Lula pode ajudar governo a ajudar clientes de bancos

Sonia Racy – Direto da fonte – O ESTADO DE S. PAULO

O presidente Lula criticou,anteontem, o “comodismo” dos brasileiros que não trocam de banco para fugir dos juros altos. Chegou a dizer que as pessoas “não trocam o traseiro da cadeira para mudar de banco e tentar obter juros menores”. O mesmo poderia se dizer de partes do governo e do Legislativo. Faz mais de um ano e meio que esta coluna publicou as linhas mestras de um projeto, capitaneado pelo BC e pela Secretaria de Política Econômica, do Ministério da Fazenda,que tem como objetivo facilitar a troca de banco e acirrar a concorrência. Além disto, existem também dois outros projetos tramitando no Legislativo: um do senador Aloísio Mercadante e outro do deputado Paulo Delgado , ambos petistas, visando liberar os empregados para escolherem o banco em que querem receber seu salário. Por que não andam?

Um dos principais eixos da proposta da Fazenda, cuja tramitação está parada, é criar uma política de portabilidade no mercado bancário, permitindo ao consumidor mudar de banco ao menor custo e com as melhores informações possíveis. À época, a observação dos técnicos que montaram o projeto foi de que os consumidores normalmente são mais fiéis aos bancos do que a outras indústrias, a despeito de eventuais variações de taxas ou juros. E, quanto maior o custo em mudar de banco, maior o poder de mercado do banco naquele determinado nicho. Por tanto, o projeto foi feito para reduzir custos e assimetrias de informação do lado do banco,que deveria ser capaz, por exemplo, de cobrar menos dos consumidores que pagam suas contas em dia.

Por isso a idéia do cadastro positivo, dos bons pagadores, que é parte do projeto.Com o cadastro, o sistema financeiro poderá cobrar juros diferentes das empresas com bom histórico. Hoje, empresas pequenas com bom histórico sofrem, sobretudo quando mudam de banco, com o fato de que sua “boa ficha” não é substancialmente tomada em conta pela instituição. Mas, para além das empresas, os técnicos apontam ser necessário que o consumidor pessoa física seja beneficiado e protegido. Será que o presidente Lula não poderia fazer algo para acelerar este processo ajudando o cliente a se mexer?

Paulo Delgado
Paulo Delgado
Sociólogo, Pós-Graduado em Ciência Política, Professor Universitário, Deputado Constituinte em 1988, exerceu mandatos federais até 2011. Consultor Independente de Empresas e Instituições nas Áreas de Política, Educação e Trabalho, escreve para os jornais O Estado de S. Paulo, Estado de Minas, O Globo e Correio Braziliense.

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