Ou anulou a queda sofrida desde o início do processo de impeachment.</p>



<p>Assim como a crise em torno do antiamericanismo da Revolução Iraniana pavimentou a formação de um Senado republicano nos anos 1980, a volta dos republicanos ao comando da Câmara, depois de décadas, foi liderada pelo radical Newt Gingrich, que orquestrou o impeachment de Bill Clinton.</p>



<p>De toda forma, de 1995 a 2020, a estratégia aberta por Gingrich funcionou, e os democratas só tiveram maioria na Câmara por cinco anos, incluindo o biênio iniciado em 2019. Naquilo que não tem de único, Trump é o reflexo de uma coalizão ainda amorfa entre conceitos dos anos 1980 de Reagan com o modus operandi de Gingrich. Como escrito aqui em novembro de 2018, dada a forma como foi feito o impeachment, o Senado republicano não falhará com Trump.</p>



<p>Além disso, depois do espetáculo que foi o impeachment de Clinton, só para ser barrado no Senado, há uma impaciência do público americano com o que acabou sendo percebido como uma insincera armação, dessa vez democrata, que não dará em nada por conta da maioria do outro partido.</p>



<p>Trump ainda tem a carta da mobilização nacional contra o Irã para jogar mais próximo da eleição, se necessário. A cultura norte-americana aceita a ideia de que ser um exportador de problemas traz dividendos no curto prazo para presidentes dos EUA.</p>



<p>Vamos mais uma vez dar razão ao veredito: ser inofensivo nunca foi um atributo humano.<br></p>
<p>O post <a href="https://paulodelgado.com.br/exportador-de-problemas/">EXPORTADOR DE PROBLEMAS</a> apareceu primeiro em <a href="https://paulodelgado.com.br">Paulo Delgado</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>https://paulodelgado.com.br/exportador-de-problemas/feed/</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
			</item>
	</channel>
</rss>
