WikiLeaks: o segredo de graça, a graça do segredo

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Temos instituído, ainda que veladamente, que cobrar por informações produzidas pelo Estado produz menos crise do que oferecê-las de graça. Mas pode o país que institucionalizou o lobby, assinou o Freedom of Information Act – a lei que garante o acesso a documentos governamentais para qualquer um, independentemente, inclusive, de nacionalidade – e carrega sobre o andor de sua 1ª Emenda imensa parte de seu orgulho civilizatório, considerar crime a oferta pública e indiscriminada de opiniões do Estado? Não sem constrangimento.

O que fazer diante do açoite que a liberdade deu no monopólio estatal do lobby?

Segredos abertos, diplomacia língua de renda, imprensa desinformada, negócios com pessoas e países com os quais não se deveria fazer negócios, sigilo da autoridade sobre sua opinião a respeito da liberdade de expressão. Justiça maleável tanto em países autoritários quanto em democráticos.

O novo mundo exige uma nova autoridade que seja capaz de dizer em público o que anda dizendo em particular. A graça de uma nova política sem segredos.

O alento é que, aparentemente, muito do que se diz às claras confere com o que se redigi às escuras. Mesmo assim, será que já há preparo para tal arrojo? Todavia, há de vir.

Paulo Delgado
Paulo Delgado
Sociólogo, Pós-Graduado em Ciência Política, Professor Universitário, Deputado Constituinte em 1988, exerceu mandatos federais até 2011. Consultor Independente de Empresas e Instituições nas Áreas de Política, Educação e Trabalho, escreve para os jornais O Estado de S. Paulo, Estado de Minas, O Globo e Correio Braziliense.

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